{"id":51263,"date":"2011-05-06T13:33:27","date_gmt":"2011-05-06T13:33:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/06\/acege-empresarios-cristaos-reflectem-sobre-a-crise\/"},"modified":"2011-05-06T13:33:27","modified_gmt":"2011-05-06T13:33:27","slug":"acege-empresarios-cristaos-reflectem-sobre-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/acege-empresarios-cristaos-reflectem-sobre-a-crise\/","title":{"rendered":"ACEGE: Empres\u00e1rios crist\u00e3os reflectem sobre a crise"},"content":{"rendered":"<p>1 &#8211; O facto do Estado portugu&ecirc;s ter chegado a uma situa&ccedil;&atilde;o de quase insolv&ecirc;ncia significa que o seu modelo n&atilde;o &eacute; sustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>Se Portugal n&atilde;o tiver ajuda externa, ou vier a perd&ecirc;-Ia, o Estado social faliu. Se Portugal tiver ajuda externa, ter&aacute; de recriar o Estado social para o poder manter. A defesa do Bem Comum, da coes&atilde;o social e dos mais desprotegidos implica enfrentar esta quest&atilde;o.<\/p>\n<p>2 &#8211; Igualmente, a economia portuguesa n&atilde;o cresce h&aacute; uma d&eacute;cada. Sem crescimento econ&oacute;mico, a degrada&ccedil;&atilde;o do Estado social e o agravamento do desemprego e da pobreza ser&atilde;o uma inevitabilidade e a capacidade para pagar eventual empr&eacute;stimo externo uma perigosa incerteza.<\/p>\n<p>A prioridade do crescimento econ&oacute;mico n&atilde;o decorre de uma vis&atilde;o materialista ou economicista, pelo contr&aacute;rio, &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria de defesa do Bem Comum.<\/p>\n<p>3 &#8211; Sendo inevit&aacute;vel recriar o modelo econ&oacute;mico e social, esta redefini&ccedil;&atilde;o deve ser inspirada nos valores do humanismo crist&atilde;o, corporizado na doutrina social cat&oacute;lica e nos seus princ&iacute;pios nucleares: dignidade da pessoa humana, bem comum, subsidiariedade e solidariedade.<\/p>\n<p>Imp&otilde;e-se um novo pensamento transformador sobre a realidade, um pensamento neo-social, seja por contraposi&ccedil;&atilde;o ao pensamento estatista que nos bloqueou e assistiu &agrave; insolv&ecirc;ncia do Estado social, seja por contraposi&ccedil;&atilde;o ao designado pensamento neo&shy;liberal, que poder&aacute; permitir solu&ccedil;&otilde;es de efici&ecirc;ncia econ&oacute;mica mas n&atilde;o valoriza na justa medida a centralidade da pessoa humana e do sofrimento social na ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>O pensamento neo-social radica na redefini&ccedil;&atilde;o do contrato social e do pr&oacute;prio Estado social, em ordem &agrave; sustentabilidade de um modelo de sociedade fraterno e justo. Exige uma abertura de esp&iacute;rito para a mudan&ccedil;a dos actuais paradigmas, seja ao n&iacute;vel da organiza&ccedil;&atilde;o, fun&ccedil;&otilde;es e financiamento do Estado, seja no plano da responsabilidade individual e da sociedade civil.<\/p>\n<p>As pol&iacute;ticas sociais insustent&aacute;veis e insolventes s&atilde;o gravemente enganadoras dos povos e constituem uma falta de respeito sobretudo pelos mais vulner&aacute;veis e que mais confiaram na protec&ccedil;&atilde;o que lhes foi prometida. Por outro lado, como se tem comprovado, tais pol&iacute;ticas s&atilde;o altamente lesivas das gera&ccedil;&otilde;es mais novas, para as quais se est&atilde;o a transferir custos injustos e uma enorme inseguran&ccedil;a quanto a n&iacute;veis futuros de protec&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>4 &#8211; A actual crise portuguesa coloca uma emerg&ecirc;ncia individual, uma emerg&ecirc;ncia econ&oacute;mica, uma emerg&ecirc;ncia social e uma emerg&ecirc;ncia pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>A emerg&ecirc;ncia individual &eacute; a principal emerg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, todos os portugueses s&atilde;o chamados a uma &uacute;nica atitude: depende de mim. Com esta atitude deixaremos a crise.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a f&eacute; crist&atilde; reclama de cada um de n&oacute;s que saibamos ser felizes nas dificuldades, agradecendo tudo quanto temos e tomando os outros como a nossa prioridade. Para um crist&atilde;o &iacute;ntegro, todos os momentos s&atilde;o momentos de esperan&ccedil;a e de servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, &eacute; imperativo o compromisso pessoal com os valores da &eacute;tica crist&atilde;. Na sua enc&iacute;clica social, Caridade na Verdade, o Papa Bento XVI resume este compromisso:<\/p>\n<p>&#8220;O grande desafio que temos diante de n&oacute;s &#8211; resultante das problem&aacute;ticas do desenvolvimento neste tempo de globaliza&ccedil;&atilde;o, mas revestindo-se de maior exig&ecirc;ncia com a crise econ&oacute;mico-financeira &#8211; &eacute; mostrar, a n&iacute;vel tanto de pensamento como de comportamentos, que n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o podem ser transcurados ou atenuados os princ&iacute;pios tradicionais da &eacute;tica social. como a transpar&ecirc;ncia, a honestidade e a responsabilidade, mas tamb&eacute;m que, nas rela&ccedil;&otilde;es comerciais, o princ&iacute;pio de gratuidade e a l&oacute;gica do dom como express&atilde;o da fraternidade podem e devem encontrar lugar dentro da actividade econ&oacute;mica normal.&#8221; (CV n? 36)<\/p>\n<p>Finalmente, os l&iacute;deres empresariais, com os talentos que Deus lhes deu, s&atilde;o um dos principais factores de esperan&ccedil;a para milh&otilde;es de pessoas e para o futuro colectivo. Nunca tantos esperaram tanto dos l&iacute;deres empresariais. Alguns de n&oacute;s ficar&atilde;o pelo caminho, batidos pelas circunst&acirc;ncias, mas no conjunto n&atilde;o vamos vacilar. Pedem-nos mais compet&ecirc;ncia, mais energia, mais exig&ecirc;ncia, mais generosidade, mais confian&ccedil;a. &Eacute; isso que nos &eacute; pedido, &eacute; isso que daremos.<\/p>\n<p>5 &#8211; A emerg&ecirc;ncia econ&oacute;mica exige escolhas p&uacute;blicas e escolhas privadas de grande alcance.<\/p>\n<p>Como a ACEGE vem dizendo h&aacute; v&aacute;rios anos, o desperd&iacute;cio do Estado, principal origem do d&eacute;fice or&ccedil;amental e do nosso endividamento p&uacute;blico, contribui decisivamente para a anemia da nossa economia e para as duas chagas maiores da nossa sociedade, o desemprego e a pobreza. A estas chagas, soma-se outra consequ&ecirc;ncia da crise: uma nova vaga impressionante de emigra&ccedil;&atilde;o, que alguns estimam j&aacute; como a segunda maior vaga de emigra&ccedil;&atilde;o da nossa Hist&oacute;ria, a qual, al&eacute;m do mais, leva consigo in&uacute;meros jovens portugueses altamente qualificados.<\/p>\n<p>Para voltarmos ao crescimento econ&oacute;mico que nos permita reduzir o desemprego, sustentar pol&iacute;ticas sociais e pagar as d&iacute;vidas que, como povo, temos, &eacute; essencial reduzir o custo do Estado, libertar recursos para as fam&iacute;lias e para as empresas e reorientar as prioridades das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Assim, a defesa do Bem Comum passa pela reforma do Estado, concebida seriamente e executada com sentido social. Imp&otilde;e-se a reforma social do Estado.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, uma reforma profunda, com verdadeira liberdade de reestrutura&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os e dos organismos p&uacute;blicos, bem como do sector empresarial do Estado, sem condicionamentos pol&iacute;tico&shy;partid&aacute;rios ou corporativos ileg&iacute;timos, visando ganhos de efici&ecirc;ncia e redu&ccedil;&otilde;es de custos prefixados, tal como se aplicaria a qualquer organiza&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de insolv&ecirc;ncia como aquela em que o Estado portugu&ecirc;s se encontra.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, esta reforma deve ser feita com respeito pelos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, consagrando pol&iacute;ticas que visem quer a dignifica&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, quer sistemas de incentivos que interessem os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos na redu&ccedil;&atilde;o da despesa p&uacute;blica, quer a protec&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel do emprego e medidas compensat&oacute;rias e de reintegra&ccedil;&atilde;o especialmente favor&aacute;veis em caso de perda do emprego por efeito de reestrutura&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A reforma social do Estado tem fundamento em princ&iacute;pios de justi&ccedil;a social:<\/p>\n<p>(i) &#8211; primeiro, o direito a exigir uma correcta afecta&ccedil;&atilde;o dos recursos p&uacute;blicos &eacute; um direito fundamental, n&atilde;o podendo ser negado aos cidad&atilde;os, por bloqueios pol&iacute;tico-partid&aacute;rios ou corporativos, que o Estado seja gerido com a mesma efici&ecirc;ncia com que s&atilde;o geridas as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil;<\/p>\n<p>(ii) &#8211; segundo, &eacute; justo e solid&aacute;rio haver um equil&iacute;brio de direitos, de obriga&ccedil;&otilde;es e de riscos entre os portugueses que trabalham no sector p&uacute;blico e os portugueses que trabalham no sector privado;<\/p>\n<p>(iii) &#8211; terceiro, n&atilde;o &eacute; justo nem solid&aacute;rio exigir aos trabalhadores portugueses do sector privado, sujeitos aos riscos do desemprego e principais pagadores do custo do Estado, que suportem, com mais impostos, custos p&uacute;blicos que n&atilde;o sejam necess&aacute;rios;<\/p>\n<p>(iv) &#8211; quarto, &eacute; justo e solid&aacute;rio dar uma resposta socialmente inclusiva e generosa aos efeitos de uma reforma com esta dimens&atilde;o;<\/p>\n<p>(v) &#8211; quinto, na linha de insustentabilidade em que o Estado portugu&ecirc;s se encontra, a alternativa &agrave; reforma social do Estado &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o sucessiva dos sal&aacute;rios da Fun&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e das presta&ccedil;&otilde;es sociais e\/ou o agravamento dos impostos.<\/p>\n<p>6 &#8211; Ainda no plano das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, uma Educa&ccedil;&atilde;o para a economia. As limita&ccedil;&otilde;es da nossa competitividade resultam, em boa medida, dos baixos n&iacute;veis m&eacute;dios de educa&ccedil;&atilde;o da nossa popula&ccedil;&atilde;o. Portugal tem de fazer escolhas num quadro ex&iacute;guo de meios e o esfor&ccedil;o para recuperar o atraso estrutural em termos de educa&ccedil;&atilde;o, muito especialmente ao n&iacute;vel do ensino secund&aacute;rio, deve merecer prioridade.<\/p>\n<p>7 &#8211; No plano das escolhas privadas, a emerg&ecirc;ncia econ&oacute;mica reclama, sobretudo, a responsabilidade pessoal e social dos l&iacute;deres empresariais.<\/p>\n<p>A ACEGE coloca &agrave; consci&ecirc;ncia dos l&iacute;deres empresariais alguns crit&eacute;rios orientadores:<\/p>\n<p>(i) &#8211; utilizar o despedimento como &uacute;ltimo recurso e, na sua inevitabilidade, ponderar crit&eacute;rios de natureza social nas escolhas a fazer;<\/p>\n<p>(ii) &#8211; pagar o sal&aacute;rio m&iacute;nimo mais elevado poss&iacute;vel, de modo a retirar da pobreza aqueles que integram cada comunidade empresarial;<\/p>\n<p>(iii) &#8211; diagn&oacute;stico social interno, para conhecimento das situa&ccedil;&otilde;es familiares dos colaboradores mais carenciados, construindo sistemas internos de solidariedade, abertos a todos os colaboradores, de prefer&ecirc;ncia confidenciais;<\/p>\n<p>(iv) &#8211; pagamento pontual aos fornecedores, entendido como o m&iacute;nimo &eacute;tico empresarial, de modo a evitar constrangimentos de liquidez nas outras empresas, em especial nas mais pequenas;<\/p>\n<p>(v) &#8211; pagamento dos impostos, os quais, sendo desproporcionados, s&atilde;o, todavia, essenciais para superarmos, como povo, esta crise;<\/p>\n<p>(vi) &#8211; n&atilde;o tirar partido, em circunst&acirc;ncia alguma e sob nenhuma forma, da inseguran&ccedil;a dos trabalhadores, respeitando os seus direitos legais e contratuais;<\/p>\n<p>(vii) &#8211; estudar e apostar em novas estrat&eacute;gias de ac&ccedil;&atilde;o e novos mercados, bem como alargar &acirc;mbitos de coopera&ccedil;&atilde;o e entreajuda empresarial, regional ou sectorial.<\/p>\n<p>8 &#8211; Uma mat&eacute;ria essencial deve merecer particular compromisso: o pagamento dos impostos. O n&atilde;o pagamento de impostos constitui uma conduta ilegal e de profundo ego&iacute;smo, fazendo recair noutros a parte que a cada um cabe no encargo social da crise. Confirmando-se que a economia paralela representa 25% da riqueza produzida em Portugal, uma resposta honesta a esta quest&atilde;o &eacute; angular para uma partilha social justa dos sacrif&iacute;cios que se mostram necess&aacute;rios.<\/p>\n<p>9 &#8211; Igualmente, constitui orienta&ccedil;&atilde;o clara para todos os l&iacute;deres empresariais, tamb&eacute;m de pequenas e m&eacute;dias empresas, equipar as suas organiza&ccedil;&otilde;es com pol&iacute;ticas estruturadas de responsabilidade social. As pol&iacute;ticas de responsabilidade social s&atilde;o um bem comunit&aacute;rio extraordin&aacute;rio e n&atilde;o s&atilde;o uma obriga&ccedil;&atilde;o apenas das grandes empresas, mas de todas as empresas.<\/p>\n<p>Na perspectiva da rela&ccedil;&atilde;o da empresa com a comunidade, &eacute; um dever moral dos produtores de riqueza cruzarem as suas organiza&ccedil;&otilde;es com o sofrimento social, assim dando respostas a quem mais precisa e dando oportunidade a todos os seus colaboradores de darem e de se darem.<\/p>\n<p>Na perspectiva da rela&ccedil;&atilde;o da empresa com os seus &#8220;stakeholders&#8221; &#8211; colaboradores, clientes, fornecedores, accionistas e comunidade &#8211; os l&iacute;deres empresariais crist&atilde;os n&atilde;o devem temer introduzir no ide&aacute;rio empresarial o princ&iacute;pio do amor ao pr&oacute;ximo. Significa tratar os outros como gostar&iacute;amos de ser tratados se estiv&eacute;ssemos no lugar deles. &Eacute; o melhor guia para uma boa gest&atilde;o.<\/p>\n<p>10 &#8211; Neste &acirc;mbito, a rela&ccedil;&atilde;o com os trabalhadores deve merecer um empenhamento motivado pela dimens&atilde;o humana e humanizante do trabalho:<\/p>\n<p>&#8220;O esp&iacute;rito empresarial. antes de ter significado profissional. possui um significado humano; est&aacute; inscrito em cada trabalho, visto como &laquo;actus personoe&raquo;, pelo que &eacute; bom oferecer a cada trabalhador a possibilidade de prestar a pr&oacute;pria contribui&ccedil;&atilde;o, de tal modo que ele mesmo saiba trabalhar &laquo;por conta pr&oacute;pria&raquo;&#8221; (CV 41)<\/p>\n<p>11 &#8211; A emerg&ecirc;ncia social reclama cuidado absoluto, devendo-nos concentrar em pol&iacute;ticas que assegurem a coes&atilde;o do nosso fr&aacute;gil tecido social.<\/p>\n<p>Neste &acirc;mbito, a ACEGE repudia pol&iacute;ticas de ajustamento dos nossos desequil&iacute;brios macroecon&oacute;micos e de satisfa&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias dos nossos credores internacionais que impliquem redu&ccedil;&atilde;o das presta&ccedil;&otilde;es dos portugueses que j&aacute; vivem abaixo do limiar da dignidade humana. Os l&iacute;deres empresariais crist&atilde;os devem empenhar-se firmemente no espa&ccedil;o c&iacute;vico de modo a contribuir com alternativas que evitem medidas daquela natureza, desde logo, se necess&aacute;rio, acolhendo como priva&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria impostos excepcionais sobre os que mais t&ecirc;m, pessoas ou empresas, de modo a proteger quem j&aacute; passa fome.<\/p>\n<p>12 &#8211; A presente crise social, que ser&aacute; grave e prolongada, exige igualmente uma nova estrat&eacute;gia do Estado em articula&ccedil;&atilde;o com a Igreja Cat&oacute;lica. A Igreja Cat&oacute;lica &eacute; a maior hist&oacute;ria de amor de Portugal e, na linguagem moderna, &eacute; o maior empreendedor social portugu&ecirc;s. Igualmente, todos os esfor&ccedil;os que os l&iacute;deres empresariais possam fazer em benef&iacute;cio e em articula&ccedil;&atilde;o com a Igreja Cat&oacute;lica e as suas m&uacute;ltiplas organiza&ccedil;&otilde;es, devem faz&ecirc;-lo com car&aacute;cter de prioridade.<\/p>\n<p>Por fim, a protec&ccedil;&atilde;o da Fam&iacute;lia deve estar no centro das preocupa&ccedil;&otilde;es dos l&iacute;deres empresariais crist&atilde;os. Numa crise grave, cada trabalhador &eacute; ele e a sua circunst&acirc;ncia familiar. Num tempo de vulnerabilidade social, contribuir especialmente para o equil&iacute;brio de vida dos colaboradores e para a sua disponibilidade para as suas fam&iacute;lias &eacute; contribuir para o Bem Comum.<\/p>\n<p>13 &#8211; Portugal tem uma emerg&ecirc;ncia pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>&Agrave; luz da &eacute;tica crist&atilde;, a situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica em que o povo portugu&ecirc;s se encontra tamb&eacute;m tem ra&iacute;zes na grave viola&ccedil;&atilde;o de deveres &eacute;tico-pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>O centro vital da &eacute;tica crist&atilde; &eacute; o Amor. Se h&aacute; Amor, a seriedade, a compet&ecirc;ncia, o sentido de Estado, a prud&ecirc;ncia ser&atilde;o consequ&ecirc;ncias. O Amor n&atilde;o ilude, n&atilde;o manipula, n&atilde;o falta &agrave; verdade. O Amor &eacute; prudente e respons&aacute;vel. O Amor &eacute; corajoso. O Amor serve, n&atilde;o se serve. O Amor n&atilde;o coloca os interesses pessoais de carreira pol&iacute;tica ou de preserva&ccedil;&atilde;o do poder acima da protec&ccedil;&atilde;o do interesse de todos.<\/p>\n<p>Os meios medi&aacute;ticos hoje dispon&iacute;veis e o avan&ccedil;o das t&eacute;cnicas de manipula&ccedil;&atilde;o de massas tornam a viola&ccedil;&atilde;o dos deveres &eacute;tico-pol&iacute;ticos ainda mais grave e mais perigosa para o Bem Comum.<\/p>\n<p>A crise da Pol&iacute;tica radica, antes de tudo, numa falha de fundo, nunca falada: a l&oacute;gica do Poder impede a l&oacute;gica do Amor e h&aacute; uma conforma&ccedil;&atilde;o generalizada dos povos de que &eacute; essa a natureza das coisas.<\/p>\n<p>14 &#8211; A ACEGE acompanha o clamor civil por um entendimento pol&iacute;tico alargado e estrat&eacute;gico que proteja Portugal dos riscos tremendos que est&aacute; a correr e que nos proteja, como povo, das nossas pr&oacute;prias incapacidades e fraquezas.<\/p>\n<p>Todavia, a ACEGE n&atilde;o acompanha ilus&otilde;es in&uacute;teis.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta um governo maiorit&aacute;rio para resolver os problemas nacionais. O desafio dos pr&oacute;ximos anos exige um governo n&atilde;o s&oacute; maiorit&aacute;rio, mas sobretudo coeso. Sem coes&atilde;o program&aacute;tica, um verdadeiro compromisso hist&oacute;rico, e sem coes&atilde;o entre governantes, com genu&iacute;no esp&iacute;rito de di&aacute;logo e de servi&ccedil;o, um futuro governo, mesmo maiorit&aacute;rio, ser&aacute; um logro passageiro.<\/p>\n<p>15 &#8211; Acrescidamente, para que este caminho dif&iacute;cil seja percorrido com sucesso, &eacute; preciso, como algo que jorra da consci&ecirc;ncia pessoal, um exemplo avassalador por parte do Estado, dos governantes e de todos os l&iacute;deres sociais, que legitime e inspire os sacrif&iacute;cios que ser&atilde;o pedidos ao povo portugu&ecirc;s. Uma vez mais, Bento XVI &eacute; lapidar:<\/p>\n<p>&#8220;O desenvolvimento &eacute; imposs&iacute;vel sem homens rectos, sem operadores econ&oacute;micos e homens pol&iacute;ticos que sintam intensamente em suas consci&ecirc;ncias o apelo do bem comum.&#8221; (CV 71)<\/p>\n<p>16 &#8211; A emerg&ecirc;ncia pol&iacute;tica imp&otilde;e uma &uacute;ltima interpela&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Portugal sofre de uma longa doen&ccedil;a prolongada: a depend&ecirc;ncia do Estado. Esta doen&ccedil;a alimenta o medo portugu&ecirc;s, bloqueia o nosso dinamismo e &eacute; o caldo cultural onde nascem as m&aacute;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Os l&iacute;deres empresariais t&ecirc;m aqui uma particular responsabilidade pol&iacute;tica na defesa do Bem Comum: &eacute; essencial uma elite empresarial sem depend&ecirc;ncia do Estado, construindo na sociedade civil uma voz de liberdade, de exemplo &eacute;tico e de resultados sociais capaz de defender a sociedade portuguesa desta sua fragilidade.<\/p>\n<p>17 &#8211; Por fim, continuemos a prestar servi&ccedil;o &agrave; verdade, confiando e entregando esta circunst&acirc;ncia a Deus. Portugal &eacute; Terra de Santa Maria, todos os nossos grandes momentos foram atravessados e dedicados a Nossa Senhora. Pedindo nos ser&aacute; dado. Por menos cient&iacute;fico que este factor possa parecer, ele &eacute; verific&aacute;vel de modo marcante nas nossas vidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; O facto do Estado portugu&ecirc;s ter chegado a uma situa&ccedil;&atilde;o de quase insolv&ecirc;ncia significa que o seu modelo n&atilde;o &eacute; sustent&aacute;vel. Se Portugal n&atilde;o tiver ajuda externa, ou vier a perd&ecirc;-Ia, o Estado social faliu. Se Portugal tiver ajuda externa, ter&aacute; de recriar o Estado social para o poder manter. 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