{"id":51793,"date":"2011-06-14T14:29:16","date_gmt":"2011-06-14T14:29:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/14\/fe-maritima-salgada-pela-crenca\/"},"modified":"2011-06-14T14:29:16","modified_gmt":"2011-06-14T14:29:16","slug":"fe-maritima-salgada-pela-crenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fe-maritima-salgada-pela-crenca\/","title":{"rendered":"F\u00e9 mar\u00edtima salgada pela cren\u00e7a&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A. S\u00edllvio Couto <!--more--> <\/p>\n<p>Quem assistir ou participar numa prociss&atilde;o com gentes do mar sente que h&aacute; algo de diferente nessa manifesta&ccedil;&atilde;o de f&eacute;, desde a devo&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, passando at&eacute; pela exuber&acirc;ncia de cren&ccedil;as. O povo crist&atilde;o &ndash; dizemo-lo sobretudo na caracteriza&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica &ndash; ligado ao mar comporta-se em terra como trata como o seu ganha-p&atilde;o e cont&iacute;nuo perigo: tenta domin&aacute;-lo, embora lhe tenha medo ou algum respeito.<\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Parece-nos que n&atilde;o h&aacute; nenhum ateu entre os homens que v&atilde;o para o mar. No entanto, tamb&eacute;m n&atilde;o encontraremos muitos crist&atilde;os assumidos, pois a express&atilde;o religiosa parece que pode enfraquecer os &lsquo;lobos do mar&rsquo;, que, em terra, se tornam quase cordeiros&#8230; entre os conterr&acirc;neos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Cada homem do mar tem (como que) subjacente uma express&atilde;o de cren&ccedil;a que talvez s&oacute; ele &ndash; e um pouco a fam&iacute;lia mais pr&oacute;xima &ndash; conhece e que se exprime com os seus rituais. Cada um tem as suas rezas, os seus gestos de boa-sorte e at&eacute; os h&aacute;bitos muito pessoais, que quase esconde daqueles com quem trabalha. Com efeito, em certas zonas do nosso pa&iacute;s, nas b&oacute;inas ou nos casacos escondem-se artefactos religiosos mais &iacute;ntimos, tais como medalhas e s&iacute;mbolos de devo&ccedil;&atilde;o&#8230; quase sempre colocados (ou cosidos) pelas mulheres e as m&atilde;es, que velam pelo bom sucesso dos seus homens&#8230; sobre as &aacute;guas do mar.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: windowtext;\">Vencer o mar pela uni&atilde;o&#8230; em terra<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Embora nos tempos mais recentes se possa ter perdido alguma da religiosidade entre os homens do mar &ndash; as mulheres continuam, na maior parte das situa&ccedil;&otilde;es, a ser as vigias da cren&ccedil;a em terra &ndash; podemos dizer que em cada homem mar&iacute;timo, sobretudo na vers&atilde;o piscat&oacute;ria, h&aacute; um ser crente, mesmo que o seja um tanto rude e sem formula&ccedil;&atilde;o consistentemente verbalizada. At&eacute; aqueles que pretendem passar a imagem de que &lsquo;n&atilde;o acreditam em Deus nem em Santa Maria&rsquo; &ndash; como express&atilde;o de um certo agnosticismo pretensamente ideol&oacute;gico &ndash; nas horas de maior afli&ccedil;&atilde;o voltam-se para o santo ou a santa da sua devo&ccedil;&atilde;o&#8230; mais &iacute;ntima e quase do tempo da sua inf&acirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Por outro lado, &eacute; interessante verificar que, ao longo da costa portuguesa, as maiores devo&ccedil;&otilde;es populares se encontram referenciadas a Cristo nalguma vers&atilde;o na Cruz e a Nossa Senhora nalgum outro momento de sofrimento, como por exemplo: Nossa Senhora da Agonia, Nossa Senhora da Bonan&ccedil;a, Senhor dos Navegantes, Senhor Jesus das Chagas, Senhor do Bonfim, Nossa Senhora da Boa Viagem, Senhora do Carmo ou Nossa Senhora de Troia&#8230; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Por seu turno, as representa&ccedil;&otilde;es iconogr&aacute;ficas s&atilde;o, muitas vezes, de pequenas imagens ou ent&atilde;o de outras de grandes propor&ccedil;&otilde;es. A proximidade ao abismo, simbolizado no mar e nas escarpas, tamb&eacute;m aparece nalgumas representa&ccedil;&otilde;es, tais como Nossa Senhora da Nazar&eacute;, dos Rem&eacute;dios ou do Cabo Espichel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">A for&ccedil;a na fraqueza est&aacute; suficientemente registada nas mais d&iacute;spares situa&ccedil;&otilde;es dos nossos homens do mar, sem nunca esquecermos o suporte familiar da mulher, acrescentando, antes do que diminuindo a teia religiosa da express&atilde;o de f&eacute;&#8230;<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: windowtext;\">Tradi&ccedil;&otilde;es de transversais de &lsquo;visita&rsquo;&#8230; das Senhoras<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Do contacto havido, enquanto diretor nacional do &lsquo;Apostolado do mar&rsquo;, com algumas comunidades mar&iacute;timas &ndash; sobretudo na incid&ecirc;ncia piscat&oacute;ria &ndash; vimos que, na v&eacute;spera da festa nalgumas comunidades, h&aacute; uma esp&eacute;cie de ritual de visita de uma imagem de devo&ccedil;&atilde;o da terra &agrave; outra Senhora de proximidade ou de prote&ccedil;&atilde;o ao mar. Esta esp&eacute;cie de visita d&aacute;-nos uma leitura de complemento das devo&ccedil;&otilde;es e at&eacute; de comunh&atilde;o entre povoa&ccedil;&otilde;es, por vezes, rivais, que, por ocasi&atilde;o da festa anual, fazem as pazes. Deste modo como que se complementam e entrecruzam as manifesta&ccedil;&otilde;es de f&eacute; &ndash; seja na Fuzeta ou em Vila Praia de &Acirc;ncora &ndash; sabendo acolher o distinto e valorizar o id&ecirc;ntico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Tamb&eacute;m as prociss&otilde;es pelo espa&ccedil;o mar&iacute;timo &ndash; na totalidade ou em parte &ndash; denota essa conjuga&ccedil;&atilde;o de express&otilde;es de f&eacute; e at&eacute; de apaziguamento das for&ccedil;as mar&iacute;timas pela invoca&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o divina&#8230; tanto de Nossa Senhora como de outros santos relacionados com o mar, como S&atilde;o Pedro ou outros ap&oacute;stolos pescadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: windowtext;\">Numa palavra: o povo relacionado com o mar sabe condimentar a sua f&eacute; com as ra&iacute;zes de comunh&atilde;o crist&atilde;&#8230; mais ou menos esclarecida e comprometida. Com efeito, n&atilde;o ser&aacute; pelo povo mar&iacute;timo que a f&eacute; cat&oacute;lica perder&aacute; a sua originalidade e a express&atilde;o p&uacute;blica, no &laquo;p&aacute;tio dos gentios&raquo;&#8230; embora seja preciso investir no seu esclarecimento e boa condu&ccedil;&atilde;o. O &lsquo;Apostolado do mar&rsquo; tem vindo a fazer algo por isso, precisando de maior empenho de todos os intervenientes.<\/span><\/p>\n<p>A. S&iacute;llvio Couto, diretor nacional do &lsquo;Apostolado do mar&rsquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A. S\u00edllvio Couto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[117],"class_list":["post-51793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-apostolado-do-mar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}