{"id":51989,"date":"2011-06-28T13:19:22","date_gmt":"2011-06-28T13:19:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/28\/economia-de-comunhao-um-modelo-para-olhar-para-alem-da-crise\/"},"modified":"2011-06-28T13:19:22","modified_gmt":"2011-06-28T13:19:22","slug":"economia-de-comunhao-um-modelo-para-olhar-para-alem-da-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/economia-de-comunhao-um-modelo-para-olhar-para-alem-da-crise\/","title":{"rendered":"Economia de Comunh\u00e3o, um modelo para olhar para al\u00e9m da crise"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de n&atilde;o ser ainda claro em que fase da crise estamos, principalmente quando assistimos ao desmoronamento financeiro de diversos Estados, h&aacute; uma conclus&atilde;o que j&aacute; se pode tirar destes &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos: a economia globalizada cria enormes oportunidades para gerar riqueza, mas produz tamb&eacute;m novos custos, entre os quais uma radical incerteza e fragilidade dos sistemas financeiros, e maiores desequil&iacute;brios sociais. H&aacute; que ter consci&ecirc;ncia que as crises ser&atilde;o parte estrutural do sistema que estamos a criar, ou seja a regra e n&atilde;o a exce&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que este &eacute; o pre&ccedil;o que devemos pagar &agrave; nova economia global e telem&aacute;tica. A crise &#8211; como nova condi&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria &#8211; cria tamb&eacute;m problemas &eacute;ticos e no plano da justi&ccedil;a, pois muitas vezes as consequ&ecirc;ncias das crises v&atilde;o recair em setores sociais diferentes daqueles que as geraram, e normalmente muito mais pobres. &Eacute; por este motivo que, hoje, o tema da justi&ccedil;a social &eacute; tamb&eacute;m o tema dominante da nova economia. Vemo-lo no M&eacute;dio Oriente (n&atilde;o devemos esquecer que a revolu&ccedil;&atilde;o destes &uacute;ltimos meses foi desencadeada por quest&otilde;es de justi&ccedil;a econ&oacute;mica) e penso que, nos pr&oacute;ximos anos, iremos v&ecirc;-lo ainda mais nos Pa&iacute;ses &aacute;rabes, mas tamb&eacute;m na China e na &Iacute;ndia onde, na altura em que a liberdade individual e a democracia emergirem, deixar&aacute; de ser tolerada a enorme desigualdade que hoje se constata nestes novos colossos. Tenho a convic&ccedil;&atilde;o de que est&aacute; a amadurecer no mundo uma crescente intoler&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; desigualdade, tanto dentro dos pr&oacute;prios Pa&iacute;ses como entre Pa&iacute;ses. &Eacute; como se o homem p&oacute;s-moderno, informado e global, depois da democracia pol&iacute;tica, esteja a come&ccedil;ar agora a reclamar seriamente tamb&eacute;m a democracia econ&oacute;mica, e parece ter-se apercebido, com esfor&ccedil;o e com demora, que a democracia econ&oacute;mica &eacute; parte essencial da democracia pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>O mercado, de facto, sendo um &acirc;mbito da vida em comum que se rege pela regra &aacute;urea da m&uacute;tua vantagem, n&atilde;o consegue garantir por si s&oacute; a justi&ccedil;a distributiva. Pelo contr&aacute;rio, em certo sentido, se n&atilde;o &eacute; acompanhado por outros princ&iacute;pios e institui&ccedil;&otilde;es coessenciais, com o passar do tempo, o mercado tende a aumentar as desigualdades. Por um lado, o mercado &eacute; o lugar da liberdade e da criatividade, depende dos talentos individuais e os talentos n&atilde;o s&atilde;o distribu&iacute;dos de maneira uniforme na popula&ccedil;&atilde;o; por outro lado, na competi&ccedil;&atilde;o do mercado n&atilde;o partimos todos da mesma linha, e quem tem mais hoje (bens, instru&ccedil;&atilde;o, oportunidades&hellip;) tende a ter ainda mais no futuro.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o que fazer?<\/p>\n<p>No dia 29 de maio de 2011 celebrou-se o 20&ordm; anivers&aacute;rio da Economia de Comunh&atilde;o (EdC), o projeto econ&oacute;mico lan&ccedil;ado, no Brasil, por Chiara Lubich, no mesmo m&ecirc;s em que Jo&atilde;o Paulo II tinha publicado a <em>Centesimus annus<\/em>, enc&iacute;clica lida e meditada pela Chiara durante a viagem que a levou de Roma a S. Paulo. Por esta ocasi&atilde;o, 630 representantes do mundo da EdC, de 37 pa&iacute;ses, encontraram-se em S&atilde;o Paulo, de 25 a 29 de maio, para fazer o balan&ccedil;o dos primeiros vinte anos do projeto, e principalmente para olharem para os pr&oacute;ximos vinte, como dizia com eloqu&ecirc;ncia o log&oacute;tipo escolhido para o evento: &ldquo;Brasil 1991 2011 2031&rdquo; (<a href=\"http:\/\/www.edc-online.org\/\">www.edc-online.org<\/a>). A mensagem lan&ccedil;ada por Chiara Lubich naquela viagem brasileira, est&aacute; hoje bem viva, madura e cresce na hist&oacute;ria. &Eacute; uma mensagem que ultrapassa as comunidades dos Focolares na qual a EdC nasceu, como bem percebeu Bento XVI que a indicou na <em>Caritas in Veritate<\/em> (n. 36) como uma experi&ecirc;ncia a ser desenvolvida e difundida na economia de hoje.<\/p>\n<p>A mensagem da EdC &eacute; simples e clara: a empresa deve ser, antes de tudo, um instrumento e um lugar de inclus&atilde;o e de comunh&atilde;o que, enquanto produtora de riqueza, se ocupa tamb&eacute;m de a distribuir, sendo, portanto, um lugar de justi&ccedil;a. O projeto EdC (que hoje envolve cerca de 800 empresas no mundo inteiro) prop&otilde;e &agrave;s empresas, de todas as formas jur&iacute;dicas e dimens&otilde;es, que partilhem os lucros de acordo com tr&ecirc;s objetivos: o crescimento da empresa, a forma&ccedil;&atilde;o cultural (sobretudo de jovens) e a cria&ccedil;&atilde;o de projetos de desenvolvimento para a ajuda direta a pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de necessidade. Se queremos que a democracia econ&oacute;mica e a justi&ccedil;a distributiva cres&ccedil;am, n&atilde;o podemos e n&atilde;o devemos confiar unicamente nos Estados e nos Governos. Deve ser a pr&oacute;pria empresa, com o est&iacute;mulo da sociedade civil e dos cidad&atilde;os, a evoluir e a ocupar-se de coisas novas. A empresa n&atilde;o se pode limitar a funcionar nos limites da lei, a pagar os impostos (quando os paga), e fazer um pouco de filantropia para fidelizar os clientes e os stakeholders. Nesta nova fase de economia globalizada &eacute; pedido mais &agrave; empresa, muito mais, se queremos que a sociedade civil considere a empresa e a economia como aliadas do Bem comum. A alba da modernidade (sobretudo os s&eacute;culos XIX e XX) foi caracterizada por uma clara divis&atilde;o de trabalho entre Estado e empresa, entre pol&iacute;tica e economia: a empresa produz riqueza e o Estado redistribui essa riqueza segundo crit&eacute;rios de justi&ccedil;a e de solidariedade. A empresa criava os &ldquo;bolos&rdquo; e o Estado definia as dimens&otilde;es e os destinat&aacute;rios das &ldquo;fatias&rdquo;. Tanto as empresas, como o Estado, ou os &ldquo;pobres&rdquo;, tinham em comum uma forte liga&ccedil;&atilde;o com o territ&oacute;rio nacional. Atualmente j&aacute; n&atilde;o &eacute; assim porque, por um lado as empresas (sobretudo as grandes) pagam os impostos onde querem (j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o vinculadas a um territ&oacute;rio), e por outro lado podemos perceber que a pobreza n&atilde;o se resolve dando uma &ldquo;fatia de bolo&rdquo; que outros produziram, mas incluindo na produ&ccedil;&atilde;o do &ldquo;bolo&rdquo; quem est&aacute; exclu&iacute;do, caso contr&aacute;rio cria-se s&oacute; paternalismo e depend&ecirc;ncia. H&aacute; que pensar que um indigente que recebe ajuda permanece sempre um indigente, n&atilde;o uma pessoa livre e independente, at&eacute; que n&atilde;o se torne protagonista da pr&oacute;pria vida e dos pr&oacute;prios projetos.<\/p>\n<p>Seja bem-vindo ent&atilde;o o anivers&aacute;rio da EdC, se for uma ocasi&atilde;o para recordar &agrave;s empresas esta necessidade de evolu&iacute;rem de uma econo-MIA [econo-minha, em italiano] a uma econo-NOSSA, onde a fr&aacute;gil &aacute;rvore da democracia e dos direitos n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o seja amea&ccedil;ada pela economia financeira e globalizada, mas onde a economia se torne <em>ancilla democratiae<\/em>, aliada da liberdade substancial das pessoas e dos povos e, como tal, uma economia de comunh&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Luigino Bruni, presidente da Comiss&atilde;o Central de EdC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de n&atilde;o ser ainda claro em que fase da crise estamos, principalmente quando assistimos ao desmoronamento financeiro de diversos Estados, h&aacute; 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