{"id":52904,"date":"2011-09-13T11:35:57","date_gmt":"2011-09-13T11:35:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/13\/200-anos-do-bom-jesus-do-monte\/"},"modified":"2011-09-13T11:35:57","modified_gmt":"2011-09-13T11:35:57","slug":"200-anos-do-bom-jesus-do-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/200-anos-do-bom-jesus-do-monte\/","title":{"rendered":"200 anos do Bom Jesus do Monte"},"content":{"rendered":"<p>A Confraria de Bom Jesus do Monte (Braga) vai assinalar durante o pr&oacute;ximo m&ecirc;s de outubro (dias 20-22) a data da conclus&atilde;o arquitet&oacute;nica do Templo com a realiza&ccedil;&atilde;o de um evento de car&aacute;ter cient&iacute;fico, a saber: um Congresso sobre o Barroco, o primeiro especialmente consagrado &agrave;s realiza&ccedil;&otilde;es do barroco em Portugal e no Brasil, e reunindo estudiosos do fen&oacute;meno do barroco, brasileiros e portugueses.<\/p>\n<p>Na verdade, o atual Templo que remata o monumental escad&oacute;rio, com as Capelas e Passos da Paix&atilde;o, ficou conclu&iacute;do em setembro em1811, substituindo um antigo Templo Barroco que vinha do tempo de D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) e que ocupava o patamar inferior ao que ocupa o atual (onde se encontra hoje um fontan&aacute;rio art&iacute;stico). Continuariam depois as obras com o preenchimento dos interiores (das talhas e pinturas), e depois continuando tamb&eacute;m v&aacute;rias obras nos jardins exteriores que se prolongariam, por todo o S&eacute;culo XIX que, praticamente, lhe deram a fei&ccedil;&atilde;o geral com que hoje o conhecemos.<\/p>\n<p>Podemos dizer que o conjunto arquitet&oacute;-nico passou por 4 ou 5 momentos principais: Uma primitiva capela ou ermida dedicada a Santa Cruz, que vem, do S&eacute;culo XIV e que com certeza deve a sua funda&ccedil;&atilde;o ao Arcebispo D. Gon&ccedil;alo Pereira (1326-1348) (sob invoca&ccedil;&atilde;o de Santa Cruz do Monte).<\/p>\n<p>Este Arcebispo esteve na Batalha o Salado (1340) &#8211; uma das decisivas batalhas peninsulares &#8211; travadas contra a presen&ccedil;a e dom&iacute;nio &aacute;rabes e contra o Isl&atilde;o. O Arcebispo esteve a&iacute;, com Afonso IV, com as suas hostes e as de seu filho &#8211; D. &Aacute;lvaro Gon&ccedil;alves Pereira. O Primaz atribuiu essa not&aacute;vel e decisiva vit&oacute;ria &agrave; interven&ccedil;&atilde;o de S. Cruz de quem era devoto e que seu filho, Prior do Crato, levava em estandarte, conduzindo as hostes: Neste sinal da Vera Cruz&hellip; vencereis seus inimigos (Ruy de Pina, Chronica d&acute;El-Rei Dom Affonso IV. Ed. Biblion Lisboa. 1936.168). O resultado foi a ere&ccedil;&atilde;o de uma ermida comemorando o feito e assinalando essa devo&ccedil;&atilde;o. A Ermida, desde a&iacute;, foi reunindo devo&ccedil;&otilde;es e atraindo devotos, nesta primeira fase, essencialmente da Cidade de Braga.<\/p>\n<p>Essa vestuta ermida seria substitu&iacute;da por uma outra de tra&ccedil;a &#8220;moderna&#8221; &#8211; g&oacute;tico final, ou manuelina ou renascentista &#8211; que como era j&aacute; a moda do tempo &#8211; atendendo at&eacute; &agrave; import&acirc;ncia e ao enorme patrim&oacute;nio econ&oacute;mico da personalidade a quem se atribuem essas obras (pelos anos de 1493-98) &#8211; D. Jorge da Costa. Mais que restauro, ter-se a tratado de uma nova funda&ccedil;&atilde;o em torno do mesmo devocio-n&aacute;rio &#8211; a Santa Cruz. Durante muito tempo, essa data, foi tomada como a data da funda&ccedil;&atilde;o do Bom Jesus do Monte. Por cerca de 1525 essa constru&ccedil;&atilde;o j&aacute; oferecia ru&iacute;na. O De&atilde;o D. Jo&atilde;o da Guarda, ao tempo em que D. Diogo de Sousa &#8220;refundacionava&#8221; a cidade de Braga com v&aacute;rios edif&iacute;cios ao estilo Manuelino ou da Renascen&ccedil;a, reconstruiu ou, mais verosimilmente, edificou nova capela que alguns definem como &#8220;constru&ccedil;&atilde;o em grande&#8221;. Com perip&eacute;cias varias, seria essa constru&ccedil;&atilde;o, a que alimentou as devo&ccedil;&otilde;es e os interesses de alguns particulares at&eacute; 1629 em que se criou a Irmandade ou Confraria de Bom Jesus do Monte, que desde a&iacute;, tamb&eacute;m com perip&eacute;cias e acidentes v&aacute;rios, tem regido at&eacute; &agrave; atualidade, os destinos devocionais e art&iacute;sticos do Complexo do Bom Jesus do Monte. Surgia a partir daqui uma nova fei&ccedil;&atilde;o monumental a cujos tra&ccedil;os gerais obedeceu a posterior interven&ccedil;&atilde;o de D. Rodrigo de Moura Teles, documentando os primeiros passos do maneirismo e do barroco nortenhos.<\/p>\n<p>O complexo monumental, de fei&ccedil;&atilde;o barroca setecentista, com as capelas dos passos da Paix&atilde;o que rematava esses complexo e que ocupava, como dissemos, o imediato patamar abaixo do atual templo, s&atilde;o obra de outro grande Arcebispo &#8211; D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) a quem Braga, nesses aspetos, muito deve. Interven&ccedil;&otilde;es essas que aqui se materializam a partir de 1722.<\/p>\n<p>Os tempos posteriores s&atilde;o de prosperidade devocional e monumental.<\/p>\n<p>O Bom Jesus do Monte transforma-se no grande santu&aacute;rio de romagem n&atilde;o s&oacute; de Entre Douro e Minho como do conjunto do Reino. A&iacute; acorrem devotos de todas Prov&iacute;ncias desde o Minho &agrave; linha do Tejo. E as famosas romarias s&atilde;o agora (n&atilde;o o foram antes?) um misto de devo&ccedil;&atilde;o religiosa e de folguedo laico profano a que os tempos da festa (como foram essencialmente os do S&eacute;culo XVIII) a que a beleza do lugar, tanto convidavam paralelos a um profanismo e laicismo que foi acompanhando o bem-estar geral que se sentiu por quase todo este S&eacute;culo XVIII, (tenham dito ou continuem dizendo, outros, o contr&aacute;rio) e que tiveram nas grandes Romarias e centros de romagem a express&atilde;o mais completa e por vezes mais heterodoxa, em termos de religi&atilde;o.<\/p>\n<p>As acomoda&ccedil;&otilde;es tornaram-se ex&iacute;guas e, por sua vez, a Capela ou Santu&aacute;rio que rematava o escad&oacute;rio come&ccedil;ou a amea&ccedil;ar ru&iacute;na.<\/p>\n<p>Eram chegados os tempos das &uacute;ltimas grandes interven&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas e arquitet&oacute;nicas que deram ao Santu&aacute;rio a fei&ccedil;&atilde;o que hoje conhecemos. Correu paralelas com outra &eacute;poca de esplendor arquitet&oacute;nico que a cidade de Braga conheceu, com o &uacute;ltimo Arcebispo r&eacute;gio &#8211; D. Gaspar e Bragan&ccedil;a (1758-1789). Coincidia tamb&eacute;m com o apogeu econ&oacute;mico do pr&oacute;prio Santu&aacute;rio ou Confraria. V&aacute;rios artistas de renome trabalharam ent&atilde;o para este Santu&aacute;rio: engenheiros, arquitetos como carpinteiros e imagin&aacute;rios e pintores, como Mestres pedreiros.<\/p>\n<p>Amea&ccedil;ando ru&iacute;na a capela Setecentista do tempo de D. Rodrigo, ex&iacute;guos os espa&ccedil;os de culto e acomoda&ccedil;&otilde;es, encomendou-se um novo Templo. Seria constru&iacute;do no patamar superior ao que ocupava o anterior do tempo de Moura Teles. Foi o Arquiteto Carlos Amarante, que j&aacute; na cidade exercia importantes cargos em obras e por incumb&ecirc;ncia do Arcebispo e da edilidade e que na mesma deixaria outras obras not&aacute;veis. Come&ccedil;aram as obras em 1784 tendo-se conclu&iacute;do em setembro de 1811.<\/p>\n<p>&Eacute; este acontecimento que serve de pretexto para a realiza&ccedil;&atilde;o do referido Congresso mas tamb&eacute;m de efem&eacute;ride comemorativa dos 200 anos da conclus&atilde;o arquitet&oacute;nica do atual Templo.<\/p>\n<p>Embora v&aacute;rios exemplares da obra deste arquiteto estejam muito ligados ainda ao barroco terminal, podemos dizer que, com o Novo Templo do Bom Jesus do Monte, na tra&ccedil;a arquitet&oacute;nica, como na decora&ccedil;&atilde;o dos interiores (que quase na totalidade se lhe devem tamb&eacute;m), se remata em Braga, e em geral, Ciclo do Barroco abrindo-se decisivamente o caminho ao Neo-clacissismo, estabelecendo, em simult&acirc;neo, um corte e um remate da formul&aacute;ria barroca que continuou (e continua) presente no Escad&oacute;rio nas Fontes e nas Capelas dos Passos e outras que, entretanto, compuseram todo o conjunto.<\/p>\n<p><em>Aur&eacute;lio de Oliveira, Faculdade de Letras do Porto, presidente da Comiss&atilde;o Cient&iacute;fica do Congresso<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Confraria de Bom Jesus do Monte (Braga) vai assinalar durante o pr&oacute;ximo m&ecirc;s de outubro (dias 20-22) a data da conclus&atilde;o arquitet&oacute;nica do Templo com a realiza&ccedil;&atilde;o de um evento de car&aacute;ter cient&iacute;fico, a saber: um Congresso sobre o Barroco, o primeiro especialmente consagrado &agrave;s realiza&ccedil;&otilde;es do barroco em Portugal e no Brasil, e 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