{"id":52075,"date":"2011-07-05T11:03:08","date_gmt":"2011-07-05T11:03:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/07\/05\/homilia-da-celebracao-de-ordenacoes-sacerdotais-na-catedral-da-guarda\/"},"modified":"2011-07-05T11:03:08","modified_gmt":"2011-07-05T11:03:08","slug":"homilia-da-celebracao-de-ordenacoes-sacerdotais-na-catedral-da-guarda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-celebracao-de-ordenacoes-sacerdotais-na-catedral-da-guarda\/","title":{"rendered":"Homilia da celebra\u00e7\u00e3o de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais na Catedral da Guarda"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos esta celebra&ccedil;&atilde;o Diocesana Jubilosa em clima de Vig&iacute;lia de Ora&ccedil;&atilde;o, conforme foi pedida a toda a nossa Diocese h&aacute; duas semanas.<\/p>\n<p>&Eacute; nesta atitude de Vig&iacute;lia e de escuta atenta que queremos hoje receber os dois novos sacerdotes que o Senhor oferece ao Presbit&eacute;rio e &agrave;s comunidades da nossa Diocese. Louvado seja o Senhor que, assim, d&aacute; mais uma prova do amor que nos dedica e do acompanhamento esmerado que faz &agrave; Sua Igreja. Mas se os dois sacerdotes que v&atilde;o, dentro de momentos, ser ordenados, constituem para todos n&oacute;s um grande dom de Deus, s&atilde;o tamb&eacute;m uma grande responsabilidade. Responsabilidade, antes de mais para o nosso Presbit&eacute;rio Diocesano, porque o Senhor nos pede para os recebermos na verdadeira fraternidade Sacramental que &eacute; nosso dever realizar cada vez mais; porque nos convida a oferecer-lhes o nosso acolhimento e a nossa colabora&ccedil;&atilde;o como sacerdotes do mesmo Presbit&eacute;rio e a estarmos dispostos a receber deles a sua colabora&ccedil;&atilde;o e empenho na grande causa que nos une &agrave; volta do mesmo Cristo; porque nos convida a aprofundar mais com eles a nossa comunh&atilde;o em Presbit&eacute;rio. Mas o mesmo dom destes 2 novos Padres constitui tamb&eacute;m uma nova responsabilidade para as comunidades da nossa Diocese. Antes de mais pelo acolhimento e colabora&ccedil;&atilde;o que lhes s&atilde;o devidos nos distintos servi&ccedil;os e atividades necess&aacute;rios ao crescimento da F&eacute;; depois pela solidariedade na ora&ccedil;&atilde;o e no acompanhamento fraterno sempre necess&aacute;rio; depois ainda pela aceita&ccedil;&atilde;o de que o servi&ccedil;o do Sacerdote &agrave;s comunidades tem de ser prestado de acordo com as orienta&ccedil;&otilde;es da Igreja inspiradas nas grandes linhas de renova&ccedil;&atilde;o definidas h&aacute; mais de quatro d&eacute;cadas, pelo Conc&iacute;lio Vaticano II (50 anos, em 2012). Isto quer dizer que o Padre &eacute; enviado ao meio das comunidades como educador e para educar segundo os valores da F&eacute; traduzidos para n&oacute;s hoje nas grandes orienta&ccedil;&otilde;es conciliares do Vaticano II. E de acordo com estas orienta&ccedil;&otilde;es, cada comunidade crist&atilde; &eacute; chamada a ser verdadeiramente sacramento da Salva&ccedil;&atilde;o de Deus ou seja sinal e instrumento de realiza&ccedil;&atilde;o entre as pessoas daquela comunh&atilde;o que tem a sua fonte em Deus.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m de acordo com as mesmas orienta&ccedil;&otilde;es conciliares, cada comunidade tem de ser cada vez mais, ouvinte da Palavra de Deus que n&atilde;o pretende transmitir-nos apenas a mensagem muito bela do Evangelho, mas que pretende sobretudo p&ocirc;r-nos em comunica&ccedil;&atilde;o profunda com o mesmo Jesus Cristo, vivo e fonte de vida. Para dar cumprimento &agrave;s mesmas orienta&ccedil;&otilde;es conciliares, cada comunidade tem de saber estar sempre em di&aacute;logo com o mundo, com as pessoas, suas tradi&ccedil;&otilde;es e maneiras de estar na vida, conhecendo suas possibilidades e tamb&eacute;m dificuldades. Tem de saber oferecer continuamente a todos a sua disponibilidade e o seu servi&ccedil;o para crescimento da vida com verdadeira qualidade.<\/p>\n<p>A comunh&atilde;o com Deus e em Deus das pessoas entre si celebrada principalmente na Eucaristia; o encontro com Cristo e a mensagem do Evangelho atrav&eacute;s da Sua Palavra escutada, meditada e aplicada &agrave; vida; O di&aacute;logo com o mundo e a colabora&ccedil;&atilde;o no seu verdadeiro desenvolvimento s&atilde;o as grandes propostas do Conc&iacute;lio Vaticano II atrav&eacute;s de 3 dos seus mais importantes documentos que n&oacute;s sacerdotes queremos ter como prioridades na nossa a&ccedil;&atilde;o &agrave; frente das comunidades. E precisamos que as mesmas comunidades colaborem connosco na descoberta dos caminhos novos mais adaptados ao cumprimento desta tarefa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Palavra de Deus come&ccedil;a por nos falar hoje do Esp&iacute;rito Santo. Esp&iacute;rito Santo que desce sobre o ungido de Deus e o envia para anunciar e realizar uma grande cura. Ora, s&oacute; se justifica a cura quando h&aacute; doen&ccedil;a e a doen&ccedil;a que atinge indiscriminadamente as pessoas &eacute; definida na passagem de Isa&iacute;as como sendo a dos cora&ccedil;&otilde;es atribulados, a dos cativos que precisam de reden&ccedil;&atilde;o, a dos prisioneiros que precisam de ser libertados, a dos aflitos que precisam de ser consolados, a dos que precisam de substituir o luto pela alegria, a dos esp&iacute;ritos abatidos que precisam de recuperar &acirc;nimo para serem capazes de cantar de novo um c&acirc;ntico de louvor.<\/p>\n<p>Ora n&oacute;s sacerdotes e v&oacute;s que o ides ser dentro de momentos n&atilde;o estamos apenas do lado de quem anuncia a cura e na for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo contribui para a realiza&ccedil;&atilde;o. Estamos tamb&eacute;m do lado dos que precisam de ser curados. E isto porque somos, como todas as pessoas, sujeitos a enfermidades f&iacute;sicas, mas tamb&eacute;m v&iacute;timas de fragilidades que podem afetar o nosso entusiasmo e bem estar pessoais, e ainda a sa&uacute;de da nossa rela&ccedil;&atilde;o com os outros e com Deus. S&oacute; depois de nos deixarmos curar pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito, abrindo-lhe as portas da nossa vida, sobretudo atrav&eacute;s de uma espiritualidade bem cuidada, estaremos capazes de, como ungidos do Senhor, espalhar a Sua cura, ou seja a sua salva&ccedil;&atilde;o &agrave; nosso volta. Tamb&eacute;m aqui vale o princ&iacute;pio de que ningu&eacute;m d&aacute; o que n&atilde;o tem.<\/p>\n<p>S. Paulo, na Sua II carta aos Cor&iacute;ntios, come&ccedil;a hoje por nos fazer o seguinte apelo: &ldquo;N&atilde;o desanimemos no exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio que nos est&aacute; confiado&rdquo;. Nunca &eacute; demais lembrar que o minist&eacute;rio ordenado que nos est&aacute; confiado a n&oacute;s Sacerdotes e vai ser tamb&eacute;m entregue aos 2 ordenandos n&atilde;o &eacute; nosso. &Eacute; do &Uacute;nico Senhor da Igreja e da hist&oacute;ria, Jesus Cristo. Por isso &eacute; a Ele que temos de anunciar e n&atilde;o a n&oacute;s pr&oacute;prios; &eacute; a vontade dele que temos de fazer e n&atilde;o a nossa; &eacute; o modelo e o estilo de vida dele que queremos seguir e n&atilde;o o que sugere a nossa vontade pessoal ou a nossa sensibilidade ou ent&atilde;o o que o mundo nos prop&otilde;e.<\/p>\n<p>Como Sacerdotes incondicionalmente entregues &agrave; causa de Jesus Cristo e da Igreja, temos de viver pessoalmente e em Presbit&eacute;rio a grande miss&atilde;o que o mesmo S. Paulo hoje nos recorda, a saber, deixar que o esplendor da luz de Deus brilhe nas nossas vidas para, depois, iluminar os caminhos da hist&oacute;ria. Por isso s&oacute; a rela&ccedil;&atilde;o forte e continua com Deus Trindade Sant&iacute;ssima, atrav&eacute;s de uma espiritualidade bem cuidada, nos poder&aacute; permitir responder ao apelo de Paulo &ndash; n&atilde;o desanimemos no exerc&iacute;cio deste minist&eacute;rio. Tamb&eacute;m n&atilde;o podemos esquecer, como ele claramente nos recorda, que trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso minist&eacute;rio. Esquecer as nossas fragilidades ou a necessidade de constantemente as corrigir pela abertura do cora&ccedil;&atilde;o ao amor e &agrave; infinita miseric&oacute;rdia de Deus &eacute; entrarmos por caminhos errados que s&oacute; podem levar ao fracasso.<\/p>\n<p>O ser Padre &eacute;, para n&oacute;s sacerdotes ordenados, sempre e s&oacute; estar incondicionalmente para servir, segundo o modelo de Jesus Cristo que, como lembra o Evangelho de hoje, n&atilde;o veio para ser servido mas para servir e dar a Sua vida pela reden&ccedil;&atilde;o das pessoas. E nunca &eacute; demais pararmos diante deste apelo que nos &eacute; feito pelo mesmo Jesus Cristo no Seu Evangelho. O modelo para n&oacute;s n&atilde;o pode ser a l&oacute;gica do poder existente no nosso mundo, mas sim a l&oacute;gica contr&aacute;ria do Servi&ccedil;o, ao ponto de o Evangelho de hoje afirmar aquilo que, de facto, &eacute; um verdadeiro esc&acirc;ndalo para o nosso mundo, quando diz: &ldquo; Quem entre v&oacute;s quiser ser o primeiro seja vosso escravo&rdquo;. E n&atilde;o devemos suavizar ou mesmo temperar exageradamente a radicalidade desta afirma&ccedil;&atilde;o Evang&eacute;lica. Escravo &eacute; o que s&oacute; se sente com deveres e n&atilde;o argumenta com direitos. Ora n&oacute;s vivemos hoje mergulhados numa cultura onde parece que s&oacute; h&aacute; direitos e n&atilde;o h&aacute; deveres ou pelo menos estes s&atilde;o silenciados. Tamb&eacute;m aqui o exerc&iacute;cio do nosso minist&eacute;rio h&aacute; de ser oportunidade para oferecermos &agrave;s comunidades que nos s&atilde;o confiadas e ao mundo o gesto prof&eacute;tico de quem, &agrave; maneira de Jesus Cristo, est&aacute; para servir e n&atilde;o para ser servido.<\/p>\n<p>Que o Senhor nos ajude, particularmente a n&oacute;s sacerdotes, a dar cumprimento a este des&iacute;gnio de Deus para salva&ccedil;&atilde;o do mundo, atrav&eacute;s de uma Igreja renovada segundo as orienta&ccedil;&otilde;es do Conc&iacute;lio Vaticano II.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Manuel da Rocha Fel&iacute;cio, bispo da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos esta celebra&ccedil;&atilde;o Diocesana Jubilosa em clima de Vig&iacute;lia de Ora&ccedil;&atilde;o, conforme foi pedida a toda a nossa Diocese h&aacute; duas semanas. &Eacute; nesta atitude de Vig&iacute;lia e de escuta atenta que queremos hoje receber os dois novos sacerdotes que o Senhor oferece ao Presbit&eacute;rio e &agrave;s comunidades da nossa Diocese. 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