{"id":51608,"date":"2011-05-31T11:55:45","date_gmt":"2011-05-31T11:55:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/31\/a-economia-como-fator-de-convergencia-e-desenvolvimento\/"},"modified":"2011-05-31T11:55:45","modified_gmt":"2011-05-31T11:55:45","slug":"a-economia-como-fator-de-convergencia-e-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-economia-como-fator-de-convergencia-e-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"A economia como fator de converg\u00eancia e desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>A chamada &laquo;economia&raquo; refere-se a uma dimens&atilde;o essencial da vida das sociedades, que condiciona, ou mesmo determina, todo o processo social. A &laquo;Economia&raquo; como real ou suposta ci&ecirc;ncia tem-na como objeto. Mas &eacute; geralmente uma vis&atilde;o superficial e enganadora da mesma. Na verdade, muito do discurso corrente dos economistas de profiss&atilde;o &eacute; frequentemente uma express&atilde;o, consciente ou inconsciente, dos interesses dominantes na economia real, mais do que uma perspetiva l&uacute;cida e objetiva que contribua para corrigir ou melhorar o muito que h&aacute; para corrigir e melhorar na economia &laquo;realmente existente&raquo;. Este facto &eacute; particularmente not&oacute;rio num pa&iacute;s como Portugal, uma das regi&otilde;es da Europa onde s&atilde;o mais acentuadas as desigualdades na reparti&ccedil;&atilde;o dos rendimentos entre grupos sociais e tamb&eacute;m mais acentuado o desemprego, e com continuada tend&ecirc;ncia para agravamento.<\/p>\n<p>Uma circunst&acirc;ncia adicional que tornou mais sombrio este panorama decorre da recente interven&ccedil;&atilde;o na economia e sociedade portuguesas da chamada &laquo;troika&raquo;, com representantes da Uni&atilde;o Europeia e do Fundo Monet&aacute;rio Internacional, com a finalidade anunciada de permitir o acesso aos meios financeiros de que o Pa&iacute;s necessita, a troco de determinada pol&iacute;tica de &laquo;ajustamento estrutural&raquo; que em princ&iacute;pio permita equilibrar as finan&ccedil;as p&uacute;blicas e a balan&ccedil;a de pagamentos externos. Infelizmente, esta &laquo;ajuda&raquo; n&atilde;o &eacute; desinteressada e est&aacute; condicionada por atores do sistema econ&oacute;mico europeu e internacional que agem segundo motiva&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o coincidentes com a vis&atilde;o duma economia mundial mais justa e equilibrada. Mas coincidem, &eacute; certo, com as inef&aacute;veis vis&otilde;es do mundo dos portugueses Dur&atilde;o Barroso e Victor Const&acirc;ncio.<\/p>\n<p>Neste texto procuro referir os fatores que poder&atilde;o determinar, no funcionamento concreto da economia portuguesa, um processo gradual de converg&ecirc;ncia e desenvolvimento, distinto do preconizado pela &laquo;troika&raquo;. Isto de maneira necessariamente simplista e esquem&aacute;tica.<\/p>\n<p>&Eacute; indispens&aacute;vel acentuar em primeiro lugar a natureza do poder pol&iacute;tico em fun&ccedil;&otilde;es no nosso Pa&iacute;s. A economia real n&atilde;o pode corrigir-se se n&atilde;o for a isso compelida por um poder central forte, de larga base de apoio e com l&uacute;cida vis&atilde;o dos objetivos a atingir e dos instrumentos a utilizar para isso.<\/p>\n<p>Acontece que a presente conjuntura pol&iacute;tica e econ&oacute;mica portuguesa &eacute; um intrincado labirinto onde n&atilde;o se vislumbra caminho f&aacute;cil para chegar ao fundo do t&uacute;nel.<\/p>\n<p>N&atilde;o vou aqui ocupar-me da quest&atilde;o pol&iacute;tica, apesar da sua import&acirc;ncia fundamental. Vou refletir um pouco sobre a pol&iacute;tica econ&oacute;mica poss&iacute;vel e desej&aacute;vel, deixando ao leitor o cuidado de procurar o &laquo;apropriado&raquo; poder pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>A dificuldade principal a enfrentar consiste no seguinte: a curto prazo &eacute; necess&aacute;rio e urgente formular e praticar pol&iacute;ticas que reduzam os desequil&iacute;brios existentes em mat&eacute;ria de finan&ccedil;as p&uacute;blicas e balan&ccedil;a de pagamentos externos, mas sem sacrificar objetivos mais exigentes e apenas ating&iacute;veis a m&eacute;dio e longo prazo, em mat&eacute;ria de emprego e crescimento econ&oacute;mico.<\/p>\n<p>H&aacute; portanto, neste panorama, uma inevit&aacute;vel sucess&atilde;o de dois tempos: no imediato, um tempo de austeridade e sacrif&iacute;cio; a m&eacute;dio e longo prazos, um tempo de recupera&ccedil;&atilde;o, melhoria de competitividade e redu&ccedil;&atilde;o da presente desigualdade e exclus&atilde;o social.<\/p>\n<p>N&atilde;o vale a pena iludir as presentes dificuldades com discursos bem intencionados mas que confundem os desejos com as realidades.<\/p>\n<p>Em particular, em mat&eacute;ria de desemprego, &eacute; de ter em conta que h&aacute; dois tipos de desemprego na presente conjuntura nacional: um desemprego de longa dura&ccedil;&atilde;o, de trabalhadores geralmente de baixa qualifica&ccedil;&atilde;o e relativamente idosos; um outro desemprego de trabalhadores mais jovens, de n&iacute;veis de instru&ccedil;&atilde;o superior ou relativamente elevada.<\/p>\n<p>Estes tendem a emigrar, se encontram no estrangeiro empregos adequados &agrave;s suas habilita&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o est&atilde;o dispon&iacute;veis em Portugal. Os outros, de dif&iacute;cil requalifica&ccedil;&atilde;o profissional ter&atilde;o de ser apoiados por alguma forma de seguran&ccedil;a social.<\/p>\n<p>Sendo assim, &eacute; indispens&aacute;vel que a &laquo;austeridade&raquo; seja suportada em primeiro lugar pelos que t&ecirc;m maiores rendimentos, isto &eacute;, pelos ricos e muito ricos e n&atilde;o pelos pobres ou muito pobres, que infelizmente s&atilde;o cada vez mais numerosos no nosso Pa&iacute;s.*<\/p>\n<p>*Uma an&aacute;lise aprofundada desta tem&aacute;tica encontra-se no nosso livro Portugal nas transi&ccedil;&otilde;es. O calend&aacute;rio portugu&ecirc;s desde 1950 (Edi&ccedil;&atilde;o CESOCI)<\/p>\n<p><em>M&aacute;rio Murteira<br \/>Economista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chamada &laquo;economia&raquo; refere-se a uma dimens&atilde;o essencial da vida das sociedades, que condiciona, ou mesmo determina, todo o processo social. 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