{"id":5137,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-paixao-de-cristo-3\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-paixao-de-cristo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-paixao-de-cristo-3\/","title":{"rendered":"\u00abA Paix\u00e3o de Cristo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>O coment\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa Mission\u00e1ria <!--more--> N\u00e3o deixa de ser significativo que um filme sobre a Paix\u00e3o de Jesus, esteja  a ser um dos filmes mais medi\u00e1ticos dos \u00faltimos tempos, tanto mais que se trata de um filme sem concess\u00f5es  nem atenuantes de qualquer esp\u00e9cie. N\u00e3o h\u00e1 revista ou jornal que n\u00e3o se tenha sentido na obriga\u00e7\u00e3o de ir ver o filme e sobre ele emitir  a sua opini\u00e3o. Penso que este filme pode ser abordado de diferentes \u00e2ngulos. Sob o ponto de vista hist\u00f3rico, o filme, salvo um ou outro pormenor pouco relevante, \u00e9 fiel \u00e0 narrativa evang\u00e9lica. N\u00e3o nos reserva efectivamente surpresas. A paix\u00e3o do Senhor, na narrativa evang\u00e9lica, \u00e9 de facto algo de dram\u00e1tico e terr\u00edvel e s\u00f3 a rotina com que nos habituamos a esta leitura lhe pode ter tirado a dramaticidade. Estilizamos de tal maneira a paix\u00e3o de Cristo que a esvaziamos de toda a sua dram\u00e1tica profundidade. A uma espiritualidade medieval que se comprazia na flagela\u00e7\u00e3o e na tortura, opusemos uma espiritualidade soft, onde a cruz tem dificuldade em entrar. Penso que  este \u00e9 o primeiro m\u00e9rito do filme de Gibson: restituir \u00e0 paix\u00e3o do Senhor tudo o que ela teve de horr\u00edvel e hediondo. Diante dos nossos olhos passa todo o horror de uma f\u00faria popular capaz de todos os extremos. Nem se diga que se trata de um sofrimento pelo sofrimento. O filme \u00e9 suficientemente elucidativo para nos ir recordando, em breves flashes, os valores que a paix\u00e3o do Senhor encerra. Uma leitura crist\u00e3 deste filme permite-nos ainda ver nesta Paix\u00e3o, a paix\u00e3o de todos os justi\u00e7ados, todos os silenciados pelas for\u00e7as do ter ou do poder, todas as v\u00edtimas da exclus\u00e3o e da viol\u00eancia. Em todos os tempos, a crueldade humana condena inocentes: os campos de concentra\u00e7\u00e3o, as extermina\u00e7\u00f5es colectivas, as vidas amorda\u00e7adas  n\u00e3o fazem sen\u00e3o continuar e repetir a paix\u00e3o do Senhor. O Corpo de Cristo continua a ser golpeado at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o e n\u00e3o faltam carrascos que o continuem a crucificar, nem Pilatos que continuem a lavar  as m\u00e3os. A paix\u00e3o de Cristo \u00e9 um grito feito da dor todos os inocentes justi\u00e7ados. No entanto, \u00e9 preciso dizer-se, Gibson n\u00e3o nos abre esta janela. O filme \u00e9 meramente narrativo, fechado no seu pr\u00f3prio enredo. Sob o ponto de vista da engenharia cinematogr\u00e1fica, merecem destaque a fotografia e o movimento que o realizador conseguiu imprimir ao filme.  Penso, no entanto, que Gibson n\u00e3o resistiu \u00e0 ret\u00f3rica e \u00e0 espectaculosidade f\u00e1cil. Os  grandes planos, a insist\u00eancia nos movimentos e nos gestos de pormenor, atingem aqui propor\u00e7\u00f5es dantescas. \u00c9 um filme excessivo, desde a primeira \u00e0 ultima cena. Basta recordar o desespero de Judas, a flagela\u00e7\u00e3o, a coroa\u00e7\u00e3o de espinhos, a crucifix\u00e3o. At\u00e9 a resist\u00eancia f\u00edsica de Cristo ultrapassa tudo o que se possa imaginar. Os sentimentos tomam o corpo dos personagens e apoderam-se de todo o \u00e9cran. O cl\u00edmax n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9guas ao telespectador e prende-o de tal maneira \u00e0 cadeira, que ningu\u00e9m ousa abandonar a sala. Mesmo depois do filme acabar, o sil\u00eancio apoderou-se de tal maneira de n\u00f3s, que vem connosco para a rua a doer e a incomodar. Quanto ao t\u00e3o discutido anti-semitismo do filme, n\u00e3o penso que essa preocupa\u00e7\u00e3o tenha estado nas inten\u00e7\u00f5es do autor, mesmo se se conhece  a sua milit\u00e2ncia religiosa. Nada no filme nos pode induzir a isso, mesmo se se sublinha, talvez demasiado, o contraste entre a leitura  romana do processo de Jesus e a cegueira  judaica. No entanto, sendo o problema judaico um problema em carne viva, \u00e9 evidente que o filme poder\u00e1 acordar uma mem\u00f3ria inc\u00f3moda que a Igreja Cat\u00f3lica procurou j\u00e1 purificar com o Vaticano II .   Ad\u00e9lio Torres Neiva, Publica\u00e7\u00e3o conjunta da Miss\u00e3o Press &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa Mission\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O coment\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa Mission\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[199],"class_list":["post-5137","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5137"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5137\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}