{"id":51424,"date":"2011-05-17T12:37:59","date_gmt":"2011-05-17T12:37:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/17\/sinais-de-esperanca-2\/"},"modified":"2011-05-17T12:37:59","modified_gmt":"2011-05-17T12:37:59","slug":"sinais-de-esperanca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sinais-de-esperanca-2\/","title":{"rendered":"Sinais de Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Gon\u00e7alo Barata, economista <!--more--> <\/p>\n<p>Numa entrevista recente &agrave; R&aacute;dio Renascen&ccedil;a o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa explicava que n&atilde;o tinha mem&oacute;ria de um per&iacute;odo, como o de hoje, em que a Igreja Portuguesa &eacute; chamada a acudir, de forma sistem&aacute;tica, a situa&ccedil;&otilde;es sociais de emerg&ecirc;ncia. E que o fazia, dentro das possibilidades, mas lucidamente consciente de que essa n&atilde;o podia ser a solu&ccedil;&atilde;o. Que solu&ccedil;&atilde;o para o flagelo dos socialmente exclu&iacute;dos e qual o papel que as decis&otilde;es pol&iacute;ticas podem ter neste momento de decis&atilde;o eleitoral que Portugal atravessa? Sempre houve pobres no mundo e Jesus Cristo lembrou-nos que sempre os haver&aacute;. Mas a natureza humana e a evolu&ccedil;&atilde;o da civiliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o contr&aacute;rias a compreender que hoje possamos viver em piores condi&ccedil;&otilde;es do que ontem. O combate &agrave; pobreza e o desenvolvimento civilizacional s&atilde;o aspira&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas do Homem. Porqu&ecirc; o tema da exclus&atilde;o social e dos mais necessitados como um dos poucos pontos de preocupa&ccedil;&atilde;o consensual nos programas de todos os partidos pol&iacute;ticos que se apresentam &agrave;s pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es do dia 5 de junho? Por eleitoralismo puro? N&atilde;o parece prov&aacute;vel quando se sabe que os mais pobres dos pobres s&atilde;o uma pequena franja do eleitorado. A maior fatia do eleitorado &eacute; a chamada classe m&eacute;dia, que &eacute;, precisamente, a que parece vir a sofrer mais com o programa de ajustamento imposto pelo financiamento FMI\/CE. Quando o ponto de partida dos programas dos partidos &eacute; a inevitabilidade de sacrif&iacute;cios para os pr&oacute;ximos anos, o facto de o tema da exclus&atilde;o social ser central em todos os programas pol&iacute;ticos &eacute;, pois, o primeiro sinal de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada houve um crescimento not&aacute;vel nos apoios p&uacute;blicos aos mais pobres. Na verdade, a maior fatia do crescimento dos gastos do Estado deveu-se ao crescimento dos apoios sociais. Mas o reverso da medalha foi esse crescimento dos recursos distribu&iacute;dos ter sido quase sim&eacute;trico do crescimento insustent&aacute;vel da d&iacute;vida p&uacute;blica. Com a riqueza nacional estagnada durante uma d&eacute;cada, foram distribu&iacute;dos recursos provenientes de endividamento contra&iacute;do no estrangeiro. A redistribui&ccedil;&atilde;o do rendimento, para combater a exclus&atilde;o social, deve ser uma prioridade de qualquer programa pol&iacute;tico. Mas anterior &agrave; redistribui&ccedil;&atilde;o est&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o de riqueza e n&atilde;o o endividamento. A economia assistencial s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel se tiver por base uma forte economia reprodutiva.<\/p>\n<p>Neste momento de excecional urg&ecirc;ncia nacional, gerou-se a ideia que o FMI e a CE ir&atilde;o governar Portugal. Disse-se que a contrapartida do financiamento &eacute; um verdadeiro programa de governo, com o detalhe e quantifica&ccedil;&atilde;o nunca antes vista em Portugal. Mas a verdade &eacute; que desenhar um programa &eacute; infinitamente mais f&aacute;cil do que execut&aacute;-lo. E a urg&ecirc;ncia de executar um plano com crescimento de emprego e produ&ccedil;&atilde;o, com equil&iacute;brio de contas p&uacute;blicas e com prote&ccedil;&atilde;o dos mais fracos s&oacute; &eacute; conceb&iacute;vel se as melhores compet&ecirc;ncias de Portugal forem reunidas. Todos somos chamados a dar o nosso contributo. Com o nosso trabalho, com a nossa participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que come&ccedil;a no voto e com a nossa aten&ccedil;&atilde;o mais dedicada ao pr&oacute;ximo que se encontra em dificuldades.<\/p>\n<p>Em diversos momentos de dificuldades nacionais s&eacute;rias da nossa hist&oacute;ria, houve a ideia de que os problemas de Portugal se resolveriam com uma mudan&ccedil;a de regime. Aconteceu com o descalabro das invas&otilde;es francesas e revolu&ccedil;&atilde;o liberal, com a bancarrota de 1892 e o fim da monarquia ou com a guerra colonial e o 25 de Abril. Neste momento, a democracia portuguesa n&atilde;o parece ser posta em causa enquanto regime. Mas os partidos, que s&atilde;o, indiscutivelmente, o centro do regime democr&aacute;tico, s&atilde;o vistos com desconfian&ccedil;a, desilus&atilde;o e indiferen&ccedil;a. A indiferen&ccedil;a &eacute; mais forte do que a zanga e a desilus&atilde;o. Seria um sinal de esperan&ccedil;a muito importante que a participa&ccedil;&atilde;o nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es desse sinais de invers&atilde;o do desinteresse crescente que os portugueses t&ecirc;m pela participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Por mais dificuldade que os eleitores tenham em rever-se nos partidos pol&iacute;ticos, n&atilde;o existe sintoma mais negativo para o pr&oacute;prio regime do que a indiferen&ccedil;a. Os problemas s&eacute;rios com que Portugal se depara s&atilde;o resultado de um esfor&ccedil;o coletivo insuficiente. E a primeira causa de esfor&ccedil;o insuficiente &eacute; o alheamento para a causa comum que come&ccedil;a na absten&ccedil;&atilde;o eleitoral.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Gon&ccedil;alo Barata, economista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gon\u00e7alo Barata, economista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[92,191],"class_list":["post-51424","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-25-de-abril","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51424\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}