{"id":51701,"date":"2011-06-07T11:14:51","date_gmt":"2011-06-07T11:14:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/06\/07\/restaurar-a-esperanca-dos-portugueses\/"},"modified":"2011-06-07T11:14:51","modified_gmt":"2011-06-07T11:14:51","slug":"restaurar-a-esperanca-dos-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/restaurar-a-esperanca-dos-portugueses\/","title":{"rendered":"Restaurar a esperan\u00e7a dos portugueses"},"content":{"rendered":"<p>Roberto Carneiro <!--more--> <\/p>\n<p>Recordo-me de uma express&atilde;o que ouvi h&aacute; uns 20 anos atr&aacute;s ao Cardeal Poupard, ent&atilde;o presidente do Dicast&eacute;rio da Cultura, no Vaticano.<\/p>\n<p>A frase que me marcou profundamente at&eacute; hoje, e que recordo no momento muito especial que vivemos em Portugal, &eacute; mais ou menos a seguinte: &ldquo;A Esperan&ccedil;a &eacute; a virtude estrat&eacute;gica dos tempos tr&aacute;gicos&rdquo;.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI recorda-no-lo vigorosamente na sua Carta Enc&iacute;ciclica <em>Spe Salvi<\/em>, de 30 de novembro de 2007.<\/p>\n<p>Na sua Carta Enc&iacute;clica diz-nos o Sumo Pont&iacute;fice: &ldquo;A reden&ccedil;&atilde;o &eacute;-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperan&ccedil;a, uma esperan&ccedil;a fidedigna, gra&ccedil;as &agrave; qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for t&atilde;o grande que justifique a canseira do caminho.&rdquo;<\/p>\n<p>Muita &aacute;gua j&aacute; passou por debaixo da ponte das elei&ccedil;&otilde;es de ontem, 5 de junho.<\/p>\n<p>E muito mais &aacute;gua passar&aacute;, para g&aacute;udio da comunica&ccedil;&atilde;o social e terapia dos analistas pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>Pelo meu lado, gostaria apenas de sublinhar que nestas elei&ccedil;&otilde;es, em tempo verdadeiramente cr&iacute;sico, sen&atilde;o tr&aacute;gico, para a comunidade nacional, se v&ecirc; restaurada a esperan&ccedil;a dos portugueses, levantada a alma lusa, retomada a consci&ecirc;ncia de que poderemos vencer a adversidade apesar, e sem embargo, da troika.<\/p>\n<p>&Eacute; esta uma das vantagens &oacute;bvias do regime democr&aacute;tico.<\/p>\n<p>Quando a usura do poder faz evidenciar os seus efeitos, seja pelo autismo no modo como ele &eacute; exercido, seja pela sobranceria no seu exerc&iacute;cio prolongado, o povo tem o poder de, brandindo a &ldquo;arma&rdquo; ao seu dispor &ndash; o voto, proclamar a altern&acirc;ncia democr&aacute;tica e de, por essa via, p&ocirc;r cobro &agrave;s derivas de governa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>E, acrescente-se, o povo portugu&ecirc;s tem revelado uma extraordin&aacute;ria sabedoria sempre que &eacute; chamado a decidir, ao longo dos &uacute;ltimos 37 anos de viv&ecirc;ncia democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>Serve esta li&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas para os que, contundentemente derrotados, deixam a esfera do poder. Mas, constitui igualmente mat&eacute;ria de profunda reflex&atilde;o &ndash; e de aviso &ndash; para aqueles que se veem investidos na nobil&iacute;ssima tarefa de, em confort&aacute;vel maioria parlamentar, se ocuparem da res publica a partir de agora.<\/p>\n<p>Mas de que Esperan&ccedil;a anseiam os portugueses?<\/p>\n<p>Primeiro, uma Esperan&ccedil;a de estabilidade pol&iacute;tica &#8230; e social. O povo portugu&ecirc;s n&atilde;o criou, nem desejou, a crise pol&iacute;tica que levou &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es antecipadas, ainda antes de cumprida metade da legislatura. Castigou exemplarmente os seus fautores e deu um sinal inequ&iacute;voco de ambicionar viver em ambiente sereno para fazer face, com rigor e parcim&oacute;nia, aos dif&iacute;ceis desafios que enfrenta. Mais, o resultado das elei&ccedil;&otilde;es deve ainda ser interpretado como um s&eacute;rio aviso &agrave;queles que, falhos de outros argumentos, amea&ccedil;am novamente com a agita&ccedil;&atilde;o social e as a&ccedil;&otilde;es de rua para fazerem ouvir vozes minorit&aacute;rias, na pueril presun&ccedil;&atilde;o de que os portugueses se deixar&atilde;o intimidar ou assustar com vozearias incongruentes.<\/p>\n<p>Segundo, uma Esperan&ccedil;a de reequil&iacute;brio em valores de humanidade e de convivialidade que respeitam a raiz cultural e espiritual do modo de ser lusitano, ap&oacute;s um per&iacute;odo de teses &ldquo;fraturantes&rdquo; esgrimidas ao sabor de conveni&ecirc;ncias conjunturais da pol&iacute;tica, entendida esta em termos oportunistas e desagregadoras dos alicerces da sociedade, ditados por mero capricho faccioso. Importa reafirmar bem alto a Esperan&ccedil;a num tempo mais &eacute;tico, e coerente com os valores humanistas e crist&atilde;os que desde sempre suportam a matriz civilizacional de Portugal.<\/p>\n<p>Terceiro, uma Esperan&ccedil;a em sinais de futuro, luzes ao fundo do t&uacute;nel, que nas s&aacute;bias palavras de Bento XVI, acima citadas, permitam suportar as canseiras do presente em nome de uma vis&atilde;o mobilizadora de um novo tempo de prosperidade. A Esperan&ccedil;a &eacute;, pois, a virtude estrat&eacute;gica dos portugueses para alimentar a coragem e a determina&ccedil;&atilde;o em virar esta folha delicada do seu livro de nove cent&uacute;rias.<\/p>\n<p>A crise foi praticamente uma constante na hist&oacute;ria destes 900 anos. Mas, mais forte do que a crise que nos assolou em quase perman&ecirc;ncia, a mem&oacute;ria nacional regista sobretudo a vontade inquebrant&aacute;vel de a ultrapassar, de fazer dela uma oportunidade para renascer e se recriar, como comunidade soberana e como na&ccedil;&atilde;o independente.<\/p>\n<p>Sublinho, para remate, que o crist&atilde;o &eacute; portador de uma especial e irrenunci&aacute;vel responsabilidade neste tempo de grande exig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O crist&atilde;o &eacute;, por mandato e por miss&atilde;o, portador da Esperan&ccedil;a; do mesmo passo que a Igreja que, para ser verdadeiramente Ecclesia, tem de ser prof&eacute;tica.<\/p>\n<p>Compete-nos, pois, dar testemunho vivo e inequ&iacute;voco sendo &ldquo;sal da terra&rdquo; e &ldquo;consci&ecirc;ncia&rdquo; prof&eacute;tica da sociedade em que labutamos e vivemos.<\/p>\n<p>H&aacute; apenas dois dias atr&aacute;s, num not&aacute;vel pronunciamento feito no Teatro Nacional de Zagreb, Cro&aacute;cia, o Papa dizia: &ldquo;A qualidade da vida social e civil, a qualidade da democracia dependem em grande parte deste ponto &laquo;cr&iacute;tico&raquo; que &eacute; a consci&ecirc;ncia, de como a mesma &eacute; entendida e de quanto se investe na sua forma&ccedil;&atilde;o (&#8230;) se a consci&ecirc;ncia &eacute; descoberta novamente como lugar da escuta da verdade e do bem, lugar da responsabilidade diante de Deus e dos irm&atilde;os em humanidade &ndash; que &eacute; a for&ccedil;a contra toda a ditadura &ndash; ent&atilde;o h&aacute; esperan&ccedil;a para o futuro.&rdquo;<\/p>\n<p>Confiemos, pois, e afirmemos com vigor a nossa &ldquo;conscienciosa&rdquo; Esperan&ccedil;a crist&atilde; no futuro da na&ccedil;&atilde;o portuguesa.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Roberto Carneiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto Carneiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120],"class_list":["post-51701","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51701\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}