{"id":51888,"date":"2011-06-21T10:51:45","date_gmt":"2011-06-21T10:51:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/21\/a-realidade-como-ponto-de-partida-para-os-novos-caminhos\/"},"modified":"2011-06-21T10:51:45","modified_gmt":"2011-06-21T10:51:45","slug":"a-realidade-como-ponto-de-partida-para-os-novos-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-realidade-como-ponto-de-partida-para-os-novos-caminhos\/","title":{"rendered":"A realidade como ponto de partida para os novos caminhos&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Joaquim Cadete, professor da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f3micas e Empresariais da UCP <!--more--> <\/p>\n<p>As propor&ccedil;&otilde;es que o atual caso grego est&aacute; a tomar evidenciam que haver&aacute; pouca condescend&ecirc;ncia por parte dos v&aacute;rios parceiros comunit&aacute;rios na partilha dos custos associados ao nosso processo de reequil&iacute;brio financeiro. Dado que nada fazer n&atilde;o &eacute; op&ccedil;&atilde;o, e que esperar que os outros nos salvem tamb&eacute;m n&atilde;o, importa encontrar novos caminhos. A primeira tarefa passa por ter a coragem de promover uma redu&ccedil;&atilde;o efetiva da despesa p&uacute;blica j&aacute; hoje. O processo implica o anular do despesismo, o repensar das prioridades e inevitavelmente mais redu&ccedil;&otilde;es salariais. Importa referir que cortar sal&aacute;rios n&atilde;o implica necessariamente aus&ecirc;ncia de justi&ccedil;a social &ndash; apenas for&ccedil;a a escolhas devidamente fundamentadas e explicadas publicamente.<\/p>\n<p>Ao n&iacute;vel das empresas, o atual contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o obriga necessariamente a um esbater da tradicional oposi&ccedil;&atilde;o entre patr&otilde;es e trabalhadores. A anula&ccedil;&atilde;o de barreiras alfandeg&aacute;rias, ou de efeitos cambiais, possibilita uma compara&ccedil;&atilde;o direta do pre&ccedil;o de bens similares por parte dos consumidores finais. Face a este processo, a &uacute;nica forma de sobreviver a prazo para as empresas passa pelo refor&ccedil;o da competitividade e da inova&ccedil;&atilde;o. Importa fazer o mesmo com menos recursos e inovar de forma &agrave; apropria&ccedil;&atilde;o de maior margem financeira. No entanto, v&aacute;rios fatores podem limitar seriamente a competitividade de uma ind&uacute;stria: a reduzida flexibilidade do mercado laboral, o excessivo peso do Estado na economia e os elevados custos energ&eacute;ticos e de transporte. A perda de competitividade traduz-se numa incapacidade em vender os bens produzidos domesticamente e consequente encerramento de unidades laborais e deslocaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. Os trabalhadores perdem o emprego que detinham enquanto os patr&otilde;es perdem o capital que investiram. A solu&ccedil;&atilde;o para o problema passa inevitavelmente por uma parceria entre ambos a qual assenta em menores sal&aacute;rios, mais capital para inovar e menos entraves pelo Estado. O n&atilde;o funcionamento da justi&ccedil;a &eacute; uma limita&ccedil;&atilde;o objetiva para o normal desenrolar da atividade econ&oacute;mica e raramente &eacute; alvo de reivindica&ccedil;&atilde;o sindical.<\/p>\n<p>Em termos externos, o futuro pr&oacute;ximo de Portugal passar&aacute; igualmente pelo papel de estabelecer pontes entre a Europa e o mundo Lus&oacute;fono o que implica uma complementaridade da vis&atilde;o europe&iacute;sta com o atlantismo. Atualmente a Europa defronta v&aacute;rias amea&ccedil;as das quais se destacam o n&atilde;o controlo da reserva alimentar estrat&eacute;gica, das fontes de energia n&atilde;o renov&aacute;vel e das mat&eacute;rias-primas. A resolu&ccedil;&atilde;o destes problemas, na minha opini&atilde;o, passa pelo reconquistar da esfera de influ&ecirc;ncia europeia, nomeadamente, junto dos pa&iacute;ses africanos. A estrat&eacute;gia que a China tem adotado relativamente a &Aacute;frica &eacute; um bom exemplo de quais os passos a tomar. Entre 2000 e 2005, a China investiu cerca de USD30 bili&otilde;es no continente africano construindo escolas, hospitais e redes de transportes rodovi&aacute;rios e ferrovi&aacute;rios. Paralelamente, em 2000 subscreveu USD1.2 bili&otilde;es de d&iacute;vida Africana e em 2003 perdoou USD750 milh&otilde;es de d&iacute;vida. Por fim, assinou em 2006 um acordo de trocas comerciais no montante de USD60 bili&otilde;es. Atrav&eacute;s desta pol&iacute;tica o governo chin&ecirc;s conseguiu o controlo do acesso &agrave;s mat&eacute;rias-primas e a crescente simpatia dos estados africanos. Cabe agora ao Ocidente seguir o exemplo da China e potenciar o seu pr&oacute;prio crescimento pelas sinergias decorrentes do investimento direto estrangeiro nestes pa&iacute;ses. Para o efeito, Portugal pode liderar este movimento dado que o seu passado lhe confere uma vantagem comparativa.<\/p>\n<p>O insucesso neste novo caminho conduzir-nos-&agrave; inevitavelmente &agrave; impossibilidade de honrar o servi&ccedil;o da nossa d&iacute;vida externa. Os erros do passado ser&atilde;o partilhados com os atuais credores de Portugal mas esta op&ccedil;&atilde;o conduzir&aacute; igualmente a um futuro dif&iacute;cil. Teremos de viver temporariamente quase sem financiamento externo e o pouco que obtivermos estar&aacute; dependente do saneamento das contas p&uacute;blicas. Em suma, dividem-se os nossos problemas com os credores mas seremos igualmente for&ccedil;ados a emagrecer coletivamente com perda da nossa credibilidade externa. Cabe-nos a n&oacute;s decidir qual o rumo que queremos tomar&hellip;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Joaquim Cadete, Economista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joaquim Cadete, professor da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f3micas e Empresariais da UCP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[191,203,321],"class_list":["post-51888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-economia","tag-europa","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}