{"id":51889,"date":"2011-06-21T10:53:19","date_gmt":"2011-06-21T10:53:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/21\/um-rumo-solidario\/"},"modified":"2011-06-21T10:53:19","modified_gmt":"2011-06-21T10:53:19","slug":"um-rumo-solidario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-rumo-solidario\/","title":{"rendered":"Um rumo solid\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Padre Lino Maia, presidente da CNIS <!--more--> <\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Talvez mais do que o &ldquo;plano de recupera&ccedil;&atilde;o&rdquo; tra&ccedil;ado pela troika, tr&ecirc;s ideias se destacaram durante a recente campanha eleitoral: renegocia&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida, liberalismo e estado social.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Deixando para outros o tema da renegocia&ccedil;&atilde;o ou do pagamento da d&iacute;vida, importa enfrentar os outros temas porque, indubitavelmente, ser&atilde;o dominantes no futuro, tanto mediato como imediato.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Quantos se op&otilde;em ao liberalismo tamb&eacute;m desejam caminhos de prosperidade, com gera&ccedil;&atilde;o da riqueza que est&aacute; no potencial de trabalho; por&eacute;m, temem que a aus&ecirc;ncia de um estado regulador e interventor seja campo para injusti&ccedil;as e explora&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem, com o abandono de pol&iacute;ticas humanistas e o consequente e inevit&aacute;vel agravamento das desigualdades. Quantos p&otilde;em em causa o &ldquo;estado social&rdquo;, tal como se tem vindo a desenhar, anteveem o seu colapso, pelo que, no m&iacute;nimo, assim pensam, ele tem de ser redimensionado. Para al&eacute;m da sua preocupante sustentabilidade, entre n&oacute;s o estado social n&atilde;o tem sido suficiente promotor da cria&ccedil;&atilde;o de riqueza, e, provavelmente &aacute; custa dele, tem crescido algum alheamento e algum irrealismo e nem sempre ele ter&aacute; feito um percurso pelas vias da justi&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Portugal est&aacute; carecido de um rumo. Liberalizante ou socializante?<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">De rumo assente em pilares. Definidos, est&aacute;veis e envolventes.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">O primeiro pilar em que tem de assentar o rumo para Portugal &eacute; a pessoa. N&atilde;o o mercado. A pessoa toda e todas as pessoas. Tudo &eacute; movimentado pelas pessoas e tudo deve estar ao servi&ccedil;o das pessoas e da sua plena express&atilde;o. Se s&atilde;o as pessoas que sentem a crise, s&atilde;o tamb&eacute;m as pessoas o elemento determinante para ultrapassar eficazmente momentos menos bons e encontrar caminhos de futuro para todos.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Um outro pilar &eacute; o da promo&ccedil;&atilde;o da autonomia e cidadania das pessoas. A causa comum &eacute; constru&ccedil;&atilde;o envolvente de todos. Se um estado solid&aacute;rio tem de estar atento aos mais carenciados e aos de condi&ccedil;&atilde;o diferente e em seu favor canalizar recursos para assegurar a defesa da sua dignidade, &agrave; custa do estado social tem-se optado excessivamente pela continuada distribui&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios, muitas vezes fomentadores da habitua&ccedil;&atilde;o e da depend&ecirc;ncia porque isentos de programas na sua temporalidade para a promo&ccedil;&atilde;o da autonomia. Isso faz de cada &ldquo;beneficiado&rdquo; uma fonte infinda de direitos e um alheado abstencionista de deveres, tanto em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prio como aos demais. A pessoa s&oacute; tem plena consci&ecirc;ncia da sua dignidade de pessoa no exerc&iacute;cio da sua autonomia solid&aacute;ria. Tamb&eacute;m na promo&ccedil;&atilde;o da cidadania aliada a uma necess&aacute;ria autonomia solid&aacute;ria estar&aacute; a melhor via de reativa&ccedil;&atilde;o de uma economia ao servi&ccedil;o de um melhor &ldquo;ordenamento da casa humana&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Um terceiro pilar, mas n&atilde;o de menor import&acirc;ncia, &eacute; o da educa&ccedil;&atilde;o. Apesar de quase s&oacute; se pensar na escola ao falar de educa&ccedil;&atilde;o, inicialmente, todavia, a educa&ccedil;&atilde;o desenvolve-se na fam&iacute;lia, sem falar desse &ldquo;meio-termo&rdquo; que &eacute; constitu&iacute;do pela rua, o desporto, os movimentos de juventude, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a comunidade e as igrejas. Pensa-se no ensino, como se a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fosse simultaneamente f&iacute;sica, est&eacute;tica, moral, afetiva, t&eacute;cnica e intelectual. Pensa-se na crian&ccedil;a, mas tamb&eacute;m os adultos est&atilde;o a educar-se sem cessar, mesmo que n&atilde;o seja sen&atilde;o pela experi&ecirc;ncia da vida. Como dizia Plat&atilde;o, &ldquo;s&atilde;o necess&aacute;rios cinquenta anos para fazer um homem&rdquo;. &Eacute; necess&aacute;rio utilizar o termo educa&ccedil;&atilde;o no sentido total. Mutil&aacute;-lo &eacute; mutilar o homem. Educar envolve colocar o educando no meio em que vive, mostrar-lhe as linhas de evolu&ccedil;&atilde;o do que aconteceu antes e provocar-lhe o desejo de ser delas um agente continuador. Come&ccedil;a nos primeiros meses de vida e &eacute;, simultaneamente, um processo e o seu resultado. &Eacute; a a&ccedil;&atilde;o consciente que permite a um ser humano desenvolver as suas aptid&otilde;es f&iacute;sicas e intelectuais bem como os seus sentimentos sociais, est&eacute;ticos e morais, com o objetivo de cumprir, tanto quanto poss&iacute;vel, a sua miss&atilde;o como homem ou mulher, que n&atilde;o se limita a um conjuntural e temporal contexto; &eacute; tamb&eacute;m o resultado desta a&ccedil;&atilde;o. Recorrendo &agrave; raiz latina da palavra, a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a alimenta&ccedil;&atilde;o ao mesmo tempo espiritual e material de que todo o ser necessita para se afirmar na vida pessoal e social que o espera. Se o Estado tem de assegurar condi&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o para todos, s&atilde;o as fam&iacute;lias os primeiros agentes e tamb&eacute;m a quem assiste o direito e o dever da escolha.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Um outro pilar &eacute; o da sa&uacute;de. Cuidar da sa&uacute;de dos cidad&atilde;os &eacute; uma das primeiras obriga&ccedil;&otilde;es de qualquer estado. E garantir condi&ccedil;&otilde;es e meios de sa&uacute;de para todos, desde a conce&ccedil;&atilde;o &agrave; morte natural, &eacute; sua indeclin&aacute;vel obriga&ccedil;&atilde;o, seja num estado liberalizante ou num estado socializante. Universalidade associada indelevelmente a gratuitidade pode gerar consumismos abusivos e despesismos clientelares. Universalidade tanto de meios como de condi&ccedil;&otilde;es e comparticipa&ccedil;&atilde;o ajustada &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de cada um &eacute; uma via de solidariedade e de sustentabilidade.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Um quinto pilar &eacute; o da habita&ccedil;&atilde;o e ambiente. Cada vez mais o homem ser&aacute; o seu ser mas ser&aacute; tamb&eacute;m a sua circunst&acirc;ncia. As circunst&acirc;ncias deficientes desmotivam enquanto as boas circunst&acirc;ncias potencializam. Requalificar, quando conveniente e necess&aacute;rio, e valorizar sempre e envolver sempre, cada um e todos, como agentes da requalifica&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o, ser&atilde;o meios e, simultaneamente, objetivos.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Finalmente, um outro pilar &eacute; o da fam&iacute;lia. Inquestionavelmente, um pilar fundamental. Com a muito honrosa exce&ccedil;&atilde;o da Igreja, &eacute; um facto que a fam&iacute;lia tem estado bastante afastada dos f&oacute;runs e das pol&iacute;ticas. Desde sempre, a fam&iacute;lia acaba por surgir como um lugar onde se aprende a viver, a ser e a estar, e onde se come&ccedil;a o processo de consciencializa&ccedil;&atilde;o dos valores sociais inerentes &agrave; sociedade e sem os quais esta n&atilde;o consegue subsistir. Ela &eacute; o primeiro espa&ccedil;o onde cada indiv&iacute;duo se insere e espa&ccedil;o essencial na promo&ccedil;&atilde;o do ser pessoa. &Eacute; a&iacute; onde tudo come&ccedil;a e para onde tudo deve convergir. &Eacute; neste contexto que a pessoa se consciencializa, se inicia no processo de socializa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e &eacute; levada &agrave; articula&ccedil;&atilde;o com a comunidade. &Eacute; no seio familiar que se faz a transmiss&atilde;o de valores, costumes e tradi&ccedil;&otilde;es entre gera&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o h&aacute; futuro para Portugal sem o apoio inequ&iacute;voco &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia e sem a sua determinada e determinante prote&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Op&ccedil;&atilde;o liberalizante ou socializante talvez n&atilde;o seja a quest&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt;\">Portugal s&oacute; tem futuro com um rumo solid&aacute;rio assente em bons pilares. Definidos, est&aacute;veis e envolventes.<\/p>\n<p style=\"line-height: 12.6pt; text-align: right;\"><em>Lino Maia, presidente da CNIS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Lino Maia, presidente da CNIS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[133,187,191,314],"class_list":["post-51889","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-cnis","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51889"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51889\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}