{"id":51983,"date":"2011-06-28T12:51:06","date_gmt":"2011-06-28T12:51:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/28\/50-anos-de-padre-de-lamego-ao-algarve\/"},"modified":"2011-06-28T12:51:06","modified_gmt":"2011-06-28T12:51:06","slug":"50-anos-de-padre-de-lamego-ao-algarve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/50-anos-de-padre-de-lamego-ao-algarve\/","title":{"rendered":"50 anos de padre, de Lamego ao Algarve"},"content":{"rendered":"<p>O bispo em\u00e9rito da diocese do Algarve, D. Manuel Madureira Dias, celebrou a 25 de junho, em \u00c9vora, as suas bodas de ouro sacerdotais. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o prelado lembra o seu percurso vocacional <!--more--> <\/p>\n<p>O bispo em&eacute;rito da diocese do Algarve, D. Manuel Madureira Dias, celebrou a 25 de junho, em &Eacute;vora, as suas bodas de ouro sacerdotais. O prelado de 75 anos foi homenageado na regi&atilde;o onde deu os primeiros passos como padre, a 25 de junho de 1961.<\/p>\n<p>D. Manuel Madureira Dias, nasceu em Tarouquela, Cinf&atilde;es, na diocese de Lamego, a 7 de janeiro de 1936. Depois de concluir os seus estudos e o respetivo percurso vocacional, foi institu&iacute;do presb&iacute;tero pela m&atilde;o de D. Manuel Trindade Salgueiro, na bas&iacute;lica metropolitana de &Eacute;vora.<\/p>\n<p>Entre 1961 e 1988, D. Manuel Madureira Dias desempenhou diversas fun&ccedil;&otilde;es naquela diocese, como as de p&aacute;roco de Elvas e vig&aacute;rio episcopal para a pastoral. Foi depois escolhido pelo Papa Jo&atilde;o Paulo II para o cargo de bispo do Algarve, responsabilidade que assumiu durante 16 anos.<\/p>\n<p>Em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, o prelado lembra o seu percurso vocacional, que inclui crises, paix&otilde;es ut&oacute;picas e uma longa viagem de Cinf&atilde;es para &Eacute;vora, aos 13 anos de idade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Foi ordenado padre a 25 de junho de 1961, passados 50 anos ainda se recorda como estava nesse dia? Estava nervoso ou ansioso?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Manuel Madureira Dias (MMD) &ndash;<\/em> Ansioso n&atilde;o direi, mas um pouco excitado e nervoso sim. Foi um passo que &eacute; sempre dif&iacute;cil de dar, n&atilde;o obstante ter sido dado de forma decidida, firme e preparada. Foram doze anos de semin&aacute;rio com um objetivo a alcan&ccedil;ar. N&atilde;o foi nada de inesperado, mas algo &ndash; uma realidade marcante na minha vida &ndash; que d&aacute; sempre um pouco de medo, receio e apreens&atilde;o do que vir&aacute; a ser a correspond&ecirc;ncia no futuro e isso traz alguma inquietude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Alguma vez hesitou?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Durante o tempo de semin&aacute;rio sim. V&aacute;rias vezes. Uma ainda bastante cedo, por volta do primeiro ou segundo ano de filosofia &ndash; na altura t&iacute;nhamos um curr&iacute;culo de filosofia (3 anos) e teologia (4 anos) separados &ndash; e lembro-me que &#8211; suponho que foi nas primeiras f&eacute;rias grandes &#8211; tive grandes lutas, comigo pr&oacute;prio, de indecis&atilde;o, incerteza e interroga&ccedil;&atilde;o. Quando vim de f&eacute;rias para o semin&aacute;rio tive de apresent&aacute;-las a algu&eacute;m que me orientasse porque estava um bocado desorientado.<\/p>\n<p>Tive outra muito perto do fim do curso &ndash; um ano antes da ordena&ccedil;&atilde;o &ndash; onde entrei num nervosismo e hesita&ccedil;&atilde;o muito grande, relativamente &agrave;s d&uacute;vidas que se me apresentavam. Questionava-me se seria ou n&atilde;o capaz de levar por diante os compromissos que ia assumir. Esta situa&ccedil;&atilde;o deu-me um certo desgaste f&iacute;sico que me alterou um pouco a harmonia da sa&uacute;de.<\/p>\n<p>A hesita&ccedil;&atilde;o levou-me, inclusivamente, a n&atilde;o pedir o grau de subdiaconado na hora que os meus colegas pediram. Depois aconselhei-me &ndash; falei com quem devia falar &ndash; tranquilizei-me e na hora pr&oacute;pria acabei por decidir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Alguma rapariga se atravessou nesse caminho vocacional?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Ningu&eacute;m se atravessou no caminho. Eu &eacute; que senti o toque-toque do cora&ccedil;&atilde;o, em determinadas &eacute;pocas da vida. Quando referi o caso que aconteceu no fim do primeiro ano de filosofia, precisamente, a&iacute; houve uma crise afetiva. Somente minha, sem testemunh&aacute;-la &agrave; rapariga pela qual &ndash; dir&iacute;amos assim &ndash; me apaixonei utopicamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Uma paix&atilde;o plat&oacute;nica?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Mas de qualquer modo suficiente para me tirar as energias de uma decis&atilde;o firme.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Sendo natural de Cinf&atilde;es (diocese de Lamego), qual a raz&atilde;o que o levou para &Eacute;vora? <\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> A raz&atilde;o tem uma hist&oacute;ria. A vinda de candidatos ao sacerd&oacute;cio da minha terra (Tarouquela, concelho de Cinf&atilde;es) para &Eacute;vora deu-se devido a um seminarista de Lamego que saiu do semin&aacute;rio de Lamego em determinada altura. Ele queria ser padre e foi ter com D. Manuel Mendes da Concei&ccedil;&atilde;o Santos a Entre-os-Rios &#8211; onde o bispo fazia f&eacute;rias e tratamento termal &ndash; e pediu-lhe se o aceitava no semin&aacute;rio de &Eacute;vora. Foi aceite e foi a primeira pessoa daquela zona que veio para &Eacute;vora estudar. Concluiu o curso, foi prefeito e professor do semin&aacute;rio de &Eacute;vora durante tr&ecirc;s anos, ao fim dos quais morreu com uma tuberculose. Foi ele o chamariz para uma s&eacute;rie de candidatos que acab&aacute;mos por vir. Orden&aacute;mo-nos na diocese de &Eacute;vora sete padres do concelho de Cinf&atilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Um aut&ecirc;ntico viveiro vocacional?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Um viveiro gra&ccedil;as a um rapaz que frequentou o semin&aacute;rio de Lamego e aqu&eacute;m n&atilde;o deram continuidade no curso. Como enveredou para &Eacute;vora, abriu-se um caminho e vim nessa sequ&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Qual foi a rea&ccedil;&atilde;o dos pais quando lhes transmitiu que vinha estudar para &Eacute;vora?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> A hist&oacute;ria da minha voca&ccedil;&atilde;o &eacute; curiosa nesse aspeto porque decidi entrar no semin&aacute;rio sem dizer nada aos meus pais. Tinha 13 anos de idade. Com esta idade, combinei vir para o semin&aacute;rio com um seminarista que andava em &Eacute;vora e que se ordenou nesse ano em que eu entrei.<\/p>\n<p>Uma vez combinado com ele que viria para o semin&aacute;rio, cheguei a casa e disse &agrave; minha m&atilde;e a not&iacute;cia. Ela que era uma pessoa muito praticante e religiosa &ndash; com uma f&eacute; muito simples mas muito profunda &ndash; disse-me: &laquo;Oh filho, o que &eacute; que tu fizeste? E agora como vamos manter-te &ndash; referia-se ao aspeto econ&oacute;mico &#8211; no semin&aacute;rio? Ai, o teu pai quando souber o que &eacute; que ele vai dizer?&raquo; (Risos&hellip;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O que &eacute; ele lhe disse?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Quando o meu pai chegou a casa, ela deu-lhe a not&iacute;cia. Ele responde: &laquo;Oh mulher, por causa disso n&atilde;o vai haver problemas. Se n&oacute;s ainda temos d&iacute;vidas de algumas compras que fizemos, temos mais uma&raquo;. Foi assim que se resolveu o problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Os seus pais trabalhavam em que &aacute;rea?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> A m&atilde;e trabalhava na costura e o pai tinha uma oficina de serralheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Imaginavam outro futuro para o filho?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> O normal era que cada filho seguisse as peugadas do seu pai. Era aquilo que estaria taxado para mim, na medida em que &#8211; durante os anos de pr&eacute;-adolesc&ecirc;ncia (11, 12, 13 anos) &ndash; ajudei o meu pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O serralheiro j&uacute;nior dominava a arte?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Nem por isso&hellip; (Risos)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Tinha mais sensibilidade para que &aacute;reas?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> &Eacute; dif&iacute;cil explicar porque vivia num meio muito fechado e muito primitivo. Nunca tinha ido a uma cidade. Vivia numa aldeia sem comunica&ccedil;&otilde;es nenhumas. O meu horizonte era muito limitado &agrave; aldeia. Limitado ao servi&ccedil;o do campo e da serralharia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E brincadeiras?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Isso foi s&oacute; no tempo da escola. Depois desta comecei a trabalhar. Trabalho infantil&hellip; (risos)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Quando apareceram os primeiros sinais para a voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Despontou aos nove anos. Um dia, um professor prim&aacute;rio mandou fazer uma reda&ccedil;&atilde;o &ndash; como ent&atilde;o se dizia &ndash; sobre o nosso futuro. Nessa altura, recordo-me que j&aacute; falei disto. Andava ainda na 3&ordf; classe.<\/p>\n<p>No mesmo ano, o dito seminarista que referi atr&aacute;s encontrou-me numa catequese e fez-me este desafio: &laquo;N&atilde;o querias ir para o semin&aacute;rio?&raquo;. Disse-lhe: &laquo;N&atilde;o, ainda n&atilde;o fiz a 4&ordf; classe&raquo;. Passou esta &eacute;poca e quatro anos depois disto, fui &agrave; procura dele para lhe dizer que queria vir para o semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Andou a amadurecer o desafio durante quatro anos?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Sim. Nessa pr&eacute;-adolesc&ecirc;ncia &eacute; que decidi ir para o semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Vivendo num meio t&atilde;o fechado, foi dif&iacute;cil deixar a fam&iacute;lia e partir para o semin&aacute;rio de Vila Vi&ccedil;osa? Chorou? <\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Chorei quando recebi a primeira carta do meu pai. Chorei por duas raz&otilde;es: primeiro porque foi a primeira carta que recebi em resposta a uma minha que tinha mandado a relatar a viagem e depois porque havia um prefeito &ndash; um padre do semin&aacute;rio &ndash; que quando me viu receber a primeira carta &laquo;meteu-se&raquo; comigo e me provocou. Fiquei em choque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Na altura a rela&ccedil;&atilde;o paternal era diferente. O pai era uma autoridade.<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Era uma autoridade e eu tinha muito respeito e considera&ccedil;&atilde;o pelos meus pais. O meu pai &eacute; que escrevia sempre. Vim para 400 quil&oacute;metros de dist&acirc;ncia e nunca tinha sa&iacute;do da aldeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Recorda-se dessa viagem&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Oh se lembro&hellip; Sai &agrave;s 6 da manh&atilde; de um dia e cheguei &agrave;s duas da madrugada do dia seguinte a Vila Vi&ccedil;osa (risos&hellip;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Foi de carro&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o. Foi de camioneta, comboio e automotora. Todos esses transportes foram utilizados numa &uacute;nica viagem, com paragens de tr&ecirc;s horas nalguns s&iacute;tios. Levava uma mala, tipo ba&uacute;, com as coisas necess&aacute;rias.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &ndash; A educa&ccedil;&atilde;o no semin&aacute;rio era muito diferente da atual, visto que o II Conc&iacute;lio do Vaticano surgiu alguns anos depois? <\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> O II Conc&iacute;lio do Vaticano surgiu quando j&aacute; era padre&hellip; Ao n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o havia muita proximidade com o reitor. Era uma figura um pouco distante e uma figura de recurso, para &uacute;ltima inst&acirc;ncia. Mas com os prefeitos havia proximidade porque eram padres novos e tenho boas recorda&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como &eacute; que um cora&ccedil;&atilde;o duriense se adapta e molda &agrave; vida alentejana?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> A pouco e pouco&hellip; Hoje, sinto o cora&ccedil;&atilde;o muito alentejano. Ali&aacute;s, tenho mais vida de Alentejo do que de outra parte qualquer do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Consegui adaptar-se facilmente aos horizontes da plan&iacute;cie? Ao lado buc&oacute;lico do Alentejo?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Adaptar-me &agrave; pacatez depois dos 75 anos &eacute; f&aacute;cil porque n&atilde;o d&aacute; para muito dinamismo. Mas por feitio e temperamento n&atilde;o sou assim muito para isso. Tinha a minha efervesc&ecirc;ncia quando as coisas n&atilde;o andavam ao ritmo que eu pretendia. Compreendo perfeitamente a situa&ccedil;&atilde;o e gosto do povo alentejano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Em 1961 foi ordenado presb&iacute;tero e passados alguns meses foi anunciado o II Conc&iacute;lio do Vaticano. Foi dif&iacute;cil a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; &laquo;nova primavera&raquo; da Igreja?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Tive a sorte de sair do semin&aacute;rio e ir, imediatamente, para a Universidade, em Roma. O bispo da diocese mandou-me estudar teologia para Roma. De maneira que, quando o conc&iacute;lio come&ccedil;ou j&aacute; estava l&aacute;. Acompanhei um pouco a evolu&ccedil;&atilde;o do pensamento teol&oacute;gico durante o decorrer os trabalhos conciliares. Fui vivendo e absorvendo &ndash; l&aacute; dentro &ndash; o que ia acontecendo e n&atilde;o conheci outra atua&ccedil;&atilde;o minha de padre &ndash; a n&atilde;o ser celebrar a missa em latim &ndash; em tempo antes do conc&iacute;lio.<\/p>\n<p>Estive tr&ecirc;s anos em Roma (regressou em 1964) e o conc&iacute;lio encerrou em 1965. Al&eacute;m disso, fui para o semin&aacute;rio &ndash; onde estive mais seis anos &ndash; e quando fui para a par&oacute;quia de Elvas (em 1970) j&aacute; tinha uma rodagem da doutrina conciliar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Gostou mais do tempo da par&oacute;quia ou do semin&aacute;rio?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Sempre sonhei com a par&oacute;quia. Ali&aacute;s, quis ser padre para ser p&aacute;roco. Foi o lugar onde me senti melhor e mais realizado, apesar de n&atilde;o ser o meio que queria. As minhas utopias e sonhos de rapaz e seminarista era ser p&aacute;roco numa aldeia. Nunca tive essa sorte. Era a&iacute; que eu queria realizar-me como p&aacute;roco&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ao estilo do Cura d&acute;Ars&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o direi tanto. N&atilde;o quero ser pretensioso, nem penso que seja santo como ele. Mas gostava de uma aldeia pequena, onde as pessoas se conhecessem todas e pudesse haver um trabalho de emula&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua. Onde se registasse um caminhar de uma pequena comunidade que fizesse algum progresso, do ponto de vista do aprofundamento da f&eacute;. Foi sempre o meu sonho&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Alguns dos seus livros refletem essas quest&otilde;es: sacramentos da inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, catequeses&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Tive isso como preocupa&ccedil;&atilde;o, sobretudo durante o meu tempo de bispo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E agora n&atilde;o tem?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Agora n&atilde;o tenho destinat&aacute;rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas tem mais tempo dispon&iacute;vel.<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Sim, mas n&atilde;o estou parado&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Atualmente, como ocupa o seu tempo?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o trabalho 24 horas por dia porque n&atilde;o d&aacute;&hellip; Tenho de dormir e gosto muito de dormir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Influ&ecirc;ncias do Alentejo?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o. Nunca fui muito dorminhoco no sentido de ter dificuldade em levantar-me, mas gosto do meu repouso de 7 a 8 horas por dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; J&aacute; escreveu v&aacute;rios livros. N&atilde;o pensa escrever um livro de mem&oacute;rias, visto que tem muitos epis&oacute;dios guardados no computador.<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Na minha vida n&atilde;o sai. N&atilde;o h&aacute; um objetivo suficientemente v&aacute;lido que justifique a publica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas tem muitos epis&oacute;dios para contar. Recentemente, estive em Elvas e muitas pessoas ainda se recordavam de si como p&aacute;roco, apesar de terem passado 40 anos&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Costuma-se dizer que &laquo;n&atilde;o h&aacute; amor como o primeiro&raquo; e o meu amor &uacute;nico paroquial (esteve 8 anos em Elvas) foi aquele. Parecendo que n&atilde;o &ndash; sem ofensa para ningu&eacute;m &ndash; direi que as amizades mais s&oacute;lidas da minha vida est&atilde;o em Elvas. A vida paroquial permite um entrosamento e uma proximidade que nenhuma outra vida permite. Tenho, ainda hoje, grandes amigos do meu tempo de p&aacute;roco que fazem o favor de se manterem amigos e terem manifesta&ccedil;&otilde;es de amizade em qualquer circunst&acirc;ncia da vida. Significa que foram amizades s&oacute;lidas&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Costuma ir a Elvas com frequ&ecirc;ncia?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Vou l&aacute; uma vez de dois em dois meses ou tr&ecirc;s em tr&ecirc;s meses. Normalmente, fazer algum servi&ccedil;o que me pedem: palestra, celebrar uma missa numa data memor&aacute;vel, um batismo de um neto dos meus amigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas, recentemente, fizeram-lhe uma festa em Elvas&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Foi promovido pelas que ent&atilde;o eram crian&ccedil;as da catequese quando fui para a par&oacute;quia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Esteve tamb&eacute;m ligado ao movimento &laquo;O&aacute;sis&raquo;<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Estive enquanto p&aacute;roco. Era um movimento relacionado um pouco com um outro movimento que surgiu na mesma altura, chamado movimento &laquo;Para um Mundo Melhor&raquo;. Estive bastante &laquo;enfronhado&raquo; no movimento &laquo;Para um Mundo Melhor&raquo;, na medida que participei num curso longo &ndash; tr&ecirc;s meses &ndash; na fonte com o padre Lombardi onde estava tamb&eacute;m o padre Rotondi, fundador do &laquo;O&aacute;sis&raquo;.<\/p>\n<p>O movimento &laquo;O&aacute;sis&raquo; era uma esp&eacute;cie de um &laquo;filhote&raquo; do movimento &laquo;Para um Mundo Melhor&raquo;, dedicado ou focado mais nos jovens. Quando era p&aacute;roco, um grupo de jovens quis participar num curso de forma&ccedil;&atilde;o e pedi ajuda a uma equipa do Porto que estava muito virada para o movimento &laquo;O&aacute;sis&raquo;. Foi nessa altura que veio a Elvas um padre e dois seminaristas da diocese do Porto, um dos quais &eacute; o atual D. Carlos Azevedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A pastoral juvenil esteve sempre nas suas prioridades pastorais?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o direi que sou muito vocacionado para jovens, mas tive sempre a preocupa&ccedil;&atilde;o de dar alguma coisa aos jovens que tivesse consist&ecirc;ncia. No Algarve, durante os 16 anos que estive como bispo, insisti bastante e fiz incid&ecirc;ncias de alguma profundidade &agrave; volta do Crisma da juventude por volta dos 17\/18 anos. Eram as idades que preferia para crismar. Criei um certo ambiente &agrave; volta da juventude sem filia&ccedil;&atilde;o nenhuma em movimento algum.<\/p>\n<p>Certo dia, no aeroporto de Lisboa encontrei um rapaz que me disse: &laquo;O senhor bispo n&atilde;o se lembra de mim? O senhor crismou-me&raquo;. Marquei um bocado, os jovens crismandos porque estava com eles antes do Crisma e acompanhava-os depois do Crisma. Isso criou uma din&acirc;mica&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Sei que tirou um curso de filosofia. Qual a raz&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Por birra&hellip; (Risos). Fui convidado para lecionar filosofia na sec&ccedil;&atilde;o liceal de Elvas porque era professor de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica (EMRC). Disse ao reitor da sec&ccedil;&atilde;o liceal: &laquo;N&atilde;o vou, a n&atilde;o ser que o meu bispo me d&ecirc; autoriza&ccedil;&atilde;o porque ele nomeou-me para professor de EMRC e n&atilde;o para professor de filosofia&raquo;. O reitor falou com D. David de Sousa e este disse para eu ir dar a filosofia.<\/p>\n<p>Comecei a lecionar a filosofia no ano letivo de 1972\/73. Deu-se o 25 de Abril de 1974 e eu que tinha habilita&ccedil;&atilde;o para dar filosofia, deixei de ter. Disse para comigo: &laquo;Por raz&otilde;es de falta de habilita&ccedil;&otilde;es n&atilde;o h&aacute; de ser e fui fazer o curso para Coimbra&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Com uma vida t&atilde;o preenchida, sentiu dificuldades?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> O desenvolvimento do racioc&iacute;nio estava feito, tal como bastantes conhecimentos da hist&oacute;ria da filosofia. S&oacute; que fui para Coimbra numa &eacute;poca em que a mentalidade era outra. Entre 1976 e 1980, reinava o marxismo que era a ideologia das universidades. Tive de estudar coisas que nunca tinha estudado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O marxismo influenciou-o?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Influenciou&hellip; (Riso). N&atilde;o no sentido revolucion&aacute;rio do marxismo, mas enquanto ilustra&ccedil;&atilde;o de um modo de pensar as coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Sem esquecer que estava no Alentejo.<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Em Elvas, nunca senti problemas nem com o Partido Comunista nem com essas &laquo;coisas&raquo;. Houve l&aacute; uma lista de 30 pessoas abater que correu pela cidade e eu n&atilde;o fazia parte dela. N&atilde;o abateram nenhuma, mas era o terrorismo&#8230; Nunca fui grande revolucion&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Sempre foi pacato?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> J&aacute; sou. Outrora era um bocado vigoroso e, porventura, at&eacute; desabrido e violento nas primeiras rea&ccedil;&otilde;es. No sentido psicol&oacute;gico era prim&aacute;rio e muito prim&aacute;rio. Agora n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como conseguiu moldar a sua personalidade?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o sei se consegui, se foi a provid&ecirc;ncia que se encarregou disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Em abril de 1988 &eacute; nomeado bispo do Algarve. J&aacute; esperava? Foi surpresa? J&aacute; tinha ouvido zunzuns? <\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> J&aacute; tinha ouvido um zunzum. Fiz uma opera&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica &ndash; um ano antes da ordena&ccedil;&atilde;o episcopal &ndash; e estava no p&oacute;s-operat&oacute;rio, no hospital ainda, e tive uma visita do cardeal patriarca de Lisboa, D. Ant&oacute;nio Ribeiro, que me surpreendeu sumamente. Por duas raz&otilde;es: primeiro, porque n&atilde;o tinha nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com ele e, segundo, porque me parece que o D. Ant&oacute;nio Ribeiro n&atilde;o era dessas visitas. Mas n&atilde;o percebi nada&hellip; Quando cheguei a casa, recebi um telefonema de um jornalista que me diz: &laquo;Ent&atilde;o &eacute; o senhor que vem para bispo auxiliar de Lisboa?&raquo;. Respondi-lhe: &laquo;Eu?&raquo;. Foi o primeiro zunzum que ouvi &ndash; isto foi em dezembro -, acontece que depois ouvi mais uns zunzuns.<\/p>\n<p>Em mar&ccedil;o do ano seguinte sou chamado &agrave; Nunciatura e, a&iacute;, &eacute;-me comunicado. &Eacute;-me comunicado, n&atilde;o me perguntam&hellip; Respondi aquilo que entendia e procurei por as obje&ccedil;&otilde;es que pensei que davam efeito. O n&uacute;ncio conclui desta forma: &laquo;O senhor tem as suas raz&otilde;es e eu tenho as minhas&raquo;. Quando pensava que era para auxiliar de qualquer coisa era para residencial do Algarve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Tremeu?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Tremi e pedi para que n&atilde;o viesse nessa qualidade de residencial. Que viesse como auxiliar ou coadjutor para me exercitar algum tempo. Conclui que a visita do cardeal patriarca foi para saber da gravidade da minha sa&uacute;de porque ele perguntou ao cirurgi&atilde;o se a doen&ccedil;a era cancerosa ou n&atilde;o? Caso fosse n&atilde;o me imporiam as m&atilde;os&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Inicialmente vacilou, mas adaptou-se com facilidade ao Algarve?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o foi t&atilde;o f&aacute;cil. Achei uma grande diferen&ccedil;a entre o Algarve e o Alentejo. Depois fui entrando na engrenagem&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; No territ&oacute;rio algarvio, a pastoral do turismo foi uma das apostas?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas escreveu v&aacute;rias notas pastorais sobre o assunto.<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Tinha uma vis&atilde;o do turismo talvez um bocado desfocada em rela&ccedil;&atilde;o a outras vis&otilde;es. Para mim, o turismo &ndash; pastoralmente falando &ndash; tinha interesse pela parte do dinamismo que se imprimisse aos residentes. Aqueles que passam 15 dias no Algarve pouca influ&ecirc;ncia poder&atilde;o receber da Igreja, a n&atilde;o ser ocasionalmente. Agora se encontrarem gente do Algarve com forma&ccedil;&atilde;o, exig&ecirc;ncia e d&aacute; testemunho de vida, nessa altura vale mais isso tudo do que um encontro espor&aacute;dico.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso &eacute; que nos hot&eacute;is, pens&otilde;es, restaurantes &ndash; lugares dos turistas &ndash; se encontrem pessoas com forma&ccedil;&atilde;o e exig&ecirc;ncia de valores crist&atilde;os. Essa &eacute; que era a minha preocupa&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica. N&atilde;o era t&atilde;o diretamente lan&ccedil;ada ou virada para os v&ecirc;m, mas para os que est&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos que v&ecirc;m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Pediu a resigna&ccedil;&atilde;o muito cedo?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> N&atilde;o. Foi na altura pr&oacute;pria. O meu antecessor saiu com a idade com que eu sai e ningu&eacute;m falou nisso. Ele tamb&eacute;m saiu com 66 anos de idade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A idade para se pedir a resigna&ccedil;&atilde;o &eacute; aos 75 anos&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Quando se tem sa&uacute;de. N&atilde;o foi o meu caso. Na altura tive problemas card&iacute;acos e circulat&oacute;rios que me provocaram muita perda de energias. Pedi um auxiliar, precisamente por isso.<\/p>\n<p>Ao cabo de quatro anos (per&iacute;odo de tempo que teve um bispo auxiliar, D. Manuel Quintas) entendi que era chegada a hora: primeiro, de passar a pasta e, segundo, ir descansar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Para o Alentejo. Nunca pensou voltar para a terra natal?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash;<\/em> Desde que nos faltam os pais, a quest&atilde;o da terra j&aacute; n&atilde;o &eacute; a mesma coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Apanhou v&aacute;rios pontificados, qual o Papa que o marcou mais?<\/em><\/p>\n<p><em>MMD &ndash; <\/em>&Eacute; uma pergunta de dif&iacute;cil resolu&ccedil;&atilde;o. O pontificado de Jo&atilde;o Paulo II foi o mais longo. Foi ele que me nomeou e aceitou a minha resigna&ccedil;&atilde;o. Dir&iacute;amos que &eacute; o Papa do meu episcopado.<\/p>\n<p>Admiro muito o Papa Paulo VI, pela solidez da sua doutrina e pela coragem que ele teve no conc&iacute;lio e no p&oacute;s-conc&iacute;lio.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bispo em\u00e9rito da diocese do Algarve, D. Manuel Madureira Dias, celebrou a 25 de junho, em \u00c9vora, as suas bodas de ouro sacerdotais. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o prelado lembra o seu percurso vocacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[92,127,168,174,175,176,185,187,194,267,280,294,320],"class_list":["post-51983","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-25-de-abril","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-evora","tag-diocese-de-lamego","tag-diocese-do-algarve","tag-diocese-do-porto","tag-emrc","tag-natal","tag-pastoral-juvenil","tag-sacramentos","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51983\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}