{"id":51496,"date":"2011-05-21T12:19:00","date_gmt":"2011-05-21T12:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/21\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-beatificacao-da-madre-maria-clara-do-menino-jesus\/"},"modified":"2011-05-21T12:19:00","modified_gmt":"2011-05-21T12:19:00","slug":"homilia-de-d-jose-policarpo-na-beatificacao-da-madre-maria-clara-do-menino-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-beatificacao-da-madre-maria-clara-do-menino-jesus\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na beatifica\u00e7\u00e3o da Madre Maria Clara do Menino Jesus"},"content":{"rendered":"<p><em>&laquo;A Santidade &eacute; a identidade do crist&atilde;o&raquo;<\/em><\/p>\n<p>1. Reunimo-nos hoje, aqui, para celebrarmos a proclama&ccedil;&atilde;o da santidade de uma crist&atilde;, nascida e baptizada na nossa cidade de Lisboa, a Madre Maria Clara do Menino Jesus. Esta proclama&ccedil;&atilde;o, feita com a autoridade apost&oacute;lica de Sua Santidade Bento XVI, aqui representado por Sua Emin&ecirc;ncia o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congrega&ccedil;&atilde;o para a Causa dos Santos, lembra a todos os crist&atilde;os da Igreja de Lisboa, de modo particular &agrave;s Irm&atilde;s da Congrega&ccedil;&atilde;o que fundou, que a santidade &eacute; a meta da voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;; ela exprime a identidade profunda do crist&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta proclama&ccedil;&atilde;o garante-nos, com a autoridade apost&oacute;lica da Igreja, que Madre Maria Clara, no termo da sua peregrina&ccedil;&atilde;o terrena, ouviu de Cristo, a porta de todo o caminho de santidade, aquele convite que o pr&oacute;prio Jesus anunciou: &ldquo;Vinde, benditos de meu Pai; recebei como heran&ccedil;a o Reino que vos est&aacute; preparado desde a cria&ccedil;&atilde;o do mundo&rdquo; (Mt. 25,34).<\/p>\n<p>2. A santidade &eacute; uma experi&ecirc;ncia humana que s&oacute; Deus conhece. Na ora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, a Igreja repete continuamente: &ldquo;V&oacute;s, Senhor, sois verdadeiramente Santo, sois a fonte de toda a santidade&rdquo;. Ser Santo &eacute; viver a vida numa progressiva identifica&ccedil;&atilde;o com Cristo que nos introduz no mist&eacute;rio do amor trinit&aacute;rio. S&oacute; mergulhando nesse mist&eacute;rio insond&aacute;vel do amor divino, se pode viver santamente a vida. Esse mergulhar no mist&eacute;rio de Deus, transforma toda a nossa vida. &Eacute; por isso que Deus Pai, depois de nos unirmos ao seu Filho Jesus Cristo, no baptismo, nos comunica o dom do Esp&iacute;rito Santo. Receber o Esp&iacute;rito Santo &eacute; aceitar e desejar que a voragem do amor divino transforme toda a nossa vida. Se Cristo &eacute; a porta da santidade, o Esp&iacute;rito Santo &eacute; a for&ccedil;a que a realiza. Ser Santo &eacute; deixar que toda a nossa vida seja obra do Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>A santidade de um crist&atilde;o &eacute; uma realidade t&atilde;o densa como o mist&eacute;rio de Deus. S&oacute; Deus conhece como ela se exprimiu em cada um. O que foi a vida de santidade desta crist&atilde;, s&oacute; Deus o conhece. Como o amor de Deus a envolveu e se transformou em for&ccedil;a para amar. Os momentos mais fortes viveu-os, certamente, no sil&ecirc;ncio da sua adora&ccedil;&atilde;o e &eacute;, tamb&eacute;m, no sil&ecirc;ncio adorante, que acolhemos o dom desta vida santa, fecunda para toda a Igreja, porque no amor de um santo exprime-se a fecundidade de amor com que Deus continua a amar o mundo, no seu Filho Jesus Cristo.<\/p>\n<p>3. Mas se a santidade de um crist&atilde;o &eacute; um segredo que s&oacute; Deus conhece, ela &eacute; sempre, na Igreja, um sinal do Reino de Deus, do Povo do Senhor, que Ele santifica com o seu amor. A santidade de cada crist&atilde;o edifica a Igreja, contribui para que ela seja a &ldquo;Santa Igreja de Deus&rdquo;. A maneira como um santo vive &eacute; sempre uma interpela&ccedil;&atilde;o &agrave; fidelidade e &agrave; santidade. Como Jesus disse aos disc&iacute;pulos, &ldquo;pelos frutos se conhece a &aacute;rvore&rdquo;. Um Santo &eacute;, pela sua vida, um testemunho de que o Reino de Deus &eacute; poss&iacute;vel. A santidade de um crist&atilde;o chega at&eacute; n&oacute;s atrav&eacute;s do seu testemunho de vida, que nos abre para o mist&eacute;rio da santidade vivida no sil&ecirc;ncio de Deus.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; dois santos iguais. Sendo uma resposta pessoal a um apelo cont&iacute;nuo do amor, envolve a hist&oacute;ria pessoal de cada um, os dons pessoais com que foi criado, a sua resposta aos apelos concretos das circunst&acirc;ncias, do tempo e da hist&oacute;ria. Um Santo exprime sempre a actualidade do amor de Deus na hist&oacute;ria dos homens e nas circunst&acirc;ncias concretas de cada tempo. Como diz S&atilde;o Paulo, s&atilde;o muitos e variados os dons, um s&oacute; &eacute; o Esp&iacute;rito que os unifica a todos na constru&ccedil;&atilde;o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Nesta variedade da santidade pessoal h&aacute; coordenadas comuns que levam todos os caminhos humanos de fidelidade a cruzarem-se em Cristo, o primeiro Homem a viver plenamente a santidade de Deus. Todos os caminhos de santidade sup&otilde;em sempre um seguimento de Cristo, a identifica&ccedil;&atilde;o com Ele, a imita&ccedil;&atilde;o de Cristo. &ldquo;Tende em v&oacute;s os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus&rdquo; (Fil. 2,5), foi o desafio de Paulo aos Filipenses. E s&oacute; na intimidade com Ele, que nos oferece em cada Eucaristia, podemos penetrar no insond&aacute;vel desses sentimentos. Ele que, sendo Deus, se humilhou &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de servo, para fazer dos escravos, filhos.<\/p>\n<p>A verdade da sua rela&ccedil;&atilde;o filial com o Pai inspira todos os seus sentimentos durante a sua miss&atilde;o humana. A sua fidelidade &agrave; miss&atilde;o exige que a sua vontade humana se conforme sempre &agrave; vontade do Pai; sem deixarem de ser duas vontades, exprimem-se como se fosse uma s&oacute;. E essa vontade tem um objectivo, o de que todos os homens se salvem. A vida torna-se, inevitavelmente, um dom pelos outros.<\/p>\n<p>Um outro sentimento de Jesus &eacute; a sua predilec&ccedil;&atilde;o pelos pobres e aflitos, com os quais se identifica. O Santo &eacute; chamado a amar os pobres e aflitos como se fossem o pr&oacute;prio Cristo. Essa atitude, vit&oacute;ria sobre todos os ego&iacute;smos, triunfo da gratuidade do amor, guardada no sil&ecirc;ncio de Deus, tornar-se-&aacute; expl&iacute;cita no ju&iacute;zo final: &ldquo;Em verdade vos digo, o que fizestes a um dos meus irm&atilde;os mais pequeninos, a Mim o fizestes&rdquo; (Mt. 25, 45). O Santo torna-se, assim, no concreto da vida das pessoas, &ldquo;o rosto da ternura e da miseric&oacute;rdia de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>4. Acabo de usar a express&atilde;o com que a actual Superiora Geral das Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras, definiu Madre Clara: ela fez sentir a ternura de Deus. Lib&acirc;nia do Carmo, que tomou em religi&atilde;o o nome de Clara do Menino Jesus, nasceu num tempo singular e sentiu os desafios de ser crist&atilde; e de ser Igreja, numa sociedade cultural e politicamente a afastar-se do ideal crist&atilde;o. As crises sociais e as epidemias da peste indicaram-lhe os pobres como destinat&aacute;rios do seu amor. Mas n&atilde;o esque&ccedil;amos a sua ousadia mission&aacute;ria e a sua firmeza, mostrada perante todas as dificuldades com que se foi deparando. E as que encontrou no seio da sua pr&oacute;pria fam&iacute;lia religiosa n&atilde;o foram, certamente, as mais f&aacute;ceis. Mas n&atilde;o desistir &eacute; apan&aacute;gio dos santos.<\/p>\n<p>Fundou uma Congrega&ccedil;&atilde;o Religiosa. Na segunda metade do s&eacute;c. XIX, em Portugal, foi ousadia not&aacute;vel. N&atilde;o copiou nenhuma j&aacute; existente, pois queria responder ao momento que ent&atilde;o se vivia. Percebeu que a mulher que quer ser santa &eacute; chamada a ser uma explos&atilde;o do amor de Deus, aquele amor que transforma o mundo.<\/p>\n<p>&Agrave;s Irm&atilde;s da Congrega&ccedil;&atilde;o que fundou, ela lan&ccedil;a um desafio: sejam hoje o que a circunst&acirc;ncia concreta do sofrimento humano exige de v&oacute;s. E a todas as nossas jovens, que pertenceis &agrave; mesma Igreja de Madre Clara, ela lan&ccedil;a um desafio: se quereis ser santas, deixai que a vossa vida seja uma explos&atilde;o do amor de Deus. Respondei aos desafios do momento presente; transformai as formas antigas, inventai formas novas, se for preciso. Escutai a voz do amor, o que o mesmo &eacute; dizer, escutai Jesus Cristo, deixai-vos transformar pelo Esp&iacute;rito Santo e digamos com esperan&ccedil;a: bem-aventurada Madre Clara, intercedei por n&oacute;s.<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<br \/><\/em><em>Est&aacute;dio do Restelo, 21 de Maio de 2011<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;A Santidade &eacute; a identidade do crist&atilde;o&raquo; 1. Reunimo-nos hoje, aqui, para celebrarmos a proclama&ccedil;&atilde;o da santidade de uma crist&atilde;, nascida e baptizada na nossa cidade de Lisboa, a Madre Maria Clara do Menino Jesus. 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