{"id":52835,"date":"2011-09-06T14:31:00","date_gmt":"2011-09-06T14:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/06\/o-desafio-construir-comunidade-na-adversidade\/"},"modified":"2011-09-06T14:31:00","modified_gmt":"2011-09-06T14:31:00","slug":"o-desafio-construir-comunidade-na-adversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-desafio-construir-comunidade-na-adversidade\/","title":{"rendered":"O desafio: Construir ComUnidade na adversidade"},"content":{"rendered":"<p>Terminado o ver&atilde;o &eacute; hora de acordar para a realidade que teremos de enfrentar durante os pr&oacute;ximos tempos, isto &eacute;, durante os pr&oacute;ximos anos!<\/p>\n<p>Sabemos j&aacute; que a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica em que estamos sup&otilde;e um enorme esfor&ccedil;o individual e coletivo. Ouvimos e lemos diariamente taxas de desemprego a subir, impostos a pagar, taxas extraordin&aacute;rias que se prolongar&atilde;o pelo menos durante dois anos e sal&aacute;rios congelados pelo menos durante tr&ecirc;s anos. As conse-qu&ecirc;ncias sociais s&atilde;o j&aacute; vis&iacute;veis: mais pessoas a solicitar apoio, mais organiza&ccedil;&otilde;es em dificuldade, quer para prestar ajuda, quer para cumprir as suas obriga&ccedil;&otilde;es financeiras.<\/p>\n<p>Num cen&aacute;rio complexo e sombrio poder&aacute; ocorrer a tenta&ccedil;&atilde;o da desist&ecirc;ncia, da resigna&ccedil;&atilde;o ou da resposta individual. Contudo, num contexto crist&atilde;o, nenhuma delas pode ser admiss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Hoje mais que nunca, &eacute; chegada a hora de evidenciar a nossa dimens&atilde;o solid&aacute;ria e comunit&aacute;ria. Aos grupos e organiza&ccedil;&otilde;es de inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde; n&atilde;o resta outra alternativa que a de viver a sua natureza e a sua ess&ecirc;ncia. &Eacute; hora de criar e recriar mecanismos e processos que expressem uma solidariedade que assenta na proximidade, na partilha, na simplicidade, na discri&ccedil;&atilde;o mas tamb&eacute;m na efetiva cria&ccedil;&atilde;o de redes de suporte social e humano que permitam a cada pessoa ter as condi&ccedil;&otilde;es dignas a que tem direito.<\/p>\n<p>O desafio &eacute; de tal monta que apenas uma resposta coletiva pode ter resultados. Mas, mais do que uma simples rede de servi&ccedil;os e respostas, &eacute; chegada a hora de grupos e organiza&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s agirem como corpo que est&atilde;o chamados a ser, Com a Unidade que faz parte da sua natureza.<br \/>O que parece ter-se tornado evidente &eacute; que o sistema social criado, com todos os &acirc;mbitos positivos que tem e que importa reconhecer, n&atilde;o &eacute; suficientemente solid&aacute;rio para acorrer &agrave;s necessidades existentes nem &agrave;s que se vislumbram.<\/p>\n<p>Assim sendo, tendo a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;bem comum&rdquo; como finalidade de toda a a&ccedil;&atilde;o a desenvolver, atrav&eacute;s de uma l&oacute;gica de verdadeira subsidiariedade, entendida como co-responsabiliza&ccedil;&atilde;o pelo desenvolvimento e crescimento do outro como pessoa, grupo ou comunidade, &eacute; o momento de olhar em redor e ousar agir em ComUnidade, ser o Corpo que estamos chamados a ser.<\/p>\n<p>Ainda n&atilde;o h&aacute; muito tempo algu&eacute;m escrevia que o facto de as pessoas recorrerem mais &agrave; Igreja que aos servi&ccedil;os do Estado significava um verdadeiro &ldquo;retrocesso social&rdquo;. Penso que ser&aacute; verdade se, e s&oacute; se, as respostas dadas significarem a depend&ecirc;ncia de quem delas necessitar. Mas poder&aacute; tamb&eacute;m ser um avan&ccedil;o civilizacional se, como parece estar j&aacute; a acontecer, os servi&ccedil;os prestados demonstrarem que o nosso sistema social, econ&oacute;mico e pol&iacute;tico, precisa de um verdadeiro esp&iacute;rito solid&aacute;rio.<\/p>\n<p>As estruturas da Igreja n&atilde;o tardaram a responder aos primeiros sinais de agravamento da t&atilde;o famigerada crise. S&atilde;o disso exemplo os diferentes fundos solid&aacute;rios diocesanos e mesmo o fundo de &acirc;mbito nacional. S&atilde;o disso exemplo as in&uacute;meras respostas locais mais discretas criadas pelo pa&iacute;s fora.<\/p>\n<p>Contudo, &eacute; fundamental que toda e qualquer estrutura n&atilde;o se afaste do esp&iacute;rito que lhe d&ecirc; sentido e que lhe d&ecirc; vida pois s&oacute; desse modo marcar&aacute; a diferen&ccedil;a e ter&aacute; os resultados que dela se esperam: gerar condi&ccedil;&otilde;es de vida dignas, garantir e efetivar os direitos humanos, promover uma justi&ccedil;a social equitativa e solid&aacute;ria, ou seja, gerar contextos mais comunit&aacute;rios e mais solid&aacute;rios.<\/p>\n<p>Nenhum corpo se sente bem quando alguma das suas partes ou dos seus membros se sente menos bem ou est&aacute; mesmo debilitado. Como tal, toda e qualquer situa&ccedil;&atilde;o de car&ecirc;ncia individual ou coletiva tem que nos impelir a agir, assumindo a necessidade dos que nos s&atilde;o pr&oacute;ximos como nossa. &Eacute; hora de colocar dons e talentos, possibilidades e realidades, for&ccedil;as e recursos ao servi&ccedil;o, para que todos &ndash; em especial pessoas, grupos e organiza&ccedil;&otilde;es, mais carenciados &ndash; tenham as condi&ccedil;&otilde;es de que necessitam para viver dignamente.<\/p>\n<p>No momento que &eacute; de tribula&ccedil;&atilde;o, &eacute; fundamental agir com a paci&ecirc;ncia e a perseveran&ccedil;a, enraizadas na esperan&ccedil;a e na confian&ccedil;a que resultam de uma hist&oacute;ria rica em exemplos de vidas profundamente fecundas pela partilha e pela d&aacute;diva. <br \/>&Eacute; a hora de redescobrir que o dom gera rela&ccedil;&otilde;es de verdadeira solidariedade. Ao contr&aacute;rio do que se tem dito, o problema n&atilde;o est&aacute; na d&aacute;diva ou no ato que se tem em fun&ccedil;&atilde;o de quem mais necessita. A existir, o risco estar&aacute; sempre no modo como se d&aacute;! Mas a situa&ccedil;&atilde;o que vivemos n&atilde;o &eacute; em grande parte resultado da l&oacute;gica de justi&ccedil;a social de direitos individuais que temos vindo a desenvolver? Hoje percebemos o quanto &eacute; importante ter direitos sociais garantidos mas, percebemos tamb&eacute;m, que &eacute; preciso algo mais para que eles possam ser efetivos. A verdadeira d&aacute;diva, seja individual ou coletiva, assente num &uacute;nico interesse, a promo&ccedil;&atilde;o do outro, &eacute; ela mesma geradora de outras d&aacute;divas criando assim cadeias de solidariedade! O dom que &eacute; verdadeiro dom gera uma d&iacute;vida positiva que impele a uma nova d&aacute;diva.<\/p>\n<p>Haver&aacute; outros caminhos? Talvez, mas n&atilde;o ser&atilde;o a mesma coisa. Por isso, mais que um trabalho em rede &eacute; fundamental aceitar o desafio de agir em \/ e Com Unidade, tendo como princ&iacute;pio uma l&oacute;gica de subsidiariedade geradora de autonomias solid&aacute;rias quer ao n&iacute;vel individual quer ao n&iacute;vel coletivo, visando sempre alcan&ccedil;ar um bem que &eacute; comum, uma vida digna, humana e solid&aacute;ria.<\/p>\n<p><em>Henrique Joaquim<br \/>Professor Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade <br \/>Cat&oacute;lica Portuguesa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terminado o ver&atilde;o &eacute; hora de acordar para a realidade que teremos de enfrentar durante os pr&oacute;ximos tempos, isto &eacute;, durante os pr&oacute;ximos anos! Sabemos j&aacute; que a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica em que estamos sup&otilde;e um enorme esfor&ccedil;o individual e coletivo. 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