{"id":52176,"date":"2011-07-12T11:22:12","date_gmt":"2011-07-12T11:22:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/07\/12\/voluntariado-coracao-da-cruz-vermelha\/"},"modified":"2011-07-12T11:22:12","modified_gmt":"2011-07-12T11:22:12","slug":"voluntariado-coracao-da-cruz-vermelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/voluntariado-coracao-da-cruz-vermelha\/","title":{"rendered":"Voluntariado, cora\u00e7\u00e3o da Cruz Vermelha"},"content":{"rendered":"<p>Fundada por Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Marques, a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) iniciou a sua atividade a 11 de fevereiro de 1865 sob a designa\u00e7\u00e3o de \u201cComiss\u00e3o Provis\u00f3ria para Socorros e Feridos e Doentes em Tempo de Guerra\u201d. Cristina Louro, atual vice-presidente da CVP, comanda um \u2018batalh\u00e3o\u2019 de volunt\u00e1rios e defende que a sua qualifica\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente importante. <!--more--> <\/p>\n<p><em>ECCLESIA (E) &ndash; O voluntariado &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o da Cruz Vermelha Portuguesa?<\/em><\/p>\n<p><em>Cristina Louro (CL) &ndash;<\/em> Um dos sete princ&iacute;pios da Cruz Vermelha &eacute; o voluntariado. A Cruz Vermelha, por natureza, &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria. Desde o presidente at&eacute; aos restantes membros da dire&ccedil;&atilde;o e membros das delega&ccedil;&otilde;es locais, somos todos volunt&aacute;rios. Depois temos os volunt&aacute;rios que trabalham no terreno mais diretamente: emerg&ecirc;ncia, idosos e crian&ccedil;as. No todo, temos cerca de 11 mil volunt&aacute;rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; &Eacute; dif&iacute;cil gerir este conjunto heterog&eacute;neo de pessoas?<\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash; <\/em>&Eacute; dif&iacute;cil porque o recrutamento tem de ser muito criterioso. Temos v&aacute;rias &aacute;reas e as pessoas t&ecirc;m de comungar os sete princ&iacute;pios humanit&aacute;rios da Cruz Vermelha. Depois t&ecirc;m de ser selecionados, conforme o perfil que necessitamos. Num perfil de emerg&ecirc;ncia, onde as pessoas est&atilde;o numa ambul&acirc;ncia ou a acudir a uma cat&aacute;strofe, &eacute; fundamental terem determinados pressupostos. Em cada &aacute;rea devem ter um perfil pr&oacute;prio. Nem todas as pessoas t&ecirc;m perfil para serem volunt&aacute;rias. Volunt&aacute;rio &eacute; uma pessoa ter uma obriga&ccedil;&atilde;o com muitos deveres para cumprir: hor&aacute;rio, conduta pessoal e comprometimento com o servi&ccedil;o que est&aacute; a fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; Este ano tem-se falado muito nas quest&otilde;es do voluntariado &ndash; o Ano Europeu do Voluntariado &eacute; para isso mesmo &ndash; pode falar-se do voluntariado profissional e profissionaliza&ccedil;&atilde;o do voluntariado ou &eacute; um contrassenso? <\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash;<\/em> Falava-se muito em profissionaliza&ccedil;&atilde;o do voluntariado, mas um bocado mal aceite porque acaba por colidir: as pessoas n&atilde;o sabem quem s&atilde;o os volunt&aacute;rios e quem s&atilde;o os profissionais. Ent&atilde;o alter&aacute;mos a nomenclatura e passou-se a chamar volunt&aacute;rios qualificados. A qualifica&ccedil;&atilde;o do voluntariado &eacute; extremamente importante. O volunt&aacute;rio deve estar qualificado para a tarefa que executa.<\/p>\n<p>No entanto, aceito tamb&eacute;m o termo profissionaliza&ccedil;&atilde;o porque, se estou a &laquo;full-time&raquo; na Cruz Vermelha, n&atilde;o sou paga, mas sou profissional. O volunt&aacute;rio prolonga e complementa o trabalho do profissional, mas quando o profissional n&atilde;o est&aacute;, ele tem de o fazer com qualidade. Se tal n&atilde;o acontecer, o volunt&aacute;rio pode estragar todo o trabalho que o profissional fez at&eacute; &agrave;quele momento. Temos de ter muita cautela com o trabalho que fazemos&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; Essa qualifica&ccedil;&atilde;o necessita de forma&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash; <\/em>O volunt&aacute;rio tem de ser formado. Primeiro, nos princ&iacute;pios daquela institui&ccedil;&atilde;o (forma&ccedil;&atilde;o institucional) e depois, conforme a sele&ccedil;&atilde;o que se fizer, ministra-lhes a forma&ccedil;&atilde;o para trabalhar naquela &aacute;rea. Isso &eacute; indispens&aacute;vel. Tamb&eacute;m lhe conferimos forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua. Recentemente, fizemos a nossa escola de ver&atilde;o para gestores de voluntariado para que eles levem novas qualifica&ccedil;&otilde;es para poderem gerir melhor, localmente, o voluntariado. Este tem muitas caracter&iacute;sticas locais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>[[v,d,2194,]]E &#8211; Na bolsa de valores econ&oacute;micos, que valor tem o voluntariado?<\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash; <\/em>Cerca de 14 mil milh&otilde;es de Euros. &Eacute; uma coisa louca porque o voluntariado vale muito dinheiro. Na Cruz Vermelha, s&oacute; em corpos dirigentes somos 1200 que n&atilde;o s&atilde;o pagos e depois os 11 mil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; Esses 14 mil milh&otilde;es de Euros s&atilde;o um valor econ&oacute;mico. E o valor no tecido social, na sociedade em geral?<\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash; <\/em>Esse n&atilde;o sei calcular porque &eacute; incalcul&aacute;vel. O trabalho do volunt&aacute;rio dirige-se ao desenvolvimento. Tanto ao desenvolvimento pessoal do volunt&aacute;rio, como ao desenvolvimento pessoal da pr&oacute;pria comunidade. A cada dia que passa sa&iacute;mos mais ricos, mas tamb&eacute;m deix&aacute;mos algum agente de mudan&ccedil;a na comunidade onde estamos inseridos. Os volunt&aacute;rios s&atilde;o imprescind&iacute;veis e o valor social do voluntariado &eacute; incalcul&aacute;vel. N&atilde;o pod&iacute;amos viver sem volunt&aacute;rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; A Cruz Vermelha aposta agora numa outra &aacute;rea dentro do voluntariado: o empreendedorismo. <\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash; <\/em>N&atilde;o queremos criar empresas, mas que as pessoas tenham criatividade e serem empreendedoras na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas que existem na pr&oacute;pria comunidade. Foram esses os novos instrumentos que quisemos dar aos coordenadores de voluntariado. Colocar as pessoas a pensar sobre iniciativas que ajudem na resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; Isso exige mais dos volunt&aacute;rios?<\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash;<\/em> Exige sobretudo criatividade. &Eacute; uma forma de ajuda para que as situa&ccedil;&otilde;es melhorem. &Eacute; uma mudan&ccedil;a de dire&ccedil;&atilde;o que estamos a fazer na Cruz Vermelha: tornar os volunt&aacute;rios com um esp&iacute;rito mais empreendedor, mais agentes de desenvolvimento e de altera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; J&aacute; t&ecirc;m casos onde esses projetos est&atilde;o a ser implementados?<\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash; <\/em>J&aacute; estamos a implement&aacute;-los em v&aacute;rias cidades e delega&ccedil;&otilde;es nossas, que est&atilde;o a fazer um voluntariado muito interessante. Com esse esp&iacute;rito empreendedor cri&aacute;mos um projeto intergeracional em Fafe: cada jovem da Cruz Vermelha &eacute; padrinho de um idoso, visita esse idoso regularmente.<\/p>\n<p>Temos tamb&eacute;m outro grande plano ao n&iacute;vel do empreendedorismo nas pris&otilde;es. Estamos em 28 estabelecimentos prisionais e cada delega&ccedil;&atilde;o j&aacute; inventou o seu pr&oacute;prio trabalho e queremos colocar no mercado de trabalho os produtos que os reclusos fabricam nas pris&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E &#8211; Como se pode capacitar fam&iacute;lias para que elas n&atilde;o entrem num c&iacute;rculo perp&eacute;tuo de pedidos de ajuda ou quebrar o ciclo de depend&ecirc;ncia das fam&iacute;lias?<\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash; <\/em>Atrav&eacute;s da nossa tradi&ccedil;&atilde;o de ajuda criamos o programa &laquo;Portugal mais feliz&raquo; e estamos a angariar fundos para que esse programa seja uma realidade. Analisamos os casos e fazemos o diagn&oacute;stico. Se necessitarem de forma&ccedil;&atilde;o profissional podemos encaminhar para a forma&ccedil;&atilde;o adequada ou a requalifica&ccedil;&atilde;o que ele necessita. Em parceria com outras institui&ccedil;&otilde;es, olhamos para essas pessoas e questionamos: O que poderiam agora fazer? Temos muitas mulheres empreendedoras e j&aacute; existem cerca de 40 empresas de mulheres que est&atilde;o sustent&aacute;veis, a n&iacute;vel nacional. Tudo isto porque utilizamos uma metodologia de acompanhamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Com esses objetivos s&atilde;o necess&aacute;rios muitos mais volunt&aacute;rios?<\/em><\/p>\n<p><em>CL &ndash;<\/em> A grande falha do Rendimento Social de Inser&ccedil;&atilde;o (RSI) &eacute; a falta de t&eacute;cnicos. N&atilde;o h&aacute; t&eacute;cnicos suficientes para acompanhar estas fam&iacute;lias. Estas t&ecirc;m de ser monitorizadas. O volunt&aacute;rio tem de estar enquadrado porque todo ele &eacute; &uacute;til.<\/p>\n<p><em>PTE\/LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fundada por Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Marques, a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) iniciou a sua atividade a 11 de fevereiro de 1865 sob a designa\u00e7\u00e3o de \u201cComiss\u00e3o Provis\u00f3ria para Socorros e Feridos e Doentes em Tempo de Guerra\u201d. 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