{"id":51707,"date":"2011-06-07T12:20:42","date_gmt":"2011-06-07T12:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/07\/repensar-a-pastoral-e-a-liturgia\/"},"modified":"2011-06-07T12:20:42","modified_gmt":"2011-06-07T12:20:42","slug":"repensar-a-pastoral-e-a-liturgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/repensar-a-pastoral-e-a-liturgia\/","title":{"rendered":"Repensar a pastoral e a liturgia"},"content":{"rendered":"<p>Clara Men\u00e9res <!--more--> <\/p>\n<p>N&atilde;o consigo conceber a pastoral como um plano, um projeto, um m&eacute;todo, um conjunto de ideias e, ainda menos, como uma t&eacute;cnica ou um marketing. Diz-se no texto da CEP, <em>Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal<\/em>, que &ldquo;o processo de catequese (&hellip;) acaba por n&atilde;o gerar crist&atilde;os vivos e empenhados&rdquo;. Creio que o problema da pastoral no nosso pa&iacute;s &eacute; a falta de f&eacute;.<\/p>\n<p>Muita gente pensa que a f&eacute; se resume &agrave; simples cren&ccedil;a ou a uma convic&ccedil;&atilde;o na veracidade dos dogmas, mas a f&eacute; &eacute; algo de mais amplo e complexo. Para os crist&atilde;os, a f&eacute; &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o essencial da sua rela&ccedil;&atilde;o com Deus. &Eacute; uma virtude teologal, o que quer dizer uma gra&ccedil;a concedida pelo pr&oacute;prio Deus, um dom divino. Dar a conhecer o caminho para a vida da f&eacute; &eacute; a principal miss&atilde;o de quem quer formar os futuros crist&atilde;os. &ldquo;Com efeito, &eacute; pela gra&ccedil;a que v&oacute;s sois salvos por meio da f&eacute;; e isso n&atilde;o depende de v&oacute;s, &eacute; dom de Deus.&rdquo; (Ef, 2.8)<\/p>\n<p>O que estou a tentar dizer &eacute; que o tempo da cristandade acabou, estamos a entrar numa &eacute;poca dif&iacute;cil, com as igrejas a ficarem desertas e os crist&atilde;os a serem perseguidos. Neste contexto, do que a Igreja em Portugal necessita &eacute; de cat&oacute;licos que tenham uma f&eacute; bem alicer&ccedil;ada e uma forma&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida. Para tanto, &eacute; preciso encarar a forma&ccedil;&atilde;o espiritual a s&eacute;rio. N&atilde;o se trata de uma simples catequese, que ser&aacute; sempre um pre&acirc;mbulo, uma prepara&ccedil;&atilde;o dos catec&uacute;menos, uma inicia&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica sacramental. Depois de entrarem na comunh&atilde;o dos crentes, os jovens ficam entregues a si pr&oacute;prios e sujeitos aos modelos propostos pela cultura contempor&acirc;nea veiculada pelos <em>media<\/em>: o vedetismo, o sucesso a qualquer pre&ccedil;o, o &ecirc;xito pela posse de bens materiais, o exacerbamento do ego e do narcisismo, ou seja, &agrave;s for&ccedil;as de destrui&ccedil;&atilde;o da sua consci&ecirc;ncia espiritual.<\/p>\n<p>No mundo agressivo em que vivemos, os crist&atilde;os, &ldquo;o resto de Israel&rdquo;, t&ecirc;m de fazer um maior esfor&ccedil;o no campo da forma&ccedil;&atilde;o. J&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel basear a pr&aacute;tica crist&atilde; apenas nas qualidades naturais e na piedade emocional. Acabou o tempo do crist&atilde;o ignorante. A Igreja tem de se esfor&ccedil;ar para que todos os seus membros tenham acesso &agrave; Boa Nova e percebam que s&atilde;o convidados, em Cristo, a tornarem-se no Homem Novo e, coletivamente, na nova Humanidade, como recomenda S. Paulo. (Ef 4, 22-24)<\/p>\n<p>Para al&eacute;m de pensar a pastoral, &eacute; urgente ensinar as pessoas a descobrirem a sua dimens&atilde;o divina, ou seja, a presen&ccedil;a de Deus em cada um, ajud&aacute;-las a desenvolver o embri&atilde;o de vida que nos &eacute; dado pelo dom da f&eacute;, descobrir o rosto de Cristo, &iacute;cone de Deus, e a relacionarem-se com ele no Amor. &Eacute; esse o papel da liturgia, propiciar a adora&ccedil;&atilde;o e transformar o local da celebra&ccedil;&atilde;o num territ&oacute;rio sagrado, o lugar onde Deus se manifesta.<\/p>\n<p>Portanto, o problema da liturgia &eacute; o mesmo da pastoral. H&aacute; um erro de objetivo, o que conduz, em ambos os casos a um resultado insatisfat&oacute;rio. No segundo ponto do Pro&eacute;mio da SC, diz-se que a Liturgia deve ser a express&atilde;o da verdadeira Igreja e, portanto, tudo &ldquo;o que nela &eacute; humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o vis&iacute;vel ao invis&iacute;vel, a a&ccedil;&atilde;o &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o, e o presente &agrave; cidade futura que buscamos&rdquo;. Isto quer dizer que em mat&eacute;ria de liturgia tudo tem de se sujeitar ao Esp&iacute;rito Santo e obedecer-lhe. Qual o caminho para a apreens&atilde;o de algo t&atilde;o subtil? Mais uma vez, continuo a pensar que &eacute; necess&aacute;ria uma longa forma&ccedil;&atilde;o e a aprendizagem pelo exemplo. Em mat&eacute;ria de liturgia o que conta &eacute; o discernimento. Todos os elementos que fazem parte da celebra&ccedil;&atilde;o devem ter a m&aacute;xima qualidade para serem completamente eficazes e essa efic&aacute;cia, como j&aacute; disse, &eacute; de ordem espiritual, sendo que a pr&oacute;pria beleza &eacute; o modo como a espiritualidade se manifesta. Como diz Ratzinger na sua <em>Introdu&ccedil;&atilde;o ao esp&iacute;rito da Liturgia<\/em>, &ldquo;sem F&eacute; n&atilde;o pode haver arte em conformidade com a Liturgia&rdquo;<\/p>\n<p>Tenho visto celebra&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas que s&atilde;o levadas ao extremo da coreografia, tornando a celebra&ccedil;&atilde;o pesada e fastidiosa. Bem sei que este excesso de formalismo tem por inten&ccedil;&atilde;o atingir uma maior qualidade. Mas h&aacute; um erro de discernimento: o que importa n&atilde;o &eacute; a forma mas o Esp&iacute;rito que a preenche. Do mesmo modo a arte n&atilde;o &eacute; apenas uma t&eacute;cnica, uma ilustra&ccedil;&atilde;o ou jogo cuidadoso da composi&ccedil;&atilde;o mas por uma &ldquo;virtude&rdquo; que induz o artista a produzir uma s&iacute;ntese que ultrapassa as leis da raz&atilde;o e a participar do sacramento da salva&ccedil;&atilde;o. A liturgia &eacute; a componente da ora&ccedil;&atilde;o que pretende elevar o esp&iacute;rito do crente at&eacute; Deus. A liturgia deve abrir os c&eacute;us revelando a escada de Jacob onde sobem e descem os anjos.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Clara Men&eacute;res, Escultora<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clara Men\u00e9res<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[127,199,246],"class_list":["post-51707","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-catequese","tag-espiritualidade","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51707\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}