{"id":52118,"date":"2011-07-07T11:50:07","date_gmt":"2011-07-07T11:50:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/07\/07\/centenario-da-morte-de-francisco-jose-de-sousa-gomes-1860-1911\/"},"modified":"2011-07-07T11:50:07","modified_gmt":"2011-07-07T11:50:07","slug":"centenario-da-morte-de-francisco-jose-de-sousa-gomes-1860-1911","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/centenario-da-morte-de-francisco-jose-de-sousa-gomes-1860-1911\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio da morte de Francisco Jos\u00e9 de Sousa Gomes (1860-1911)"},"content":{"rendered":"<p>Nascido em Braga, a 18 de dezembro de 1860, Francisco Sousa Gomes chegou a Coimbra, em 1877, onde se matricula nas Faculdades de Matem&aacute;tica e de Filosofia. Depois de feito o doutoramento em Filosofia (1882) &eacute; eleito s&oacute;cio da Academia Real de Ci&ecirc;ncias (1886) e presidente da Confraria da Rainha Santa (1893). A sua fama ultrapassa fronteiras e, em 1895, &eacute; eleito s&oacute;cio da Sociedade Qu&iacute;mica de Paris.<\/p>\n<p>Dado o prest&iacute;gio de que gozava, Francisco Jos&eacute; de Sousa Gomes era chamado com relativa frequ&ecirc;ncia para proferir confer&ecirc;ncias, tanto em congressos como em reuni&otilde;es mais restritas, quer sobre temas de car&aacute;ter estritamente cient&iacute;fico quer sobre temas sociais ou religiosos.<\/p>\n<p>De algumas dessas confer&ecirc;ncias ficaram apenas extratos sucintos nos jornais; outras foram publicadas na &iacute;ntegra, como aquela que fez no Semin&aacute;rio Conciliar de Braga, em julho de 1904, sobre &laquo;O Dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o e os milagres de Lourdes (Fran&ccedil;a)&raquo;, ou a que proferiu na inaugura&ccedil;&atilde;o do C&iacute;rculo Cat&oacute;lico Oper&aacute;rio de Viseu, em 1901, e tamb&eacute;m outra que proclamou no C&iacute;rculo Cat&oacute;lico Oper&aacute;rio do Porto, na sede do jornal &laquo;A Palavra&raquo;, em julho de 1907.<\/p>\n<p>Sousa Gomes abordou os temas sociais em confer&ecirc;ncias proferidas sobretudo nos C&iacute;rculos Cat&oacute;licos. Reflexo desse ensinamento encontra-se tamb&eacute;m na orienta&ccedil;&atilde;o que imprimiu &agrave; revista &laquo;Estudos Sociais&raquo;, embora o seu nome a&iacute; raras vezes apare&ccedil;a. De notar que, ao referir-se aos problemas sociais, a linguagem usada, dado o p&uacute;blico a que se dirigia era, o mais poss&iacute;vel, ao seu alcance e de car&aacute;ter acentuadamente did&aacute;tico.<\/p>\n<p>Uma aten&ccedil;&atilde;o permanente &agrave;s massas trabalhadoras para estas n&atilde;o deixassem perder os valores religiosos era uma das grandes preocupa&ccedil;&otilde;es de Sousa Gomes, convencido de que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, n&atilde;o &eacute; a Economia, mas a Religi&atilde;o que d&aacute; o sentido &uacute;ltimo &agrave; vida. Da&iacute; a aten&ccedil;&atilde;o que prestava aos c&iacute;rculos cat&oacute;licos oper&aacute;rios e o cuidado em formar e amparar n&atilde;o s&oacute; os pr&oacute;prios filhos, mas tamb&eacute;m jovens estudantes que iam para Coimbra estudar. &ldquo;A sua presen&ccedil;a discreta no Centro Acad&eacute;mico de Democracia Crist&atilde; (CADC) e na revista &laquo;Estudos Sociais&raquo; vai buscar a raz&atilde;o de ser &agrave;s suas profundas convic&ccedil;&otilde;es religiosas&rdquo; &ndash; (Cf. &laquo;Figuras not&aacute;veis da Igreja de Coimbra&raquo;; Manuel de Almeida Trindade e Gabriel de Sousa).<\/p>\n<p>O programa cat&oacute;lico de resposta &agrave; &laquo;quest&atilde;o social&raquo; &eacute; caracterizado &ndash; diz Sousa Gomes &ndash; por um grande ecletismo: &laquo;O catolicismo sabe bem que o homem n&atilde;o vive s&oacute; de p&atilde;o, mas sabe igualmente que lhe &eacute; indispens&aacute;vel o p&atilde;o. Para ele o problema social n&atilde;o &eacute; um simples problema moral, como alguns espiritualistas ut&oacute;picos pensam; nem uma quest&atilde;o meramente econ&oacute;mica, como julgam os socialistas. Ele sabe que a igualdade absoluta &eacute; irrealiz&aacute;vel neste mundo; mas sabe tamb&eacute;m que se pode alcan&ccedil;ar uma igualdade relativa, que se podem atenuar as desigualdades atuais e nisso trabalha com todas as for&ccedil;as&raquo; (Confer&ecirc;ncia no C&iacute;rculo Cat&oacute;lico Oper&aacute;rio de Viseu sobre &laquo;A Quest&atilde;o Social&raquo;).<\/p>\n<p>Com frequ&ecirc;ncia advogou Sousa Gomes a ideia de que era preciso que os cat&oacute;licos se instru&iacute;ssem em mat&eacute;ria religiosa; que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ter convic&ccedil;&otilde;es pessoais e profundas sem cultura religiosa. Para isso &eacute; preciso ler; mas tamb&eacute;m que haja quem escreva e o fa&ccedil;a numa linguagem compreens&iacute;vel para o comum dos leitores.<\/p>\n<p>Apesar de n&atilde;o ser um especialista em assuntos religiosos, nomeadamente exegese b&iacute;blica, o bracarense que se tornou cidad&atilde;o da Lusa Atenas adquiriu, pela leitura, suficiente bagagem para poder abalan&ccedil;ar-se a tratar de alguns desses temas. F&ecirc;-lo ao abordar o dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, quando se perfaziam 50 anos sobre a defini&ccedil;&atilde;o do dogma pelo Papa Pio IX. F&ecirc;-lo tamb&eacute;m nas duas confer&ecirc;ncias proferidas no C&iacute;rculo Cat&oacute;lico de Lisboa e publicadas, com o t&iacute;tulo &laquo;Os Evangelhos e a Pessoa de Jesus Cristo&raquo;, na cole&ccedil;&atilde;o &laquo;Sci&ecirc;ncia e Religi&atilde;o&raquo;, que se editava na P&oacute;voa de Varzim.<\/p>\n<p>Falecido a 8 de julho de 1911, Sousa Gomes teve sempre em grande apre&ccedil;o o santu&aacute;rio de Lourdes (Fran&ccedil;a) e l&aacute; foi, v&aacute;rias vezes, em peregrina&ccedil;&atilde;o, levando consigo os pr&oacute;prios filhos. Recorrendo a outros livros do mesmo g&eacute;nero editados por algumas dioceses francesas, chegou mesmo a elaborar um &laquo;Manual do Peregrino Portugu&ecirc;s&raquo;, vindo a p&uacute;blico em 1910, para a qual alguns bispos portugueses escreveram palavras de justo enc&oacute;mio.<\/p>\n<p>D. Manuel Vieira de Matos, ao tempo bispo da Guarda, refere-se a Sousa Gomes nestes termos: &laquo;O profundo conhecimento que o autor tem de Lourdes, das suas maravilhas, e a f&eacute; inabal&aacute;vel que o anima e que publicamente professa com um desassombro que muito o honra, tornam-no competent&iacute;ssimo para escrever uma obra destas&raquo;.<\/p>\n<p>Homem de grande integridade moral que sup&otilde;e n&atilde;o apenas convic&ccedil;&otilde;es pessoais bem alicer&ccedil;adas como tamb&eacute;m coer&ecirc;ncia de atitudes, Sousa Gomes deu exemplos da firmeza das suas convic&ccedil;&otilde;es n&atilde;o apenas por palavras, mas pelo teor da sua vida.<\/p>\n<p>&laquo;&Eacute; preciso ser-se cat&oacute;lico, mas &eacute; preciso s&ecirc;-lo a valer. Ser cat&oacute;lico s&oacute; para ir &agrave; igreja sem consulta pr&eacute;via quando nos levam ao batismo e aos responsos da sepultura; para ir &agrave; igreja por um mero ato de condescend&ecirc;ncia social quando nos vamos casar, por cumprimento de deveres de civilidade quando se canta um <em>&laquo;Te Deum&raquo;<\/em> oficial ou se enterra algum amigo nosso; por curiosidade de bom-tom quando vamos &agrave; missa da moda ou a alguma festa que meta boa m&uacute;sica e serm&atilde;o com muitas flores de ret&oacute;rica &ndash; n&atilde;o basta! Esse &eacute; catolicismo &agrave; flor da pele que n&atilde;o serve para nada, e que at&eacute; me &eacute; menos simp&aacute;tico do que a irreligiosidade declarada mas cort&ecirc;s&raquo; (Confer&ecirc;ncia no C&iacute;rculo Cat&oacute;lico Oper&aacute;rio do Porto, em julho de 1907).<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido em Braga, a 18 de dezembro de 1860, Francisco Sousa Gomes chegou a Coimbra, em 1877, onde se matricula nas Faculdades de Matem&aacute;tica e de Filosofia. Depois de feito o doutoramento em Filosofia (1882) &eacute; eleito s&oacute;cio da Academia Real de Ci&ecirc;ncias (1886) e presidente da Confraria da Rainha Santa (1893). 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