{"id":52833,"date":"2011-09-06T14:35:00","date_gmt":"2011-09-06T14:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/06\/a-situacao-social-em-portugal-da-resiliencia-a-ductilidade\/"},"modified":"2011-09-06T14:35:00","modified_gmt":"2011-09-06T14:35:00","slug":"a-situacao-social-em-portugal-da-resiliencia-a-ductilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-situacao-social-em-portugal-da-resiliencia-a-ductilidade\/","title":{"rendered":"A situa\u00e7\u00e3o social em Portugal: da resili\u00eancia \u00e0 ductilidade?"},"content":{"rendered":"<p>No acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, &agrave; sa&uacute;de, &agrave; habita&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura, na prote&ccedil;&atilde;o social, nas infraestruturas e meios de transporte, na participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e politica, e em outras dimens&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; inclus&atilde;o e ao bem-estar social, Portugal registou um enorme avan&ccedil;o desde o 25 de Abril de 1974. Contudo, desde ent&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; outras dimens&otilde;es se degradaram, como a sociedade portuguesa enfrenta, hoje, s&eacute;rias amea&ccedil;as &agrave; capacidade de manter os n&iacute;veis de bem-estar alcan&ccedil;ados.<\/p>\n<p>Ou seja, a estagna&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, o envelhecimento, a perda de poder e os baixos n&iacute;veis de efici&ecirc;ncia e efic&aacute;cia do Estado, as fragilidades ao n&iacute;vel do mercado de trabalho e dos sal&aacute;rios, as desigualdades e assimetrias regionais, geracionais e sociais, os baixos n&iacute;veis de confian&ccedil;a e participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os, os crescentes n&iacute;veis de risco e incerteza, entre outros aspetos, amea&ccedil;am as conquistas realizadas.<\/p>\n<p>Em causa n&atilde;o est&atilde;o apenas os portugueses que vivem no limiar de pobreza (cerca de dois milh&otilde;es) e a capacidade de resposta do Estado &ndash; est&aacute; tamb&eacute;m a classe m&eacute;dia e a capacidade de resposta da sociedade civil. No limite, est&aacute; em causa a sociedade portuguesa em geral e as aspira&ccedil;&otilde;es e conquistas das pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Mas se o pa&iacute;s se encontra numa encruzilhada, a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; adversidade e vulnerabilidade n&atilde;o pode fazer-se atrav&eacute;s da conforma&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de vida e aos seus limites, baixando os limiares de aspira&ccedil;&otilde;es, limitando as iniciativas e demitindo-se de elaborar projetos face ao futuro, pois s&atilde;o esses os impulsos necess&aacute;rios ao desenvolvimento e &agrave; lenta e complexa engrenagem da mudan&ccedil;a social.<\/p>\n<p>Para ultrapassar os atuais bloqueios, h&aacute; um jogo entre capacidades (individuais) e oportunidades (sociais), no qual o Estado desempenha um papel fundamental. Por isso, espera-se do Estado uma postura proactiva, que saiba antecipar tend&ecirc;ncias e n&atilde;o apenas reagir a solicita&ccedil;&otilde;es (b&aacute;sicas). Um Governo de tecnocratas, mesmo que competentes e bem intencionados e apoiados por planos de emerg&ecirc;ncia social, n&atilde;o ser&aacute; suficiente para nos manter na rota do bem-estar social.<\/p>\n<p>Neste contexto, aqui ficam algumas pistas para reflex&atilde;o:<\/p>\n<p>1) &Eacute; fundamental criar condi&ccedil;&otilde;es para o aumento da competitividade, do crescimento e do emprego. Para tal, mais inova&ccedil;&atilde;o e empreendedorismo, menos burocracia, e melhor justi&ccedil;a s&atilde;o determinantes, bem como modelos alternativos de gera&ccedil;&atilde;o de riqueza &ndash; como os caracter&iacute;sticos da economia social e solid&aacute;ria;<\/p>\n<p>2) &Eacute; importante aumentar os n&iacute;veis de efic&aacute;cia e efici&ecirc;ncia do Estado. Na U.E., em 2008, a taxa de pobreza era de 27% antes das transfer&ecirc;ncias sociais e 15% ap&oacute;s; em Portugal, a taxa de pobreza era de 25% antes e 18% ap&oacute;s. Ou seja, o impacte das transfer&ecirc;ncias sociais na redu&ccedil;&atilde;o da pobreza pode melhorar;<\/p>\n<p>3) O princ&iacute;pio da universalidade das respostas &eacute; fundamental, mas o Estado tem de conseguir maiores n&iacute;veis de perso-naliza&ccedil;&atilde;o e flexibiliza&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave;s necessidades espec&iacute;ficas dos indiv&iacute;duos e territ&oacute;rios. Por exemplo, a presta&ccedil;&atilde;o de apoios tempor&aacute;rios, que respondam a car&ecirc;ncias s&uacute;bitas e n&atilde;o necessariamente estruturais, e iniciativas como o &ldquo;personal budget&rdquo; (<a href=\"http:\/\/www.in-control.org.uk\/\">www.in-control.org.uk\/<\/a>) devem ser consideradas;<br \/>&nbsp;<br \/>4) Os princ&iacute;pios da subsidiariedade e da parceria com o terceiro setor s&atilde;o determinantes da qualidade das respostas. Assim, iniciativas como a Rede Social, os Contratos Locais de Desenvolvimento Social ou o Programa Escolhas s&atilde;o boas pr&aacute;ticas a aperfei&ccedil;oar e manter;<\/p>\n<p>5) Ser&aacute; cada vez mais decisivo potenciar os recursos dispon&iacute;veis nas comunidades, bairros e fam&iacute;lias. Projetos como o Do Something (que proporciona cidadania e voluntariado &ldquo;&agrave; medida&rdquo;), o Spice (um banco do tempo da nova gera&ccedil;&atilde;o) ou o Whipcar (a possibilidade de alugar o carro de um vizinho quando este n&atilde;o o esteja a utilizar) criam valor social com base em recursos j&aacute; dispon&iacute;veis. Porventura, n&atilde;o haver&aacute; outra forma de passarmos de um modelo de welfare state para um modelo de welfare society ou welfare mix;<\/p>\n<p>6) A inova&ccedil;&atilde;o social &eacute; um dos requisitos e oportunidades da crise a levar a s&eacute;rio. Iniciativas como as &ldquo;Obriga&ccedil;&otilde;es de Impacte Social&rdquo; (j&aacute; testadas com sucesso em Inglaterra) constituem uma oportunidade;<\/p>\n<p>7) Ser&aacute; determinante assumirmos como des&iacute;gnio uma cultura de &ldquo;empowerment&rdquo; da sociedade e de cada portugu&ecirc;s, e n&atilde;o de gera&ccedil;&atilde;o de &ldquo;pobres agradecidos&rdquo;, de modo a que cada um tenha a energia para passar da luta pela sobreviv&ecirc;ncia para a cren&ccedil;a na possibilidade de influenciar o futuro;<\/p>\n<p>8) Faz falta promover uma reflex&atilde;o, na sociedade portuguesa, sobre a atual mudan&ccedil;a de paradigma civilizacional &ndash; que comportar&aacute; os impactes da passagem de uma sociedade de abund&acirc;ncia material para uma sociedade da escassez e, provavelmente, assente em novos valores;<\/p>\n<p>9) E, finalmente, aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s classes m&eacute;dias, &agrave;s designadas &ldquo;fam&iacute;lias sandu&iacute;che&rdquo;, que est&atilde;o no limite das suas possibilidades de sacrif&iacute;cio. N&atilde;o comprometer a sua capacidade de resili&ecirc;ncia e ter presente o princ&iacute;pio da ductilidade ser&aacute; fundamental.<\/p>\n<p>Por ductilidade entende-se o grau de deforma&ccedil;&atilde;o que um material suporta at&eacute; o momento de sua fratura &ndash; ora, a sociedade portuguesa n&atilde;o pode partir!<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Wengorovius Meneses<br \/>2 de setembro de 2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, &agrave; sa&uacute;de, &agrave; habita&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura, na prote&ccedil;&atilde;o social, nas infraestruturas e meios de transporte, na participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e politica, e em outras dimens&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; inclus&atilde;o e ao bem-estar social, Portugal registou um enorme avan&ccedil;o desde o 25 de Abril de 1974. 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