{"id":52598,"date":"2011-08-12T23:03:00","date_gmt":"2011-08-12T23:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/08\/12\/homilia-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-internacional-dos-migrantes-a-fatima\/"},"modified":"2011-08-12T23:03:00","modified_gmt":"2011-08-12T23:03:00","slug":"homilia-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-internacional-dos-migrantes-a-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-na-missa-da-vigilia-da-peregrinacao-internacional-dos-migrantes-a-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia na missa da vig\u00edlia da Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional dos Migrantes a F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Vitalino <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>&laquo;Creio em Jesus Cristo, Filho de Deus&raquo;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">1. Amados peregrinos, estamos aqui neste lugar sagrado da Cova da Iria, vindos de muitos pontos da terra, formando uma assembleia orante, convocada pela f&eacute; e pela devo&ccedil;&atilde;o a Maria, a Senhora de F&aacute;tima, a M&atilde;e de Jesus e nossa M&atilde;e tamb&eacute;m. Somos um povo em mobilidade, peregrino, &agrave; procura da felicidade, de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida, para n&oacute;s e as nossas fam&iacute;lias, um povo que n&atilde;o resigna perante as dificuldades e a imobilidade de muitos ambientes, onde grassa o desemprego e a falta de perspetiva de inser&ccedil;&atilde;o no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>Viemos aqui agradecer, louvar e tamb&eacute;m pedir com toda a confian&ccedil;a, por intercess&atilde;o de Maria, a M&atilde;e de Jesus e nossa M&atilde;e, aquela mesma que h&aacute; 94 anos aqui apareceu aos tr&ecirc;s pastorinhos, em tempos bem dif&iacute;ceis e de maior pobreza que os nossos. Em 1917, neste lugar, a Senhora mais brilhante que o sol, confiou a tr&ecirc;s crian&ccedil;as a receita da paz e de um mundo melhor e que podemos resumir numa frase, com a simplicidade evang&eacute;lica das grandes mensagens: <em>rezai, rezai o ros&aacute;rio pela paz e oferecei sacrif&iacute;cios pela convers&atilde;o dos pecadores, para que deixem de ofender a Deus, que sofre com o pecado dos seus filhos.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Car&iacute;ssimos peregrinos, nesta vig&iacute;lia da nossa peregrina&ccedil;&atilde;o internacional a F&aacute;tima a Palavra de Deus interpela-nos, para deixarmos que Ele se torne mais pr&oacute;ximo das nossas vidas, como h&aacute; dois mil anos, na pessoa de Jesus Cristo, o Messias, o Filho de Deus, que nos salvou pela doa&ccedil;&atilde;o da sua vida no sacrif&iacute;cio da Cruz e cuja entrega se perpetua e torna presente a todos n&oacute;s na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia. Numa breve medita&ccedil;&atilde;o convosco vou tentar desvendar alguns sinais do amor de Deus por n&oacute;s, para nos ajudar a cultivar um cora&ccedil;&atilde;o amante e misericordioso, semelhante ao seu Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>3. Normalmente tendemos a ver e interpretar tudo a preto e branco, ou mesmo s&oacute; a negro, sem luz ao fundo do t&uacute;nel, mormente quando as dificuldades da vida batem &agrave; nossa porta ou &agrave; porta daqueles que nos s&atilde;o queridos. Mas n&atilde;o foram as dificuldades, os desafios, que nos fizeram deixar as nossas terras &agrave; procura de vida melhor? Mas se ainda s&atilde;o poucas as melhorias, n&atilde;o cruzemos os bra&ccedil;os, continuemos a lutar, com a certeza de que Deus nos ama e quem ama e vive com amor no seu cora&ccedil;&atilde;o torna-se um manancial de energia, capaz de superar as maiores adversidades. &Eacute; o que descobre Marta, quando, sentindo a grande desilus&atilde;o da morte do seu irm&atilde;o L&aacute;zaro, se encontra com Jesus, lhe exp&otilde;e a sua tristeza, mas sai fortalecida na sua f&eacute;, exclamando: &laquo;Acredito, Senhor, que Tu &eacute;s o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo&raquo;. &Eacute; esta certeza da f&eacute; de Marta que n&oacute;s precisamos, para descobrirmos o amor de Deus e o sentido da vida, mesmo quando tudo parece negro. A f&eacute; transporta montanhas, diz o Evangelho. Mas trata-se da f&eacute; no poder e na pessoa de Jesus Cristo, a quem nos entregamos totalmente, como Pedro, quando responde ao desafio de Jesus, se tamb&eacute;m ele queria desistir de O seguir, porque a linguagem e exig&ecirc;ncias de Jesus eram dif&iacute;ceis: <em>&ldquo;para quem iremos n&oacute;s, Senhor, se apenas Tu tens palavras de vida eterna&rdquo;?<\/em><\/p>\n<p>Aqui em F&aacute;tima imploremos confiantes a intercess&atilde;o de Nossa Senhora, para sabermos ler as nossas vidas como express&atilde;o do amor de Deus, para que saibamos amar como Jesus, que, do alto da cruz, perdoa a quem para Ele pediu a morte e nos entrega a sua pr&oacute;pria m&atilde;e como nossa m&atilde;e, m&atilde;e da Igreja e m&atilde;e de todos os disc&iacute;pulos de Jesus.<\/p>\n<p>Aqui, neste lugar sagrado, recordemos com gratid&atilde;o todas as pessoas que deixamos nas nossas terras e nos acompanharam at&eacute; ao dia da nossa partida, mas tamb&eacute;m aquelas que nos acolheram nas terras para onde partimos e com as quais queremos construir uma s&oacute; fam&iacute;lia humana. Mas sobretudo n&atilde;o esque&ccedil;amos o amor que Deus nos tem demonstrado atrav&eacute;s dos nossos caminhos. Como dizia o profeta Oseias, Deus manifestou-nos o seu amor, trazia-nos ao colo nos bra&ccedil;os dos nossos pais e no testemunho de f&eacute; dos nossos av&oacute;s e catequistas. Que saia do nosso cora&ccedil;&atilde;o e dos nossos l&aacute;bios um obrigado a Deus por todos eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Na mensagem deste ano para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, o Santo Padre Bento XVI afirma que somos chamados a constituir uma s&oacute; fam&iacute;lia humana, mas que isso apenas se consegue, se nos amarmos uns aos outros como Cristo nos amou (Jo 13, 34), acolhendo-nos como irm&atilde;os, fazendo crescer no mundo a justi&ccedil;a, a caridade e a paz. <em>&laquo;Uma s&oacute; fam&iacute;lia humana&raquo;, uma s&oacute; fam&iacute;lia de irm&atilde;os e irm&atilde;s em sociedades que se tornam cada vez mais multi&eacute;tnicas e intraculturais, onde tamb&eacute;m as pessoas de v&aacute;rias religi&otilde;es s&atilde;o estimuladas ao di&aacute;logo, para que se possa encontrar uma serena e frutuosa conviv&ecirc;ncia no respeito das leg&iacute;timas diferen&ccedil;as. <\/em><\/p>\n<p>Todos temos a mesma origem e o mesmo fim &uacute;ltimo. Por isso &eacute; importante que o percurso entre ambos se fa&ccedil;a, inter-relacionando-nos cada vez mais, entreajudando-nos, fazendo do nosso caminho uma certa antecipa&ccedil;&atilde;o, que prefigura a cidade de Deus sem barreiras. A experi&ecirc;ncia das migra&ccedil;&otilde;es pode fomentar essa antecipa&ccedil;&atilde;o de uma s&oacute; fam&iacute;lia humana. O fen&oacute;meno crescente do interc&acirc;mbio cultural, universit&aacute;rio, econ&oacute;mico, desportivo e tur&iacute;stico pode unir cada vez mais todos os povos, tornar-se motor do desenvolvimento e lan&ccedil;ar pontes de compreens&atilde;o e de colabora&ccedil;&atilde;o entre as diferentes culturas e na&ccedil;&otilde;es, apressando a constru&ccedil;&atilde;o de uma s&oacute; fam&iacute;lia humana. Mas sem f&eacute;, sem ora&ccedil;&atilde;o, sem sacrif&iacute;cios e ousadia, isso n&atilde;o acontecer&aacute;. Como peregrinos e pessoas em mobilidade estamos no bom caminho. Que Nossa Senhora nos acompanhe!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Continuamos a ser um pa&iacute;s de emigrantes. Mas somos tamb&eacute;m um pa&iacute;s de imigrantes. A lembr&aacute;-lo e representando os imigrantes de muitos outros pa&iacute;ses, temos entre n&oacute;s D. Arlindo, bispo de Santiago, em Cabo Verde, cuja aceita&ccedil;&atilde;o do convite para presidir a esta peregrina&ccedil;&atilde;o, agrade&ccedil;o e na sua pessoa a todos os Caboverdianos residentes em Portugal e noutros pa&iacute;ses, unidos nas miss&otilde;es de l&iacute;ngua portuguesa. Ajudamos outras pa&iacute;ses no seu desenvolvimento e bem estar, mas tamb&eacute;m somos ajudados. Precisamos uns dos outros. Em tempo de crise econ&oacute;mica n&atilde;o nos esque&ccedil;amos de continuar a ser acolhedores e hospitaleiros e n&atilde;o fa&ccedil;amos aos outros aquilo que n&atilde;o gostar&iacute;amos que nos fizessem a n&oacute;s. Somos todos pessoas humanas, com uma dignidade fundamental, com direitos e deveres, e como crist&atilde;os chamados a amar a Deus e ao pr&oacute;ximo, como Jesus o fez.<\/p>\n<p>&Eacute; em tempo de crise que se demonstra aquilo que somos, ou amigos e irm&atilde;os, solid&aacute;rios nas alegrias e tristezas, na abund&acirc;ncia e na pen&uacute;ria, ou ent&atilde;o inimigos e advers&aacute;rios, carrascos sem humanidade, pensando que o bem dos outros impossibilita o nosso. A solidariedade, a partilha, a hospitalidade, numa palavra, a caridade &eacute; que nos podem ajudar a vencer a crise. Os presentes dist&uacute;rbios nos sub&uacute;rbios das grandes cidades do Reino Unido, como h&aacute; anos em Paris, e h&aacute; pouco em Madrid e Barcelona, devem ser para n&oacute;s um alerta para n&atilde;o enveredarmos pelo caminho do salve-se quem puder. Para al&eacute;m de n&atilde;o ser crist&atilde;o, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; humano nem nos ajuda na constru&ccedil;&atilde;o de uma s&oacute; fam&iacute;lia humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Amados peregrinos, a hist&oacute;ria da humanidade mostra-nos muito sofrimento causado pelo pr&oacute;prio homem, pelo pecado do homem, mas tamb&eacute;m nos aponta muitas tentativas de ajuda para mudan&ccedil;a de rumo, para que n&atilde;o aceitemos o mal como uma fatalidade.<\/p>\n<p>Olhando para Jesus Cristo e Maria, vemos neles a aurora da vit&oacute;ria do bem e da nova humanidade. Aqui em F&aacute;tima estamos mais sens&iacute;veis a esta mensagem. Continua a ser urgente e necess&aacute;rio escutar e seguir o apelo aqui deixado por Nossa Senhora. Se n&atilde;o nos convertermos ao amor, se n&atilde;o rezarmos, se n&atilde;o pedirmos a paz, se n&atilde;o testemunharmos apaixonadamente os valores evang&eacute;licos, dificilmente encontraremos o rumo feliz das nossas vidas, dos povos e na&ccedil;&otilde;es do mundo, &aacute;vidos do bem-estar, mas sem amor, sem verdade, sem justi&ccedil;a para todos, isso n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. Irm&atilde;os peregrinos, Jesus Cristo chama-nos e interpela-nos por Maria. Daqui a uns dias, centenas de milhares de jovens de todo o mundo estar&atilde;o em Madrid, convocados pelo Santo Padre, para a&iacute; viverem intensamente mais uma Jornada Mundial da Juventude. Os jovens s&atilde;o generosos, mas precisam de Deus e de quem os desafie para a constru&ccedil;&atilde;o dum mundo novo, mais solid&aacute;rio e unido. Sua Santidade Bento XVI desafiou-os no convite que lhes fez, com as palavras de S. Paulo aos Colossenses: <em>&laquo;Enraizados e edificados em Cristo&#8230; firmes na f&eacute;&raquo;<\/em> (cf. Cl 2, 7), numa altura em que a Europa e o mundo precisam de descobrir a raiz da sua identidade. Pe&ccedil;amos a Maria pelos jovens do mundo inteiro, para que escutem estes apelos, se abram &agrave; esperan&ccedil;a e, sem medo, com amor corajoso, se entreguem &agrave; constru&ccedil;&atilde;o dum mundo melhor, sem viol&ecirc;ncia e mais justo. Os jovens s&atilde;o o futuro do mundo. Sem eles, sem o seu empenho, os nossos &uacute;ltimos dias na terra ser&atilde;o de muito sofrimento. &Eacute; pois tamb&eacute;m do nosso pr&oacute;prio interesse que esta Jornada Mundial da Juventude d&ecirc; lugar a uma nova primavera: de esperan&ccedil;a a renascer, de amor ao pr&oacute;ximo a florir, de partilha e solidariedade a adornar os nossos ambientes.<\/p>\n<p>Abramos o cora&ccedil;&atilde;o a Maria, para partirmos daqui com o desejo de viver em profunda comunh&atilde;o de solidariedade e de gratid&atilde;o pela f&eacute; crist&atilde; que recebemos e que desejamos transmitir a todos com quem vivemos e trabalhamos.<\/p>\n<p>Aqui estamos, Senhora de F&aacute;tima. Fazei de n&oacute;s vossos mensageiros. De V&oacute;s queremos aprender a abertura e disponibilidade para acolher o Esp&iacute;rito Santo, que fez de V&oacute;s a M&atilde;e fecunda, a cheia de gra&ccedil;a. Mais conscientes do Vosso papel de M&atilde;e da Igreja e aux&iacute;lio dos crist&atilde;os, a V&oacute;s recorremos com toda a confian&ccedil;a, com as palavras de S. Bernardo, <em>convictos de que nunca se ouviu dizer, que algu&eacute;m que a V&oacute;s tenha recorrido, fosse por V&oacute;s desamparado.<\/em> &Aacute;men!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 12 de agosto de 2011<\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Vitalino<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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