{"id":51814,"date":"2011-06-15T12:15:00","date_gmt":"2011-06-15T12:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/15\/comunicado-do-conselho-permanente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-a-proposito-do-momento-presente-da-sociedade-portuguesa\/"},"modified":"2011-06-15T12:15:00","modified_gmt":"2011-06-15T12:15:00","slug":"comunicado-do-conselho-permanente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-a-proposito-do-momento-presente-da-sociedade-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicado-do-conselho-permanente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-a-proposito-do-momento-presente-da-sociedade-portuguesa\/","title":{"rendered":"Comunicado do Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa a prop\u00f3sito do momento presente da Sociedade Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Os crist&atilde;os e todos os portugueses sabem que n&oacute;s, Bispos e sacerdotes, evitamos tomar posi&ccedil;&atilde;o sobre as quest&otilde;es da pol&iacute;tica direta, preservando o nosso minist&eacute;rio espiritual, da pol&eacute;mica que naturalmente acompanha o debate partid&aacute;rio. Foi por isso que n&atilde;o respondemos &agrave;s diversas solicita&ccedil;&otilde;es que nos foram feitas para que fal&aacute;ssemos no per&iacute;odo que antecedeu as &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es legislativas.<\/p>\n<p>E se o fazemos hoje, depois do Povo Portugu&ecirc;s ter indicado, pelo seu voto, o rumo que deseja para Portugal, n&atilde;o &eacute; para comentarmos politicamente os resultados, mas porque achamos que a Palavra da Igreja pode ajudar a discernir o caminho da salvaguarda do &ldquo;bem-comum&rdquo; de toda a sociedade, no momento dif&iacute;cil que Portugal atravessa.<\/p>\n<p>Verific&aacute;mos que alguns l&iacute;deres pol&iacute;ticos, no calor da disputa eleitoral, referiram a Doutrina Social da Igreja para secundar as suas propostas pol&iacute;ticas. Tinham o direito de o fazer, pois a vast&iacute;ssima doutrina da Igreja sobre a sociedade pode, realmente, inspirar programas de governa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; nessa perspetiva que ousamos, neste momento particularmente delicado do nosso Pa&iacute;s, sublinhar os seguintes aspetos:<\/p>\n<p>1. A prioridade do &ldquo;bem-comum&rdquo; de toda a sociedade sobre interesses individuais e grupais &eacute; um dos pilares da doutrina da Igreja sobre a sociedade e que pode, neste momento, inspirar as op&ccedil;&otilde;es governativas. Vamos p&ocirc;r o bem da sociedade em primeiro lugar. Isso exige generosidade de todos na colabora&ccedil;&atilde;o e aceita&ccedil;&atilde;o dos caminhos necess&aacute;rios, na partilha de energias e bens, na modera&ccedil;&atilde;o das op&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas e estrat&eacute;gicas. Partidos, sobretudo os seus representantes que o Povo elegeu, as associa&ccedil;&otilde;es laborais, empresariais e outras, s&atilde;o chamados &agrave; generosidade de defenderem os seus direitos e interesses, dando prioridade total ao bem de toda a sociedade.<\/p>\n<p>2. Al&eacute;m de generosidade, este momento exige, de todos os portugueses, grande realismo. A situa&ccedil;&atilde;o diminui a margem, leg&iacute;tima em democracia, para utopias. &Eacute; este sentido de realismo que nos indica que devemos procurar solu&ccedil;&otilde;es para Portugal no quadro social, pol&iacute;tico-econ&oacute;mico em que est&aacute; inserido: Uni&atilde;o Europeia, zona da moeda &uacute;nica, conjunto de pa&iacute;ses que se estruturam na base do respeito pela pessoa humana e pela sua liberdade, concretamente da liberdade de iniciativa econ&oacute;mica.<\/p>\n<p>Isto n&atilde;o pode resignar-se ao inevit&aacute;vel. Portugal tem de dar o seu contributo &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o positiva, concretamente da Uni&atilde;o Europeia e da zona Euro, e s&oacute; o far&aacute; se resolver positivamente, reconquistando a credibilidade, o momento que passa. Deve faz&ecirc;-lo procurando que o esfor&ccedil;o de equil&iacute;brio financeiro n&atilde;o prejudique a economia, e que n&atilde;o se relativize a import&acirc;ncia da sa&uacute;de, da cultura e da educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>3. A Doutrina Social da Igreja baseia a prioridade do &ldquo;bem-comum&rdquo; na voca&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria da sociedade. Esta n&atilde;o &eacute; um agregado de &ldquo;indiv&iacute;duos&rdquo;, mas tende a ser comunidade, onde cada um se sente correspons&aacute;vel pelo bem de todos, onde cada homem e mulher &eacute; nosso irm&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta dimens&atilde;o comunit&aacute;ria &eacute; priorit&aacute;ria na vis&atilde;o da Igreja. O amor fraterno, com a capacidade de dom, &eacute; o valor primordial na constru&ccedil;&atilde;o da sociedade. Sempre, mas de modo especial neste momento que atravessamos, os pobres, os desempregados, os doentes, as pessoas de idade, devem estar na primeira linha do amor dos crist&atilde;os. Este &eacute; um dever priorit&aacute;rio da Igreja, que ela quer realizar pelos seus meios pr&oacute;prios, mas em colabora&ccedil;&atilde;o com todos os que procuram o &ldquo;bem-comum&rdquo;. Esta atitude exige generosidade e capacidade de dom, de que o voluntariado &eacute; uma express&atilde;o nobre. Os pr&oacute;ximos tempos v&atilde;o exigir partilha de bens. Mas n&atilde;o &eacute; a mesma coisa partilhar generosamente, e ser obrigado a distribuir. Temos de criar um dinamismo coletivo de generosidade e de partilha volunt&aacute;ria, fundamentada no amor &agrave; pessoa humana.<\/p>\n<p>4. H&aacute; ainda na nossa sociedade muitas express&otilde;es de ego&iacute;smo, que v&atilde;o desde a corrup&ccedil;&atilde;o ao enriquecimento il&iacute;cito, a uma vis&atilde;o egoc&ecirc;ntrica do lucro, etc. Uma &eacute;tica da generosidade, da honestidade e da verdade tem de fazer parte da cultura a valorizar. O pr&oacute;prio sistema de justi&ccedil;a tem de ser um servi&ccedil;o que combata os atropelos &agrave; generosidade, &agrave; honestidade e &agrave; verdade. Sem um bom sistema de justi&ccedil;a, nenhuma sociedade ser&aacute; verdadeiramente justa.<\/p>\n<p>Este momento de crise pode levar-nos a todos a lan&ccedil;ar os dinamismos para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais fraterna e solid&aacute;ria. A Igreja quer, n&atilde;o apenas pela sua palavra, mas pelo seu compromisso na a&ccedil;&atilde;o, ser a afirma&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p><em>F&aacute;tima, 14 de junho de 2011<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os crist&atilde;os e todos os portugueses sabem que n&oacute;s, Bispos e sacerdotes, evitamos tomar posi&ccedil;&atilde;o sobre as quest&otilde;es da pol&iacute;tica direta, preservando o nosso minist&eacute;rio espiritual, da pol&eacute;mica que naturalmente acompanha o debate partid&aacute;rio. 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