{"id":52086,"date":"2011-07-05T12:43:47","date_gmt":"2011-07-05T12:43:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/07\/05\/era-uma-vez-um-programa-de-ferias\/"},"modified":"2011-07-05T12:43:47","modified_gmt":"2011-07-05T12:43:47","slug":"era-uma-vez-um-programa-de-ferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/era-uma-vez-um-programa-de-ferias\/","title":{"rendered":"Era uma vez\u2026 um programa de f\u00e9rias\u2026"},"content":{"rendered":"<p>Paulo Neves, Caritas da Guarda <!--more--> <\/p>\n<p>Era uma vez&hellip; Assim come&ccedil;avam quase todas as hist&oacute;rias de encantar que ecoam da nossa inf&acirc;ncia, atrav&eacute;s das quais &eacute;ramos o centro das aten&ccedil;&otilde;es de todos os que nos rodeavam: pais, av&oacute;s, tios, professores, catequistas, entre outros. Assim nos acalm&aacute;vamos. Assim com&iacute;amos a sopa. Assim nos distra&iacute;amos. Assim adormec&iacute;amos na &ldquo;paz dos anjos&rdquo;. Assim centr&aacute;vamos a aten&ccedil;&atilde;o. Assim pass&aacute;vamos os dias. Assim viv&iacute;amos as f&eacute;rias. Assim despert&aacute;vamos para a vida. Todos recordamos, com emo&ccedil;&atilde;o, alguns desses momentos e pessoas que os proporcionavam e onde o protagonista era cada um de n&oacute;s. Dentre essas pessoas que giram &agrave; volta da nossa inf&acirc;ncia, talvez o lugar mais especial seja o dos av&oacute;s, logo seguido dos pais. Apoio constante dos filhos e netos, aten&ccedil;&atilde;o diligente para com a prole, cuidado projetivo da descend&ecirc;ncia, presen&ccedil;a incondicional, central de afetos, eis algumas das suas nobres qualidades e tarefas.<\/p>\n<p>Era uma vez&#8230; h&aacute; 10, 15, 20, 30 anos. &Agrave; inf&acirc;ncia seguiu&#8211;se a adolesc&ecirc;ncia, a juventude e a idade adulta. Crescemos. Em geral, deix&aacute;mos ou tivemos de deixar a nossa terra, estud&aacute;mos, conseguimos emprego, constitu&iacute;mos fam&iacute;lia, arranj&aacute;mos uma boa casa, um bom carro, plane&aacute;mos e fomos de f&eacute;rias. Fomos de f&eacute;rias para a praia, para a serra, tanto dentro do pa&iacute;s como pelo estrangeiro. Fomos. Nas nossas terras e aldeias permanecem aqueles que nos contaram as tais hist&oacute;rias de encantar. Em geral, n&atilde;o sa&iacute;ram de l&aacute; e, mesmo os que sa&iacute;ram, quase todos regressaram. A&iacute; passam os seus dias e noites. Em suas casas, no lar ou no centro do dia da aldeia, a&iacute; se encontram. A&iacute; passam tamb&eacute;m o tempo das nossas f&eacute;rias. Geralmente, est&atilde;o &agrave; espera daqueles que foram a raz&atilde;o de ser da sua vida e que justificaram tantos sacrif&iacute;cios, ren&uacute;ncias e canseiras pessoais. Geralmente, ainda t&ecirc;m hist&oacute;rias para continuar a contar aos que as quiserem ouvir. Geralmente, ainda t&ecirc;m o seu pensamento naqueles que geraram e ajudaram a criar. Geralmente, est&atilde;o dispon&iacute;veis para receber visitas. Geralmente, n&atilde;o t&ecirc;m grandes atividades programadas para o seu dia a dia. Geralmente, n&atilde;o v&atilde;o de f&eacute;rias. Geralmente. Mas, aqui e ali, percebem-se perdas de lucidez, pouca vontade de falar, alguns sinais de amn&eacute;sia, solid&atilde;o, decrepitude.<\/p>\n<p>Ah, se algu&eacute;m pudesse contar uma das hist&oacute;rias de encantar que aprendeu h&aacute; alguns anos atr&aacute;s. Ah, se algu&eacute;m pudesse aparecer pela aldeia onde foi t&atilde;o feliz. Ah, se algu&eacute;m fosse visitar quem lhe dedicou tanta aten&ccedil;&atilde;o. Ah, se algu&eacute;m n&atilde;o fosse de f&eacute;rias para um destino t&atilde;o distante. Ah, se algu&eacute;m desse conta disso. Ah, se algu&eacute;m soubesse quem &eacute; esse &ldquo;algu&eacute;m&rdquo;.<\/p>\n<p>Eis uma dica para uma poss&iacute;vel hist&oacute;ria de encantar: Era uma vez&#8230; um programa de f&eacute;rias. Depois de um ano de intenso trabalho, com stress q.b., a fam&iacute;lia &ldquo;Feliz&rdquo; (nome fict&iacute;cio, por quest&otilde;es de privacidade), composta por um casal e dois filhos, dirigia-se para o aeroporto rumo a um dos seus destinos de f&eacute;rias de sonho. Mas eis que os engarrafamentos de tr&acirc;nsito foram de tal ordem que n&atilde;o conseguiram chegar a tempo do check-in e&hellip; perderam o avi&atilde;o. Cabisbaixos por tal desilus&atilde;o, l&aacute; tiveram de decidir ir at&eacute; &agrave; terra dos seus pais e av&oacute;s. A viagem foi mon&oacute;tona e de parca comunica&ccedil;&atilde;o. S&oacute; se ouvia o r&aacute;dio numa esta&ccedil;&atilde;o que nem sequer a todos agradava. Volvidas algumas centenas de quil&oacute;metros e, j&aacute; perto da aldeia, o verde dos campos e a pacatez do tr&acirc;nsito, recomendou que os vidros do carro de abrissem. Logo se respirou um ar puro como h&aacute; muito n&atilde;o ocorria, os sons de pequenos insetos e aves ecoou, o horizonte assumiu um colorido deslumbrante. Os olhos abriram-se, os ouvidos tamb&eacute;m, a mente recordou e o cora&ccedil;&atilde;o palpitou. J&aacute; dentro da aldeia, no fundo da Rua Principal, o Sr. Manuel Feliz e a D. Maria Feliz esperavam ansiosamente, de bra&ccedil;os abertos e de sorriso rasgado (embora com algumas falhas de dentes) o seu filho, nora e netos. Os cumprimentos foram demorados. Os sorrisos e l&aacute;grimas de alegria tamb&eacute;m. Prolongaram-se por alguns dias. E depois desses intensos dias, a fam&iacute;lia &ldquo;Feliz&rdquo; ficou mais feliz, agradecendo o facto de terem perdido o avi&atilde;o, pois, (re)descobriram um novo destino de sonho. Sim, esse mesmo donde viemos, somos e para onde &ldquo;podemos&rdquo; ir&#8230; sempre. Mais tranquilo, mais barato, mais alegre, mais intenso, mais reconfortante, mais terap&ecirc;utico, mais feliz para&#8230; todos. E tu, para onde ainda teimas em ir nestas f&eacute;rias?&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Paulo Neves, Caritas da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Neves, Caritas da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,187,211],"class_list":["post-52086","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-ferias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52086"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52086\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}