{"id":51780,"date":"2011-06-12T16:27:07","date_gmt":"2011-06-12T16:27:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/12\/conclusoes-do-seminario-internacional-tempo-para-o-trabalho-e-para-a-familia\/"},"modified":"2011-06-12T16:27:07","modified_gmt":"2011-06-12T16:27:07","slug":"conclusoes-do-seminario-internacional-tempo-para-o-trabalho-e-para-a-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conclusoes-do-seminario-internacional-tempo-para-o-trabalho-e-para-a-familia\/","title":{"rendered":"Conclus\u00f5es do Semin\u00e1rio Internacional \u00abTempo para o Trabalho e para a Fam\u00edlia\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Realizou-se, entre os dias 9 e 12 de Junho, na cidade de Torres Novas, Portugal, um Semin&aacute;rio Internacional, promovido pela LOC\/MTC sobre o tema: Tempo para o trabalho e para a Fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>A LOC\/MTC teve como parceiro neste Semin&aacute;rio o EZA, com o patroc&iacute;nio da C&acirc;mara Municipal de Torres Novas.<\/p>\n<p>Participaram neste evento, para al&eacute;m dos membros da LOC\/MTC, diversos Movimentos de Trabalhadores Crist&atilde;os Europeus de Espanha, B&eacute;lgica, Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, Rep&uacute;blica Checa e Eslov&eacute;nia, assim como a Pastoral Oper&aacute;ria, a Base-Fut, o Fidestra e o Cifotie de Portugal, que partilharam as suas experi&ecirc;ncias, realidades e pr&aacute;ticas. Estiveram ainda presentes D. Manuel Pelino, Bispo da diocese de Santar&eacute;m e o Presidente da C&acirc;mara de Torres Novas, Ant&oacute;nio Rodrigues.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Das v&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es realizadas ao longo do Semin&aacute;rio, segundo o m&eacute;todo da Revis&atilde;o de Vida, constatamos algumas realidades:<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia e o trabalho s&atilde;o duas realidades intimamente ligadas, conciliar as duas &eacute; um desafio atual e uma tarefa dif&iacute;cil, sobretudo no contexto da sociedade atual<\/p>\n<p>As fam&iacute;lias oper&aacute;rias vivem tempos dif&iacute;ceis, que resultam do sistema capitalista neoliberal disseminado &agrave; escala global e que coloca os trabalhadores numa posi&ccedil;&atilde;o fragilizada perante as novas exig&ecirc;ncias do mercado de trabalho. A pr&aacute;tica de hor&aacute;rios dilatados, o desemprego e os baixos sal&aacute;rios, aumentam exponencialmente o perigo de exclus&atilde;o social.<\/p>\n<p>Os trabalhadores portugueses s&atilde;o os que mais se referem aos problemas da inseguran&ccedil;a no trabalho, talvez porque n&atilde;o sentem as suas necessidades prim&aacute;rias cumpridas que passam pelo pagamento de um sal&aacute;rio digno. Uma sociedade que nega o acesso ao trabalho &eacute; uma sociedade deprimida, sem expectativas, onde impera o medo. A gravidade da situa&ccedil;&atilde;o aumenta quando aplicamos esta realidade, &agrave;s mulheres e aos trabalhadores imigrantes menos qualificados, bem como, &agrave;s crian&ccedil;as e jovens, que direta ou indiretamente s&atilde;o afetados pela situa&ccedil;&atilde;o laboral dos seus pais e av&oacute;s.<\/p>\n<p>Como indicador desta realidade constatamos, ainda, as dificuldades sentidas pela comunidade escolar, em responder &agrave; exig&ecirc;ncia de conciliar a sua fun&ccedil;&atilde;o formativa natural, com a interven&ccedil;&atilde;o social cada vez mais emergente, considerando, o aumento da pobreza infantil e a crescente dificuldade em estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel entre a Escola e a fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>A solu&ccedil;&atilde;o para os problemas espec&iacute;ficos que afectam as crian&ccedil;as, os jovens e as mulheres, s&atilde;o mais dif&iacute;ceis de encontrar, pois est&atilde;o muito dependentes de factores externos, &agrave; sua pr&oacute;pria vontade e capacidade de mudan&ccedil;a. Temos uma d&iacute;vida para com os nossos filhos e netos de lhes deixar uma sociedade mais humanizada.<\/p>\n<p>Torna-se importante consolidar pol&iacute;ticas e regulamenta&ccedil;&atilde;o comuns, sobretudo quando discutimos e avaliamos a realidade Europeia. Essas pol&iacute;ticas devem ser direcionadas para a defesa e promo&ccedil;&atilde;o da concilia&ccedil;&atilde;o do trabalho e da fam&iacute;lia, para a promo&ccedil;&atilde;o da natalidade, para a integra&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores imigrantes e das suas fam&iacute;lias. A Diretiva da U.E. de Tempo de trabalho de 2003, que est&aacute; a ser revista neste momento, diz essencialmente que o tempo de trabalho tem de ser controlado, no entanto, na pr&aacute;tica o poder simb&oacute;lico do empregador &eacute; francamente superior ao do trabalhador, por isso, a uso da Diretiva tem penalizado os trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na etapa do Julgar foi referenciado que o trabalho &eacute; essencial, porque &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para a forma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. O papa Bento XVI relembra a import&acirc;ncia da concilia&ccedil;&atilde;o entre a fam&iacute;lia, o trabalho e a festa (tempo para o lazer). A &ldquo;festa&rdquo; est&aacute; intimamente relacionada com a vida da fam&iacute;lia. O tempo destinado ao descanso necessita de ser cultivado. Para a Igreja, o trabalho significa muito mais do que o trabalho assalariado nascido da revolu&ccedil;&atilde;o industrial, &eacute; tamb&eacute;m o de cuidar da vida, da constru&ccedil;&atilde;o social, criativa e contemplativa.<\/p>\n<p>A pessoa n&atilde;o se pode desenvolver sem a fam&iacute;lia e, sem os outros. Por outro lado a fam&iacute;lia necessita de uma sociedade que a compreenda, que a acolha e que cuide dela.<\/p>\n<p>A pessoa precisa de ser chamada a ser feliz a tomar parte da vida e das decis&otilde;es. Para ser feliz precisa da fam&iacute;lia. A fam&iacute;lia &eacute; uma express&atilde;o de comunidade, &eacute; o lugar mais privilegiado para a socializa&ccedil;&atilde;o. A cultura e os sistemas de prote&ccedil;&atilde;o social s&atilde;o fatores importantes para o desenvolvimento da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na etapa do agir foram v&aacute;rios os desafios lan&ccedil;ados e que constituem um princ&iacute;pio para um compromisso coletivo de todos, para sermos uma voz em defesa de uma maior concilia&ccedil;&atilde;o entre a vida profissional e a vida familiar.&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; imperativo um compromisso de toda a sociedade, da Igreja e de cada um de n&oacute;s, uma vez que para alterar comportamentos discriminat&oacute;rios e violentos &eacute; necess&aacute;rio mudar as mentalidades. Neste contexto, exige-se uma forte interven&ccedil;&atilde;o da Igreja e dos crist&atilde;os;<\/p>\n<p>&Eacute; importante alertar os respons&aacute;veis empresariais e institucionais para a dimens&atilde;o humana do trabalho;<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio perceber a import&acirc;ncia de continuar a proteger o elo mais fraco &ndash; os trabalhadores, e estes devem reorganizar-se no sentido de reconquistar o seu poder negocial;<\/p>\n<p>Que os Estados implementem crit&eacute;rios de bem comum, de equil&iacute;brio entre a pessoa, a fam&iacute;lia e a sociedade, na sua dimens&atilde;o material, social, cultural e pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>O Movimento Europeu redigiu uma carta sobre os direitos sociais da fam&iacute;lia, debatida e assumida pelos participantes, que juntamos a estas conclus&otilde;es, onde est&aacute; presente esta vis&atilde;o de equil&iacute;brio. Por isso &eacute; de todo importante que o seu conte&uacute;do seja conhecido pelas inst&acirc;ncias europeias e pelas comunidades e estruturas eclesiais;<\/p>\n<p>Um apelo forte a que os trabalhadores e suas organiza&ccedil;&otilde;es se impliquem na revis&atilde;o da Diretiva de trabalho para a&iacute; ser inclu&iacute;do uma maior defesa dos direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&Agrave; luz da f&eacute; crist&atilde; temos de come&ccedil;ar a romper, atrav&eacute;s do nosso testemunho e do compromisso c&iacute;vico, com a normalidade e a l&oacute;gica com que &eacute; entendida a fam&iacute;lia, o trabalho e o descanso nos nossos ambientes.<\/p>\n<p>Torres Novas, 12 de junho de 2011<\/p>\n<p><em>LOC\/MTC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realizou-se, entre os dias 9 e 12 de Junho, na cidade de Torres Novas, Portugal, um Semin&aacute;rio Internacional, promovido pela LOC\/MTC sobre o tema: Tempo para o trabalho e para a Fam&iacute;lia. 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