{"id":51418,"date":"2011-05-17T11:51:08","date_gmt":"2011-05-17T11:51:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/17\/uma-vida-intemporal-uma-mensagem-para-hoje\/"},"modified":"2011-05-17T11:51:08","modified_gmt":"2011-05-17T11:51:08","slug":"uma-vida-intemporal-uma-mensagem-para-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-vida-intemporal-uma-mensagem-para-hoje\/","title":{"rendered":"Uma vida intemporal, uma mensagem para hoje"},"content":{"rendered":"<p>Paula Cristina Martins, Pr\u00f3-Reitora da Universidade do Minho <!--more--> <\/p>\n<p><em><em>Onde houver o bem a fazer, que se fa&ccedil;a<\/em><\/em><\/p>\n<p>O tempo hist&oacute;rico em que uma vida se desenrola constitui o cen&aacute;rio de um argumento no qual cada um &eacute; chamado a participar, construindo coletivamente a narrativa em curso, feita de uma constela&ccedil;&atilde;o complexa de a&ccedil;&otilde;es e rela&ccedil;&otilde;es, de discursos e sentidos m&uacute;ltiplos, traduzindo esse tempo numa combina&ccedil;&atilde;o singular que o configura como &ldquo;o nosso tempo&rdquo;. T&atilde;o diferente dos que o precederam e certamente dos que vir&atilde;o, mas simultaneamente t&atilde;o igual, pleno de contradi&ccedil;&otilde;es e adversidades, de avan&ccedil;os e retrocessos, de magn&iacute;ficas realiza&ccedil;&otilde;es e terr&iacute;veis acontecimentos, &eacute;, em qualquer caso, um tempo feliz, porque &eacute; o que nos &eacute; dado viver, o que &eacute; habitado pela nossa exist&ecirc;ncia, o nosso lugar no mundo.<\/p>\n<p>E o papel que temos neste filme, de protagonistas do quotidiano ou figurantes da nossa pr&oacute;pria vida, de her&oacute;is de causas comuns, personagens redondas ou planas, principais ou secund&aacute;rias, &eacute;-nos dado por um gui&atilde;o que inevitavelmente reescrevemos ou, pelo menos, interpretamos de forma original e &uacute;nica.<\/p>\n<p>Marc Aug&eacute;, o te&oacute;rico dos &ldquo;n&atilde;o-lugares&rdquo;, refere-se aos espa&ccedil;os impessoais e an&oacute;nimos que marcam os quotidianos contempor&acirc;neos, relativamente aos quais frequentemente os indiv&iacute;duos se sentem mais espetadores do que atores; desviando o seu olhar e assim desqualificando os lugares, esvaziando-os de conte&uacute;do e sentido.<\/p>\n<p>Tomando emprestada a imagem, certamente numa generaliza&ccedil;&atilde;o pouco rigorosa, muitas pessoas escolhem tornar a sua vida num n&atilde;o-lugar, uma esp&eacute;cie de passagem que n&atilde;o marcam indelevelmente com o cunho da sua presen&ccedil;a, que n&atilde;o &eacute; significativa nem para si pr&oacute;prios nem para os outros, <em>vivendo<\/em>, nas palavras de Jos&eacute; R&eacute;gio, <em><em>com o mesmo sem-vontade com que rasgaram<\/em><\/em><em> o ventre de suas m&atilde;es<\/em>. Reclamando o ideal, rejeitam o real, declinando o seu papel de construtores do presente e arquitetos do futuro.<\/p>\n<p>N&atilde;o foi assim a Irm&atilde; Maria Clara. Clara <em>n&atilde;o foi a&iacute;<\/em>. Animada por uma convic&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima que concretizou de forma persistente e audaz, contra toda a evid&ecirc;ncia, mobilizada por uma inexplic&aacute;vel obstina&ccedil;&atilde;o que a levou al&eacute;m<em> do que prometia a for&ccedil;a humana, <\/em>a Irm&atilde; Maria Clara teve na sua f&eacute; a alavanca que lhe permitiu mover obst&aacute;culos, contornar as dificuldades, converter as amea&ccedil;as em oportunidades. Face ao que parecia imposs&iacute;vel n&atilde;o desistiu. Tomou nas suas m&atilde;os o poss&iacute;vel e tornou o poss&iacute;vel real. Fez da fraqueza for&ccedil;a e projetou o passado em que viveu no presente que hoje celebramos pelo dinamismo de futuro de que o inseminou. Vivendo, multiplicou a Vida, projetou o seu pensamento, prolongou a sua a&ccedil;&atilde;o e imprimiu na sua descend&ecirc;ncia essa incans&aacute;vel motiva&ccedil;&atilde;o chamada f&eacute; e essa identidade pr&oacute;pria, traduzida no carisma diferenciador da hospitalidade.<\/p>\n<p>Palavras estranhas em tempos diferentes! A hospitalidade, essa qualidade tecida por uma aten&ccedil;&atilde;o qualificada ao outro, pela descentra&ccedil;&atilde;o de si pr&oacute;prio, pela disponibilidade total e valoriza&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na da pessoa que passa por n&oacute;s. A hospitalidade &eacute; a express&atilde;o festiva de estarmos vivos, juntos, de nos termos cruzado na imensa improbabilidade do encontro. Constituindo-se como um universal da rela&ccedil;&atilde;o, a hospitalidade n&atilde;o &eacute; instrumental; &eacute; gratuita, espont&acirc;nea, mas consistente e ancorada numa atitude de princ&iacute;pio e consci&ecirc;ncia para com todos. Ser hospitaleiro &eacute; dizer por palavras e a&ccedil;&otilde;es <em>alegro-me com a tua vida<\/em> ou, como preferem os mu&ccedil;ulmanos, <em>a minha casa enche-se de luz com a tua presen&ccedil;a<\/em>.<\/p>\n<p>Obviamente, n&atilde;o sou contempor&acirc;nea da Irm&atilde; Clara, mas vivi na sua casa, convivi com as suas e minhas irm&atilde;s, aprendi com elas a simplicidade essencial e o acolhimento universal, que se diz em v&aacute;rias l&iacute;nguas e espa&ccedil;os da geografia do mundo, por gentes de cor diferente, congregadas na mesma causa: <strong><em>&ldquo;<\/em><\/strong><em><em>Onde houver o bem a fazer, que se fa&ccedil;a&rdquo;<\/em><\/em><em>.<\/em><strong> <\/strong>&Eacute; assim que ensinam a viver as Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, celebrando o car&aacute;ter e o legado da sua fundadora, que lhes deu um rosto, um gesto, uma presen&ccedil;a, um horizonte e uma palavra-sil&ecirc;ncio que traduz a contempla&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o, matriz desta congrega&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Quem assim transcende o tempo e o espa&ccedil;o merece certamente ser elevado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o excecional de refer&ecirc;ncia e modelo de vida. Se do s&eacute;culo XIX at&eacute; ao s&eacute;culo XXI, pelo exemplo e testemunho das Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, posso afirmar <em>a tua vida fez a diferen&ccedil;a na minha vida<\/em>, h&aacute; certamente aqui algo de prodigioso que importa relevar e que reflete a pertin&ecirc;ncia e atualidade da vida e obra de uma mulher do s&eacute;culo XIX.<\/p>\n<p>Por isso, &eacute; com imensa alegria e um sentimento de profunda gratid&atilde;o que me uno &agrave; ConFHIC no dia 21 de maio &ndash; dia da beatifica&ccedil;&atilde;o da Irm&atilde; Clara &ndash; para festejar o reconhecimento universal do dom para a humanidade do carisma intemporal de que s&atilde;o felizes mensageiras.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Paula Cristina Martins,&nbsp;<\/em><em>Pr&oacute;-Reitora da Universidade do Minho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Cristina Martins, Pr\u00f3-Reitora da Universidade do Minho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-51418","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51418"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51418\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}