{"id":5217,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/media-ainda-estigmatizam-a-imigracao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"media-ainda-estigmatizam-a-imigracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/media-ainda-estigmatizam-a-imigracao\/","title":{"rendered":"Media ainda estigmatizam a imigra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O mundo da televis\u00e3o continua a privilegiar um olhar sobre os imigrantes onde se destacam acontecimentos do \u00e2mbito do crime e da ilegalidade. A conclus\u00e3o foi apresentada hoje durante a discuss\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o \u201cImagens da Imigra\u00e7\u00e3o na Imprensa e na Televis\u00e3o Portuguesa\u201d, coordenada por Isabel F\u00e9rin, docente da Universidade de Coimbra. O trabalho foi apresentado pelo Alto Comissariado para a Imigra\u00e7\u00e3o e Minorias \u00c9tnicas (ACIME), num workshop realizado no Forum Multicultural do Centro Nacional de Apoio ao Imigrante. A equipa de investiga\u00e7\u00e3o analisou o ano de 2003 nos jornais P\u00fablico, Di\u00e1rio de Not\u00edcias, Jornal de Not\u00edcias, Correio da Manh\u00e3, Capital, 24 Horas, Expresso e Independente. Na televis\u00e3o foram inclu\u00eddos os meses de Abril a Dezembro, do hor\u00e1rio nobre na RTP1, RTP2, SIC e TVI.  Para o Pe. Rui Pedro, director da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio mudar o olhar sobre os imigrantes, torn\u00e1-lo mais completo e evitar tudo o que possa originar reac\u00e7\u00f5es xen\u00f3fobas\u201d. \u201cA nossa opini\u00e3o deve ter mais em conta o que os imigrantes nos dizem de si e n\u00e3o aquilo que as televis\u00f5es mostram\u201d, referiu \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA. O estudo permite concluir, ainda assim, que a imprensa escrita \u00e9 actualmente mais cuidadosa na abordagem da tem\u00e1tica, devendo-se essa mudan\u00e7a ao aparecimento de jornalistas especializados.  A investiga\u00e7\u00e3o permitiu concluir que o tom dominante dos textos foi o \u201cneutro\u201d (54%), embora o pendor \u201cnegativo\u201d tenha marcado 32% das situa\u00e7\u00f5es e o \u201cpositivo\u201d tenha sido o menor de todos, com 15%. Nas televis\u00f5es, o tom mais frequente foi o \u201cmoralizante\u201d, o que se explica pelo facto de os imigrantes aparecerem, na maioria dos casos, como figurantes, com o protagonismo a ser dado ao discurso oficial sobre a mat\u00e9ria. As conclus\u00f5es do estudo lembram que apesar de o crime continuar a ser o mais associado \u00e0 cobertura medi\u00e1tica da imigra\u00e7\u00e3o, verifica-se nos jornais \u201cum progressivo interesse pela identidade e cultura\u201d destas comunidades. Nos telejornais, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o mais difundidas as abordagens dos imigrantes e minorias relacionados com mafias, prostitui\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e tamb\u00e9m o terrorismo o que, segundo conclui esta equipa de investiga\u00e7\u00e3o, d\u00e1 a estas comunidades \u201cuma visibilidade e uma percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica muito negativas\u201d.  O director da OCPM lamentou ainda que os Media tenham abandonado a quest\u00e3o das segundas gera\u00e7\u00f5es, \u201csilenciando os problemas dos filhos dos imigrantes\u201d. O IV Encontro Nacional de Apoio Social ao Imigrante, que a Ag\u00eancia ecclesia, Caritas Portuguesa e Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es organizaram em Janeiro passado, davam conta que \u201calgumas not\u00edcias sobre estes temas estigmatizam a imigra\u00e7\u00e3o&#8221;, difundindo &#8220;imagens desfocadas e narrativas distorcidas ou seleccionadas&#8221; e &#8220;desvirtuando a realidade&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo da televis\u00e3o continua a privilegiar um olhar sobre os imigrantes onde se destacam acontecimentos do \u00e2mbito do crime e da ilegalidade. A conclus\u00e3o foi apresentada hoje durante a discuss\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o \u201cImagens da Imigra\u00e7\u00e3o na Imprensa e na Televis\u00e3o Portuguesa\u201d, coordenada por Isabel F\u00e9rin, docente da Universidade de Coimbra. 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