{"id":52891,"date":"2011-09-12T16:04:08","date_gmt":"2011-09-12T16:04:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/12\/leiria-fatima-carta-pastoral-de-d-antonio-marto-para-2011-2012\/"},"modified":"2011-09-12T16:04:08","modified_gmt":"2011-09-12T16:04:08","slug":"leiria-fatima-carta-pastoral-de-d-antonio-marto-para-2011-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/leiria-fatima-carta-pastoral-de-d-antonio-marto-para-2011-2012\/","title":{"rendered":"Leiria-F\u00e1tima: Carta Pastoral de D. Ant\u00f3nio Marto para 2011-2012"},"content":{"rendered":"<p>Testemunhas de Cristo no mundo<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;A v&oacute;s a gra&ccedil;a e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Todas as vezes que me lembro de v&oacute;s, dou gra&ccedil;as ao meu Deus, sempre, em toda a minha ora&ccedil;&atilde;o por todos v&oacute;s. (&#8230;) E &eacute; por isto que eu rezo: para que a vossa caridade aumente ainda cada vez mais em clarivid&ecirc;ncia e em verdadeira sensibilidade para discernir o que &eacute; mais conveniente, e assim sejais puros e irrepreens&iacute;veis para o dia de Cristo&rdquo; (Fil 1, 2-3.9-10).<\/p>\n<p>&nbsp;Caros Diocesanos,<\/p>\n<p>Irm&atilde;os e Irm&atilde;s em Cristo:<\/p>\n<p>Escolhi estas palavras do ap&oacute;stolo Paulo para exprimir o afecto que me liga a v&oacute;s como bispo, traduzido na ora&ccedil;&atilde;o e nesta carta pastoral atrav&eacute;s da qual vos envio uma sauda&ccedil;&atilde;o fraterna.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, S. Paulo desperta a nossa sensibilidade para o tema da caridade que marcou o ano pastoral findo e que caracterizar&aacute; tamb&eacute;m, numa vertente nova, o ano pastoral que come&ccedil;a.<\/p>\n<p>Foi belo e entusiasmante o que vimos e vivemos, de perto e ao vivo, nos encontros vicariais, nas visitas pastorais e no retiro popular sobre o tema da carta pastoral &ldquo;Chamados &agrave; Caridade&rdquo;. Nada poder&aacute; apagar da minha mem&oacute;ria e do meu cora&ccedil;&atilde;o a satisfa&ccedil;&atilde;o, as emo&ccedil;&otilde;es e a como&ccedil;&atilde;o que me foi dado sentir ao ver como a caridade tocava fundo o cora&ccedil;&atilde;o das pessoas, ao contemplar os numerosos homens e mulheres comprometidos, generosa e alegremente, no testemunho da caridade de proximidade, de partilha e apoio junto de quem necessita ou sofre, e que n&atilde;o faz not&iacute;cia medi&aacute;tica.. Creio que o ano pastoral representou um salto em frente na organiza&ccedil;&atilde;o da pastoral s&oacute;cio-caritativa em muitas das nossas comunidades, para deixarem transparecer a Beleza do Amor divino que sustenta e salva o mundo. &Eacute;, pois, motivo de ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as ao nosso Deus!<\/p>\n<p>O percurso do novo ano pastoral<\/p>\n<p>No presente ano pastoral concluiremos o &uacute;ltimo bi&eacute;nio do projecto tra&ccedil;ado pelo S&iacute;nodo diocesano. Este bi&eacute;nio &eacute; dedicado &agrave; miss&atilde;o da Igreja ao servi&ccedil;o da pessoa humana. Durante este ano centrar-nos-emos mais no testemunho da caridade de Cristo atrav&eacute;s das obras de justi&ccedil;a, de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento humano e de paz, ao servi&ccedil;o da dignidade da pessoa numa sociedade justa e fraterna. Eis como o Papa Bento XVI apresenta este aspecto:<\/p>\n<p>&ldquo;A caridade na verdade &eacute; uma for&ccedil;a extraordin&aacute;ria que impele as pessoas a comprometerem-se com coragem e generosidade no campo da justi&ccedil;a e da paz. (&#8230;) Ama-se tanto mais eficazmente o pr&oacute;ximo, quanto mais se trabalha em prol do bem comum que d&ecirc; resposta tamb&eacute;m &agrave;s suas necessidades reais&rdquo; (CV nn. 1.7), criando condi&ccedil;&otilde;es de vida digna e justa.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II especifica deste modo: &ldquo;a caridade tomar&aacute; ent&atilde;o necessariamente a forma de servi&ccedil;o &agrave; cultura, &agrave; pol&iacute;tica, &agrave; economia, &agrave; fam&iacute;lia para que em toda a parte sejam respeitados os princ&iacute;pios fundamentais de que depende o destino do ser humano e o futuro da civiliza&ccedil;&atilde;o. (&#8230;) Esta vertente &eacute;tico-social &eacute; uma dimens&atilde;o imprescind&iacute;vel do testemunho crist&atilde;o&rdquo; (NMI nn. 51.52).<\/p>\n<p>Para este ano pastoral propusemo-nos tr&ecirc;s objectivos: despertar nos crist&atilde;os a consci&ecirc;ncia da sua miss&atilde;o no mundo em ordem &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o e humaniza&ccedil;&atilde;o das realidades temporais; promover uma espiritualidade e uma forma&ccedil;&atilde;o do compromisso crist&atilde;o na sociedade; desenvolver o apostolado laical, pessoal e associado, nos diferentes &acirc;mbitos da vida.<\/p>\n<p>Como lema b&iacute;blico escolhemos uma frase de Jesus extra&iacute;da do serm&atilde;o das Bem-Aventuran&ccedil;as: &ldquo;Brilhe a vossa luz diante dos homens&rdquo; (Mt 5, 16). E como s&iacute;mbolo escolhemos a &ldquo;Luz de Cristo&rdquo; (Cristo, Luz do mundo) que os crist&atilde;os s&atilde;o chamados a levar ao cora&ccedil;&atilde;o do mundo com o testemunho da sua vida.<\/p>\n<p>1. Os desafios de hoje<\/p>\n<p>1.1. Por quem os sinos dobram? O fim de um mundo<\/p>\n<p>No passado dia 1 de Julho, o Papa Bento XVI, evocando os sessenta anos de sacerd&oacute;cio, caracterizava assim o tempo da sua ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal: &ldquo; Em 1951, o mundo era totalmente diferente: n&atilde;o havia televis&atilde;o, n&atilde;o havia internet, nem computador nem telem&oacute;vel. Parece realmente um mundo pr&eacute;-hist&oacute;rico aquele do qual vimos. Sobretudo, as nossas cidades estavam destru&iacute;das; de igual modo a economia e reinava uma grande pobreza material e espiritual. Mas tamb&eacute;m havia uma forte energia e vontade de reconstruir este pa&iacute;s e de renov&aacute;-lo, na Comunidade Europeia sobretudo, sobre o fundamento da nossa f&eacute;. Assim come&ccedil;&aacute;mos com grande entusiasmo e com grande alegria naquele momento&rdquo;.<\/p>\n<p>Hoje assistimos, de facto, ao nascimento dum mundo novo que &eacute;, ao mesmo tempo, fascinante e dif&iacute;cil, cheio de possibilidades e de contrastes tremendos.<\/p>\n<p>&Eacute;, antes de mais, um mundo marcado pela globaliza&ccedil;&atilde;o que abriu novas possibilidades e novos horizontes a todos os n&iacute;veis desde o conhecimento &agrave; mobilidade e aos mercados. Experimentamos por&eacute;m como a globaliza&ccedil;&atilde;o desregulada dos mercados financeiros e econ&oacute;micos produziu uma crise sem precedentes com consequ&ecirc;ncias sociais de desemprego, de exclus&atilde;o social e pobreza tremendas.<\/p>\n<p>Todos reconhecem hoje que esta crise &eacute; a ponta do iceberg de uma outra mais funda e profunda que &eacute; da ordem dos valores e de d&eacute;fice de espiritualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;O nosso mundo &eacute; plural e pluralista: nele vivem e convivem diferentes cren&ccedil;as, religi&otilde;es e culturas, sendo, portanto, um mundo permanentemente sujeito &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o do relativismo e do individualismo. Torna-se dif&iacute;cil encontrar uma plataforma de valores fundamentais comuns e partilhados por todos. As novas tecnologias seduzem a ponto de se confiar que a t&eacute;cnica resolva todos os problemas e nos dispense de pensar a vida pessoal, familiar e social com fundamentos s&oacute;lidos. V&atilde;o-se impondo os interesses individuais enquanto se p&otilde;em de parte o bem comum e a solidariedade.<\/p>\n<p>Todos estes problemas criam um ambiente de incertezas, de inseguran&ccedil;a e de medos em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro. Estamos a viver uma certa cultura do desencanto, de crise de confian&ccedil;a na vida, na bondade da vida e do mundo. A crise de confian&ccedil;a &eacute; tamb&eacute;m uma crise de f&eacute; na outra dimens&atilde;o de vida aberta ao mist&eacute;rio de Deus e do seu amor que salva e sustenta o mundo.<\/p>\n<p>Por quem os sinos dobram? &ndash; &eacute; o t&iacute;tulo dum livro de Ernst Hemingway que escolhi para real&ccedil;ar a crise do momento presente. Os sinos dobram pelo fim de uma era, de um mundo, de uma esta&ccedil;&atilde;o cultural que era compacta e s&oacute;lida e anunciam, tristemente, o surgir duma cultura do vazio, da desconstru&ccedil;&atilde;o dos fundamentos s&oacute;lidos (de grandes ideais, de valores, de grandes causas e projectos): uma cultura que, entretanto, se instalou na sociedade e que leva o mundo a invocar um &ldquo;suplemento de alma&rdquo; e uma renovada esperan&ccedil;a de salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>1.2. O crist&atilde;o aberto ao mundo, inserido na sociedade<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a e a miss&atilde;o do crist&atilde;o no mundo nem sempre foi correctamente compreendida e equacionada.<\/p>\n<p>N&atilde;o vai longe o tempo em que se olhava para o mundo com uma vis&atilde;o negativa que acentuava o desprezo ou menos apre&ccedil;o das realidades do mundo. &Eacute; uma vis&atilde;o que tinha a sua origem numa espiritualidade intimista, desincarnada em que o mundo era considerado como &ldquo;inimigo da alma&rdquo;, como reino do mal e ocasi&atilde;o de pecado. Ainda hoje se nota o ref&uacute;gio de muitos nas coisas ou tarefas da Igreja, onde se encontra mais protec&ccedil;&atilde;o e menos riscos, deixando o mundo correr por sua pr&oacute;pria conta e n&atilde;o se deixando contagiar por ele.<\/p>\n<p>Uma outra atitude, bastante espalhada, &eacute; o div&oacute;rcio entre a f&eacute; professada na comunidade crist&atilde; e a vida quotidiana na fam&iacute;lia, na profiss&atilde;o, na escola, nas rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, sociais e pol&iacute;ticas. &Eacute; a atitude de quem vive pensando ou dizendo: &ldquo;O que o Evangelho diz e prop&otilde;e &eacute; belo, talvez demasiado belo&#8230; mas a vida concreta &eacute; completamente diferente&rdquo;. Assim, f&eacute; e vida correm por vias paralelas: a vida privada e a vida secular, at&eacute; chegar ao extremo de uma total mundaniza&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios e valores vividos por muitos crist&atilde;os, completamente distantes do Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p>Nas duas atitudes mencionadas n&atilde;o h&aacute; pontes que permitam o di&aacute;logo ou encontro entre a f&eacute; e a cultura. Existe, antes, a rotura ou a indiferen&ccedil;a total.<\/p>\n<p>Notamos ainda que est&aacute; presente na sociedade, sobretudo na Europa, um certo laicismo agressivo e intolerante para com a presen&ccedil;a dos crist&atilde;os e da Igreja na vida p&uacute;blica, social ou cultural. Manifesta uma clara hostilidade para com tudo o que &eacute; crist&atilde;o e para com os pr&oacute;prios crist&atilde;os. Tem uma for&ccedil;a intimidat&oacute;ria que leva muitos a viverem uma f&eacute; envergonhada, clandestina, com complexos de inferioridade e certo medo.<\/p>\n<p>Outra tenta&ccedil;&atilde;o &eacute; fazer do cristianismo uma mera &ldquo;religi&atilde;o civil&rdquo; reduzindo-o a uma ag&ecirc;ncia de moralidade p&uacute;blica em ordem &agrave; coes&atilde;o social, a uma mera organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental de solidariedade social ou instrumentalizando a Igreja em rela&ccedil;&atilde;o ao poder para fins mundanos. Assim, diluir-se-ia o espec&iacute;fico, a novidade da f&eacute; crist&atilde;.<\/p>\n<p>A f&eacute; em Jesus Cristo Salvador n&atilde;o permite aos fi&eacute;is desertar do mundo que Deus confiou aos homens como dom e miss&atilde;o para o tornar casa comum e digna de todos. O Conc&iacute;lio Vaticano II clarificou a rela&ccedil;&atilde;o da Igreja e dos crist&atilde;os com o mundo em termos de encontro, di&aacute;logo, solidariedade, colabora&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua e servi&ccedil;o &agrave; pessoa humana e &agrave; sociedade. Hoje &eacute; assente e pac&iacute;fico que a Igreja n&atilde;o &eacute; nem quer ser nenhum poder mundano nem estar ao servi&ccedil;o de qualquer poder do mundo.<\/p>\n<p>&ldquo;Todas as realidades humanas seculares, pessoais e sociais, ambientes e situa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, estruturas e institui&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o o lugar pr&oacute;prio do viver e do agir dos crist&atilde;os leigos. Estas realidades s&atilde;o destinat&aacute;rias do amor de Deus; o empenho dos fi&eacute;is leigos deve corresponder a esta vis&atilde;o e qualificar-se como express&atilde;o da caridade evang&eacute;lica&rdquo; (CDSI n. 543).<\/p>\n<p>O actual momento de crise que atinge toda a nossa sociedade portuguesa reclama dos crist&atilde;os este forte empenho da caridade em todas as suas dimens&otilde;es, seja de proximidade seja social e pol&iacute;tica, para construir uma sociedade toda ela solid&aacute;ria em que todos demos as m&atilde;os para fazer face aos problemas maiores do desemprego, da pobreza e da doen&ccedil;a.<\/p>\n<p>2. Testemunhas de Cristo no mundo<\/p>\n<p>V&aacute;rias vezes e de v&aacute;rios modos, Jesus convida os disc&iacute;pulos a serem suas testemunhas no mundo. &ldquo;Pode dizer-se que o testemunho &eacute; o meio com o qual a verdade do amor de Deus alcan&ccedil;a o homem na hist&oacute;ria&rdquo; (SC n. 85). Vamos pois meditar tr&ecirc;s passagens do Novo Testamento sobre este aspecto, na forma de &ldquo;lectio divina&rdquo;.<\/p>\n<p>2.1. &ldquo;Brilhe a vossa luz diante dos homens&rdquo; (Mt 5, 16): testemunho da santidade de vida quotidiana<\/p>\n<p>O contexto da passagem evang&eacute;lica de Mt 5, 13-16 &eacute; o discurso das Bem Aventuran&ccedil;as. Este dado &eacute; importante para compreender todo este texto, mormente a express&atilde;o chave &ldquo;brilhe a vossa luz diante dos homens&#8230;&rdquo;. &Eacute; a partir das Bem Aventuran&ccedil;as que Jesus define a identidade dos disc&iacute;pulos, a sua voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o no mundo: ser sal da terra e luz do mundo. Assim &eacute; sublinhada a dimens&atilde;o social da exist&ecirc;ncia crist&atilde;. Quando o crist&atilde;o vive o discurso da montanha d&aacute; fruto na sociedade e a sua obra n&atilde;o pode ficar escondida. &Eacute; reflexo da luz de Deus; irradia-a inevitavelmente. Contribui para a edifica&ccedil;&atilde;o social, para a rede de rela&ccedil;&otilde;es fundada sobre o Evangelho.<\/p>\n<p>A riqueza das imagens: &ldquo;V&oacute;s sois o sal da terra; v&oacute;s sois a luz do mundo&rdquo;<\/p>\n<p>Jesus usa aqui quatro imagens seguidas e entrosadas umas nas outras para caracterizar a identidade e a miss&atilde;o dos disc&iacute;pulos: sal da terra, luz do mundo, cidade sobre o monte, l&acirc;mpada sobre o alqueire.<\/p>\n<p>O sal entende-se como um ingrediente que serve para catalisar o calor para o solo, para fertilizar, reavivar, animar, dar gosto, sabor e sabedoria e evitar a corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A luz faz ver o sentido do caminho, revela o verdadeiro rosto das pessoas e das coisas.<\/p>\n<p>A cidade sobre o monte e a l&acirc;mpada sobre o alqueire mostram a dimens&atilde;o comunit&aacute;ria e universal da miss&atilde;o dos disc&iacute;pulos em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo, &agrave; hist&oacute;ria e &agrave; exist&ecirc;ncia da humanidade. Quer dizer que os disc&iacute;pulos com o seu agir s&atilde;o importantes para a hist&oacute;ria do mundo. S&atilde;o b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o ou maldi&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o podem dizer que est&atilde;o &agrave; parte porque a sua rela&ccedil;&atilde;o com o mundo e a hist&oacute;ria &eacute; algo intr&iacute;nseco &agrave; sua voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o.<\/p>\n<p>A mensagem principal do texto: &ldquo;Brilhe a vossa luz diante dos homens&rdquo;<\/p>\n<p>A for&ccedil;a do texto reside na conclus&atilde;o. Esta &eacute; o ponto de chegada de uma s&eacute;rie t&atilde;o rica de imagens: &ldquo;Assim brilhe a vossa luz diante dos homens de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que est&aacute; no C&eacute;u&rdquo;. Esta &eacute; a mensagem principal do texto: os disc&iacute;pulos s&atilde;o sal, luz, cidade sobre o monte, l&acirc;mpada realizando as &ldquo;obras boas e belas&rdquo;. Quais s&atilde;o essas obras?<\/p>\n<p>S&atilde;o antes de mais as bem aventuran&ccedil;as e tamb&eacute;m as atitudes &eacute;ticas que nos vers&iacute;culos seguintes descrevem o comportamento novo dos disc&iacute;pulos, tais como o respeito pela vida humana, a dedica&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;ximo, a fidelidade ao amor matrimonial, a pureza de cora&ccedil;&atilde;o, a verdade e a sinceridade na rela&ccedil;&atilde;o, a capacidade do perd&atilde;o, o construir comunidade, a paz.<\/p>\n<p>Estas obras boas e belas s&atilde;o a primeira forma de miss&atilde;o e evangeliza&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os no mundo, s&atilde;o o testemunho da santidade de vida quotidiana como o melhor contributo para a renova&ccedil;&atilde;o do mundo e da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>2.2. &ldquo;Havia um homem rico&#8230; Um pobre, chamado L&aacute;zaro, jazia ao seu port&atilde;o, coberto de chagas&rdquo; (Lc 16,19-20): testemunho da justi&ccedil;a social<\/p>\n<p>O Evangelista S. Lucas transmite-nos uma c&eacute;lebre e inesquec&iacute;vel par&aacute;bola de Jesus sobre o homem rico e o pobre L&aacute;zaro (cf. Lc 16, 19-31), que interpela e sacode profundamente a consci&ecirc;ncia e a conduta social dos crist&atilde;os.<\/p>\n<p>A par&aacute;bola tem um estilo rico de imagens e s&iacute;mbolos que n&atilde;o s&atilde;o f&aacute;ceis de explicar. Est&aacute; colocada no cap&iacute;tulo 16 que &eacute; todo ele um aviso luminoso e intenso sobre a posse e a utiliza&ccedil;&atilde;o dos bens materiais e sobretudo das riquezas.<\/p>\n<p>O contraste entre duas figuras e dois mundos: o rico avarento e o pobre L&aacute;zaro<\/p>\n<p>O texto n&atilde;o pretende fazer uma exalta&ccedil;&atilde;o da figura do pobre pelo facto de ser pobre, nem uma condena&ccedil;&atilde;o do rico pelo facto de possuir riquezas materiais. O que est&aacute; em causa &eacute; o contraste entre as duas figuras ou os dois mundos, o rico e o pobre. Um contraste caracterizado pela indiferen&ccedil;a e insensibilidade do rico em rela&ccedil;&atilde;o ao pobre. O rico avarento personifica o uso in&iacute;quo das riquezas por quem as usa para um luxo desenfreado e ego&iacute;sta sem cuidar do pobre que est&aacute; &agrave; sua porta.<\/p>\n<p>O rico n&atilde;o fazia nada de mal, &eacute; verdade: n&atilde;o roubava nem matava. Pior ainda, ele n&atilde;o fazia absolutamente nada. Este &eacute; o n&oacute; do problema. Para ele era absolutamente natural que L&aacute;zaro vivesse na mis&eacute;ria, com fome, enquanto ele vivia rodeado de bens materiais. O homem rico olhava com indiferen&ccedil;a a mis&eacute;ria do mundo sem fazer nada para mudar essa situa&ccedil;&atilde;o. O seu drama foi, precisamente, o endurecimento do seu cora&ccedil;&atilde;o, a sua cegueira interior. Se n&atilde;o vemos e se n&atilde;o nos damos conta do sofrimento dos semelhantes, n&atilde;o temos lugar no Reino do C&eacute;u.<\/p>\n<p>A p&aacute;gina evang&eacute;lica vem confirmar que n&atilde;o se pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro (cf. 16,13). O que o rico fez foi tornar a riqueza no seu verdadeiro deus, num &iacute;dolo do qual ficou prisioneiro e o tornou insens&iacute;vel &agrave; mis&eacute;ria que estava &agrave; sua porta.<\/p>\n<p>O Reino de Deus e a justi&ccedil;a<\/p>\n<p>A descri&ccedil;&atilde;o do &ldquo;mais al&eacute;m&rdquo; usa as imagens do seu tempo (seio de Abra&atilde;o, abismo, etc). N&atilde;o pretende oferecer uma &ldquo;geografia&rdquo; da eternidade, mas mostrar os valores da justi&ccedil;a de Deus, advogado do pobre, e alertar sobre a seriedade e as consequ&ecirc;ncias das nossas op&ccedil;&otilde;es e da nossa conduta nesta terra.<\/p>\n<p>O final do texto deixa claro que a convers&atilde;o n&atilde;o depende de sinais prodigiosos, mas da escuta atenta da Lei e dos Profetas. Uma grande parte da Lei constitui um verdadeiro tratado de justi&ccedil;a social e econ&oacute;mica que reclama a solidariedade e a partilha entre os homens. Por sua vez, a den&uacute;ncia dos profetas neste &acirc;mbito toca diferentes realidades: desde a &acirc;nsia das riquezas e com&eacute;rcio injusto &agrave; opress&atilde;o dos pobres, &agrave; explora&ccedil;&atilde;o laboral e social (cf. Am 4, 1-3; 5, 10-15; 6, 1-7; 8, 4-7; Miq 2, 1-3; Is 1, 21-26).<\/p>\n<p>O significado social e mundial da par&aacute;bola<\/p>\n<p>Assim, esta par&aacute;bola presta-se a uma leitura em chave social e mundial, como fez Paulo VI: &ldquo;Trata-se de construir um mundo em que cada homem possa viver uma vida plenamente humana, onde o pobre L&aacute;zaro possa sentar-se &agrave; mesma mesa do rico&rdquo; (PP n. 47). Jo&atilde;o Paulo II aplica-a ao desenvolvimento humano integral: &ldquo;&Eacute; indispens&aacute;vel, conforme o voto j&aacute; expresso na enc&iacute;clica Populorum Progressio, reconhecer a cada povo igual direito a &lsquo;sentar-se &agrave; mesa do banquete comum&rsquo; em vez de ficar de fora, &agrave; porta, como L&aacute;zaro, enquanto &lsquo;os c&atilde;es lhe vinham lamber as chagas&rsquo;. Tanto os povos como as pessoas individualmente devem gozar da igualdade fundamental sobre a qual est&aacute; baseada a Carta da ONU; esta igualdade &eacute; o fundamento do direito &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de todos no processo de desenvolvimento integral&rdquo; (SRS n. 33).<\/p>\n<p>E na viagem apost&oacute;lica aos Estados Unidos, em 1979, Jo&atilde;o Paulo II foi ainda mais expl&iacute;cito na homilia em Nova York : &ldquo;A par&aacute;bola do rico e do L&aacute;zaro deve estar sempre presente na nossa mem&oacute;ria; deve formar a nossa consci&ecirc;ncia. (&#8230;) Cristo pede uma abertura que &eacute; mais que aten&ccedil;&atilde;o benigna ou amostra de aten&ccedil;&atilde;o ou semi esfor&ccedil;o que deixam o pobre t&atilde;o desvalido como antes ou ainda mais. Toda a humanidade deve traduzir a par&aacute;bola em termos contempor&acirc;neos, em termos de economia e pol&iacute;tica, em termos de plenitude de direitos humanos, em termos de rela&ccedil;&atilde;o entre o &lsquo;primeiro&rsquo;, &lsquo;segundo&rsquo; e &lsquo;terceiro mundo&rsquo;. N&atilde;o podemos permanecer ociosos quando milhares de seres humanos est&atilde;o morrendo &agrave; fome. N&atilde;o podemos permanecer ociosos gozando as nossas riquezas e liberdade se nalgum lugar o L&aacute;zaro do s&eacute;culo XX est&aacute; &agrave; nossa porta&rdquo;.<\/p>\n<p>2.3. &ldquo;Percorrendo a vossa cidade e observando os vossos monumentos sagrados&#8230;&rdquo; (Act 17, 23): di&aacute;logo com a cultura humana<\/p>\n<p>A estadia de S. Paulo na cidade de Atenas ilustra o di&aacute;logo entre a f&eacute; e a cultura (cf. Act 17, 16-34).<\/p>\n<p>&ldquo;Percorrendo a vossa cidade&rdquo;: o conhecimento do ambiente e da cultura<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, Paulo come&ccedil;a por fazer uma visita &agrave; cidade para conhecer o meio em que se encontra. De facto, Atenas era a capital cultural da Gr&eacute;cia: uma das cidades mais belas da &eacute;poca, cheia de anima&ccedil;&atilde;o, de cultura como o s&atilde;o hoje, a seu modo, Paris, Roma ou Nova York. Paulo admira os magn&iacute;ficos monumentos, as ricas casas esculpidas em pedra branca, os teatros, as fontes e os numerosos templos onde se adorava uma multid&atilde;o de divindades.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a ac&ccedil;&atilde;o de Paulo desenvolve-se na &ldquo;pra&ccedil;a p&uacute;blica&rdquo; (a &aacute;gora), aberta e profana, s&iacute;mbolo da democracia e da troca livre de ideias, do mundo pluralista. A&iacute; se realizava o mercado, como tamb&eacute;m o encontro de gentes das mais variadas culturas, cren&ccedil;as, filosofias e se discutiam todas as novidades. Paulo tamb&eacute;m entrava neste di&aacute;logo e nesta discuss&atilde;o intercultural apresentando a novidade da f&eacute; crist&atilde;, suscitando estranheza, curiosidade e admira&ccedil;&atilde;o, mas sem medo de se confrontar com a diversidade dos outros.<\/p>\n<p>Tudo isto permitiu-lhe conhecer a religiosidade, a filosofia, a literatura e a arte da cultura grega e, assim, discernir nelas as interroga&ccedil;&otilde;es, as buscas e os germenes de esperan&ccedil;a que a&iacute; estavam presentes.<\/p>\n<p>O discurso de Paulo no are&oacute;pago: &ldquo;Aquele que venerais sem o conhecer, &eacute; esse que eu vos anuncio&rdquo;<\/p>\n<p>Por fim, Paulo &eacute; convidado a ir ao are&oacute;pago, &agrave; academia dos intelectuais e ju&iacute;zes, para fazer a apresenta&ccedil;&atilde;o da Boa Nova da f&eacute; crist&atilde;. O seu discurso no are&oacute;pago &eacute; um modelo do an&uacute;ncio do Evangelho num ambiente cultural diverso e adverso. Serve-se da linguagem, das refer&ecirc;ncias e modalidades acess&iacute;veis ao seu audit&oacute;rio, valoriza o que a cultura e a religiosidade pag&atilde;s t&ecirc;m de positivo e aut&ecirc;ntico, e o que as aproxima da mensagem crist&atilde;. Todavia, no final do discurso, apresenta a novidade espec&iacute;fica do an&uacute;ncio crist&atilde;o que consiste num facto: Deus revelou-se pessoalmente. &ldquo;Aquele que venerais sem o conhecer, &eacute; esse que eu vos anuncio&rdquo;. Trata-se da revela&ccedil;&atilde;o definitiva de Deus que se centra em Cristo ressuscitado e do julgamento a Ele associado, que exige decis&atilde;o e compromisso. O di&aacute;logo n&atilde;o pode omitir ou diminuir a import&acirc;ncia e a centralidade da f&eacute; em Cristo.<\/p>\n<p>Paradigma do encontro entre o Evangelho e a cultura<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II considera este discurso de S. Paulo paradigm&aacute;tico do encontro entre o Evangelho e a cultura: &ldquo;Paulo, depois de ter pregado em numerosos lugares, chegado a Atenas dirige-se ao are&oacute;pago onde anuncia o Evangelho, usando uma linguagem adaptada e compreens&iacute;vel naquele ambiente. O are&oacute;pago representava ent&atilde;o o centro da cultura do douto povo ateniense e hoje pode ser assumido como s&iacute;mbolo dos novos ambientes em que se deve proclamar o Evangelho&rdquo; (RM 37).<\/p>\n<p>O mesmo S. Paulo, noutros lugares, nos exorta a viver no mundo plural com aquela liberdade cr&iacute;tica que nos leva a discernir primeiro, para depois assumir o positivo ou rejeitar o negativo. &ldquo;Examinai tudo e guardai o que &eacute; bom&rdquo; (1 Tes 5, 21); &ldquo;Irm&atilde;os, atendei a tudo quanto h&aacute; de verdadeiro, de nobre, de justo, de puro, de am&aacute;vel, de respeit&aacute;vel, de virtuoso, de digno de louvor&rdquo; (Fil 4, 8).<\/p>\n<p>2.4. Os crist&atilde;os &ldquo;alma do mundo&rdquo; ao servi&ccedil;o do Reino de Deus<\/p>\n<p>Verificamos pois que os crist&atilde;os est&atilde;o presentes no mundo, em todos os &acirc;mbitos da sociedade; e devem estar a&iacute; segundo a sua identidade, isto &eacute;, como cidad&atilde;os do mundo, fi&eacute;is ao Evangelho, guiados pela consci&ecirc;ncia crist&atilde; (cf. GS n. 76). Este &eacute; o seu modo de estar no mundo ao servi&ccedil;o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>A voca&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os &eacute; ser &ldquo;alma do mundo&rdquo;, estar dentro do mundo como &ldquo;o fermento&rdquo; no meio da massa.<\/p>\n<p>Esta dupla aten&ccedil;&atilde;o constitui o &ldquo;paradoxo da experi&ecirc;ncia crist&atilde;&rdquo; de que fala um escrito do s&eacute;culo II: os crist&atilde;os s&atilde;o homens como todos os outros, participantes da vida na cidade e na sociedade, dos sucessos e falhan&ccedil;os experimentados pelos homens; mas s&atilde;o tamb&eacute;m ouvintes da Palavra de Deus, chamados a transmitir a diferen&ccedil;a evang&eacute;lica na hist&oacute;ria, a dar uma alma ao mundo, para que a humanidade possa caminhar em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; plenitude do Reino de Deus.<\/p>\n<p>&ldquo;Os crist&atilde;os n&atilde;o se distinguem dos outros homens nem pela sua terra, nem pela sua l&iacute;ngua, nem pelos seus costumes. Porque n&atilde;o habitam cidades exclusivamente suas, nem falam uma l&iacute;ngua estranha, nem levam um g&eacute;nero de vida &agrave; parte dos outros (&#8230;), mas habitando cidades gregas ou b&aacute;rbaras, segundo a sorte que a cada um coube, e adaptando-se no vestu&aacute;rio, na comida e demais g&eacute;nero de vida aos usos e costumes de cada pa&iacute;s, d&atilde;o mostras de uma conduta peculiar, admir&aacute;vel e, por confiss&atilde;o de todos, surpreendente.<\/p>\n<p>Moram nas sua respectivas na&ccedil;&otilde;es, mas s&atilde;o peregrinos; cidad&atilde;os, n&atilde;o diversos dos outros, participam nos deveres e encargos de todos, mas tudo olham e sofrem como estrangeiros&#8230; Parecem demorar-se na terra e, na realidade, s&atilde;o cidad&atilde;os do C&eacute;u&#8230; Conformam-se &agrave;s leis estabelecidas, mas com o seu modo de viver ultrapassam as leis&#8230; Como todos geram filhos, mas n&atilde;o abandonam os que nascem; p&otilde;em mesa em comum, mas n&atilde;o o leito&#8230; Os crist&atilde;os passam como peregrinos entre as realidades temporais, voltados para a incorruptibilidade nos c&eacute;us. Deus destinou-os a t&atilde;o sublima miss&atilde;o; n&atilde;o mais lhes &eacute; consentido desert&aacute;-la&#8230; Os crist&atilde;os s&atilde;o no mundo aquilo que a alma &eacute; no corpo&rdquo; (Carta a Diogneto, 5-6).<\/p>\n<p>Em recente alocu&ccedil;&atilde;o, o Papa Bento XVI comenta assim este texto: &ldquo;N&atilde;o renegueis nunca o Evangelho em que acreditais, mas estai no meio dos demais homens com simpatia, comunicando com o vosso pr&oacute;prio estilo de vida um humanismo que lan&ccedil;a as ra&iacute;zes no cristianismo, dispostos a construir com todos os homens de boa vontade uma sociedade mais humana, mais justa e mais solid&aacute;ria&rdquo;.<\/p>\n<p>3. Vasto mundo, minha par&oacute;quia<\/p>\n<p>Ao escrever esta carta lembrei-me, v&aacute;rias vezes, dum livro do meu tempo de estudante que se intitulava &ldquo;Vasto mundo, minha par&oacute;quia&rdquo;. Era seu autor um c&eacute;lebre te&oacute;logo franc&ecirc;s, o P.e Yves Congar. Com o t&iacute;tulo provocador, ele queria despertar os crist&atilde;os para n&atilde;o ficarem fechados na sua par&oacute;quia. Nesta os fi&eacute;is alimentam a f&eacute;, mas a sua miss&atilde;o &eacute; no meio do mundo.<\/p>\n<p>Como pudemos ver, as pr&oacute;prias imagens evang&eacute;licas &ldquo;v&oacute;s sois o sal da terra e a luz do mundo&rdquo; mostram-nos que somos enviados a levar Cristo como verdadeira luz e verdadeiro sal ao cora&ccedil;&atilde;o do mundo. Significa que tudo o que &eacute; humano &ndash; cada pessoa, a vida, as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, a organiza&ccedil;&atilde;o da conviv&ecirc;ncia social &ndash; encontra em Jesus a sua verdade, o seu sentido pleno, a sua renova&ccedil;&atilde;o, a salva&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o podemos trair esta miss&atilde;o que nos foi confiada. &Eacute; um dom, mas tamb&eacute;m um dever grave e irrenunci&aacute;vel.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI di-lo de uma maneira impressionante: &ldquo;O mundo sem Deus torna-se um inferno: prevalecem os ego&iacute;smos, as divis&otilde;es nas fam&iacute;lias, o &oacute;dio entre as pessoas e entre os povos, a falta de amor, de alegria e esperan&ccedil;a. Pelo contr&aacute;rio, onde as pessoas e os povos acolhem a presen&ccedil;a de Deus, O adoram na verdade e escutam a sua voz, a&iacute; se constr&oacute;i concretamente a civiliza&ccedil;&atilde;o do amor, em que cada um &eacute; respeitado na sua dignidade, cresce a comunh&atilde;o com os frutos que ela produz&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o nos &eacute; l&iacute;cito desertar do mundo e descuidar as tarefas temporais. O nosso ser crist&atilde;os no mundo &eacute; chamado a renovar-se e a assumir o rosto de uma presen&ccedil;a e de um testemunho mais aut&ecirc;ntico, mais decidido e comprometido. Como tornar esta miss&atilde;o mais vis&iacute;vel, mais concreta e mais significativa na sociedade de hoje?<\/p>\n<p>3.1. Vida espiritual de qualidade<\/p>\n<p>Hoje fala-se muito na qualidade de vida como o conjunto de condi&ccedil;&otilde;es de bem estar pessoal, social, econ&oacute;mico e ecol&oacute;gico. Mas n&atilde;o existe verdadeira e plena qualidade de vida sem vida espiritual de qualidade. Para o crist&atilde;o isto chama-se a santidade de vida no mundo. O empenho crist&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o de um mundo justo, fraterno e pac&iacute;fico, do seu desenvolvimento integral, da sua humaniza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do trabalho de cada dia &eacute; express&atilde;o do seu amor filial a Deus e do seu amor ao pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Nesta perspectiva crist&atilde;, o mundo &eacute; um verdadeiro lugar de gra&ccedil;a, de voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o, de santifica&ccedil;&atilde;o para os fi&eacute;is leigos que a&iacute; vivem e trabalham. Estes fi&eacute;is s&atilde;o chamados a santificar-se no mundo, atrav&eacute;s do mundo e com o mundo em Deus. Os grandes santos amaram o mundo do seu tempo mesmo em crise. O crist&atilde;o santifica-se n&atilde;o s&oacute; na caridade pessoal, mas tamb&eacute;m na caridade social e pol&iacute;tica &ndash; no sentido mais nobre da palavra &ndash; quando faz obra de justi&ccedil;a, solidariedade e promo&ccedil;&atilde;o humana.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica da ora&ccedil;&atilde;o e nos momentos em que procuramos desenvolver a vida espiritual, n&atilde;o podemos deixar de ter presente o mundo e as nossas responsabilidades e rela&ccedil;&otilde;es nele. Por outro lado, os promotores de confer&ecirc;ncias, retiros e outras ac&ccedil;&otilde;es proponham uma espiritualidade que ajude a viver a pr&oacute;pria profiss&atilde;o e empenho na sociedade &agrave; luz e sob o impulso da f&eacute; crist&atilde;.<\/p>\n<p>Em ordem a desenvolver esta espiritualidade continuaremos a propor o &ldquo;Retiro para o Povo de Deus&rdquo;, durante a Quaresma, sob a forma da lectio divina enriquecida pelo testemunho da vida de alguns santos ou de outros exemplos luminosos de empenho social.<\/p>\n<p>3.2. A qualidade do servi&ccedil;o ao mundo<\/p>\n<p>A anima&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica das realidades temporais n&atilde;o se faz atrav&eacute;s de um moralismo barato de den&uacute;ncia ou condena&ccedil;&atilde;o dos males ou de um mero voluntarismo. A compet&ecirc;ncia e a efic&aacute;cia nas tarefas temporais s&atilde;o exigidas pela voca&ccedil;&atilde;o e qualidade do servi&ccedil;o ao mundo atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m elas fazem parte da espiritualidade laical de santifica&ccedil;&atilde;o no mundo. N&atilde;o se &eacute; bom profissional, bom empres&aacute;rio ou bom pol&iacute;tico s&oacute; pelo facto de se professar crist&atilde;o. A compet&ecirc;ncia, a profissionalidade, a exig&ecirc;ncia e a qualidade pertencem &agrave; credibilidade do testemunho crist&atilde;o.<\/p>\n<p>A forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; de jovens e adultos, em qualquer n&iacute;vel, dever&aacute; contribuir para esta consciencializa&ccedil;&atilde;o. Assim, as escolas paroquiais ou vicariais da f&eacute;, os movimentos apost&oacute;licos e de espiritualidade e o Centro de Forma&ccedil;&atilde;o e Cultura incluam esta perspectiva nas suas propostas e actividades.<\/p>\n<p>3.3. Eucaristia, p&atilde;o repartido para a vida do mundo<\/p>\n<p>A espiritualidade do compromisso social do crist&atilde;o alimenta-se n&atilde;o s&oacute; na escuta da Palavra e na sua medita&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, para receber de Cristo um &ldquo;novo olhar&rdquo; sobre as realidades do mundo e uma &ldquo;nova for&ccedil;a&rdquo; para a sua entrega.<\/p>\n<p>&ldquo;As nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrif&iacute;cio de Jesus &eacute; por todos; e, assim, impele todo o que acredita n&rsquo;Ele a fazer-se &lsquo;p&atilde;o repartido&rsquo; para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno&#8230; Na verdade a voca&ccedil;&atilde;o de cada um de n&oacute;s consiste em ser, unido a Jesus, p&atilde;o repartido para a vida do mundo (&#8230;) Precisamente, em virtude do mist&eacute;rio que celebramos &eacute; preciso denunciar as circunst&acirc;ncias que est&atilde;o em contraste com a dignidade do homem, pelo qual Cristo derramou o seu sangue, afirmando assim o alto valor de cada pessoa&rdquo; (SC nn. 88 e 89).<\/p>\n<p>Recomendo aos sacerdotes que tenham presente o tema deste ano pastoral nas homilias, as preparem bem e usem mais frequentemente a Ora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica V\/D do Missal Romano, intitulada &ldquo;Jesus passou fazendo o bem&rdquo;. A celebra&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria de alguns santos empenhados no campo social e pol&iacute;tico ou padroeiros de determinadas profiss&otilde;es proporciona ocasi&atilde;o para a ora&ccedil;&atilde;o e a consciencializa&ccedil;&atilde;o da necessidade do testemunho crist&atilde;o no mundo.<\/p>\n<p>3.4. Servir o Reino de Deus nos &ldquo;ambientes da vida social&rdquo;<\/p>\n<p>A sociedade, nas v&aacute;rias express&otilde;es e articula&ccedil;&otilde;es, &eacute; o campo onde o Senhor chama cada crist&atilde;o a trabalhar com os dons e tarefas pr&oacute;prios.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; nenhum ambiente da vida social em que n&atilde;o seja pedido ao crist&atilde;o ser sal e luz. A luz, a verdade e a for&ccedil;a de renova&ccedil;&atilde;o do Evangelho requerem ser testemunhadas nos lugares em que os homens e mulheres nascem, crescem, vivem, convivem, trabalham, se alegram, sofrem e morrem: na fam&iacute;lia, no mundo da escola e do trabalho; na economia, na pol&iacute;tica e na administra&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a; no mundo da assist&ecirc;ncia, das antigas e novas pobrezas, no mundo da sa&uacute;de; enfim, em todo o lugar ou ambiente onde se desenvolve a vida das pessoas.<\/p>\n<p>Este &eacute; o contexto mais imediato e quotidiano em que se torna necess&aacute;rio o testemunho de crist&atilde;os verdadeiros, de pessoas de cora&ccedil;&atilde;o grande e generoso e de mente esclarecida que mostrem e tornem eficaz a for&ccedil;a transformadora do Evangelho nas actividades em que est&atilde;o empenhados e na vida e no ambiente concreto em que trabalham.<\/p>\n<p>Este desafio dever&aacute; levar as par&oacute;quias, os grupos e movimentos, as associa&ccedil;&otilde;es e comunidades a interrogarem-se sobre a qualidade da sua f&eacute;: qual o tipo de f&eacute; em que est&atilde;o a educar os seus membros? Para uma f&eacute; intimista e ritualista ou para uma f&eacute; existencial e encarnada na vida concreta, capaz de transformar os ambientes?<\/p>\n<p>Iremos promover durante este ano pastoral, a n&iacute;vel vicarial ou diocesano, encontros de crist&atilde;os de um ou outro sector socio-profissional, para mostrar como &eacute; poss&iacute;vel estarem presentes nas mais diversas realidades seculares levando a&iacute; os valores do Evangelho. Ser&aacute; ocasi&atilde;o para analisar a situa&ccedil;&atilde;o actual e para ver que oportunidades, desafios e exig&ecirc;ncias apresenta; quais os passos a dar e as propostas a lan&ccedil;ar.<\/p>\n<p>3.5. Promover a qualidade humana na vida da sociedade<\/p>\n<p>Quando falamos de &ldquo;ambientes da vida social&rdquo; n&atilde;o nos referimos simplesmente a lugares onde as pessoas se encontram a trabalhar juntas. Estamos a falar de espa&ccedil;os humanos nos quais se constr&oacute;i e se exprime a aut&ecirc;ntica humanidade do homem e da mulher, antes de mais atrav&eacute;s de rela&ccedil;&otilde;es humanas.<\/p>\n<p>Por isso, o testemunho crist&atilde;o nestes lugares e ambientes requer agir para que sejam lugares verdadeiramente humanos e humanizantes. Trata-se de assegurar a &ldquo;qualidade humana&rdquo; em todas as rela&ccedil;&otilde;es e em todos os lugares da vida das pessoas concretas com a sua hist&oacute;ria, as suas alegrias, as suas dores e fadigas. As pr&oacute;prias rela&ccedil;&otilde;es funcionais que caracterizam tantas actividades podem e devem transformar-se em rela&ccedil;&otilde;es humanas e interpessoais.<\/p>\n<p>O testemunho crist&atilde;o passa atrav&eacute;s de rela&ccedil;&otilde;es humanas ricas e enriquecedoras. S&atilde;o express&atilde;o do amor ao pr&oacute;ximo em gestos e atitudes vividas quotidianamente; e constituem uma gram&aacute;tica do amor que passa pela oferta do pr&oacute;prio tempo e da pr&oacute;pria presen&ccedil;a e aten&ccedil;&atilde;o ao outro, da escuta e da comunica&ccedil;&atilde;o, at&eacute; colocar-se ao servi&ccedil;o da vida do outro. Mais ainda, podem tornar-se caminhos de abertura e de aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; f&eacute; crist&atilde;.<\/p>\n<p>Neste aspecto, as comunidades e institui&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas deveriam tornar-se exemplares. Quanto precisamos de prestar aten&ccedil;&atilde;o e cuidar das nossas rela&ccedil;&otilde;es! A&iacute; se aprende como num laborat&oacute;rio vivo o que poderemos estender a todos os espa&ccedil;os humanos em que decorre a nossa vida.<\/p>\n<p>3.6. Empenho pelo bem comum e Doutrina Social da Igreja<\/p>\n<p>Ser &ldquo;sal&rdquo; e &ldquo;luz&rdquo; na sociedade significa promover a dignidade da pessoa humana. Jo&atilde;o Paulo II afirma-o de modo inequ&iacute;voco: &ldquo;Descobrir e fazer descobrir a dignidade inviol&aacute;vel de cada pessoa humana constitui uma tarefa essencial, mais ainda, em certo sentido, a tarefa central e unificante do servi&ccedil;o que a Igreja e, nela, os fi&eacute;is leigos s&atilde;o chamados a prestar &agrave; fam&iacute;lia humana&rdquo; (CFL, n. 37).<\/p>\n<p>Este primado da pessoa humana e a igualdade de todos em dignidade constituem a fonte de todos os outros princ&iacute;pios que regulam toda a conviv&ecirc;ncia social e a organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade.<\/p>\n<p>O amor &agrave; pessoa humana, a promo&ccedil;&atilde;o e defesa da sua dignidade obriga os crist&atilde;os a participar na vida social e p&uacute;blica a favor do bem comum &ndash; o bem relacionado com o viver social das pessoas &ndash; na constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade justa, solid&aacute;ria, fraterna, com particular aten&ccedil;&atilde;o aos mais pobres e necessitados.<\/p>\n<p>Hoje notamos uma forte tend&ecirc;ncia individualista que busca apenas o bem estar privado, individual ou de determinada corpora&ccedil;&atilde;o. Como despertar nos crist&atilde;os a consci&ecirc;ncia de serem cidad&atilde;os do mundo empenhados a constru&iacute;-lo segundo o des&iacute;gnio de Deus? Como suscitar a paix&atilde;o e o compromisso pelo bem comum? Torna-se necess&aacute;ria uma s&eacute;ria educa&ccedil;&atilde;o para a socialidade e para a cidadania respons&aacute;vel atrav&eacute;s duma ampla difus&atilde;o da Doutrina Social da Igreja, que ainda &eacute; desconhecida por uma grande maioria dos crist&atilde;os.<\/p>\n<p>Seria salutar tomar iniciativas, neste sentido, a n&iacute;vel paroquial, vicarial ou diocesano, de oferecer encontros de sensibiliza&ccedil;&atilde;o ou mesmo uma forma&ccedil;&atilde;o em breves m&oacute;dulos sobre a Doutrina Social, em colabora&ccedil;&atilde;o com a Comiss&atilde;o Diocesana Justi&ccedil;a e Paz e com o Centro de Forma&ccedil;&atilde;o e Cultura.<\/p>\n<p>3.7 O di&aacute;logo entre f&eacute; e cultura<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio e o testemunho do Evangelho no mundo de hoje n&atilde;o pode prescindir do di&aacute;logo com a cultura que molda a vida das pessoas e da sociedade. Este &eacute; o grande desafio e a grande aposta para os crist&atilde;os: &ldquo;estar presentes com coragem e criatividade intelectual nos lugares privilegiados da cultura, como s&atilde;o o mundo da escola e da universidade, os ambientes da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e t&eacute;cnica, os lugares da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e da reflex&atilde;o human&iacute;stica&rdquo; (CFL n. 44). S&atilde;o os novos centros de cultura onde se forjam os destinos da humanidade e que requerem dos crist&atilde;os a luz da f&eacute; para discernirem o que h&aacute; de positivo ou negativo.<\/p>\n<p>O Papa Jo&atilde;o Paulo II indica as modalidades e finalidades desta presen&ccedil;a: &ldquo;destina-se n&atilde;o s&oacute; ao reconhecimento e &agrave; eventual purifica&ccedil;&atilde;o da cultura existente criticamente avaliados, mas tamb&eacute;m &agrave; sua eleva&ccedil;&atilde;o mediante as riquezas originais do Evangelho e da f&eacute; crist&atilde;&rdquo; (CFL n. 44). Trata-se de testemunhar uma f&eacute; geradora e regeneradora da cultura.<\/p>\n<p>Neste &acirc;mbito desejaria fazer aqui tr&ecirc;s breves refer&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>a) Em primeiro lugar, &agrave; import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o social medi&aacute;tica e digital que introduziu uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o cultural com novos modos de comunicar atrav&eacute;s de novas linguagens, novas t&eacute;cnicas e novas atitudes psicol&oacute;gicas. Os &ldquo;media&rdquo; s&atilde;o hoje o contexto em que se realiza o di&aacute;logo cultural entre a Igreja e o mundo. Este ano pastoral ser&aacute; tamb&eacute;m uma boa ocasi&atilde;o para rever a qualidade da nossa presen&ccedil;a como Igreja diocesana na comunica&ccedil;&atilde;o escrita e digital. Que empenho pomos nisso? Que imagem de Igreja passa?<\/p>\n<p>b) Outro campo cultural a merecer aten&ccedil;&atilde;o particular &eacute; o da educa&ccedil;&atilde;o. Estamos a viver uma situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia educativa. Damo-nos conta de que o mundo de amanh&atilde; depende da educa&ccedil;&atilde;o de hoje e esta n&atilde;o pode reduzir-se a mera transmiss&atilde;o de conhecimentos e de compet&ecirc;ncias. A escola &eacute; chamada a ser um laborat&oacute;rio de cultura, de humanidade, de sabedoria, de humanismo integral, de cidadania e dos valores e virtudes que a sustentam. &Eacute; um desafio ao testemunho dos docentes crist&atilde;os e das escolas cat&oacute;licas e &agrave; sua ousadia em tomar iniciativas neste sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;No pr&oacute;ximo ano de 2012, o nosso Col&eacute;gio Diocesano de S. Miguel celebrar&aacute; o jubileu dos 50 anos da sua funda&ccedil;&atilde;o, ao qual desde j&aacute; dirigimos uma palavra de congratula&ccedil;&atilde;o e parab&eacute;ns. Por isso, vamos integr&aacute;-lo neste percurso pastoral de 2011\/2012, com uma iniciativa a dinamizar pelo pr&oacute;prio Col&eacute;gio sobre o tema &ldquo;A Fam&iacute;lia, a Par&oacute;quia e a Escola &ndash; Pilares da Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>c) Por fim, o patrim&oacute;nio da hist&oacute;ria e arte &eacute; outro caminho de di&aacute;logo com a cultura e de aproxima&ccedil;&atilde;o das pessoas &agrave; f&eacute;. &Eacute; pois um convite a todos a fazer um tesouro desta &ldquo;via da beleza&rdquo; que educa a mente e o cora&ccedil;&atilde;o humanos e os abre ao mist&eacute;rio d&rsquo;Aquele que &eacute;, segundo Santo Agostinho, &ldquo;a Beleza t&atilde;o antiga e sempre nova&rdquo;. Nesta linha, o Departamento Diocesano do Patrim&oacute;nio cultural vai organizar alguns percursos ou roteiros por toda a Diocese para ajudar a descobrir os tesouros que muitas das nossas igrejas e outros locais guardam e que n&oacute;s desconhecemos.<\/p>\n<p>Esta ac&ccedil;&atilde;o do Departamento Diocesano n&atilde;o poderia ser est&iacute;mulo e modelo para iniciativas semelhantes a n&iacute;vel paroquial ou vicarial?<\/p>\n<p>Nesta linha permitam-me fazer uma interpela&ccedil;&atilde;o a prop&oacute;sito das festas populares das nossas par&oacute;quias: n&atilde;o seria de aproveitar este ano pastoral para elevar o n&iacute;vel cultural destas festas que por vezes deixa tanto a desejar, com gastos t&atilde;o dispendiosos? Promovam-se e valorizem-se os talentos art&iacute;sticos e as iniciativas locais de anima&ccedil;&atilde;o, poupando em contratos com agentes exteriores.<\/p>\n<p>3.8. A fam&iacute;lia, principal recurso da sociedade<\/p>\n<p>A mensagem crist&atilde; encoraja a fam&iacute;lia a algo de grande, de belo, de fascinante e de promissor: a humanidade da fam&iacute;lia, gra&ccedil;as ao amor divino que a anima por dentro, pode renovar a sociedade segundo o des&iacute;gnio do seu Criador. De facto, a fam&iacute;lia &eacute; o primeiro ber&ccedil;o e a primeira escola onde se vive e aprende o amor fraterno, o sentido mais verdadeiro da solidariedade, da justi&ccedil;a, da honestidade, da rectid&atilde;o, das virtudes sociais t&atilde;o importantes para a cidadania respons&aacute;vel. Assim, o mundo pode tornar-se mais belo e habit&aacute;vel para todos e a qualidade de vida melhora em favor de toda a sociedade.<\/p>\n<p>Em 2012, de 30 de Maio a 3 de Junho, realizar-se-&agrave; em Mil&atilde;o (It&aacute;lia) o VII Encontro Mundial das Fam&iacute;lias Cat&oacute;licas sobre o tema &ldquo;A Fam&iacute;lia: o trabalho e a festa&rdquo;. Com este mesmo t&iacute;tulo, o Pontif&iacute;cio Conselho para a Fam&iacute;lia apresentou j&aacute; o documento preparat&oacute;rio com dez catequeses. Estas procuram iluminar a rela&ccedil;&atilde;o entre a experi&ecirc;ncia da fam&iacute;lia e a vida quotidiana na sociedade e no mundo. S&atilde;o um bom instrumento de trabalho para a Pastoral Familiar ao longo do ano pastoral.<\/p>\n<p>3.9. F&aacute;tima e a civiliza&ccedil;&atilde;o do Amor e da Paz<\/p>\n<p>Como poderia faltar a refer&ecirc;ncia a Nossa Senhora no nosso percurso pastoral deste ano? Ela mesma nos ilumina o caminho com o seu apelo em F&aacute;tima, chamando os crist&atilde;os a assumirem a sua responsabilidade no mundo. Eis como o Papa Bento XVI interpretou a actualidade deste apelo na sua homilia de 13 de Maio de 2010: &ldquo;Iludir-se-ia quem pensasse que a miss&atilde;o prof&eacute;tica de F&aacute;tima esteja conclu&iacute;da. Aqui revive aquele des&iacute;gnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus prim&oacute;rdios: &lsquo;Onde est&aacute; Abel, teu irm&atilde;o? (&#8230;) A voz do sangue do teu irm&atilde;o clama da terra at&eacute; mim&rsquo; (Gn 4,9). (&#8230;) Com a fam&iacute;lia humana pronta a sacrificar os seus la&ccedil;os mais sagrados no altar de mesquinhos ego&iacute;smos de na&ccedil;&atilde;o, ra&ccedil;a, ideologia, grupo, indiv&iacute;duo, veio do C&eacute;u a nossa bendita M&atilde;e oferecendo-se para transplantar no cora&ccedil;&atilde;o de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. (&#8230;) S&oacute; com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civiliza&ccedil;&atilde;o do Amor e da Paz&rdquo;.<\/p>\n<p>Podemos associar-nos espiritualmente ao lema do Santu&aacute;rio para este ano: &ldquo;Quereis oferecer-vos a Deus?&rdquo;. &Eacute; o pedido que Nossa Senhora faz aos pastorinhos e espera a resposta da nossa generosa disponibilidade aos des&iacute;gnios de Deus para a salva&ccedil;&atilde;o e a paz do mundo lacerado por injusti&ccedil;as, &oacute;dios e conflitos.<\/p>\n<p>A peregrina&ccedil;&atilde;o diocesana no 5&ordm; Domingo da Quaresma h&aacute;-de ajudar-nos a acolher o convite de Maria e a corresponder-lhe tornando-nos construtores de rela&ccedil;&otilde;es de paz, promovendo a reconcilia&ccedil;&atilde;o e a justi&ccedil;a e empenhando-nos na defesa do bem comum e da solidariedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ofere&ccedil;o-vos uma ora&ccedil;&atilde;o, adaptada da liturgia, para alimentar o empenho no mundo que nos propomos ao longo deste ano pastoral:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pai Santo,<\/p>\n<p>N&oacute;s vos damos gra&ccedil;as<\/p>\n<p>porque iluminastes o mundo por meio de Jesus Cristo:<\/p>\n<p>concedei-nos a sua luz todos os dias da nossa vida.<\/p>\n<p>Orientai-nos e fortalecei-nos com o vosso Esp&iacute;rito,<\/p>\n<p>para que vivamos sempre segundo o Evangelho.<\/p>\n<p>Dirigi e santificai os nossos pensamentos, palavras e ac&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p>e dai-nos um esp&iacute;rito d&oacute;cil &agrave;s vossas inspira&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Ajudai-nos nos trabalhos e empenhos no mundo,<\/p>\n<p>para que as nossas obras sirvam ao bem comum,<\/p>\n<p>&agrave; promo&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a, do respeito da dignidade humana,<\/p>\n<p>da fraternidade entre as pessoas, da caridade social e da paz.<\/p>\n<p>A Virgem Maria seja para n&oacute;s est&iacute;mulo e modelo<\/p>\n<p>no testemunho das vossas maravilhas diante dos homens.<\/p>\n<p>&Aacute;men.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Agrave; protec&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora de F&aacute;tima e &agrave; intercess&atilde;o dos beatos Pastorinhos confiamos o bom &ecirc;xito do percurso pastoral da nossa Igreja Diocesana.<\/p>\n<p>Feliz Ano Pastoral!<\/p>\n<p>Sa&uacute;da-vos afectuosamente,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&dagger; Ant&oacute;nio Marto, Bispo de Leiria-F&aacute;tima<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leiria, 8 de Setembro de 2011<\/p>\n<p>Festa da Natividade de Nossa Senhora<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Siglas usadas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CDSI &ndash; Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja do Pontif&iacute;cio Conselho Justi&ccedil;a e Paz (02.04.2004)<\/p>\n<p>CFL &ndash; Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Voca&ccedil;&atilde;o e Miss&atilde;o dos Leigos na Igreja e no Mundo, de Jo&atilde;o Paulo II (30.12. 1988)<\/p>\n<p>CV &ndash; Enc&iacute;clica A Caridade na Verdade de Bento XVI (29.06.2009)<\/p>\n<p>NMI &ndash; Carta Apost&oacute;lica &Agrave; Entrada do Novo Mil&eacute;nio de Jo&atilde;o Paulo II (06.01.2001)<\/p>\n<p>RM &ndash; Enc&iacute;clica Miss&atilde;o do Redentor de Jo&atilde;o Paulo II (07.12.1990)<\/p>\n<p>SC &ndash; Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Sacramento da Caridade de Bento XVI (22.02.2007)<\/p>\n<p>SRS &ndash; Enc&iacute;clica Solicitude Social da Igreja de Jo&atilde;o Paulo II (30.12.1987)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testemunhas de Cristo no mundo &nbsp;&ldquo;A v&oacute;s a gra&ccedil;a e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. 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