{"id":51886,"date":"2011-06-21T10:45:01","date_gmt":"2011-06-21T10:45:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/21\/esperanca-para-a-educacao\/"},"modified":"2011-06-21T10:45:01","modified_gmt":"2011-06-21T10:45:01","slug":"esperanca-para-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/esperanca-para-a-educacao\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a para a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Joaquim Azevedo, presidente do Centro Regional do Porto da UCP <!--more--> <\/p>\n<p>As prioridades para a Educa&ccedil;&atilde;o Escolar, no quadro da tomada de posse de um novo Governo (junho de 2011), tal &eacute; o mandato que preside a este texto, a pedido da Ag&ecirc;ncia Ecclesia.<\/p>\n<p>Acabo de escrever um livro sobre &ldquo;Liberdade e pol&iacute;tica p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Ed Funda&ccedil;&atilde;o Manuel Le&atilde;o), onde descrevo a situa&ccedil;&atilde;o atual da educa&ccedil;&atilde;o escolar em Portugal e onde enquadro e alinho um conjunto de a&ccedil;&otilde;es comuns e de medidas de pol&iacute;tica p&uacute;blica que poderiam e deveriam ser tomadas. Vou, por isso, sintetizar essa reflex&atilde;o, remetendo o seu esclarecimento e aprofundamento para este livro.<\/p>\n<p>1.Vivemos um situa&ccedil;&atilde;o de bloqueio, que a atual crise s&oacute; vem agravar. Estamos bloqueados: porque entendemos que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o t&eacute;cnica, que se resolve com bons gabinetes e com base na ilumina&ccedil;&atilde;o que invade a 5 de Outubro, em cada mudan&ccedil;a do governo; porque n&atilde;o apoiamos devidamente as fam&iacute;lias na sua insubstitu&iacute;vel miss&atilde;o de educar os filhos; porque n&atilde;o focamos a nossa a&ccedil;&atilde;o no ensino e nas aprendizagens, procurando lidar com as diferen&ccedil;as e promovendo percursos educativos de qualidade por parte de todos os alunos; porque os professores s&atilde;o permanentemente desfocados do seu trabalho essencial, ensinar; porque a administra&ccedil;&atilde;o educacional labora sob o signo da desconfian&ccedil;a, desfazendo o que com liberdade e autonomia se vai construindo; porque existe um sistema de irresponsabilidade incutido pela a&ccedil;&atilde;o omnipresente, omnisciente e uniformizante de um Estado muito pouco inteligente; porque o conjunto dos atores sociais na sociedade portuguesa ainda &eacute; pouco chamado a comprometer-se com a melhoria da educa&ccedil;&atilde;o escolar; porque a demagogia e o cinismo fazem mais caminho do que o trabalho &aacute;rduo de melhoria da situa&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>2.Pugno pela constru&ccedil;&atilde;o de um referencial em que se possa enquadrar uma nova pol&iacute;tica p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o. Sumariando: (i) uma vis&atilde;o antimonopolista e polic&ecirc;ntrica da pol&iacute;tica p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o escolar; (ii) uma conce&ccedil;&atilde;o do bem p&uacute;blico educacional como uma constru&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica realizada no espa&ccedil;o p&uacute;blico, com a participa&ccedil;&atilde;o de toda a sociedade e onde se caminha sempre para a realiza&ccedil;&atilde;o de compromissos concretos e comuns para a melhoria da educa&ccedil;&atilde;o escolar em Portugal e em cada localidade; (iii) nestes compromissos concretos participam o Estado e toda a sociedade, cada escola e os seus atores, em ordem a gerar mais valor p&uacute;blico educacional, muito mais do que as ditas reformas educativas, que geralmente destroem o valor entretanto criado; (iv) &eacute; urgente focar a educa&ccedil;&atilde;o em melhor ensino e em melhores aprendizagens por parte de cada crian&ccedil;a, jovem ou adulto, o resto pouco interessa; (v) a liberdade e autonomia devem ser acarinhadas em cada momento e a autonomia de cada escola e de todas as escolas deve ser contratualizada com o Estado; (vi) os alicerces ainda n&atilde;o mudaram de s&iacute;tio e a educa&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia, com destaque para a pr&eacute;-escolar e para o primeiro ciclo, tem de ser priorit&aacute;ria.<\/p>\n<p>3. Neste quadro, &eacute; poss&iacute;vel perceber e conceber o desenvolvimento que proponho para uma nova pol&iacute;tica p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o escolar. Reconhe&ccedil;o o novo quadro de escassez de recursos. Dispomos de menos meios para melhorar o ensino e as aprendizagens. Focar os recursos no essencial passa a ser uma prioridade irrenunci&aacute;vel. Como principais medidas: (i) aplicar o conceito defendido de &ldquo;servi&ccedil;o p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; que serve a democracia e a liberdade, que compreende, aproveita e integra na rede escolar todas as inciacitivas que contribuem para melhor ensino e melhores aprendizagens, tenham elas o estatuto jur&iacute;dico que tiverem; (ii) aplicar um novo estatuto de ampla e verdadeira autonomia escolar, em que cada agrupamento ou escola contratualiza com o ME, no prazo m&aacute;ximo de tr&ecirc;s anos, aquilo que vai fazer para atingir as suas novas metas de melhoria nas aprendizagens; (iii) ter como principal e decisiva prioridade a elabora&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o em cada agrupamento ou escola de um Plano de Melhoria Gradual da Educa&ccedil;&atilde;o, de onde constem os compromissos sociais e escolares concretos, a rever de ano a ano, em din&acirc;micas refor&ccedil;adas de autoavalia&ccedil;&atilde;o, planos estes que ser&atilde;o a base de sustenta&ccedil;&atilde;o do contrato com o Estado; (iv) criar um novo, eficaz e independente meio de avalia&ccedil;&atilde;o externa das escolas, apto igualmente a desencadear dispositivos de apoio &agrave;s escolas com pior desempenho; (v) rever profundamente a estrutura central e regional do ME, criando apenas quatro novos e &aacute;geis servi&ccedil;os centrais e uma ag&ecirc;ncia para a avalia&ccedil;&atilde;o; (vi) colocar no centro do sistema os professores e a melhoria do seu desempenho profissional, em contextos escolares cada vez mais responsabilizantes e com Planos de Melhoria, inscritos em compromissos localmente constru&iacute;dos e muito concretos; (vii) subordinar todas estas a&ccedil;&otilde;es a um &uacute;nico foco e fito, melhorar as aprendizagens dos alunos.<\/p>\n<p>A obsess&atilde;o avaliativa s&oacute; serve a tecnologia social e pol&iacute;tica que a sustenta (muito populista, ali&aacute;s), n&atilde;o vai servir para nada em termos de melhoria do desempenho dos professores, dos alunos e das escolas. Ser&aacute; uma obsess&atilde;o que passar&aacute; como todas as outras paix&otilde;es que j&aacute; por c&aacute; passaram.<\/p>\n<p>Os n&oacute;s que existem, e s&atilde;o muitos, temos de ser n&oacute;s a desat&aacute;-los. Ningu&eacute;m o far&aacute; por n&oacute;s. Com Confian&ccedil;a, com Coopera&ccedil;&atilde;o, com Compromissos e, no fim, com melhor ensino e melhores aprendizagens. Com trabalho, muito trabalho, &aacute;rduo e persistente trabalho, o que s&oacute; faz quem est&aacute; convencido de que isso vale a pena e que s&oacute; h&aacute; mesmo esse caminho a trilhar. Muita coragem e muita esperan&ccedil;a!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Joaquim Azevedo,&nbsp;professor catedr&aacute;tico da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joaquim Azevedo, presidente do Centro Regional do Porto da UCP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[187,193,321],"class_list":["post-51886","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51886\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}