{"id":52911,"date":"2011-09-13T13:23:57","date_gmt":"2011-09-13T13:23:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/13\/digital-um-sinal-implacavel-do-nosso-tempo\/"},"modified":"2011-09-13T13:23:57","modified_gmt":"2011-09-13T13:23:57","slug":"digital-um-sinal-implacavel-do-nosso-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/digital-um-sinal-implacavel-do-nosso-tempo\/","title":{"rendered":"Digital: um sinal implac\u00e1vel do nosso tempo"},"content":{"rendered":"<p>C\u00f3nego Ant\u00f3nio Rego, diretor do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais <!--more--> <\/p>\n<p>Pode parecer obsess&atilde;o ou febre tecnol&oacute;gica&nbsp; a proposta de reflex&atilde;o dentro da Igreja, nomeadamente&nbsp; nos respons&aacute;veis de comunica&ccedil;&atilde;o, sobre o digital. Como se se tratasse apenas duma mudan&ccedil;a de velocidade no carro dos media onde podemos ficar&nbsp; para tr&aacute;s. Podemos tamb&eacute;m n&atilde;o saber exatamente onde ficar, onde nos situarmos e aonde queremos chegar. E para qu&ecirc;.<\/p>\n<p>&Eacute; nos anos 90 do s&eacute;culo XX que a Internet&nbsp; se torna uma ferramenta&nbsp; vulgarizada, acess&iacute;vel, progressivamente indispens&aacute;vel em qualquer quadrante de trabalho.Com a inform&aacute;tica em crescendo incontrol&aacute;vel, a entrada na rede torna-se subitamente um novo fen&oacute;meno da sociedade contempor&acirc;nea. Muitos, como sempre acontece com a novidade, pensavam tratar-se de uma crise passageira, mas muitos outros perceberam que mais que uma novidade tecnol&oacute;gica est&aacute;vamos perante uma nova mudan&ccedil;a social que desenfreadamente se introduziria em todos os recantos por onde passam os dinamismos do nosso tempo. E, facto curioso, quem entrou no comboio, a tempo, seguiu viagem, aprendeu e compreendeu serena e ativamente a evolu&ccedil;&atilde;o. Quem o perdeu, perdeu uma &eacute;poca, um sinal, uma cultura, uma oportunidade irrepet&iacute;vel de aceder ativamente a um instrumento fundamental da vida contempor&acirc;nea. Foi de facto uma oportunidade irrecuper&aacute;vel pois a aprendizagem a partir de certa altura tornou-se imposs&iacute;vel.<\/p>\n<p>&Eacute; exatamente em 1990 que Jo&atilde;o Paulo II avan&ccedil;a com uma reflex&atilde;o sobre a inform&aacute;tica.&#8221;<em>Na nova cultura do computador a Igreja pode informar mais rapidamente o mundo sobre o seu &#8220;credo&#8221; e explicar as raz&otilde;es de sua posi&ccedil;&atilde;o sobre cada problema ou acontecimento. Pode escutar mais claramente a voz da opini&atilde;o p&uacute;blica, e entrar num debate cont&iacute;nuo com o mundo que a cerca, empenhando-se assim, mais ativamente na busca comum de solu&ccedil;&otilde;es dos muitos e urgentes problemas da humanidade.&#8221;<\/em>(Mensagem de 27 de maio de 1990).<\/p>\n<p>Em 1991 a <em>Redemptoris Missio<\/em> totna-se -se num dos documentos mais radicais e exigentes na proposta dos media como instrumento de evangeliza&ccedil;&atilde;o: &ldquo;<em>O primeiro are&oacute;pago dos tempos modernos &eacute; o mundo das comunica&ccedil;&otilde;es, que est&aacute; a unificar a humanidade, transformando-a &mdash; como se costuma dizer &mdash; na &laquo; aldeia global<\/em> &raquo;&hellip;<em>&Eacute; um problema complexo, pois esta cultura nasce, menos dos conte&uacute;dos do que do pr&oacute;prio facto de existirem novos modos de comunicar com novas linguagens, novas t&eacute;cnicas, novas atitudes psicol&oacute;gicas(n&ordm;27)<\/em><\/p>\n<p>O campo da comunica&ccedil;&atilde;o moderna confirma plenamente este ju&iacute;zo. E n&atilde;o esqueceremos a sequ&ecirc;ncia de reflex&otilde;es pastorais dos organismos da Santa S&eacute;, (<em>Aetatis Novae,<\/em>1992<em>), <\/em>encontros a n&iacute;vel mundial, congressos, propostas de trabalho, unifica&ccedil;&atilde;o de dinamismos dos setores do Vaticano para uma maior efic&aacute;cia medi&aacute;tica (Secretaria de Estado, Sala de Imprensa, Conselho Pontif&iacute;cio, etc.),cria&ccedil;&atilde;o da &ldquo;<em>intermirifica.net&rdquo;<\/em> etc. Jo&atilde;o Paulo II n&atilde;o mais abandona o tema nas suas mensagens para o Dia Mundial das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais, nas muitas interven&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; rede e no apelo veemente a uma participa&ccedil;&atilde;o nestes novos meios como instrumentos&nbsp; pastorais. (<em>Igreja e Internet <\/em>e <em>&Eacute;tica na Internet <\/em>etc).<\/p>\n<p>Os tempos n&atilde;o param, a evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica torna-se galopante e invade todos os segmentos da vida. O digital atinge amigos e inimigos, os que aceitam e os que os rejeitam, deixa impiedosamente para tr&aacute;s quem se lamuria ou se prende em considerandos nost&aacute;lgicos. Crian&ccedil;as, jovens, adultos e velhos, euf&oacute;ricos, viciados ou descontentes, ningu&eacute;m escapa a esta avalanche na condi&ccedil;&atilde;o que escolhe &ndash; e tem de escolher uma &#8211; criador, utilizador ou apenas espectador desconfiado desta onda que j&aacute; n&atilde;o permite que se explique o nosso tempo fora do seu contexto, ou escape &agrave; rede que constitui a trama da cultura do s&eacute;culo XXI. Surpreendentemente para alguns, o Papa Ratzinger, o grande homem do livro, presta uma particular aten&ccedil;&atilde;o a este sinal implac&aacute;vel. E n&atilde;o perde uma &uacute;nica oportunidade de trazer &agrave; reflex&atilde;o de pensadores, pastores e de todo o povo crist&atilde;o as potencialidades imensas do universo digital, media convencionais, redes sociais, transforma&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas e impar&aacute;veis no pensamento, na educa&ccedil;&atilde;o, na express&atilde;o do homem de hoje. Fala abertamente duma revolu&ccedil;&atilde;o &agrave; maneira da revolu&ccedil;&atilde;o industrial que caracterizou o s&eacute;culo XIX. Lembremos as mensagens dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, as refer&ecirc;ncias continuadas nos seus discursos, homilias, exorta&ccedil;&otilde;es e gestos concretos de uso das novas tecnologias para difundir a Boa Nova. As grandes apostas do Pontif&iacute;cio Conselho para as Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais t&ecirc;m levado reflex&otilde;es e pistas de trabalho a partir de Roma e um pouco pelos cinco continentes para que ningu&eacute;m fique de fora deste novo are&oacute;pago de evangeliza&ccedil;&atilde;o: uma conce&ccedil;&atilde;o alargada dos media que n&atilde;o abdica da imprensa, cinema, r&aacute;dio e televis&atilde;o mas os v&ecirc; cada vez mais interligados por essa magia chamada digital que com um toque ligeiro atravessa o planeta em informa&ccedil;&atilde;o, divertimento, cultura e f&eacute;. E a&iacute; envolve a comunidade humana e crist&atilde;.<\/p>\n<p>Entre n&oacute;s, a Igreja procurado seguir esta pista, quer nas transforma&ccedil;&otilde;es antropol&oacute;gicas provocadas pelo digital, quer no seu aproveitamento como instrumento de evangeliza&ccedil;&atilde;o. Sabemos que n&atilde;o s&atilde;o os documentos &#8211; h&aacute; tantos, porventura em excesso &#8211; que envolvem os crist&atilde;os ou as pessoas de boa vontade nas causas da Igreja. Mas sabemos que sem reflex&atilde;o&nbsp; aprofundada&nbsp; e oportuna perdemo-nos na velocidade cicl&oacute;nica com que as transforma&ccedil;&otilde;es acontecem. Os sinais dos tempos n&atilde;o s&atilde;o est&aacute;ticos. Possuem um dinamismo que n&atilde;o podemos deixar passar ao lado. Com o risco de podermos ficar na contempla&ccedil;&atilde;o magoada de mais um museu de pe&ccedil;as mortas. Desta vez digital.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Rego, diretor do Secretariado Nacional das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00f3nego Ant\u00f3nio Rego, diretor do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[140],"class_list":["post-52911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-comunicacoes-sociais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}