{"id":51610,"date":"2011-05-31T12:02:02","date_gmt":"2011-05-31T12:02:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/31\/quantos-paes-tendes-2\/"},"modified":"2011-05-31T12:02:02","modified_gmt":"2011-05-31T12:02:02","slug":"quantos-paes-tendes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quantos-paes-tendes-2\/","title":{"rendered":"Quantos p\u00e3es tendes?"},"content":{"rendered":"<p>Somos n\u00f3s e a terra, o p\u00e3o, a cultura, o esp\u00edrito,  a esperan\u00e7a, conviv\u00eancia, a alegria do presente do futuro. Tudo isto \u00e9 p\u00e3o essencial na nossa mesa.  <!--more--> <\/p>\n<p>Diz-se, com ironia, que a &uacute;nica li&ccedil;&atilde;o que aprendemos da hist&oacute;ria &eacute; que nunca aprendemos as li&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria. Muitas vezes olhamos para ela como uma esp&eacute;cie de penumbra, com antepassados mesmo recentes de tipo hom&uacute;nculo, distantes das luzes que generosamente nos iluminam. Se recapitularmos os dois &uacute;ltimos s&eacute;culos do nosso pa&iacute;s &agrave; procura de realidades como crise, fal&ecirc;ncia, bancarrota, notamos que sempre que isso aconteceu isto &eacute;, sempre que se chegou a uma situa&ccedil;&atilde;o social limite, sem recuo, logo surgiram solu&ccedil;&otilde;es dr&aacute;sticas de emerg&ecirc;ncia conhecidas como revolu&ccedil;&otilde;es, golpes, ditaduras mais ou menos sangrentos. E, aqui e agora, no dia em que os cofres ficarem vazios, os sal&aacute;rios, reformas, subs&iacute;dios, economias reduzidos a zero, as mesas sem p&atilde;o &ndash; poder&aacute; chegar um qualquer salvador, verdadeiro ou falso, seja qual for a sua cor, partido ou qualidade que cair&aacute; nos bra&ccedil;os do povo. Com carta branca para enterrar muitos dos nossos sonhos.<\/p>\n<p>Pode isto n&atilde;o passar do cap&iacute;tulo menor duma qualquer novela. Mas j&aacute; aconteceu e ningu&eacute;m garante que se n&atilde;o possa repetir. Quer isto dizer que possivelmente muitos de n&oacute;s ainda n&atilde;o nos apercebemos onde pode desembocar esta crise. E que, possivelmente, quem estar&aacute; em maior perigo s&atilde;o as crian&ccedil;as e os jovens que v&atilde;o crescer num pa&iacute;s espoliado que viveu ilus&otilde;es e ideais leg&iacute;timos de um lugar digno no xadrez mundial do desenvolvimento. Para bem ou para mal nada se passa isoladamente. Pequeno pa&iacute;s, n&atilde;o &eacute; uma pequena aldeia que se sustenta isolado do resto do mundo. Estamos ligados a um planeta, um mercado material e cultural que nos alimenta e sorve, nos envolve, desenvolve e sufoca, premeia e castiga. H&aacute; depend&ecirc;ncias do fundamental para a nossa subsist&ecirc;ncia, h&aacute; compromissos que se n&atilde;o forem cumpridos nos retiram da mesa o sustento das nossas vidas. Deixando sempre a salvo os que melhor se governam. Veja-se a hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Neste contexto temos de olhar o presente e o futuro coletivamente. Procurando o essencial primeiro e s&oacute; depois o acess&oacute;rio. E compreender quais as nossas prioridades, preocupa&ccedil;&otilde;es, empenhos, apostas, entrega de energias. Aqui entram os nossos princ&iacute;pios, valores, compromissos. A capacidade de trabalho, entrega, ren&uacute;ncia, partilha, consci&ecirc;ncia, sentido dos outros, perce&ccedil;&atilde;o clara de que um pa&iacute;s, uma p&aacute;tria, n&atilde;o &eacute; um ser abstrato ou um ret&acirc;ngulo sem gente. Somos n&oacute;s e a terra, o p&atilde;o, a cultura, o esp&iacute;rito, a esperan&ccedil;a, conviv&ecirc;ncia, a alegria do presente do futuro. Tudo isto &eacute; p&atilde;o essencial na nossa mesa. Mais que os adere&ccedil;os, pequenas e grandes futilidades, investimentos no sup&eacute;rfluo sem sentido nem nobreza. Neste contexto se enquadra o conceito de justi&ccedil;a, equidade, solidariedade, caridade. A doutrina social da Igreja n&atilde;o &eacute; um comp&ecirc;ndio te&oacute;rico moralizador sobre os bens. &Eacute; a tradu&ccedil;&atilde;o rigorosa do Evangelho para a justi&ccedil;a social. Que diz respeito a todos e a todos compromete na procura e distribui&ccedil;&atilde;o p&atilde;o de cada dia.<\/p>\n<p>A grande pergunta provocat&oacute;ria que nos &eacute; feita hoje &eacute; esta: Quantos p&atilde;es tendes?<\/p>\n<p>Ant&oacute;nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos n\u00f3s e a terra, o p\u00e3o, a cultura, o esp\u00edrito, a esperan\u00e7a, conviv\u00eancia, a alegria do presente do futuro. 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