{"id":51606,"date":"2011-05-31T11:53:22","date_gmt":"2011-05-31T11:53:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/31\/politicas-pelo-bem-de-todos\/"},"modified":"2011-05-31T11:53:22","modified_gmt":"2011-05-31T11:53:22","slug":"politicas-pelo-bem-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/politicas-pelo-bem-de-todos\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas pelo bem de todos"},"content":{"rendered":"<p>&Eacute; hoje dado assente que Portugal est&aacute; numa das situa&ccedil;&otilde;es mais complexas da sua hist&oacute;ria. Trata-se de uma situa&ccedil;&atilde;o que resulta da conjuga&ccedil;&atilde;o perigosa de fatores externos e da crise internacional com fatores internos, alguns deles cr&oacute;nicos. Todos hoje vemos um modelo de governa&ccedil;&atilde;o politicamente afastado dos cidad&atilde;os e economicamente injusto para as pessoas. Ao mesmo tempo torna-se cada mais evidente um modelo social muit&iacute;ssimo mais avan&ccedil;ado no que se refere &agrave; sa&uacute;de e &agrave; prote&ccedil;&atilde;o social mas que, ao mesmo tempo, demonstra sinais gritantes de pouca solidariedade. &Eacute; verdade que aumentam as d&aacute;divas do Banco Alimentar e &eacute; verdade tamb&eacute;m que aumentam os Bancos de Voluntariado o que resulta do aumento de pessoas a viver com fome (por exemplo 2 em cada 5 crian&ccedil;as portuguesas est&atilde;o em risco de pobreza) e de pessoas a viver em situa&ccedil;&otilde;es de solid&atilde;o e de abandono (atente-se &agrave; situa&ccedil;&atilde;o das pessoas idosas em Portugal).<\/p>\n<p>Ou seja, vivemos hoje num modelo social que se baseia na expectativa que tudo ser&aacute; sempre crescer e para melhor! Mas sabemos j&aacute; do risco claro de que haver&aacute; gera&ccedil;&otilde;es que poder&atilde;o viver pior que os seus pais! Como viver esta contradi&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Neste contexto encontramos pessoas com experi&ecirc;ncias vividas na ultrapassagem de dificuldades e restri&ccedil;&otilde;es! Mas h&aacute; outras sem ela! Entre estas, h&aacute; muitas que n&atilde;o t&ecirc;m rede de suporte, familiar ou outro!<\/p>\n<p>Hoje podemos dizer que o &ldquo;nosso iceberg est&aacute; a derreter&rdquo;! O nosso modelo social e cultural est&aacute; em risco e s&oacute; n&atilde;o vemos se n&atilde;o quisermos. H&aacute; hoje gera&ccedil;&otilde;es a questionar o seu dever de contribuir para a sustentabilidade de gera&ccedil;&otilde;es mais velhas. Vimos, h&aacute; pouco tempo, verdadeiras &ldquo;legalidades imperfeitas&rdquo; quando empresas adotaram mecanismos legais para beneficiar alguns, prejudicando o contributo que seria de muitos. H&aacute; hoje pessoas &ldquo;presas em casa&rdquo; e pessoas abandonadas numa cama de hospital! Temos pessoas menos felizes, que desejam e exigem mais Estado Social mas que dizem estar menos dispon&iacute;veis para contribuir ativamente ou atrav&eacute;s dos seus impostos!<\/p>\n<p>Em suma, falamos hoje da necessidade de medidas para um futuro sustent&aacute;vel. Mas como construir este futuro sem uma altera&ccedil;&atilde;o de comportamentos individuais e coletivos? Como recuperar uma vis&atilde;o de bem comum?<\/p>\n<p>De facto estamos em crise econ&oacute;mica e pol&iacute;tica mas, acima de tudo, vivemos uma crise de &iacute;ndole social que resulta, entre outros fatores, de uma verdadeira in&eacute;rcia para o servi&ccedil;o &agrave; causa p&uacute;blica e para um bem comum. Porque n&atilde;o ver &ldquo;a crise como a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o&rdquo; que nos faz criar e sair ao encontro do outro? Numa sociedade cada vez mais complexa &eacute; fundamental criar condi&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o de solidariedades vividas sob pena criarmos uma excessiva normatiza&ccedil;&atilde;o ou uma enorme desorganiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O momento &eacute; de facto complexo e como tal exige solu&ccedil;&otilde;es adequadas, n&atilde;o apenas de mudan&ccedil;a de imagem ou de cosm&eacute;tica. &Eacute; fundamental uma mudan&ccedil;a de rumo. Poder&iacute;amos colocar na vitrine do pa&iacute;s um an&uacute;ncio: &ldquo;Um rumo coletivo precisa-se&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste sentido, mais do que receitas, modestamente aqui ficam algumas linhas orientadoras para um futuro projeto social global que poder&aacute; assentar numa cultura:<\/p>\n<p>&#8211; da confian&ccedil;a e n&atilde;o apenas do otimismo;<br \/>&#8211; da perseveran&ccedil;a e n&atilde;o do &ecirc;xito;<br \/>&#8211; da responsabilidade e n&atilde;o da culpabilidade;<br \/>&#8211; da esperan&ccedil;a e n&atilde;o da nostalgia\/saudade;<br \/>&#8211; da paci&ecirc;ncia e n&atilde;o da pressa e do imediato;<br \/>&#8211; das coisas e das mudan&ccedil;as pequenas e n&atilde;o da ambi&ccedil;&atilde;o do grandioso;<br \/>&#8211; da proximidade e do acompanhamento e n&atilde;o da dist&acirc;ncia;<br \/>&#8211; da cura e n&atilde;o da condena&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O desafio passa fundamentalmente pela nossa capacidade coletiva de reinventar uma solidariedade simultaneamente micro e macro, onde se interliguem din&acirc;micas locais e de proximidade com a nossa corresponsabilidade nacional. Se &eacute; necess&aacute;rio tomar medidas de cariz imediato para acorrer a necessidades reais &eacute; tamb&eacute;m fundamental alterar comportamentos futuros, fomentando desde j&aacute; uma educa&ccedil;&atilde;o para o servi&ccedil;o e para o compromisso c&iacute;vico nas gera&ccedil;&otilde;es mais jovens.<\/p>\n<p>&Eacute; essencial introduzir a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;bem comum&rdquo; como finalidade de toda a a&ccedil;&atilde;o a desenvolver (independentemente das cren&ccedil;as que professemos), tendo sempre subjacente uma l&oacute;gica de verdadeira subsidiariedade entendida como co responsabiliza&ccedil;&atilde;o pelo desenvolvimento e crescimento do outro como Pessoa, grupo ou comunidade.<\/p>\n<p>&Eacute; urgente refor&ccedil;ar os mecanismos de solidariedade e de coes&atilde;o social existentes, tornando-os mais justos e equitativos, mas ao mesmo tempo investir numa racionalidade da economia do dom como via para passar do &ldquo;eu solit&aacute;rio ao n&oacute;s solid&aacute;rio&rdquo; e assim garantir a sustentabilidade da nossa vida em e ComUnidade.<\/p>\n<p><em>Henrique Joaquim<br \/>Professor Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; hoje dado assente que Portugal est&aacute; numa das situa&ccedil;&otilde;es mais complexas da sua hist&oacute;ria. 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