{"id":51789,"date":"2011-06-14T12:47:42","date_gmt":"2011-06-14T12:47:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/14\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-solenidade-do-pentecostes\/"},"modified":"2011-06-14T12:47:42","modified_gmt":"2011-06-14T12:47:42","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-solenidade-do-pentecostes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-solenidade-do-pentecostes\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de Braga na solenidade do Pentecostes"},"content":{"rendered":"<p><strong>&nbsp;O Esp&iacute;rito renova<\/strong><\/p>\n<p>O autor do livro dos atos dos Ap&oacute;stolos descreve-nos a vinda do Esp&iacute;rito Santo, o Pentecostes, mediante uma narrativa simbolicamente fulgurante. No caminho da Palavra que queremos viver em tudo na nossa vida, recordo alguns pormenores.<\/p>\n<p>Em Jerusal&eacute;m estavam os judeus de diversas proced&ecirc;ncias. Pode ser que sejam peregrinos em visita ao Templo. Dizem os exegetas que, provavelmente, eram judeus da di&aacute;spora, ou seja, que tinham nascido fora e que agora tinham fixado resid&ecirc;ncia em Jerusal&eacute;m. Tal &eacute; a inten&ccedil;&atilde;o do autor era sublinhar a universalidade da salva&ccedil;&atilde;o que todos ouviram &ldquo;proclamar as maravilhas de Deus&rdquo;, na sua pr&oacute;pria l&iacute;ngua.<\/p>\n<p>A festa do Pentecostes deve suscitar na Igreja Arquidiocesana a convic&ccedil;&atilde;o que o acontecimento da Palavra de Deus n&atilde;o se restringe apenas aos crentes e aos batizados. Deus continua a falar para toda a humanidade, &ldquo;judeu ou grego, homens livres e cidad&atilde;os do mundo&rdquo; (S. Paulo). O Esp&iacute;rito liberta a humanidade das for&ccedil;as que a escravizam e a tornam prisioneira do ego&iacute;smo e da soberba na luta pelo poder e o dom&iacute;nio dos povos.<\/p>\n<p>Conscientes de estarmos num mundo diversificado, os crist&atilde;os devem sair para a rua e suscitar encontros e experi&ecirc;ncias concretas com o Ressuscitado. Escutar o mundo e dialogar com as diversas linguagens e culturas est&aacute; a exigir da Igreja uma grande capacidade de abertura e de confian&ccedil;a na Palavra revelada. J&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel testemunhar a beleza de Deus somente atrav&eacute;s de f&oacute;rmulas doutrin&aacute;rias; &eacute; necess&aacute;rio perceber os sinais dos tempos e n&atilde;o ter medo de acolher a diferen&ccedil;a e a pluralidade como fen&oacute;menos que ajudam o crente a fortalecer os seus la&ccedil;os de amizade com Deus e com a hist&oacute;ria de hoje. O homem moderno fala das suas exig&ecirc;ncias ou reclama&ccedil;&otilde;es, quem sabe at&eacute; mesmo protestos, e a&iacute; est&aacute; um apelo ao interc&acirc;mbio e esfor&ccedil;o por falar a linguagem que tantas vezes &eacute; diferente da nossa.<\/p>\n<p>Como Sacramento de Cristo, cheia do Esp&iacute;rito Santo, a Igreja hoje, nas pegadas do mesmo Cristo, sente necessidade de estabelecer rela&ccedil;&atilde;o com cada homem e com toda a humanidade. A Igreja n&atilde;o pode negar-se ao di&aacute;logo com as diversas sensibilidades da sociedade mas sim testemunhar a sua capacidade de acolhimento e de reconcilia&ccedil;&atilde;o num mundo que necessita urgentemente de uma paz interior e serena que ajude as vislumbrar um novo amanh&atilde;. A mensagem crist&atilde; manifesta a universalidade do amor de Deus e funda no seu seio o lugar de encontro entre crente e gentios, homens e mulheres, sem discrimina&ccedil;&atilde;o e sem indiferen&ccedil;a, diante da beleza de Deus que suscita transforma&ccedil;&atilde;o e la&ccedil;os de verdadeira amizade.<\/p>\n<p>Neste pressuposto, a fidelidade ao Esp&iacute;rito Santo faz com que a pastoral da Igreja se renove profundamente sem estagnar em modelos tradicionais. Se aceitamos que a salva&ccedil;&atilde;o de Cristo &eacute; para todos os homens, de todos os tempos e espa&ccedil;os, n&atilde;o podemos fugir &agrave; beleza da comunica&ccedil;&atilde;o das verdades da f&eacute; no di&aacute;logo com o mundo de hoje. Uma rela&ccedil;&atilde;o t&atilde;o nova e sempre t&atilde;o antiga, alicer&ccedil;ada na simpatia e nunca na desconfian&ccedil;a, para juntos procurarmos a verdade e o sentido da vida que nos une. A salva&ccedil;&atilde;o de Cristo, segundo a l&oacute;gica da incarna&ccedil;&atilde;o, s&oacute; pode ser constru&iacute;da &ldquo;dentro, das realidades terrestres, novas e que marcam a hist&oacute;ria de hoje.&rdquo;<\/p>\n<p>N&atilde;o ter medo do mundo pode significar acolher as sementes de Verdade que o Esp&iacute;rito coloca no cora&ccedil;&atilde;o da cultura moderna. O Esp&iacute;rito Santo torna-nos otimistas em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo mas n&atilde;o aceita ingenuidades. Esta &eacute; uma confus&atilde;o perniciosa para a Igreja e que exige muita coragem. N&atilde;o desconfiar ou n&atilde;o aceitar uma posi&ccedil;&atilde;o ofensiva\/defensiva estimula, aqui e agora, uma nova milit&acirc;ncia que tem desaparecido ou atenuado na consci&ecirc;ncia mission&aacute;ria da Igreja. N&atilde;o podemos olhar s&oacute; para o passado e caminhar numa atitude pastoral de gerir o existente. Caminhamos para o futuro com muito de in&eacute;dito ou de problem&aacute;tico. Mas caminhamos com os dons e carismas que o Esp&iacute;rito nos concede para bem de toda a comunidade crente e humana.<\/p>\n<p>A pastoral renovada deve fazer resplandecer a Palavra de Deus no mundo. S&oacute; os crit&eacute;rios evang&eacute;licos podem ser a nossa op&ccedil;&atilde;o. Tudo deve estar ligado &agrave; Palavra e tornar-se mem&oacute;ria evang&eacute;lica. Este acolhimento da Palavra, onde o Esp&iacute;rito fala &agrave; sua Igreja, tem de gerar uma espiritualidade cheia de vida abundante em Cristo.<\/p>\n<p>Na linha duma espiritualidade incarnada no mundo e tornada testemunho, a comunidade crist&atilde; ter&aacute; de se afirmar como experi&ecirc;ncia de autoedifica&ccedil;&atilde;o em esp&iacute;rito de permanente convers&atilde;o. A partir da Palavra e perante a Palavra a comunidade percorre um caminho que sublinha a prioridade de Deus no acolhimento do Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p>Confiante no caminho novo a percorrer pelas ruas do mundo, invoco a vinda do Esp&iacute;rito, o mesmo que anunciou a Maria o advento de um tempo cheio de esperan&ccedil;a: &ldquo;vem, r&eacute;stea de sol \/ esclarece os desvairos da noite \/ e o fogo que corre sem freio \/\/ vem, defensor do pobre \/ vem, sinal rumoroso da voz \/ que move o mundo \/\/ vem, mem&oacute;ria de &aacute;gua \/ barqueiro do nosso olhar \/ entre a luz e o seu v&eacute;u \/\/ vem, testemunha da dor e da ang&uacute;stia sem nome \/ vem, for&ccedil;a da vida \/\/ vem, clamor da noite cega \/ luz cinzenta que borda o mar \/ vem, jardim dos olhos&rdquo; (J. A. Mour&atilde;o).<\/p>\n<p>Braga, 12 de junho de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D.&nbsp; Jorge Ferreira da Costa Ortiga, arcebispo primaz&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;O Esp&iacute;rito renova O autor do livro dos atos dos Ap&oacute;stolos descreve-nos a vinda do Esp&iacute;rito Santo, o Pentecostes, mediante uma narrativa simbolicamente fulgurante. No caminho da Palavra que queremos viver em tudo na nossa vida, recordo alguns pormenores. Em Jerusal&eacute;m estavam os judeus de diversas proced&ecirc;ncias. 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