{"id":5169,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/novos-pobres\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"novos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novos-pobres\/","title":{"rendered":"Novos pobres"},"content":{"rendered":"<p>Queixamo-nos com frequ\u00eancia que os media, em particular a televis\u00e3o, passam a vida a moer-nos a paci\u00eancia com not\u00edcias sensacionalistas, muitas vezes marcadas pela trag\u00e9dia. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que cada vez nos tornamos mais ap\u00e1ticos face ao desfile ininterrupto das car\u00eancias humanas, sejam ou n\u00e3o descritas pela comunica\u00e7\u00e3o social. S\u00f3 nos acorda um estrondo bomb\u00e1stico que ameace de perto a nossa seguran\u00e7a, ou abale a nossa acomodada tranquilidade. As not\u00edcias seguem, geralmente, as regras que lhes impomos, exigindo cada vez maior grau de excentricidade para merecerem o m\u00ednimo da nossa aten\u00e7\u00e3o. O drama do desemprego, no nosso pa\u00eds, est\u00e1 a ganhar propor\u00e7\u00f5es de aut\u00eantica cat\u00e1strofe nacional. Mesmo que, em percentagem, esteja abaixo de outros pa\u00edses ou seja puramente conjun-tural. Por muito modernizados que estejamos, em perfeita sintonia com a Europa, fidel\u00edssimos \u00e0s exig\u00eancias do deficit regulamentar, com holofotes virtuais ao fundo do t\u00fanel, esplendorosos sinais de retoma econ\u00f3mica, nunca poderemos encontrar sossego face ao crescente n\u00famero de empresas que impunemente fecham as portas e mandam os trabalhadores para casa. Pode dizer-se que o cen\u00e1rio est\u00e1 a banalizar-se de tal forma que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 cidad\u00e3o que se comova diante desta repeti\u00e7\u00e3o rotineira, e sem fim \u00e0 vista, de homens e mulheres curvados de ang\u00fastia, sem trabalho, e fam\u00edlias inteiras sem o mais pequeno rendimento est\u00e1vel. A Igreja em Portugal tem alertado para estes e outros dramas sociais. A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, na sequ\u00eancia de uma an\u00e1lise fria e documentada publicou, nesta Quaresma, uma verdadeira medita\u00e7\u00e3o social. Levanta muito justamente a sua voz contra este esc\u00e2ndalo, consentido n\u00e3o apenas pelas conveni\u00eancias pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m pelos cidad\u00e3os que se v\u00e3o acomodando e calando face a car\u00eancias sociais dram\u00e1ticas, nomeadamente a praga do desemprego.  N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o partid\u00e1ria ver homens e mulheres \u00e0s portas das empresas, como mendigos dos seus pr\u00f3prios direitos. Sabe-se que grande parte dessas empresas, ao fecharem e despedirem trabalhadores, mais n\u00e3o fazem que uma encena\u00e7\u00e3o teatral para irem obter maiores lucros num qualquer recanto com aur\u00e9ola de global. O pa\u00eds devia sentir mais intensamente este luto por tantos homens e mulheres que foram lan\u00e7ados na indig\u00eancia, al\u00e9m da humilha\u00e7\u00e3o e da ang\u00fastia que atravessam as suas vidas.  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queixamo-nos com frequ\u00eancia que os media, em particular a televis\u00e3o, passam a vida a moer-nos a paci\u00eancia com not\u00edcias sensacionalistas, muitas vezes marcadas pela trag\u00e9dia. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que cada vez nos tornamos mais ap\u00e1ticos face ao desfile ininterrupto das car\u00eancias humanas, sejam ou n\u00e3o descritas pela comunica\u00e7\u00e3o social. 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