{"id":52083,"date":"2011-07-05T12:23:01","date_gmt":"2011-07-05T12:23:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/07\/05\/tempo-de-atencao-e-cuidado\/"},"modified":"2011-07-05T12:23:01","modified_gmt":"2011-07-05T12:23:01","slug":"tempo-de-atencao-e-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tempo-de-atencao-e-cuidado\/","title":{"rendered":"Tempo de aten\u00e7\u00e3o e cuidado!"},"content":{"rendered":"<p>Guilherme d\u2019Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura <!--more--> <\/p>\n<p>Ao iniciarmos este tempo de f&eacute;rias, importa entender que h&aacute; muitos para quem este tempo n&atilde;o &eacute; de merecido descanso, mas de prova&ccedil;&atilde;o e de ang&uacute;stia. A palavra crise continua a marcar a vida das sociedades ocidentais e da portuguesa em especial. Fala-se mais de depress&atilde;o e menos de esperan&ccedil;a, e &eacute; fundamental ouvir a mensagem crist&atilde;. Contudo, importa agir &ndash; empenhando-nos nas obras de miseric&oacute;rdia, espirituais e corporais, que n&atilde;o s&atilde;o reminisc&ecirc;ncias hist&oacute;ricas, mas apelos exigentes e atuais para todas as pessoas.<\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">&laquo;Quem escuta as Minhas palavras e as p&otilde;e em pr&aacute;tica &eacute; como o homem prudente que edificou a casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas n&atilde;o caiu, porque estava fundada na rocha&raquo; (Mt., 7, 24-25). Eis a li&ccedil;&atilde;o que temos de reter. H&aacute; que assumir a vida comunit&aacute;ria, &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a da experi&ecirc;ncia dos Atos dos Ap&oacute;stolos. Ent&atilde;o dizia-se desses primeiros crist&atilde;os: &laquo;Vede como eles se amam&raquo;. E n&oacute;s que temos a dizer? Procuramos reencontrar a pureza do amor crist&atilde;o? Hoje precisamos de &laquo;redes de proximidade&raquo; e de corpos interm&eacute;dios que correspondam &agrave; efetiva&ccedil;&atilde;o da solidariedade volunt&aacute;ria. Perante a crise do Estado-provid&ecirc;ncia, precisamos de construir uma Sociedade-provid&ecirc;ncia que ajude &agrave; partilha por todos das responsabilidades sociais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">A aten&ccedil;&atilde;o e o cuidado s&atilde;o palavras fundamentais nos tempos que correm. Perante as dificuldades acrescidas, imp&otilde;e&#8211;se ter os olhos abertos para ver o que est&aacute; ao nosso lado e o que exige a nossa resposta. Responsabilidade &eacute; a capacidade de ter resposta, de corresponder a quem nos pede a nossa ajuda. O amor do pr&oacute;ximo e o cuidado (a palavra caridade foi esquecida?) relativamente aos outros constituem fatores essenciais no sentido da dignidade da pessoa humana, que, nas suas origens, a atual crise financeira, econ&oacute;mica e social esqueceu. Da&iacute; a necessidade de voltarmos a ouvir o apelo de Jo&atilde;o XXIII relativamente aos sinais dos tempos. Importa estarmos atentos &agrave; sociedade que nos rodeia e aos acontecimentos que a caracterizam, sabendo ligar os sinais de Deus aos acontecimentos quotidianos. Flannery O&rsquo;Connor dizia que a Gra&ccedil;a apenas pode ser vista e compreendida plenamente quando a liberdade a pretende suspender. Assim entenderemos a sua aus&ecirc;ncia. Isso mesmo tamb&eacute;m no-lo disseram romancistas como Dostoievski em &laquo;Os Irm&atilde;os Karamazov&raquo;, L&eacute;on Bloy em &laquo;La Femme Pauvre&raquo;, Georges Bernanos em &laquo;Journal d&rsquo;un Cur&eacute; de Campagne&raquo; ou Graham Greene em &laquo;O Poder e a Gl&oacute;ria&raquo;. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Jo&atilde;o XXIII afirmou: &laquo;Contrasta clamorosamente com essa perfeita ordem universal (criada por Deus) a desordem que reina entre indiv&iacute;duos e povos, como se as suas rela&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas n&atilde;o pudessem ser reguladas sen&atilde;o pela for&ccedil;a&raquo; (Pacem inTerris, introdu&ccedil;&atilde;o). Para al&eacute;m da renova&ccedil;&atilde;o da Igreja, do seu &laquo;aggionamento&raquo;, &eacute; urgente animar a sociedade &ndash; tornando-a din&acirc;mica, renovada e sobretudo centrada nas pessoas e na humanidade. A sociedade livre e respons&aacute;vel tem as suas ra&iacute;zes nas &ldquo;Bem-Aventuran&ccedil;as&rdquo;, da&iacute; que perante o predom&iacute;nio da ilus&atilde;o, das apar&ecirc;ncias e do imediatismo, devamos olhar o tempo largo e o futuro. A tenta&ccedil;&atilde;o de criar bodes expiat&oacute;rios no passado para aquietar as consci&ecirc;ncias n&atilde;o &eacute; assumir a responsabilidade, mas torn&aacute;-la difusa e v&atilde;. Como recordava, h&aacute; tempo, o Padre Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a: &laquo;O Evangelho para ser vital tem de ser recebido como palavra transformante, como fermento colocado na massa. O cristianismo n&atilde;o coincide com nenhuma realidade pol&iacute;tica, mas em todas introduz uma tens&atilde;o de amor, de justi&ccedil;a e de verdade. O cristianismo tem um sonho. Aqueles crist&atilde;os que dizem: &lsquo;Eu n&atilde;o quero sujar as m&atilde;os na realidade do mundo&rsquo;, como lembra Charles P&eacute;guy, acabam rapidamente por ficar sem m&atilde;os&raquo;. (&laquo;O Hip&oacute;potamo de Deus e outros textos&raquo;, Ass&iacute;rio e Alvim, 2010, p. 64). Temos de assumir a ousadia da esperan&ccedil;a, que significa p&ocirc;r em primeiro lugar o que pode unir-nos. Quem tem ouvidos que oi&ccedil;a!<\/span><\/p>\n<p>Guilherme d&rsquo;Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme d\u2019Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[314],"class_list":["post-52083","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52083\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}