{"id":52693,"date":"2011-08-20T12:54:02","date_gmt":"2011-08-20T12:54:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/08\/20\/homilia-do-papa-na-missa-com-seminaristas-na-jmj-de-madrid\/"},"modified":"2011-08-20T12:54:02","modified_gmt":"2011-08-20T12:54:02","slug":"homilia-do-papa-na-missa-com-seminaristas-na-jmj-de-madrid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-papa-na-missa-com-seminaristas-na-jmj-de-madrid\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa na missa com seminaristas na JMJ de Madrid"},"content":{"rendered":"<p>Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid,<\/p>\n<p>Queridos Irm&atilde;os no Episcopado,<\/p>\n<p>Queridos sacerdotes e religiosos,<\/p>\n<p>Queridos reitores e formadores,<\/p>\n<p>Queridos seminaristas,<\/p>\n<p>Meus amigos!<\/p>\n<p>Sinto uma profunda alegria ao celebrar a Santa Missa para todos v&oacute;s, que aspirais a ser sacerdotes de Cristo para o servi&ccedil;o da Igreja e dos homens, e agrade&ccedil;o as am&aacute;veis palavras de sauda&ccedil;&atilde;o com que me acolhestes. Hoje esta Catedral de Santa Maria a Real da Almudena lembra um imenso cen&aacute;culo onde o Senhor desejou ardentemente celebrar a Sua Pascoa com todos v&oacute;s que um dia desejais presidir em seu nome os mist&eacute;rios da salva&ccedil;&atilde;o. Vendo-vos, comprovo de novo como Cristo continua chamando jovens disc&iacute;pulos para fazer deles seus ap&oacute;stolos, permanecendo assim viva a miss&atilde;o da Igreja e a oferta do evangelho ao mundo. Como seminaristas, estais a caminho para uma meta santa: ser continuadores da miss&atilde;o que Cristo recebeu do Pai. Chamados por Ele, seguistes a sua voz; e, atra&iacute;dos pelo seu olhar amoroso, avan&ccedil;ais para o minist&eacute;rio sagrado. Ponde os vossos olhos n&rsquo;Ele, que, pela sua encarna&ccedil;&atilde;o, &eacute; o revelador supremo de Deus ao mundo e, pela sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, &eacute; a fiel realiza&ccedil;&atilde;o da sua promessa. Dai-Lhe gra&ccedil;as por este sinal de predile&ccedil;&atilde;o que reserva para cada um de v&oacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira leitura que escut&aacute;mos mostra-nos Cristo como o novo e definitivo sacerdote, que fez uma oferta total da sua exist&ecirc;ncia. A ant&iacute;fona do salmo aplica-se perfeitamente a Ele, quando, ao entrar no mundo, Se dirigiu a seu Pai dizendo: &laquo;Eis-me aqui para fazer a tua vontade&raquo; (cf. Sal 39, 8-9). Procurava agradar-Lhe em tudo: ao falar e ao agir, percorrendo os caminhos ou acolhendo os pecadores. A sua vida foi um servi&ccedil;o, e a sua dedica&ccedil;&atilde;o abnegada uma intercess&atilde;o perene, colocando-Se em nome de todos diante do Pai com Primog&eacute;nito de muitos irm&atilde;os. O autor da Carta aos Hebreus afirma que, atrav&eacute;s desta entrega, nos tornou perfeitos para sempre, a n&oacute;s que est&aacute;vamos chamados a participar da sua filia&ccedil;&atilde;o (cf. Heb 10, 14).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Eucaristia, de cuja institui&ccedil;&atilde;o nos fala o evangelho proclamado (cf. Lc 22, 14-20), &eacute; a express&atilde;o real dessa entrega incondicional de Jesus por todos, incluindo aqueles que O entregavam: entrega do seu corpo e sangue para a vida dos homens e para a remiss&atilde;o dos pecados. O sangue, sinal da vida, foi-nos dado por Deus como alian&ccedil;a, a fim de podermos inserir a for&ccedil;a da sua vida onde reina a morte por causa do nosso pecado, e assim destru&iacute;-lo. O corpo rasgado e o sangue derramado de Cristo, isto &eacute;, a sua liberdade sacrificada, converteram-se, atrav&eacute;s dos sinais eucar&iacute;sticos, na nova fonte da liberdade redimida dos homens. N&rsquo;Ele temos a promessa duma reden&ccedil;&atilde;o definitiva e a esperan&ccedil;a segura dos bens futuros. Por Cristo, sabemos que n&atilde;o estamos caminhando para o abismo, para o sil&ecirc;ncio do nada ou da morte, mas seguindo para a terra prometida, para Ele que &eacute; nossa meta e tamb&eacute;m nosso princ&iacute;pio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Queridos amigos, vos preparais para ser ap&oacute;stolos com Cristo e como Cristo, para ser companheiros de viagem e servidores dos homens. Como haveis de viver estes anos de prepara&ccedil;&atilde;o? Em primeiro lugar, devem ser anos de sil&ecirc;ncio interior, de ora&ccedil;&atilde;o permanente, de estudo constante e de progressiva inser&ccedil;&atilde;o nas atividades e estruturas pastorais da Igreja. Igreja, que &eacute; comunidade e institui&ccedil;&atilde;o, fam&iacute;lia e miss&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o de Cristo pelo seu Esp&iacute;rito Santo e simultaneamente resultado de quanto a configuramos com a nossa santidade e com os nossos pecados. Assim o quis Deus, que n&atilde;o se incomoda de tomar pobres e pecadores para fazer deles seus amigos e instrumentos para reden&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero humano. A santidade da Igreja &eacute;, antes de mais nada, a santidade objetiva da pr&oacute;pria pessoa de Cristo, do seu evangelho e dos seus sacramentos, a santidade daquela for&ccedil;a do alto que a anima e impele. N&oacute;s devemos ser santos para n&atilde;o gerar uma contradi&ccedil;&atilde;o entre o sinal que somos e a realidade que queremos significar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meditai bem este mist&eacute;rio da Igreja, vivendo os anos da vossa forma&ccedil;&atilde;o com profunda alegria, em atitude de docilidade, de lucidez e de radical fidelidade evang&eacute;lica, bem como numa amorosa rela&ccedil;&atilde;o com o tempo e as pessoas no meio de quem viveis. &Eacute; que ningu&eacute;m escolhe o contexto nem os destinat&aacute;rios da sua miss&atilde;o. Cada &eacute;poca tem os seus problemas, mas Deus d&aacute; em cada tempo a gra&ccedil;a oportuna para os assumir e superar com amor e realismo. Por isso, em toda e qualquer circunst&acirc;ncia em que se encontre e por mais dura que esta seja, o sacerdote tem de frutificar em toda a esp&eacute;cie de boas obras, conservando sempre vivas no seu &iacute;ntimo aquelas palavras do dia da sua Ordena&ccedil;&atilde;o com que se lhe exortava a configurar a sua vida com o mist&eacute;rio da cruz do Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Configurar-se com Cristo comporta, queridos seminaristas, identificar-se sempre mais com Aquele que por n&oacute;s Se fez servo, sacerdote e v&iacute;tima. Na realidade, configurar-se com Ele &eacute; a tarefa em que o sacerdote h&aacute; de gastar toda a sua vida. J&aacute; sabemos que nos ultrapassa e n&atilde;o a conseguiremos cumprir plenamente, mas, como diz S&atilde;o Paulo, corremos para a meta esperando alcan&ccedil;&aacute;-la (cf. Flp 3, 12-14).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas Cristo, Sumo Sacerdote, &eacute; igualmente o Bom Pastor, que cuida das suas ovelhas at&eacute; ao ponto de dar a vida por elas (cf. Jo 10, 11). Para imitar nisto tamb&eacute;m o Senhor, o vosso cora&ccedil;&otilde;es tem de ir amadurecendo no Semin&aacute;rio, colocando-se totalmente &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Mestre. Dom do Esp&iacute;rito Santo, esta disponibilidade &eacute; que inspira a decis&atilde;o de viver o celibato pelo Reino dos c&eacute;us, o desprendimento dos bens da terra, a austeridade de vida e a obedi&ecirc;ncia sincera e sem dissimula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pedi-Lhe, pois, que vos conceda imit&aacute;-Lo na sua caridade at&eacute; ao fim para com todos, sem excluir os afastados e pecadores, de tal forma que, com a vossa ajuda, se convertam e voltem ao bom caminho. Pedi-Lhe que vos ensine a aproximar-vos dos enfermos e dos pobres, com simplicidade e generosidade. Afrontai este desafio sem complexos nem mediocridade, mas antes como uma forma estupenda de realizar a vida humana na gratuidade e no servi&ccedil;o, sendo testemunhas de Deus feito homem, mensageiros da dignidade alt&iacute;ssima da pessoa humana e, consequentemente, seus defensores incondicionais. Apoiados no seu amor, n&atilde;o vos deixeis amedrontar por um ambiente onde se pretende excluir Deus e no qual os principais crit&eacute;rios por que se rege a exist&ecirc;ncia s&atilde;o, frequentemente, o poder, o ter ou o prazer. Pode acontecer que vos desprezem, como se costuma fazer com quem aponta metas mais altas ou desmascara os &iacute;dolos diante dos quais muito se prostram hoje. Ser&aacute; ent&atilde;o que uma vida profundamente radicada em Cristo se revele realmente como uma novidade, atraindo com vigor a quantos verdadeiramente procuram Deus, a verdade e a justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Animados pelos vossos formadores, abri a vossa alma &agrave; luz do Senhor para ver se este caminho, que requer coragem e autenticidade, &eacute; o vosso, avan&ccedil;ando para o sacerd&oacute;cio s&oacute; se estiverdes firmemente persuadidos de que Deus vos chama para ser seus ministros e plenamente decididos a exerc&ecirc;-lo obedecendo &agrave;s disposi&ccedil;&otilde;es da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com esta confian&ccedil;a, aprendei d&rsquo;Aquele que Se definiu a Si mesmo como manso e humilde de cora&ccedil;&atilde;o, despojando-vos para isso de todo o desejo mundano, de modo que n&atilde;o busqueis o vosso pr&oacute;prio interesse, mas edifiqueis, com a vossa conduta, aos vossos irm&atilde;os, como fez o santo padroeiro do clero secular espanhol S&atilde;o Jo&atilde;o de &Aacute;vila. Animados pelo seu exemplo, olhai sobretudo para a Virgem Maria, M&atilde;e dos sacerdotes. Ela saber&aacute; forjar a vossa alma segundo o modelo de Cristo, seu divino Filho, e vos ensinar&aacute; incessantemente a guardar os bens que Ele adquiriu no Calv&aacute;rio para a salva&ccedil;&atilde;o do mundo. Amen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid, Queridos Irm&atilde;os no Episcopado, Queridos sacerdotes e religiosos, Queridos reitores e formadores, Queridos seminaristas, Meus amigos! 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