{"id":52688,"date":"2011-08-19T21:21:21","date_gmt":"2011-08-19T21:21:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/08\/19\/discurso-do-papa-na-via-sacra-da-jmj-de-madrid\/"},"modified":"2011-08-19T21:21:21","modified_gmt":"2011-08-19T21:21:21","slug":"discurso-do-papa-na-via-sacra-da-jmj-de-madrid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-papa-na-via-sacra-da-jmj-de-madrid\/","title":{"rendered":"Discurso do Papa na via-sacra da JMJ de Madrid"},"content":{"rendered":"<p>Queridos jovens!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com piedade e fervor, celebr&aacute;mos esta Via-Sacra, acompanhando Cristo na sua Paix&atilde;o e Morte. As reflex&otilde;es das Irm&atilde;zinhas da Cruz, que servem aos mais pobres e desvalidos, facilitaram-nos a entrada nos mist&eacute;rios da gloriosa Cruz de Cristo, que encerra a verdadeira sabedoria de Deus, aquela que julga o mundo e quantos se creem s&aacute;bios (cf. 1 Cor 1, 17-19). Neste itiner&aacute;rio para o Calv&aacute;rio, ajudou-nos tamb&eacute;m a contempla&ccedil;&atilde;o destas imagens extraordin&aacute;rias do patrim&oacute;nio religioso das dioceses espanholas. S&atilde;o imagens onde se harmonizam a f&eacute; e a arte para chegar ao cora&ccedil;&atilde;o do homem e convid&aacute;-lo &agrave; convers&atilde;o. Quando &eacute; l&iacute;mpido e aut&ecirc;ntico o olhar da f&eacute;, a beleza coloca-se ao seu servi&ccedil;o e &eacute; capaz de representar os mist&eacute;rios da nossa salva&ccedil;&atilde;o a ponto de nos tocar profundamente e transformar o nosso cora&ccedil;&atilde;o, como sucedeu a Santa Teresa de &Aacute;vila ao contemplar uma imagem de Cristo coberto de chagas (cf. Livro da Vida, 9, 1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Agrave; medida que &iacute;amos avan&ccedil;ando com Jesus at&eacute; chegar ao cimo da sua entrega no Calv&aacute;rio, vinham-nos &agrave; mente as palavras de S&atilde;o Paulo: &laquo;Cristo amou-me e a Si mesmo Se entregou por mim&raquo; (Gal 2, 20). &Agrave; vista de um amor assim desinteressado, cheios de admira&ccedil;&atilde;o e reconhecimento perguntamo-nos agora: Que havemos n&oacute;s de fazer por Ele? Que resposta Lhe daremos? S&atilde;o Jo&atilde;o no-lo diz claramente: &laquo;Foi com isto que conhecemos o amor: Ele, Jesus, deu a sua vida por n&oacute;s; assim tamb&eacute;m n&oacute;s devemos dar a vida pelos nossos irm&atilde;os&raquo; (1 Jo 3, 16). A paix&atilde;o de Cristo incita-nos a carregar sobre os nossos ombros o sofrimento do mundo, com a certeza de que Deus n&atilde;o &eacute; algu&eacute;m distante ou alheio ao homem e &agrave;s suas vicissitudes; pelo contr&aacute;rio, fez-Se um de n&oacute;s &laquo;para poder padecer com o homem, de modo muito real, na carne e no sangue (&hellip;). A partir de l&aacute; entrou em todo o sofrimento humano algu&eacute;m que partilha o sofrimento e a sua suporta&ccedil;&atilde;o; a partir de l&aacute; propaga-se em todo o sofrimento a con-solatio, a consola&ccedil;&atilde;o do amor solid&aacute;rio de Deus, surgindo assim a estrela da esperan&ccedil;a&raquo; (Spe salvi, 39).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Queridos jovens, que o amor de Cristo por n&oacute;s aumente a vossa alegria e vos anime a permanecer junto dos menos favorecidos. V&oacute;s que sois t&atilde;o sens&iacute;veis &agrave; ideia de partilhar a vida com os outros, n&atilde;o passeis ao largo quando virdes o sofrimento humano, pois &eacute; a&iacute; que Deus vos espera para dardes o melhor de v&oacute;s mesmos: a vossa capacidade de amar e de vos compadecerdes. As diversas formas de sofrimento, que foram desfilando diante dos nossos olhos ao longo da Via-Sacra, s&atilde;o apelos do Senhor para edificarmos as nossas vidas seguindo os seus passos e para nos tornarmos sinais do seu conforto e salva&ccedil;&atilde;o. &laquo;Sofrer com o outro, pelos outros; sofrer por amor da verdade e da justi&ccedil;a; sofrer por causa do amor e para se tornar uma pessoa que ama verdadeiramente: estes s&atilde;o elementos fundamentais de humanidade, o seu abandono destruiria o mesmo homem&raquo; (Ibid., 39).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Oxal&aacute; saibamos acolher estas li&ccedil;&otilde;es e p&ocirc;-las em pr&aacute;tica. Com tal finalidade, olhemos para Cristo, suspenso no duro madeiro, e pe&ccedil;amos-Lhe que nos ensine esta misteriosa sabedoria da cruz, gra&ccedil;as &agrave; qual vive o homem. A cruz n&atilde;o foi o desfecho de um fracasso, mas o modo de exprimir a entrega amorosa que vai at&eacute; &agrave; doa&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima da pr&oacute;pria vida. O Pai quis amar os homens no abra&ccedil;o do seu Filho crucificado por amor. Na sua forma e significado, a cruz representa esse amor do Pai e de Cristo pelos homens. Nela reconhecemos o &iacute;cone do amor supremo, onde aprendemos a amar o que Deus ama e como Ele o faz: esta &eacute; a Boa Nova que devolve a esperan&ccedil;a ao mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voltemos agora os nossos olhos para a Virgem Maria, que nos foi entregue por M&atilde;e no Calv&aacute;rio, e supliquemos-Lhe que nos apoie com a sua amorosa prote&ccedil;&atilde;o no caminho da vida, particularmente quando passarmos pela noite da dor, para conseguirmos permanecer como Ela firmes ao p&eacute; da cruz. Muito obrigado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queridos jovens! &nbsp; Com piedade e fervor, celebr&aacute;mos esta Via-Sacra, acompanhando Cristo na sua Paix&atilde;o e Morte. 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