{"id":51790,"date":"2011-06-14T12:49:57","date_gmt":"2011-06-14T12:49:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/14\/homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-de-pentecostes\/"},"modified":"2011-06-14T12:49:57","modified_gmt":"2011-06-14T12:49:57","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-de-pentecostes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-solenidade-de-pentecostes\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Porto na solenidade de Pentecostes"},"content":{"rendered":"<p><strong>S&oacute; o Esp&iacute;rito pode reconciliar o mundo<\/strong><\/p>\n<p>S&oacute; o Esp&iacute;rito do Ressuscitado pode reconciliar o mundo, porque brota da raiz do perd&atilde;o, que em Deus se encontra, como recria&ccedil;&atilde;o das vidas.<\/p>\n<p>Como acab&aacute;mos de ouvir: &ldquo;Veio Jesus, apresentou-se no meio deles e disse-lhes: &lsquo;A paz esteja convosco&rsquo;&rdquo;. E mais adiante: &ldquo;Jesus soprou sobre eles e disse-lhes: &lsquo;Recebei o Esp&iacute;rito Santo: &agrave;queles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-&atilde;o perdoados&hellip;&rsquo;&rdquo;. Ao ouvirem tais palavras, como n&oacute;s as ouvimos hoje, certamente se admiraram os primeiros. &ndash; Como poderiam perdoar eles, se t&atilde;o carecidos de perd&atilde;o estavam em geral, os mesmos que pouco antes tinham abandonado Jesus preso, condenado e morto?<\/p>\n<p>Mas agora, neste agora que o Crucificado-Ressuscitado continua a oferecer-nos, a paz e o perd&atilde;o sobrev&ecirc;m, partindo unicamente da miseric&oacute;rdia divina, do Pai e do Filho, no amor restaurador do Esp&iacute;rito. Como bem experimentou e disse S&atilde;o Paulo, &ldquo;onde aumentou o pecado, superabundou a gra&ccedil;a&rdquo; (Rm 5, 20).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Grande, grande demais para a nossa compreens&atilde;o pequena e o nosso cora&ccedil;&atilde;o ex&iacute;guo. E tamb&eacute;m sabemos como s&oacute; a pouco e pouco se foi concretizando o sacramento na Igreja, como se nos custasse a crer na gratuidade do dom. As primeiras gera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o admitiriam outra penit&ecirc;ncia, al&eacute;m do Batismo &ldquo;para a remiss&atilde;o dos pecados&rdquo;. Depois, aceitou-se uma segunda oportunidade para os crist&atilde;os que fraquejassem, com a penit&ecirc;ncia p&uacute;blica e custosa que vigorou na Igreja antiga. Chamavam-lhe at&eacute; um &ldquo;segundo batismo&rdquo;, &uacute;ltima oportunidade nesta vida. E foi j&aacute; na Alta Idade M&eacute;dia que se difundiu a disciplina penitencial que hoje felizmente temos, possibilitando-nos o crescimento pela confiss&atilde;o individual e reiterada. &#8211; Bem-aventurada pr&aacute;tica, para a rece&ccedil;&atilde;o cada vez mais correspondida de t&atilde;o grande dom que nos refaz a vida, na lei nova do Esp&iacute;rito de Cristo, sem rigorismos nem laxismos, com autenticidade sempre!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m da refer&ecirc;ncia apost&oacute;lica da penit&ecirc;ncia, oferecida pelo sacerd&oacute;cio ministerial, esta mesma constitui a &uacute;nica atitude poss&iacute;vel e coerente para quem progrida no conhecimento de Cristo. Como exclamava Pedro diante de Jesus, exprimimo-la assim: &ldquo;Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!&rdquo; (Lc 5, 8).<\/p>\n<p>Mas, longe de se afastar, Cristo aproxima-se sempre, proporcionando-nos regressos e progressos na Casa do Pai. &#8211; Ele sim, &eacute; o verdadeiro &ldquo;irm&atilde;o mais velho&rdquo; &ndash; n&atilde;o o da par&aacute;bola (cf. Lc 15, 11 ss) &ndash; dos pr&oacute;digos que somos todos!<\/p>\n<p>Conhecer Cristo &eacute; render-se definitivamente &agrave; gra&ccedil;a e ao perd&atilde;o de Deus. E, uma vez convertidos, seremos testemunhas e agentes da mesma gra&ccedil;a e perd&atilde;o. &#8211; Sede v&oacute;s, car&iacute;ssimos amigos, sede v&oacute;s em cada momento e situa&ccedil;&atilde;o, o convite vivo &agrave; recria&ccedil;&atilde;o das vidas, a partir de Deus, do Esp&iacute;rito de Deus em permanente Pentecostes!<\/p>\n<p>Mas s&oacute; o fareis e s&oacute; o faremos pela recria&ccedil;&atilde;o que permitirmos em n&oacute;s. Aceitemos ser perdoados e Cristo nos ensinar&aacute; a perdoar. No perd&atilde;o vivo em que o mundo se reconstr&oacute;i a partir de Deus, &uacute;nica e magn&iacute;fica possibilidade de tal acontecer.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; E este mundo que nos toca, car&iacute;ssimos irm&atilde;os, este mundo que hoje nos toca a todos, precisa tanto de ser recriado pelo Esp&iacute;rito de Deus!&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os, car&iacute;ssimos crismandos, percebei o que verdadeiramente se oferece neste Pentecostes do Esp&iacute;rito. Em Cristo, Deus reabilita a humanidade, esta mesma que cada um transporta e concretiza, t&atilde;o magn&iacute;fica de potencialidades e t&atilde;o tragicamente desmentida por tantas contradi&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas e sociais. Em Cristo, a nossa vida &eacute; vivida de forma novamente bela e finalmente refeita, segundo o des&iacute;gnio de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; S&oacute; por isso seremos plenamente crist&atilde;os. Reconhecemos em Cristo o que profundamente desejamos ser. Desde o batismo, o seu Esp&iacute;rito atesta em n&oacute;s que tal &eacute; poss&iacute;vel. E que nem conseguimos imaginar a totalidade crist&atilde; a que o Esp&iacute;rito nos levar&aacute;&hellip; (cf. Ef 3, 20).<\/p>\n<p>&nbsp; Quando a Igreja reconhece a santidade de algu&eacute;m, atesta e agradece o facto comprovado de que naquele homem, naquela mulher, o Esp&iacute;rito de Cristo foi atuando e realizando o Evangelho no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &Eacute; este &uacute;nico Esp&iacute;rito que agora crismar&aacute; muitos de v&oacute;s, para assim continuar a suceder, na particularidade das circunst&acirc;ncias que cada um encontre ou promova. Continuar&aacute; a renovar-vos a v&oacute;s, num perd&atilde;o profundo que vos reabilita como filhos de Deus e agora vos impele como testemunhas do Evangelho da paz.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prosseguir&aacute; atrav&eacute;s de v&oacute;s a obra de Cristo no mundo, na for&ccedil;a recriadora do Esp&iacute;rito divino. Precisamente assim &eacute; que a Igreja de Cristo responde atualmente &agrave; expectativa de todos, nas dif&iacute;ceis circunst&acirc;ncias da sociedade que integramos e onde havemos ser &ldquo;sal&rdquo; de conserva&ccedil;&atilde;o e sabor, assim como &ldquo;luz&rdquo; de esclarecimento e &acirc;nimo (cf. Mt 5, 13-16).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maria, M&atilde;e de Jesus, estava com os primeiros disc&iacute;pulos, como agora est&aacute; connosco. &#8211; Ela nos ajudar&aacute; constantemente, para continuar a oferecer Cristo ao mundo!<\/p>\n<p>S&eacute; do Porto, 12 de junho de 2011<\/p>\n<p><em>D. Manuel Clemente<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S&oacute; o Esp&iacute;rito pode reconciliar o mundo S&oacute; o Esp&iacute;rito do Ressuscitado pode reconciliar o mundo, porque brota da raiz do perd&atilde;o, que em Deus se encontra, como recria&ccedil;&atilde;o das vidas. Como acab&aacute;mos de ouvir: &ldquo;Veio Jesus, apresentou-se no meio deles e disse-lhes: &lsquo;A paz esteja convosco&rsquo;&rdquo;. 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