{"id":52069,"date":"2011-07-05T10:24:18","date_gmt":"2011-07-05T10:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/07\/05\/mudar-de-vida\/"},"modified":"2011-07-05T10:24:18","modified_gmt":"2011-07-05T10:24:18","slug":"mudar-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mudar-de-vida\/","title":{"rendered":"Mudar de vida"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral <!--more--> <\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\">Muitos portugueses j&aacute; devem ter reparado numa novidade trazida por este Governo: n&atilde;o esconde as dificuldades, n&atilde;o pinta de cor-de-rosa a situa&ccedil;&atilde;o financeira, n&atilde;o ilude as pessoas.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\"><span style=\"color: windowtext;\">O primeiro-ministro referiu que outras tormentas nos aguardam. E, perante a perplexidade de um deputado socialista e ex-governante, o novo ministro das Finan&ccedil;as disse tranquilamente que estamos em recess&atilde;o e assim estaremos ainda por algum tempo &ndash; o que toda a gente sabe, a come&ccedil;ar pelas entidades internacionais, mas jamais o anterior Governo seria capaz de assumir, com a desculpa de criar expectativas positivas (o que acabava por ser contraproducente, quando as pessoas percebiam o irrealismo governamental). &Eacute; uma mudan&ccedil;a radical de discurso, essencial para ganhar credibilidade nos mercados que nos emprestam dinheiro e para restaurar a confian&ccedil;a dos cidad&atilde;os nos pol&iacute;ticos. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\"><span style=\"color: windowtext;\">A estrat&eacute;gia do novo primeiro-ministro &eacute; clara e foi largamente anunciada antes e depois das elei&ccedil;&otilde;es. Trata-se de dar prioridade absoluta ao cumprimento dos compromissos assumidos com a &ldquo;troika&rdquo;, indo at&eacute; um pouco mais al&eacute;m, para obter uma folga de seguran&ccedil;a.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\"><span style=\"color: windowtext;\">Da&iacute; o novo imposto extraordin&aacute;rio, equivalente a metade do subs&iacute;dio de Natal acima do sal&aacute;rio m&iacute;nimo nacional &ndash; medida que n&atilde;o estava no Programa de Governo, mas foi precipitada pela revela&ccedil;&atilde;o do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica de que, afinal, a execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental estava a correr pior do que (como era seu h&aacute;bito) proclamara o anterior. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\"><span style=\"color: windowtext;\">Passos Coelho contrariou, &eacute; certo, uma anterior afirma&ccedil;&atilde;o sua, a de que, se fosse precisa mais receita fiscal iria busc&aacute;-la aos impostos sobre o consumo. Mas deu um sinal de determina&ccedil;&atilde;o e de capacidade de rea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida. Este imposto extraordin&aacute;rio (n&atilde;o se repetir&aacute; nos pr&oacute;ximos anos, diz o Governo) at&eacute; &eacute; socialmente menos injusto do que uma forte subida do IVA, pois abrange todos os rendimentos (e n&atilde;o apenas os do trabalho) e poupa dois ter&ccedil;os dos pensionistas, al&eacute;m de muitos trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\"><span style=\"color: windowtext;\">Foi anunciado um Programa Social de Emerg&ecirc;ncia, que bem preciso &eacute;, dado o alastrar da pobreza, decorrente do crescente desemprego e das restri&ccedil;&otilde;es aos apoios sociais que v&ecirc;m de tr&aacute;s. Promete&#8211;se uma converg&ecirc;ncia com as Mutualidades, as Miseric&oacute;rdias e as IPSS, importante quando, at&eacute; aqui, muitas vezes prevaleceu a concorr&ecirc;ncia hostil do Estado &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es privadas. Relevante, tamb&eacute;m, &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o manifestada pelo Governo com a nossa baix&iacute;ssima taxa de natalidade, assim como a inten&ccedil;&atilde;o de apoiar mais as fam&iacute;lias.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\"><span style=\"color: windowtext;\">Claro que, agora no Governo, o PSD e o CDS t&ecirc;m de atacar a s&eacute;rio a despesa do Estado, incluindo a do chamado &ldquo;Estado paralelo&rdquo; (funda&ccedil;&otilde;es, institutos, empresas municipais, etc.). Resta saber se os novos governantes ter&atilde;o coragem e for&ccedil;a pol&iacute;tica suficientes para fazerem frente &agrave;s clientelas partid&aacute;rias, que largamente t&ecirc;m beneficiado desse &ldquo;Estado paralelo&rdquo;, e &agrave;s corpora&ccedil;&otilde;es e &ldquo;lobbies&rdquo; que t&ecirc;m vindo a ganhar poder em Portugal. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\"><span style=\"color: windowtext;\">O Programa do Governo revela algum cariz liberal na economia &ndash; algo de saudar, num pa&iacute;s t&atilde;o agarrado &agrave; sombra protetora do Estado e onde a promiscuidade entre pol&iacute;tica e neg&oacute;cios se banalizou. O novo executivo tem de mostrar, por exemplo, que ser&aacute; capaz de aumentar a concorr&ecirc;ncia na economia portuguesa, o que exige reguladores mais eficazes e menos complacentes com os in&uacute;meros monop&oacute;lios ou duop&oacute;lios &ldquo;de facto&rdquo; que por a&iacute; existem.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt;\"><span style=\"color: windowtext;\">O grande desafio deste Governo &eacute;, reduzindo o d&eacute;fice das contas do Estado para as metas a que o pa&iacute;s se comprometeu, relan&ccedil;ar o crescimento econ&oacute;mico. O que n&atilde;o pode acontecer j&aacute;, naturalmente, mas ter&aacute; de ser uma realidade a prazo, sob pena de n&atilde;o sermos capazes de pagar a nossa d&iacute;vida externa. &Eacute; a tarefa mais dif&iacute;cil, mais complicada ainda do que colocar em ordem as contas p&uacute;blicas. Exigir&aacute; reformas a s&eacute;rio, algumas delas j&aacute; esbo&ccedil;adas no memorando acordado por PS, PSD e CDS com a &ldquo;troika&rdquo;. Oxal&aacute; sejam os novos governantes capazes de impulsionar decisivamente a mudan&ccedil;a de vida de que Portugal necessita. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 12.9pt; text-align: right;\"><em>Francisco Sarsfield Cabral, jornalista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,191,267],"class_list":["post-52069","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-economia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52069\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}