{"id":5211,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/transgenicos-nao-sao-panaceia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"transgenicos-nao-sao-panaceia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/transgenicos-nao-sao-panaceia\/","title":{"rendered":"Transg\u00e9nicos n\u00e3o s\u00e3o panaceia"},"content":{"rendered":"<p>Giulio Albanese, director da ag\u00eancia Misna, ilusrtra as reservas do mundo mission\u00e1rio sobre os organismos geneticamente modificados <!--more--> As culturas transg\u00e9nicas ficam muito mais caras e, mais tarde ou mais cedo, ir\u00e3o destruir a preciosa biodiversidade, verdadeira riqueza dos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. Segundo o representante dos Estados Unidos para o Com\u00e9rcio, Robert Zoellik, 13 pa\u00edses, com os EUA na vanguarda, v\u00e3o apresentar uma den\u00fancia \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) contra a morat\u00f3ria adoptada pela Uni\u00e3o Europeia sobre os produtos que cont\u00eam organismos geneticamente modificados (OGM). Nunca como hoje o poderos\u00edssimo lobby da biotecnologia fizera tanta press\u00e3o para que o Velho Continente deixe de se opor \u00e0 \u00abnobre inten\u00e7\u00e3o\u00bb de combater a fome no mundo. Ser\u00e1 verdade? Segundo muitos cientistas, o resultado da modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica no espa\u00e7o e no tempo nunca \u00e9 previs\u00edvel, pela complexidade de cada organismo e das rela\u00e7\u00f5es que ligam ente si os genes, para al\u00e9m da flutua\u00e7\u00e3o dos elementos do genoma. Os riscos para a sa\u00fade s\u00e3o de 360 graus: desde a transmiss\u00e3o da resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos ao aumento das alergias; desde o maior uso no ambiente de produtos cancer\u00edgenos ao risco de fen\u00f3menos t\u00f3xicos&#8230; Entretanto, as ind\u00fastrias biotecnol\u00f3gicas continuam a sustentar, de espada desembainhada, que o uso das plantas transg\u00e9nicas, em cujo patrim\u00f3nio gen\u00e9tico foram introduzidos genes de organismos estranhos, como, por exemplo, bact\u00e9rias, permitir\u00e1 resolver o problema alimentar dos pa\u00edses pobres e reduzir o emprego de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas nocivas no sector agr\u00edcola. S\u00e3o duas grandes mentiras. Impondo o pagamento anual das patentes, as culturas transg\u00e9nicas ficam muito mais caras e, mais tarde ou mais cedo, ir\u00e3o destruir a preciosa biodiversidade, verdadeira riqueza dos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. Desde h\u00e1 muito que o Pr\u00e9mio Nobel da Economia Amartya Sen vem sublinhando que \u00e9 a pobreza e n\u00e3o a falta de comida a verdadeira causa da fome. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que o Ocidente se debate, h\u00e1 anos, com os excedentes de produ\u00e7\u00e3o e na Europa chegou-se mesmo a pagar a quem se abstiver de produzir. Mas n\u00e3o s\u00f3: com as culturas OGM atingiu-se uma concentra\u00e7\u00e3o recorde de terras nas m\u00e3os de poucas pessoas, fazendo com que as pequenas e m\u00e9dias explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas diminu\u00edssem em 30 por cento. A pobreza \u00e9, certamente, um fen\u00f3meno complexo e articulado, mas entre as suas causas temos de incluir os programas de reajustamento estrutural levados a cabo pelo FMI e pelo Banco Mundial, que, juntamente com o constante aumento das d\u00edvidas, induziram muitos governos dos pa\u00edses em vias de desenvolvimento (os mais atingidos pela pobreza e pelo fen\u00f3meno da desnutri\u00e7\u00e3o) a reduzir a despesa p\u00fablica, a cortar nas ajudas alimentares, a abolir os subs\u00eddios \u00e0s principais culturas, acentuando os fen\u00f3menos de empobrecimento.  H\u00e1 ainda o emblem\u00e1tico caso da Argentina: sujeitando-se aos gigantes alimentares como a Monsanto e a Syngenta, este pa\u00eds sul-americano colocou em risco a sua seguran\u00e7a alimentar. De facto, em 1996, a Argentina adoptou as culturas OGM mais que qualquer outro pa\u00eds, exceptuando os EUA. \u00c9 agora o segundo produtor mundial de soja OGM, que exporta sobretudo em forma de ra\u00e7\u00f5es. As culturas de soja duplicaram em cinco anos e as colheitas atingiram o recorde de cerca de 30 milh\u00f5es de toneladas. Nesse mesmo espa\u00e7o de tempo, a pobreza aumentou e agora metade da popula\u00e7\u00e3o \u2013 18 milh\u00f5es num total de 37 \u2013 vive em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade alimentar. \u00c9 certo que as produ\u00e7\u00f5es OGM n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica causa da crise argentina, mas \u00e9 preciso reconhecer que contribu\u00edram para encaminhar todo o sistema agr\u00edcola para a exporta\u00e7\u00e3o, colocando a economia do pa\u00eds nas m\u00e3os das multinacionais estrangeiras. A estas considera\u00e7\u00f5es h\u00e1 que acrescentar a do emprego de produtos qu\u00edmicos, que, com as culturas transg\u00e9nicas, est\u00e1 a aumentar fortemente. N\u00e3o poderia ser de outra forma: a maior parte das sementes modificadas s\u00e3o-no porque tornadas resistentes aos herbicidas produzidos pelas mesmas firmas. Diante da aplica\u00e7\u00e3o de biotecnologias n\u00e3o podemos assumir uma posi\u00e7\u00e3o preconcebida ou ideol\u00f3gica, mas temos de avaliar riscos e benef\u00edcios, no interesse do \u00abbem comum\u00bb e n\u00e3o do \u00abmercado\u00bb. As biotecnologias, se sabiamente geridas, podem, com o andar do tempo, transformar-se numa b\u00ean\u00e7\u00e3o. Alguns exemplos: a banana terap\u00eautica, em estudo na \u00c1frica do Sul, deveria incorporar uma vacina contra a c\u00f3lera com a capacidade de imunizar contra a doen\u00e7a quem a comer. E o assim chamado golden rice, gra\u00e7as \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de um gene de narciso, que produz betacaroteno, deveria proteger da cegueira por car\u00eancia de vitamina A, ajudando 250 milh\u00f5es de pessoas em risco no mundo. A quest\u00e3o \u00e9 demasiado s\u00e9ria para ficar enredada em preconceitos ou, pior ainda, liquidar-se sem recurso. A ci\u00eancia, entendida como saber, n\u00e3o pode ser refreada, mas o mercado sim.  Giulio Albanese, Director da ag\u00eancia Misna, In \u201cAl\u00e9m-Mar\u201d, Mar\u00e7o de 2004<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giulio Albanese, director da ag\u00eancia Misna, ilusrtra as reservas do mundo mission\u00e1rio sobre os organismos geneticamente modificados<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,168,191,203,285],"class_list":["post-5211","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-diocese-da-guarda","tag-economia","tag-europa","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}