{"id":51887,"date":"2011-06-21T10:48:15","date_gmt":"2011-06-21T10:48:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/21\/gerir-bem-o-melhor-patrimonio-do-pais-as-pessoas\/"},"modified":"2011-06-21T10:48:15","modified_gmt":"2011-06-21T10:48:15","slug":"gerir-bem-o-melhor-patrimonio-do-pais-as-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/gerir-bem-o-melhor-patrimonio-do-pais-as-pessoas\/","title":{"rendered":"Gerir bem o melhor patrim\u00f3nio do pa\u00eds: as pessoas"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro <!--more--> <\/p>\n<p>Vive-se sob o signo do dinheiro. Finan&ccedil;as e economia determinam o agir dos governantes. Os paradigmas de sucesso e insucesso partem da&iacute; e a a&iacute; retornam. N&atilde;o se pode negar a import&acirc;ncia da boa gest&atilde;o dos bens materiais, dada a situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, possibilidades existentes, encargos assumidos, restri&ccedil;&otilde;es impostas, obra a realizar. O essencial e a raz&atilde;o de ser da governa&ccedil;&atilde;o &eacute;, por&eacute;m, a aten&ccedil;&atilde;o aos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>O mais importante patrim&oacute;nio a ser bem gerido, s&atilde;o as pessoas concretas: crian&ccedil;as, jovens, adultos e mais idosos; saud&aacute;veis, doentes e com defici&ecirc;ncias; da cidade, do litoral ou das aldeias do interior; empregadores, trabalhadores e desempregados; residentes, emigrados e imigrados; gente letrada ou apenas de letras gordas. Pessoas para acolher com respeito, reconhecer suas capacidades naturais e adquiridas, propor, em cada caso, medidas concretas de apoio e promo&ccedil;&atilde;o pessoal, proporcionar igual reconhecimento de direitos e deveres. Pessoas, valor incalcul&aacute;vel que d&aacute; sentido a tudo o que &eacute; patrim&oacute;nio hist&oacute;rico, cultural, religioso, art&iacute;stico. Nada que tenha valor, o tem &agrave; margem das pessoas.<\/p>\n<p>N&atilde;o t&ecirc;m faltado na comunica&ccedil;&atilde;o social, cr&iacute;ticos a caracterizar, com cargas de negativismo, o nosso povo. Indolente, pessimista, individualista, dependente, pobre de ideias e iniciativas, incapaz de responsabilidades. Como que a afirmar-se, sem r&eacute;plica, que Portugal &eacute; pa&iacute;s de gente in&uacute;til, sem rumo e sem sentido para a vida. Que os governantes que chegam n&atilde;o leiam por esta cartilha de folhas negras.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria, mesmo sem o inebriamento de gl&oacute;rias do passado, mostra que o povo n&atilde;o &eacute; assim. Pensemos na gesta migrat&oacute;ria de d&eacute;cadas recentes, na capacidade de recupera&ccedil;&atilde;o de milhares de retornados, na sensatez natural de um povo que, depois da revolu&ccedil;&atilde;o de Abril, encontrou, no exerc&iacute;cio da liberdade democr&aacute;tica, o seu caminho. Uma leitura atenta, por&eacute;m, diz-nos que tal, como noutros pa&iacute;ses, n&atilde;o nos falta gente v&aacute;lida. S&oacute; quando nos tocam governantes fracos, o povo mostra, por um tempo, mais fragilidades e menos confian&ccedil;a em si. Um dia, por&eacute;m, acorda da aliena&ccedil;&atilde;o imposta, e grita corajoso: &ldquo;Basta!&rdquo;<\/p>\n<p>De seu natural, os portugueses, vencidas sujei&ccedil;&otilde;es e depend&ecirc;ncias, descobertas inverdades na informa&ccedil;&atilde;o recebida, s&atilde;o gente capaz de fazer hist&oacute;ria, ir mais longe, gente a que n&atilde;o falta honestidade, bom senso e capacidade de agir, tanto no dia-a-dia, como por ocasi&atilde;o de crises. Quem explora as emo&ccedil;&otilde;es do povo e o engana com promessas v&atilde;s, nunca o ter&aacute; na m&atilde;o. O tempo mostra o logro, restando apenas os presos a desejos e os pagadores de d&iacute;vidas. Qualquer governo &eacute; leg&iacute;timo se servir o povo. Ser&aacute; condenado a seu tempo, sempre que se servir do povo.<\/p>\n<p>Leis, iniciativas e decis&otilde;es do poder n&atilde;o podem esquecer as pessoas. Elas s&atilde;o a sua raz&atilde;o de ser. Ora o povo, por vezes e de muitos modos, n&atilde;o tem sido bem tratado. Mais parece um ausente dos projectos de quem governa. Desta realidade devem estar conscientes os novos governantes. Fruto de tudo isto, a natalidade e a vida humana j&aacute; concebida, foram atacadas de morte; a fam&iacute;lia, desfigurada e depreciada, sem medidas que respeitassem a sua dignidade e favorecessem a sua miss&atilde;o; os pais, reduzidos a respons&aacute;veis ocasionais dos filhos, com o Estado a pretender ser seu dono; a educa&ccedil;&atilde;o escolar, com poucos horizontes e exig&ecirc;ncias; as crian&ccedil;as e os adolescentes, iludidos com miragens e empurrados para uma educa&ccedil;&atilde;o sexual de mero prazer, ausente de esfor&ccedil;o e rumo; a televis&atilde;o, prisioneira das audi&ecirc;ncias e dos interesses a intoxicar o povo com superficialidades; a pol&iacute;tica partid&aacute;ria e o futebol, a ocupar tempo televisivo privilegiado, que se devia repartir para a formar cidad&atilde;os, abertos aos desafios sociais e culturais; as institui&ccedil;&otilde;es mais representativas, que vivem junto das pessoas e conhecem, como ningu&eacute;m, as suas preocupa&ccedil;&otilde;es e aspira&ccedil;&otilde;es, menos ouvidas e tidas como concorrentes do poder pol&iacute;tico; a publicidade sem regras, atirando os incautos para um consumismo irrespons&aacute;vel; doentes graves esperando longos meses por consultas de especialidade e cirurgias urgentes; os mais velhos, muitos deles v&aacute;lidos e capazes de colabora&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o apreciados pelo seu saber, nem integrados onde podiam prestar ainda ac&ccedil;&atilde;o de relevo social&hellip; Esta amostragem n&atilde;o esgota a situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A viv&ecirc;ncia democr&aacute;tica destr&oacute;i-se por situa&ccedil;&otilde;es indesej&aacute;veis. V&aacute;rios pa&iacute;ses da Europa, feridos por desilus&otilde;es cont&iacute;nuas, o v&ecirc;m sentindo. Situa&ccedil;&otilde;es f&aacute;ceis de compreender, deste tempo, e com efeitos &agrave; vista. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel uma renova&ccedil;&atilde;o que implique reformas urgentes, sem capacidade para acabar com privil&eacute;gios e favores, sem determina&ccedil;&atilde;o para enfrentar as for&ccedil;as corporativas, sem uma purifica&ccedil;&atilde;o que exorcize as formas de demagogia, especialmente de quem manda.<\/p>\n<p>Sabemos o mal-estar que se instalou por compadrios e privil&eacute;gios e encheram os cargos p&uacute;blicos de gente incapaz e in&uacute;til, pagando favores e servi&ccedil;os, que s&oacute; o foram aos partidos. Esta n&atilde;o &eacute; a &eacute;tica de governantes conscientes do seu dever e do testemunho que deles se espera.<\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es corporativas n&atilde;o podem funcionar apenas como defensoras de seus membros, dando-se por dispensadas de olhar o conjunto e colaborar para o bem de todos. Num tempo de crise, se elas forem trav&atilde;o de reformas sociais necess&aacute;rias, incriminam-se a si pr&oacute;prias e pode questionar-se o seu direito de exist&ecirc;ncia. O tempo &eacute; para que todos olhem a realidade e se d&ecirc;em as m&atilde;os para superar crises, n&atilde;o para usar da sua for&ccedil;a na rua ou nos sal&otilde;es. S&oacute; o di&aacute;logo aberto e s&eacute;rio, e a pr&aacute;tica de uma &eacute;tica de servi&ccedil;o &agrave; comunidade, ajudar&atilde;o as corpora&ccedil;&otilde;es a serem construtoras do bem comum. O povo sabe julgar e dir&aacute; se assim &eacute;.<\/p>\n<p>A demagogia ser&aacute; sempre prova de fraqueza de quem n&atilde;o &eacute; capaz de fazer e convencer. &Eacute; destrutiva do ambiente social, constrangedora da participa&ccedil;&atilde;o alargada, geradora de tens&otilde;es e divis&otilde;es indesej&aacute;veis. O demagogo n&atilde;o respeita as pessoas e seus direitos, n&atilde;o reconhece erros, culpas e limita&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias. &Eacute; ainda o povo que mostra o vazio de vidas, &agrave;s quais s&oacute; o poder outorgou m&eacute;rito.<\/p>\n<p>Nestas tr&ecirc;s frentes, a luta &eacute; dura para governantes dominados pelo sentido de servi&ccedil;o, preocupados com o clamor das pessoas e a decis&atilde;o de respostas v&aacute;lidas. Nenhum exerc&iacute;cio do poder, por si mesmo sempre duro e exigente, &eacute; compensado por honras recebidas. A recompensa por servir est&aacute; no pr&oacute;prio servi&ccedil;o e modo de o realizar, como servi&ccedil;o a todos. A honra de quem governa est&aacute; no reconhecimento p&uacute;blico do que se faz e como se faz. Quando se servem as pessoas, delas se pode esperar gratid&atilde;o, n&atilde;o fingida e interesseira, mas reconhecimento pelo que elas significam para quem as serve e por elas aceita a luta dif&iacute;cil do dia-a-dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Ant&oacute;nio Marcelino,&nbsp;<\/em><em>Bispo em&eacute;rito de Aveiro<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em><\/em><em>(texto escrito segundo a anterior ortografia)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[170,191,203,267,285],"class_list":["post-51887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-de-aveiro","tag-economia","tag-europa","tag-natal","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51887"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51887\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}