{"id":52345,"date":"2011-07-23T12:10:28","date_gmt":"2011-07-23T12:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/07\/23\/santarem-carta-de-d-manuel-pelino-domingues-sobre-linhas-de-accao-pastoral\/"},"modified":"2011-07-23T12:10:28","modified_gmt":"2011-07-23T12:10:28","slug":"santarem-carta-de-d-manuel-pelino-domingues-sobre-linhas-de-accao-pastoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/santarem-carta-de-d-manuel-pelino-domingues-sobre-linhas-de-accao-pastoral\/","title":{"rendered":"Santar\u00e9m: Carta de D. Manuel Pelino Domingues sobre linhas de ac\u00e7\u00e3o pastoral"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">&nbsp;&ldquo;ONDE MORAS?&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;Vinde e vede!&rdquo;<\/p>\n<p>(Jo 1,38-39)<\/p>\n<p>1. O homem &agrave; procura de Deus<\/p>\n<p>Nestes tempos de descren&ccedil;a parece que Deus n&atilde;o mora na cidade dos homens. Em que notamos a Sua falta? Como procur&aacute;-lo e encontr&aacute;-lo?<\/p>\n<p>Na peregrina&ccedil;&atilde;o que realizou no Ano Santo a Santiago de Compostela, a 6 de Novembro de 2010, Bento XVI afirmou que o homem, no &iacute;ntimo do seu ser, est&aacute; sempre a caminho, anda &agrave; procura da verdade. E a verdade simples e decisiva que a Igreja prop&otilde;e &agrave; Europa &eacute; de que &ldquo;<em>Deus existe e &eacute; ele quem nos deu a vida&hellip; &Eacute; uma trag&eacute;dia que na Europa se afirmasse e divulgasse a convic&ccedil;&atilde;o de que Deus &eacute; o antagonista do homem e inimigo da sua liberdade&hellip;N&oacute;s homens n&atilde;o podemos viver &agrave;s escuras sem ver a luz do sol&rdquo;(homilia em Santiago). <\/em>De facto, Deus &eacute; como a luz do sol nascente que ilumina os que vivem nas trevas.<\/p>\n<p>Na mesma linha, declara o Papa, na entrevista publicada no livro &ldquo;Luz do mundo&rdquo;, <em>&ldquo;hoje o importante &eacute; voltar a ver que Deus existe, que nos diz respeito e que nos responde&rdquo;.<\/em> Pois &ldquo;<em>quando Deus &eacute; suprimido o homem perde a sua dignidade e a sua verdadeira liberdade e, por consequ&ecirc;ncia, o essencial desmorona-se&rdquo;. <\/em>Notamos, na verdade, que, quando as pessoas perdem Deus do horizonte, caem na idolatria, adorando realidades ef&eacute;meras, fecham-se no materialismo e no individualismo, empobrecem em todas as dimens&otilde;es. Sem a luz de Deus n&atilde;o temos orienta&ccedil;&atilde;o no caminho tempestuoso da vida.<\/p>\n<p>Caros amigos que partilhais comigo a preocupa&ccedil;&atilde;o de caminhar na luz da f&eacute; e levar ao mundo uma maior esperan&ccedil;a e amor: o ate&iacute;smo que Bento XVI lamenta chegou tamb&eacute;m at&eacute; n&oacute;s e penetra nas mentalidades e no estilo de vida dos nossos contempor&acirc;neos. Tornou-se uma moda f&aacute;cil. Mesmo onde perduram ritos cat&oacute;licos e sobrevivem express&otilde;es de religiosidade tradicional, Deus, frequentemente, n&atilde;o influencia os crit&eacute;rios e a orienta&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia. Parece ausente da vida quotidiana, n&atilde;o mora na nossa cultura. Onde mora Deus?<\/p>\n<p>&Eacute; preciso enfrentar o eclipse de Deus na cultura contempor&acirc;nea e descobrir o Seu verdadeiro rosto de Pai, Criador, Amigo e Guia do homem. O ambiente de indiferen&ccedil;a ou de descren&ccedil;a tem condicionado fortemente a convic&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica do cristianismo e reflecte-se na dificuldade de transmitir a f&eacute;. A aus&ecirc;ncia de Deus repercute-se igualmente na aus&ecirc;ncia de refer&ecirc;ncias &eacute;ticas e no desmoronar dos valores humanos. &Eacute; preciso descobrir o rosto de Deus porque, encontrando-O, encontramos o rosto do homem, a grandeza e a dignidade da pessoa. Esse &eacute; o papel importante que a Igreja deve prestar &agrave; sociedade actual: &ldquo;<em>Velar por Deus e velar pelo homem a partir da compreens&atilde;o que de ambos se oferece em Jesus Cristo&rdquo; (homilia em Santiago).<\/em> Como bem compreendeu Santa Teresa de Jesus: &ldquo;S&oacute; Deus basta&rdquo;. Basta quando o Seu amor nos enche o cora&ccedil;&atilde;o de luz e de esperan&ccedil;a, como confessava Santo Agostinho: &ldquo;Criaste-nos para V&oacute;s e o nosso cora&ccedil;&atilde;o anda inquieto enquanto n&atilde;o vos encontrar&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; o desafio que fa&ccedil;o na presente Carta Pastoral: procurar a morada de Deus, aprofundar a nossa experi&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o com Ele. Deus caminha &agrave; nossa frente, sempre novo e diferente do que imaginamos. Na medida em que crescemos na verdade e no amor de Deus, podemos purificar continuamente as imagens sempre provis&oacute;rias com que O representamos e testemunhar a nossa f&eacute; com humildade e credibilidade. Na verdade, como afirma o documento do Conc&iacute;lio Vaticano II, &ldquo;<em>Gaudium et Spes&rdquo;, &ldquo;os crentes podem ter alguma responsabilidade no ate&iacute;smo, na medida em que pelo descuido na educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, ou pela exposi&ccedil;&atilde;o incorrecta da doutrina ou ainda pelas falhas da sua vida religiosa, moral e social, escondem em vez de revelar o verdadeiro rosto de Deus e da religi&atilde;o&rdquo;. (GS 19).<\/em><\/p>\n<p>Esta proposta integra-se na grande preocupa&ccedil;&atilde;o da Igreja actual, tanto a n&iacute;vel universal como nas dioceses do nosso pa&iacute;s, em encontrar caminhos para uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. De facto, o secularismo, a indiferen&ccedil;a religiosa e, ainda mais, a idolatria tornam dif&iacute;cil viver e transmitir a f&eacute;. Os tempos mudaram e o cristianismo tradicional necessita de se renovar no sentido de maior esclarecimento e irradia&ccedil;&atilde;o. A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o desafia-nos a descobrir as grandes mudan&ccedil;as da sociedade e a dar um novo vigor ao an&uacute;ncio do evangelho, real&ccedil;ando o fundamental: procurar Deus, p&ocirc;r-se a caminho para descobrir o Seu rosto, ver e aderir &agrave; novidade do evangelho. Na verdade, s&oacute; podemos evangelizar a partir do que vimos e vivemos, a partir da experi&ecirc;ncia pessoal de f&eacute;.<\/p>\n<p><em><br \/>&ldquo;V&oacute;s sois um Deus escondido, Deus de Israel Salvador&rdquo; (Is 45, 15).<\/em> A exist&ecirc;ncia e a imagem de Deus n&atilde;o s&atilde;o evidentes. Como afirma S&atilde;o Paulo aos atenienses, &ldquo;<em>Ele quis que o homem O procurasse mesmo &ldquo;&agrave;s apalpadelas&rdquo;, embora n&atilde;o se encontre longe de cada um de n&oacute;s&rdquo; (Act 17, 27)<\/em>. Somos, realmente, peregrinos &agrave; procura da morada de Deus, criaturas em busca da gra&ccedil;a, da beleza, da paz e do amor. Vamos aprofundar este mist&eacute;rio de Deus e do homem a partir da narrativa do evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o sobre o encontro de Jesus com os primeiros disc&iacute;pulos. Ser&aacute; o &iacute;cone inspirador do plano e programa pastoral de 2011\/2012.<\/p>\n<p>2. Que procurais?<\/p>\n<p>Jo 1, 35- 40: <em>&ldquo;No dia seguinte, Jo&atilde;o encontrava-se de novo ali com dois dos seus disc&iacute;pulos. Ent&atilde;o, pondo o olhar em Jesus, que passava, disse: &laquo;Eis o Cordeiro de Deus!&raquo; Ouvindo-o falar desta maneira, os dois disc&iacute;pulos seguiram Jesus. Jesus voltou-se e, notando que eles o seguiam, perguntou-lhes: &laquo;Que procurais?&raquo; Eles disseram-lhe: &laquo;Rabi &#8211; que quer dizer Mestre &#8211; onde moras?&raquo; Ele respondeu-lhes: &laquo;Vinde e vede.&raquo; Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Eram as quatro da tarde.<\/em><\/p>\n<p><em>Andr&eacute;, o irm&atilde;o de Sim&atilde;o Pedro, era um dos dois que ouviram Jo&atilde;o e seguiram Jesus. Encontrou primeiro o seu irm&atilde;o Sim&atilde;o, e disse-lhe: &laquo;Encontr&aacute;mos o Messias!&raquo; &#8211; que quer dizer Cristo. E levou-o at&eacute; Jesus. Fixando nele o olhar, Jesus disse-lhe: &laquo;Tu &eacute;s Sim&atilde;o, o filho de Jo&atilde;o. H&aacute;s-de chamar-te Cefas&raquo; &#8211; que significa Pedra&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>A primeira interroga&ccedil;&atilde;o que Jesus coloca aos seus seguidores, e neles a todo o homem, segundo este texto do evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o, relaciona-se com o sentido da vida: &ldquo;Que procurais?&rdquo;. Eles respondem: &ldquo;Onde moras&rdquo;? A atitude interior de procura da morada de Deus &eacute; fundamental no percurso da exist&ecirc;ncia para descobrir a boa nova de Cristo e o sentido da vida humana.<\/p>\n<p>A pessoa humana vive numa procura constante de algo que lhe falta para encontrar a plenitude. Procura a paz, a alegria, anseia por uma vida bela e realizada, perfeita. Onde pode o ser humano encontrar estes frutos que habitualmente associamos &agrave; f&eacute; em Deus? Sentimos, no nosso &iacute;ntimo, car&ecirc;ncias indisfar&ccedil;&aacute;veis, solid&atilde;o existencial, limita&ccedil;&otilde;es e fragilidades insuper&aacute;veis, tenta&ccedil;&otilde;es para o pecado. Onde podemos encontrar a resposta ao anseio profundo de plenitude, de dignidade e fraternidade?<\/p>\n<p>A tenta&ccedil;&atilde;o &eacute; confiar apenas nas riquezas econ&oacute;micas, nas possibilidades do progresso, nos poderes do mundo, nas vaidades, nas capacidades humanas. A crise que atravessamos e a experi&ecirc;ncia que vamos amadurecendo revelam, por&eacute;m, a inconsist&ecirc;ncia destes alicerces materiais e humanos. A idolatria do dinheiro n&atilde;o s&oacute; afasta de Deus mas escraviza e desumaniza, levando as pessoas a fecharem-se em si mesmas. A crise actual manifesta como s&atilde;o enganadores os projectos e as realidades materiais quando absolutizados.<\/p>\n<p>De facto, para al&eacute;m da crise econ&oacute;mica, nota-se tamb&eacute;m uma crise existencial, de sentido da vida humana; bem como uma crise social de confian&ccedil;a na vida, nas pessoas e nas institui&ccedil;&otilde;es; &eacute; not&oacute;ria igualmente uma crise moral de valores e de responsabilidade; e, no fundo e como origem, uma crise espiritual. As pessoas vivem para si mesmas, fecham-se nos seus interesses. Sem Deus, n&atilde;o encontram um apoio firme a que agarrar-se, nem uma refer&ecirc;ncia objectiva da bondade e da verdade. A fraude e a corrup&ccedil;&atilde;o parecem generalizar-se. Experimenta-se grande inseguran&ccedil;a e instabilidade. Tudo parece relativo e inconsistente. Em que &acirc;ncora podemos encontrar seguran&ccedil;a para a nossa exist&ecirc;ncia?<\/p>\n<p>Deus &eacute; a rocha segura que d&aacute; solidez &agrave; vida humana e fundamenta os valores &eacute;ticos que lhe d&atilde;o sentido. Os grandes buscadores ou peregrinos de Deus que a B&iacute;blia nos apresenta j&aacute; no Antigo Testamento como, por exemplo, Mois&eacute;s, Isa&iacute;as, Elias, mostram que, se encontrarmos Deus, encontraremos tamb&eacute;m o amor, a paz, a fraternidade, numa palavra, o sentido do mundo, da hist&oacute;ria e da vida humana. Neste contexto entendemos a promessa de Jesus Cristo: &ldquo;Eu vim para que tenham a vida em plenitude&rdquo;. O Novo Testamento inaugura uma rela&ccedil;&atilde;o de alian&ccedil;a ainda mais pr&oacute;xima e interior com Deus presente na natureza humana atrav&eacute;s de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Deus &eacute; a luz da vida, sem Ele andamos nas trevas, desorientados. &Eacute; o sentido do nosso percurso existencial. Sem Deus andamos &agrave; deriva. &Eacute; o Criador e o Senhor da vida humana. Sem Deus faltam refer&ecirc;ncias. Falta sobretudo o apelo ao amor verdadeiro, &agrave; liberdade e &agrave; fraternidade. Precisamos de Deus como a terra &aacute;rida precisa de &aacute;gua: <em>&ldquo;a minha alma tem sede de V&oacute;s, meu Deus&#8230;&rdquo;(Sl 42,3)<\/em><\/p>\n<p>3. Onde moras?<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;Onde moras&rdquo;? Perguntaram os disc&iacute;pulos. Jesus n&atilde;o tinha pal&aacute;cio para mostrar, nem morada permanente neste mundo. Nem sequer uma pedra onde reclinar a cabe&ccedil;a. Ele &eacute; o peregrino que caminha com os crentes e os segura pela m&atilde;o. Mora no cora&ccedil;&atilde;o dos que O amam e O seguem. Descobrir a Sua morada, como aprendemos com os disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s, &eacute; acreditar que Ele se cruza connosco e nos acompanha no nosso caminho, &eacute; escutar a Sua palavra que aquece o cora&ccedil;&atilde;o e saborear a Sua presen&ccedil;a na &ldquo;frac&ccedil;&atilde;o do p&atilde;o&rdquo;, &eacute; associar a comunh&atilde;o com Ele &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na vida da comunidade. O encontro com o Deus vivo transforma a vida dos crentes e motiva-os a comunicarem a outros a descoberta feita: Andr&eacute;, quando descobriu a morada de Jesus, foi comunicar ao irm&atilde;o Pedro e levou-o ao Messias.<\/p>\n<p>&ldquo;Onde moras&rdquo; &eacute; uma interroga&ccedil;&atilde;o existencial que se levanta no cora&ccedil;&atilde;o humano de todos os tempos. Onde mora e como podemos encontrar Deus? Nos c&eacute;us proclamam os crist&atilde;os quando rezam &ldquo;Pai Nosso que estais nos c&eacute;us&rdquo;. O c&eacute;u, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; um lugar geogr&aacute;fico. Significa sim que Deus est&aacute; para al&eacute;m da nossa vista e das capacidades dos nossos sentidos. Mas est&aacute; pr&oacute;ximo de quem O invoca. Atrav&eacute;s de Jesus Cristo, Deus estabeleceu a sua morada entre n&oacute;s: <em>&ldquo;O Verbo encarnou e habitou entre n&oacute;s. E n&oacute;s vimos a sua gl&oacute;ria&rdquo;(Jo 1,14)<\/em>&#8230; Pela vinda de Jesus ao mundo, realiza-se, portanto, o pedido de Mois&eacute;s que, tendo-se levantado muito cedo e subido ao monte Sinai para se encontrar com Deus, lhe pediu: <em>&ldquo;Se encontrei Senhor aceita&ccedil;&atilde;o a vossos olhos, digne-se o Senhor caminhar no meio de n&oacute;s&rdquo; (Ex 34, 9).<\/em><\/p>\n<p>Procurar a morada de Deus &eacute; p&ocirc;r-se a caminho do Seu mist&eacute;rio, como Mois&eacute;s e Elias subiram ao monte Sinai, ou como os primeiros disc&iacute;pulos seguiram Jesus, &eacute; prestar aten&ccedil;&atilde;o aos sinais da Sua presen&ccedil;a, buscar o Seu rosto verdadeiro, ofuscado por tantas caricaturas e &iacute;dolos, esfor&ccedil;ar-se por entrar em comunica&ccedil;&atilde;o com Deus. N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de pesquisa cient&iacute;fica ou de investiga&ccedil;&atilde;o do racioc&iacute;nio humano. Deus n&atilde;o &eacute; uma hip&oacute;tese te&oacute;rica. &Eacute; uma pessoa que tem a Sua morada entre os homens e vem ao nosso encontro, procurando-nos tamb&eacute;m. &ldquo;Estou &agrave; tua porta e bato. Se abrires entrarei e cearei contigo&rdquo;.<\/p>\n<p>Num ambiente de indiferen&ccedil;a &eacute; urgente pormo-nos a caminho ao encontro de Cristo, procurando a morada de Deus e amadurecendo uma experi&ecirc;ncia pessoal de f&eacute;. Deste modo, podemos seguir o caminho da vida, crescer na verdade, na esperan&ccedil;a e no amor, viver a alegria da Sua presen&ccedil;a e anunciar o evangelho da paz: <em>&ldquo;Eu sou a luz do mundo. Quem Me segue n&atilde;o anda nas trevas, mas ter&aacute; a luz da vida&rdquo;. (Jo 8, 12). <\/em><\/p>\n<p>4. &ldquo;Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo&rdquo;<\/p>\n<p>As pessoas do nosso tempo, &agrave; partida, n&atilde;o se mostram motivadas para a procura de Deus. Como despertar nos nossos contempor&acirc;neos o interesse por Deus e abrir o cora&ccedil;&atilde;o &agrave; procura da Sua morada?<\/p>\n<p>No trecho do evangelho referido, a atitude de procura &eacute; motivada pela apresenta&ccedil;&atilde;o de Jesus feita por Jo&atilde;o Baptista: <em>&ldquo;Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo&rdquo; (Jo 1,29). <\/em>&Eacute;o primeiro an&uacute;ncio que leva ao primeiro passo do percurso da f&eacute;.<\/p>\n<p>A apresenta&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Baptista situa-se num contexto concreto: Jo&atilde;o pregava a convers&atilde;o e baptizava as pessoas que mostravam arrependimento e desejavam alcan&ccedil;ar uma vida nova: &ldquo;<em>Jo&atilde;o Baptista apareceu no deserto, a pregar um baptismo de arrependimento para a remiss&atilde;o dos pecados. Sa&iacute;am ao seu encontro todos os da prov&iacute;ncia da Judeia e todos os habitantes de Jerusal&eacute;m e eram baptizados por ele no rio Jord&atilde;o, confessando os seus pecados&rdquo; (Mc 1,4-5).<\/em> A prega&ccedil;&atilde;o e o baptismo de Jo&atilde;o levam ao reconhecimento do pecado e &agrave; vontade de vencer a sua for&ccedil;a e de recome&ccedil;ar uma exist&ecirc;ncia nova.<\/p>\n<p><em><br \/>&ldquo;Cordeiro de Deus&rdquo; <\/em>&eacute; uma imagem b&iacute;blica, colhida em Isa&iacute;as (Is 53, 7), que real&ccedil;a o sacrif&iacute;cio do Messias pela salva&ccedil;&atilde;o dos pecadores. Est&aacute; relacionada com o cordeiro pascal que os judeus imolavam como mem&oacute;ria da liberta&ccedil;&atilde;o do Egipto. Jesus entregou-se por n&oacute;s na cruz na altura da P&aacute;scoa judaica. Podemos, portanto, entender esta imagem como an&uacute;ncio da cruz de Cristo onde se manifesta a beleza do amor que salva. A apresenta&ccedil;&atilde;o do Baptista desperta interesse e motiva os disc&iacute;pulos para o encontro com Jesus. Vai de encontro a um problema religioso e humano que s&oacute; Deus pode solucionar: tirar o pecado do mundo. O pecado que parece reinar no mundo gera uma verdadeira escravid&atilde;o.<\/p>\n<p>A obra de Jesus &eacute; erradicar o pecado do mundo. Ele tem as chaves do perd&atilde;o e da transforma&ccedil;&atilde;o de vida de cada um e do mundo. O mundo novo que Ele vem construir come&ccedil;a pelo reconhecimento do pecado e pela vontade sincera e eficaz de reconstruir a exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A for&ccedil;a do mal faz-se sentir em todos os tempos. Embora hoje se tenha dilu&iacute;do ou por vezes perdido a consci&ecirc;ncia de pecado, as pessoas t&ecirc;m percep&ccedil;&atilde;o da crise moral, da for&ccedil;a da corrup&ccedil;&atilde;o, do poder da viol&ecirc;ncia, da exclus&atilde;o, das desigualdades e injusti&ccedil;as, da aus&ecirc;ncia de esperan&ccedil;a e de alegria. N&atilde;o ser&atilde;o estas as marcas do pecado do mundo? Jesus vem como luz para iluminar todo o homem que vem a este mundo de trevas. Rejeitar a sua luz, segundo S&atilde;o Jo&atilde;o, &eacute; a origem do pecado: &ldquo;<em>A Luz veio ao mundo e os homens preferiram as trevas &agrave; Luz, porque as suas obras eram m&aacute;s&rdquo; (Jo 3,19).<\/em> De facto, o Deus da santidade torna-se inc&oacute;modo a quem se deixa escravizar pelos &iacute;dolos do mundo.<\/p>\n<p>Precisamos de apresentar Jesus ao mundo como aquele que pode trazer uma nova exist&ecirc;ncia e vencer o poder do mal. &Eacute; preciso erguer a cruz de Cristo, sinal do Seu amor que salva e liberta da idolatria, como Mois&eacute;s ergueu a serpente no deserto. &ldquo;Cordeiro de Deus&rdquo; &eacute; a imagem do rosto misericordioso de Jesus num mundo de viol&ecirc;ncia. O Papa Jo&atilde;o Paulo II via na miseric&oacute;rdia de Deus a mensagem capaz de iluminar e contrabalan&ccedil;ar as ideologias do mal e os sofrimentos da humanidade.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;5. Vinde e vede<\/p>\n<p>&lt;span&gt;A proposta de Jesus aos primeiros disc&iacute;pulos &ldquo;vinde e vede&rdquo; mostra que, afinal, Jesus tamb&eacute;m os procura. Deseja dar-se a conhecer em profundidade e estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de amizade pessoal com aqueles jovens que est&atilde;o dispostos a encontrar a sua morada. Como se dissesse &ldquo;Vinde, caminhai comigo. Vede, verificai v&oacute;s mesmos, pela vossa experi&ecirc;ncia pessoal a apresenta&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Baptista&rdquo;. V&aacute;rias vezes no evangelho encontramos este desafio de Jesus: &ldquo;Vinde a Mim, v&oacute;s que andais sobrecarregados e encontrareis a paz!&rdquo;; &ldquo;Vinde ap&oacute;s mim!&rdquo; &ldquo;vem e segue-me&rdquo;&lt;\/span&gt;<\/p>\n<p>Deus vem ao nosso encontro e cruza-se connosco se caminharmos tamb&eacute;m ao encontro d&rsquo;Ele. P&ocirc;r-se a caminho &eacute; desprender-se dos apegos e depend&ecirc;ncias, desinstalar-se do comodismo e das ideias feitas. N&atilde;o se faz caminho sem ren&uacute;ncia a si mesmo, ao pecado, ao ego&iacute;smo. &ldquo;Preparai o caminho do Senhor&rdquo; pregava Jo&atilde;o Baptista, &ldquo;endireitai as suas veredas&rdquo;. Procurar a morada de Deus n&atilde;o &eacute; apenas conhecer a doutrina crist&atilde;. A f&eacute; &eacute;, sobretudo, um encontro com uma pessoa. Deus n&atilde;o &eacute; uma verdade te&oacute;rica ou uma ideia. &Eacute; algu&eacute;m com quem podemos comunicar. N&atilde;o &eacute; apenas um Deus de quem falamos mas um Deus a quem falamos e a quem seguimos.<\/p>\n<p><em><br \/>&ldquo;Se algu&eacute;m quiser vir ap&oacute;s mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me&rdquo; (Mc 8, 34).<\/em> Precisamos de recuperar a dimens&atilde;o catecumenal da forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; que nos conduz &agrave; configura&ccedil;&atilde;o com Jesus Cristo, atrav&eacute;s de exerc&iacute;cios espirituais como a ora&ccedil;&atilde;o, a celebra&ccedil;&atilde;o, o servi&ccedil;o ao pr&oacute;ximo, a pr&aacute;tica fiel do evangelho. Recomendamos, nesse sentido, as orienta&ccedil;&otilde;es pastorais diocesanas &ldquo;Celebrar os sacramentos na f&eacute; da Igreja&rdquo; que aplicam a pedagogia catecumenal &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o dos sacramentos de inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; em geral.<\/p>\n<p>Quando nos pomos a caminho, descobrimos novos horizontes, vemos novas realidades. &rdquo;Vede&rdquo;: A f&eacute; &eacute; ades&atilde;o a realidades invis&iacute;veis (Heb 11,1) mas a exist&ecirc;ncia e a vontade de Deus manifestam-se em sinais vis&iacute;veis. A proposta da f&eacute; em Deus &eacute; apoiada em fundamentos vis&iacute;veis, em vest&iacute;gios da Sua presen&ccedil;a e ac&ccedil;&atilde;o. Para acreditar e caminhar ao encontro de Deus invis&iacute;vel, precisamos de &ldquo;ver&rdquo; os sinais da Sua presen&ccedil;a e do Seu des&iacute;gnio. As pessoas t&ecirc;m necessidade de ver e experimentar os sinais de Deus. Quais s&atilde;o mais cred&iacute;veis e significativos para os nossos contempor&acirc;neos?<\/p>\n<p>O sinal ou sacramento fundamental &eacute; a Igreja na sua vida e ac&ccedil;&atilde;o, ou seja: a uni&atilde;o e a ajuda fraterna dos fi&eacute;is; o sentido de comunidade, a unanimidade no afecto e na ac&ccedil;&atilde;o; a vida nova dos crist&atilde;os, diferentes do mundo, livres das depend&ecirc;ncias das riquezas, da vaidade, da sensualidade e de outros &iacute;dolos; a prega&ccedil;&atilde;o do evangelho da paz e da esperan&ccedil;a; a celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica dos dons de Deus; a piedade popular, etc. Pela imagem comunit&aacute;ria e pelas obras de evangeliza&ccedil;&atilde;o, de caridade e de miseric&oacute;rdia, a Igreja manifesta-se como a morada de Deus entre os homens, como o templo em que Deus se torna presente no mundo.<\/p>\n<p>No conjunto das actividades que a Igreja realiza, devemos reconhecer o relevo da liturgia, principal epifania da Igreja (Cf SC 2). Ora a liturgia parece ter diminu&iacute;do a capacidade de convoca&ccedil;&atilde;o e de atrac&ccedil;&atilde;o. Tem diminu&iacute;do a pr&aacute;tica dominical em v&aacute;rias comunidades, a presen&ccedil;a dos jovens &eacute; reduzida, as crian&ccedil;as apresentam dificuldades para participar. Como tornar as celebra&ccedil;&otilde;es da liturgia mais vivas e festivas, respeitando as normas da Igreja e relacionando-as com a vida?&nbsp;<\/p>\n<p>A procura de Deus cultiva-se quotidianamente pela ora&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a eleva&ccedil;&atilde;o da alma para Deus, o exerc&iacute;cio para vencer a nossa distrac&ccedil;&atilde;o e dispers&atilde;o e entrarmos em comunica&ccedil;&atilde;o com o &ldquo;Deus escondido&rdquo; mas pr&oacute;ximo de n&oacute;s. Comunicar com Deus impele-nos a sair de n&oacute;s mesmos e a vencer a solid&atilde;o: Quem reza n&atilde;o est&aacute; s&oacute; mas na companhia de Deus.<\/p>\n<p>A ora&ccedil;&atilde;o leva-nos por outro lado a ver na luz de Deus e a identificarmo-nos com o seu projecto. N&atilde;o nos afasta da vida mas leva-nos a entender os acontecimentos na perspectiva da f&eacute; e a empenharmo-nos por construir o Reino de Deus que &ldquo;&eacute; justi&ccedil;a, paz e alegria no Esp&iacute;rito Santo&rdquo;(Rm 14, 17).&nbsp;Por isso, &eacute; urgente promover a ora&ccedil;&atilde;o pessoal, em fam&iacute;lia e nas comunidades. Na educa&ccedil;&atilde;o para a ora&ccedil;&atilde;o s&atilde;o fundamentais os retiros.<\/p>\n<p>A &aacute;rvore conhece-se pelos frutos. Quando os frutos do Esp&iacute;rito Santo adornam &nbsp;a vida dos fi&eacute;is, a Igreja apresenta-se bela como um jardim com flores e frutos. &ldquo;Vede como eles se amam&rdquo; deveriam exclamar tamb&eacute;m hoje os que observam os crist&atilde;os. Um amor traduzido na bondade, na alegria, no perd&atilde;o na miseric&oacute;rdia. Um amor que salva e que cura as feridas. Vemo-lo na vida dos santos. Precisamos de os ver tamb&eacute;m na vida dos fi&eacute;is. S&atilde;o os frutos do Esp&iacute;rito Santo que mostram a qualidade da &aacute;rvore que &eacute; a Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;6. Levar a Jesus<\/p>\n<p>Depois de seguir Jesus e ver onde morava, o disc&iacute;pulo Andr&eacute; foi ter com o irm&atilde;o Pedro &ldquo;e levou-o at&eacute; Jesus&rdquo;. &Eacute; hoje urgente retomar esta din&acirc;mica de evangeliza&ccedil;&atilde;o: primeiro p&ocirc;r-se a caminho e ver, ou seja, fazer uma experi&ecirc;ncia pessoal de encontro na f&eacute;; depois levar os outros a Jesus. Quem faz uma experi&ecirc;ncia ou exerc&iacute;cio de vida crist&atilde;, procure depois chamar e levar outro (participa&ccedil;&atilde;o num percurso de forma&ccedil;&atilde;o; retiro; prepara&ccedil;&atilde;o para um sacramento; curso intensivo de vida crist&atilde;; celebra&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, etc.).<\/p>\n<p>H&aacute; muita solicita&ccedil;&atilde;o para o afastamento da Igreja e de Deus. H&aacute; muitas for&ccedil;as e realidades que desviam da morada de Deus. H&aacute; quem chame para fora e desencaminhe da f&eacute; e da esperan&ccedil;a, da comunidade e da verdade. Anda muita gente desorientada, vazia, &agrave;s escuras. Deus precisa de quem chame para o bem, para a luz da verdade e do amor, quem guie para a comunidade e para o caminho da vida. Sem este empenho em chamar, em esclarecer e dar raz&otilde;es da esperan&ccedil;a n&atilde;o evangelizamos nem transmitimos a f&eacute;.<\/p>\n<p>&Eacute; urgente uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o que retome o dinamismo da transmiss&atilde;o da f&eacute;. Ser&aacute; o tema do pr&oacute;ximo <span style=\"text-decoration: underline;\">S&iacute;nodo<\/span>. Por isso devemos colocar como prioridade na ac&ccedil;&atilde;o pastoral diocesana cultivar a dimens&atilde;o mission&aacute;ria da vida crist&atilde;. Ser disc&iacute;pulo de Cristo &eacute; ser testemunha da f&eacute;, &eacute; chamar outros e lev&aacute;-los a Jesus, como fez Andr&eacute; em rela&ccedil;&atilde;o a Pedro. O empenho pela miss&atilde;o deve estar presente nas v&aacute;rias dimens&otilde;es da vida crist&atilde;: em cada fiel; nas fam&iacute;lias; nas comunidades; nos movimentos e organismos eclesiais.<\/p>\n<p><strong>Comunidades mission&aacute;rias<\/strong><\/p>\n<p>Formar disc&iacute;pulos. Cada comunidade crist&atilde;, no conjunto dos seus membros, &eacute; chamada a p&ocirc;r-se a caminho, a fazer o itiner&aacute;rio de crescimento espiritual assente nas assiduidades caracter&iacute;sticas da comunidade crist&atilde; modelo: na escuta orante da Palavra de Deus; na uni&atilde;o fraterna e partilha de bens; na participa&ccedil;&atilde;o fiel e frutuosa da eucaristia; nas ora&ccedil;&otilde;es e no apostolado (Cf Act 2,2-47).<\/p>\n<p>A renova&ccedil;&atilde;o das comunidades, no sentido de comunh&atilde;o e miss&atilde;o, exige a forma&ccedil;&atilde;o de pequenos n&uacute;cleos de crist&atilde;os qualificados, zelosos, com boa rela&ccedil;&atilde;o e capacidade de irradia&ccedil;&atilde;o que, no interior da comunidade, sejam &ldquo;fermento na massa&rdquo; e funcionem como p&oacute;lo dinamizador. Temos, gra&ccedil;as a Deus, Movimentos e percursos de forma&ccedil;&atilde;o que podem prestar ajuda not&aacute;vel na forma&ccedil;&atilde;o destes &ldquo;fermentos&rdquo; (inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; de adultos; &ldquo;lectio divina&rdquo;; cursos alpha e de cristandade; caminho neocatecumenal; renovamento carism&aacute;tico; movimentos familiares, etc.). Uma comunidade mission&aacute;ria precisa de fazer constantemente propostas de forma&ccedil;&atilde;o, proporcionado exerc&iacute;cios de f&eacute;, dando import&acirc;ncia aos organismos da pastoral especializada (Secretariados Diocesanos).&nbsp;<\/p>\n<p>O percurso espiritual de cada crist&atilde;o na configura&ccedil;&atilde;o com Cristo deve traduzir-se na comunh&atilde;o fraterna: <em>&ldquo;Completai a minha alegria, tende entre v&oacute;s os mesmos sentimentos, conservai a caridade, unidos numa s&oacute; alma, considerai os outros superiores a v&oacute;s mesmos, sem olhar cada um aos seus interesses mas aos interesses dos outros&rdquo;. (Cf Filip 2, 3.4).<\/em> A uni&atilde;o fraterna e supera&ccedil;&atilde;o de divis&otilde;es alcan&ccedil;a-se se cultivarmos a ren&uacute;ncia a n&oacute;s mesmos e uma atitude positiva e construtiva, de compreens&atilde;o e acolhimento m&uacute;tuo. Uma comunidade crist&atilde; ser&aacute; mission&aacute;ria se mostrar a todos um testemunho de uni&atilde;o fraterna e de acolhimento.<\/p>\n<p>Como concretiza&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica &eacute; recomend&aacute;vel organizar em cada comunidade &ldquo;grupos de acolhimento e miss&atilde;o&rdquo;. Propostos j&aacute; no Ano Paulino (Cf gui&atilde;o diocesano do Ano Paulino, 121), estes grupos dedicam-se a fazer face ao anonimato e &agrave; solid&atilde;o, visitando e integrando pessoas isoladas, a acolher os participantes na eucaristia, a ir ao encontro de idosos, doentes ou necessitados. Ser&atilde;o assim um rosto vis&iacute;vel da miss&atilde;o e do chamamento ao caminho do evangelho.<\/p>\n<p>Onde h&aacute; caridade e amor a&iacute; mora Deus: <em>&ldquo;A Deus nunca ningu&eacute;m O contemplou. Se nos amamos uns aos outros Deus mora em n&oacute;s&hellip;Sabemos que moramos em Deus e Ele em n&oacute;s porque nos deu o Seu Esp&iacute;rito&rdquo; (1 Jo 4, 12-13).<\/em> Neste mundo onde abunda o pecado, o ego&iacute;smo, a idolatria do dinheiro, a corrup&ccedil;&atilde;o, a injusti&ccedil;a, procurar Deus &eacute; procurar a beleza do amor que salva. <em>&ldquo;A caridade na verdade &hellip;&eacute; a for&ccedil;a propulsora principal para o desenvolvimento verdadeiro da pessoa e da humanidade inteira &hellip; &eacute; uma for&ccedil;a extraordin&aacute;ria que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justi&ccedil;a e da paz&rdquo; (Caritas in Veritate, 1).<\/em> Procurar a morada de Deus &eacute; crescer no amor e encontrar, assim, a perfei&ccedil;&atilde;o do homem e a salva&ccedil;&atilde;o do mundo.<\/p>\n<p>+Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LINHAS DE AC&Ccedil;&Atilde;O PASTORAL 2011 2012<\/strong><\/p>\n<p><em>A Carta Pastoral &eacute; o suporte de um programa de actividades eclesiais a p&ocirc;r em pr&aacute;tica ao longo do ano pastoral. Destacamos algumas: <\/em><\/p>\n<p>P&ocirc;r em pr&aacute;tica a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o para a transmiss&atilde;o da f&eacute;<\/p>\n<p>Aprofundar e esclarecer continuamente a f&eacute;.<\/p>\n<p>Viver e testemunhar a f&eacute; num mundo de indiferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Exercer os minist&eacute;rios, designadamente o minist&eacute;rio ordenado, de forma mission&aacute;ria.<\/p>\n<p>Procurar novos caminhos e pedagogias para anunciar Jesus Cristo como Salvador<\/p>\n<p>&nbsp;<strong>Expectativas e procuras<\/strong><\/p>\n<p>Conhecer objectivamente a realidade que constitui o ponto de partida da evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Identificar os principais obst&aacute;culos que se colocam a acreditar em Deus e a viver a f&eacute;.<\/p>\n<p>Descobrir as aberturas &agrave; f&eacute; e a pedagogia adequada para a despertar.<\/p>\n<p>Prestar aten&ccedil;&atilde;o aos sinais dos tempos.<\/p>\n<p>&nbsp;<strong>A f&eacute; crist&atilde; como caminho<\/strong><\/p>\n<p>Procurar continuamente o rosto de Deus fazendo da f&eacute; um caminho para a luz em confronto com as d&uacute;vidas.<\/p>\n<p>Exercitar ritmos de vida crist&atilde; dentro da pedagogia catecumenal.<\/p>\n<p>P&ocirc;r em pr&aacute;tica as orienta&ccedil;&otilde;es pastorais diocesanas &ldquo;Celebrar os Sacramentos na f&eacute; da Igreja&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;Vinde e vede<\/strong><\/p>\n<p>Valorizar os sinais vis&iacute;veis da f&eacute; crist&atilde; (arte sacra e di&aacute;logo com a cultura; peregrina&ccedil;&otilde;es a santu&aacute;rios; vidas de santos; etc).<\/p>\n<p>Promover exerc&iacute;cios de f&eacute; que levem a experimentar a comunica&ccedil;&atilde;o com Deus: ora&ccedil;&atilde;o; retiros; recolec&ccedil;&otilde;es; celebra&ccedil;&atilde;o de vig&iacute;lias e ex&eacute;quias pelos defuntos; sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Celebrar a liturgia, sobretudo a eucaristia, de forma cativante, fiel &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es da Igreja e bem preparada em todos os aspectos.<\/p>\n<p>Estruturar os &oacute;rg&atilde;os de participa&ccedil;&atilde;o na vida comunit&aacute;ria, designadamente os conselhos econ&oacute;micos e pastorais.<\/p>\n<p><strong>Chamar para o caminho de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Oferecer aos fi&eacute;is experi&ecirc;ncias do Primeiro An&uacute;ncio da F&eacute; e dar-lhes continuidade.<\/p>\n<p>Real&ccedil;ar a pedagogia catecumenal da catequese e na forma&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is.<\/p>\n<p>Favorecer o despertar religioso dos mais novos (3, 4 anos).<\/p>\n<p>Promover a EMRC na escola p&uacute;blica.<\/p>\n<p><strong>Dinamismo mission&aacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>Cultivar a dimens&atilde;o mission&aacute;ria na vida de cada fiel e incentivar &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o pelo contacto pessoal.<\/p>\n<p>Desenvolver a perspectiva mission&aacute;ria em cada comunidade.<\/p>\n<p>Promover uma experi&ecirc;ncia mission&aacute;ria em cada vigararia.<\/p>\n<p>Incentivar os organismos diocesanos a imprimir a preocupa&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria nas &aacute;reas a que se dedicam (catequese; liturgia; caridade; fam&iacute;lia; juventude e voca&ccedil;&otilde;es&hellip;)<\/p>\n<p>Promover e apoiar a forma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia como comunidade de amor e de vida e como lugar de educa&ccedil;&atilde;o humana e crist&atilde;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;ONDE MORAS?&rdquo; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Vinde e vede!&rdquo; (Jo 1,38-39) 1. O homem &agrave; procura de Deus Nestes tempos de descren&ccedil;a parece que Deus n&atilde;o mora na cidade dos homens. Em que notamos a Sua falta? Como procur&aacute;-lo e encontr&aacute;-lo? Na peregrina&ccedil;&atilde;o que realizou no Ano Santo a Santiago de Compostela, a 6 de Novembro de 2010, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,119,120,127,180,194,203,246,294,299],"class_list":["post-52345","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-arte-sacra","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-diocese-de-santarem","tag-emrc","tag-europa","tag-liturgia","tag-sacramentos","tag-santiago-de-compostela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52345"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52345\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}