{"id":52052,"date":"2011-07-02T16:31:00","date_gmt":"2011-07-02T16:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/07\/02\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-ordenacoes\/"},"modified":"2011-07-02T16:31:00","modified_gmt":"2011-07-02T16:31:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-ordenacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-ordenacoes\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na missa de ordena\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>&ldquo;Dai-nos, Senhor, um cora&ccedil;&atilde;o novo&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Homilia na Missa das Ordena&ccedil;&otilde;es, na mem&oacute;ria lit&uacute;rgica do Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria Mosteiro dos Jer&oacute;nimos, 2 de julho de 2011<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Permitiram as circunst&acirc;ncias que as ordena&ccedil;&otilde;es de presb&iacute;teros e di&aacute;conos se realizem na celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica do Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria, o que nos convida a encontrar nesse mist&eacute;rio de Maria, M&atilde;e de Deus, a compreens&atilde;o da beleza e da exig&ecirc;ncia do minist&eacute;rio sacerdotal, na Igreja e para a Igreja do nosso tempo. Ambos s&atilde;o mist&eacute;rios, expressos na realidade das criaturas, para realiza&ccedil;&atilde;o no cora&ccedil;&atilde;o dos homens do des&iacute;gnio amoroso de Deus de nos salvar, isto &eacute;, de vencer em n&oacute;s o pecado e de nos introduzir na plenitude do amor que &eacute;, tamb&eacute;m, a plenitude da vida.<\/p>\n<p>O que &eacute; um Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado? A palavra &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o&rdquo; tem, aqui, toda a amplitude do sentido b&iacute;blico, toda a interioridade do homem, a sua intelig&ecirc;ncia, a sua sensibilidade e afetividade, a capacidade de acolher a Palavra do Senhor e se abrir ao dom do seu amor. Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado &eacute; aquele que est&aacute; liberto de toda a resist&ecirc;ncia e incapacidade de escutar e se abre totalmente &agrave; Palavra de Deus. Pela primeira vez desde a cria&ccedil;&atilde;o do mundo, uma criatura, Maria, acolhe o Verbo eterno, escuta a Palavra como ela sempre foi escutada no seio da comunh&atilde;o trinit&aacute;ria, desde toda a eternidade. Ao acolher, assim, o Verbo, a Palavra eterna de Deus realiza nela todo o seu poder criador e de an&uacute;ncio da vida e do amor. Em Maria, a Palavra eterna de Deus passa a ser, numa criatura, o que sempre foi no seio de Deus. &Eacute;, assim, natural que o Verbo eterno de Deus, acolhido totalmente no cora&ccedil;&atilde;o desta mulher, realize nela, no seu ser de mulher, a primeira potencialidade da Palavra: ser criadora. A Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo no seio de Maria, sendo &uacute;nica segundo o des&iacute;gnio do Pai, &eacute; fruto do acolhimento total dessa Palavra num Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Desde que a Palavra eterna de Deus foi totalmente escutada por um cora&ccedil;&atilde;o humano, dando como fruto maravilhoso do seu poder criador a encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo, o plano divino de reden&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o humano tem agora a condi&ccedil;&atilde;o radical para ser levado &agrave; sua plena realiza&ccedil;&atilde;o. O primeiro objetivo da reden&ccedil;&atilde;o &eacute; recriar nos homens um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o novo&rdquo;, capaz de ser um cora&ccedil;&atilde;o imaculado que pode escutar totalmente a Palavra eterna de Deus. Essa &eacute; a dignidade do crist&atilde;o, &ldquo;nova criatura&rdquo;. Ouvimos a Carta aos Ef&eacute;sios: em Cristo, Deus &ldquo;escolheu-nos, antes da cria&ccedil;&atilde;o do mundo, para sermos santos e irrepreens&iacute;veis, em caridade, na sua presen&ccedil;a&rdquo; (Efs. 1,4). Sem um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o novo&rdquo;, que se deixa recriar continuamente at&eacute; ser &ldquo;imaculado&rdquo;, n&atilde;o h&aacute; escuta da Palavra. E sem escutar, da forma mais completa em cada momento da nossa caminhada, n&atilde;o h&aacute; an&uacute;ncio da salva&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o haver&aacute; &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Os presb&iacute;teros e os di&aacute;conos s&atilde;o ministros da Palavra. Para a poderem anunciar, devem acolh&ecirc;-la de tal modo que ela comece por transformar as suas vidas. Sem um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o novo&rdquo;, n&atilde;o haver&aacute; an&uacute;ncio renovador. Esta renova&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, concedida a todos os crist&atilde;os no Batismo e na Confirma&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma gra&ccedil;a pr&oacute;pria do Sacramento da Ordem, porque o cora&ccedil;&atilde;o de um sacerdote deve acolher a Palavra para, ao anunci&aacute;-la, comunicar o seu poder criador e transformador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Podemos contemplar em Maria as atitudes b&aacute;sicas deste cora&ccedil;&atilde;o renovado. Antes de mais, a obedi&ecirc;ncia, isto &eacute;, a completa sintonia da vontade pr&oacute;pria com o des&iacute;gnio de Deus que nos &eacute; revelado. &ldquo;Eu sou a Serva do Senhor, fa&ccedil;a-se em mim segundo a Tua Palavra&rdquo; (Lc. 1,38). E Isabel percebeu que essa era a atitude de Maria, a total obedi&ecirc;ncia &agrave; Palavra de Deus: &ldquo;Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor&rdquo; (Lc. 1,45).<\/p>\n<p>Esta obedi&ecirc;ncia &agrave; Palavra, que hoje nos &eacute; comunicada pela Igreja, &eacute; atitude decisiva no exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio ordenado. A obedi&ecirc;ncia situa-nos no plano de querer sempre realizar o plano de Deus, que nos &eacute; expresso pela Igreja, e n&atilde;o os nossos planos e a nossa maneira pessoal de ver as coisas. A primeira atitude que a obedi&ecirc;ncia nos pede &eacute; aceitar e amar esse plano que nos &eacute; pedido. Sem amarmos o que nos &eacute; pedido, n&atilde;o h&aacute; verdadeira obedi&ecirc;ncia. No nosso minist&eacute;rio temos de imitar a &ldquo;Serva do Senhor&rdquo;, abdicar da nossa vontade, para amar a vontade de Deus, expressa pela Igreja. N&atilde;o nos ordenamos para fazer o que gostamos; &eacute; preciso aprender a gostar de tudo o que a Igreja nos pede. Quem obedece acerta sempre, quem ordena, em nome da Igreja, deve procurar interpretar, o melhor poss&iacute;vel, o plano de Deus, em cada tempo e circunst&acirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Uma outra atitude de Maria que pode inspirar a nossa fidelidade &eacute; o seu amor virginal. A virgindade n&atilde;o &eacute; nega&ccedil;&atilde;o, mas abertura &agrave;s realidades novas. A virgindade sacerdotal n&atilde;o pode ser vista como nega&ccedil;&atilde;o, nem da sexualidade e da afetividade e de toda a capacidade humana de amar, mas como uma outra maneira de amar, fruto do poder criador da Palavra, quando esta &eacute; plenamente escutada e acolhida. &Eacute; imposs&iacute;vel viver esta maneira nova de amar, se n&atilde;o se escuta plenamente a Palavra, pois s&oacute; ela criar&aacute; em n&oacute;s um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o novo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Esta aventura da escuta da Palavra &eacute; uma longa caminhada, percorrida na f&eacute; e na humildade, at&eacute; &agrave;quele dia em que a escutaremos plenamente no seio do Pai. Mas cada passo em frente nesta transforma&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, &eacute; j&aacute; fonte de uma grande alegria.<\/p>\n<p>J&aacute; o Profeta Isa&iacute;as, a quem Deus deu o dom de escutar a Palavra, exclamava: &ldquo;Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus&rdquo; (Is. 61,10). Essa &eacute;, tamb&eacute;m, a resposta de Maria: &ldquo;A minha alma glorifica o Senhor e o meu esp&iacute;rito se alegra em Deus, meu Salvador&rdquo; (Lc. 1,47).<\/p>\n<p>O nosso Povo diz que &ldquo;um santo triste &eacute; um triste santo&rdquo;. Queridos ordinandos, sede felizes, abri o vosso cora&ccedil;&atilde;o renovado &agrave; alegria que tem a sua fonte em Deus e que Ele nos transmite sempre que acolhemos a sua Palavra, a Jesus Cristo, o seu Verbo encarnado.<\/p>\n<p>Neste dia da vossa ordena&ccedil;&atilde;o, quando eu pr&oacute;prio celebro este ano 50 anos da minha ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal, dirijo com f&eacute; e amor &agrave; Mulher do &ldquo;Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado&rdquo; esta prece por mim e por v&oacute;s: Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria, dai-nos o dom de um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o novo&rdquo;, ensinai-nos a desejar um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o imaculado&rdquo;, para podermos escutar, cada vez mais profundamente, a vossa Palavra. Fa&ccedil;o-vos, Senhora, esta prece, confiado na garantia que nos destes em F&aacute;tima: &ldquo;O meu Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o triunfar&aacute;&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Dai-nos, Senhor, um cora&ccedil;&atilde;o novo&rdquo; Homilia na Missa das Ordena&ccedil;&otilde;es, na mem&oacute;ria lit&uacute;rgica do Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria Mosteiro dos Jer&oacute;nimos, 2 de julho de 2011 &nbsp; 1. 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