{"id":51253,"date":"2011-05-05T15:00:00","date_gmt":"2011-05-05T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/05\/nota-pastoral-sobre-a-beatificacao-da-irma-maria-clara-do-menino-jesus\/"},"modified":"2011-05-05T15:00:00","modified_gmt":"2011-05-05T15:00:00","slug":"nota-pastoral-sobre-a-beatificacao-da-irma-maria-clara-do-menino-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-pastoral-sobre-a-beatificacao-da-irma-maria-clara-do-menino-jesus\/","title":{"rendered":"Nota Pastoral sobre a Beatifica\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Maria Clara do Menino Jesus"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">Nota Pastoral da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>sobre a Beatifica&ccedil;&atilde;o da Irm&atilde; Maria Clara do Menino Jesus<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. No pr&oacute;ximo dia 21 de Maio vai ser beatificada em Lisboa a Irm&atilde; Maria Clara do Menino Jesus, fundadora da Congrega&ccedil;&atilde;o das Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o (CONFHIC). A Igreja que peregrina em Portugal rejubila por contar mais uma sua filha elevada aos altares e proposta &agrave; venera&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is como modelo de vida crist&atilde; e intercessora junto de Deus.<\/p>\n<p>A beatifica&ccedil;&atilde;o constituir&aacute; especial momento de gra&ccedil;a para as Franciscanas Hospitaleiras, espalhadas pelos quatro cantos do globo, ao verem o seu carisma confirmado pela proclama&ccedil;&atilde;o da santidade da Fundadora.<\/p>\n<p>Nesta hora solene, os Bispos de Portugal exprimem vivo reconhecimento pelo testemunho evang&eacute;lico e pela fecunda ac&ccedil;&atilde;o pastoral e social desta benem&eacute;rita Congrega&ccedil;&atilde;o no nosso pa&iacute;s e no mundo ao longo de s&eacute;culo e meio, dando continuidade ao legado espiritual da Irm&atilde; Maria Clara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Apontamento biogr&aacute;fico<\/strong><\/p>\n<p>2. A nova Beata nasceu em 25 de Junho de 1843 na Quinta do Bosque, propriedade de sua fam&iacute;lia, situada no termo da actual cidade da Amadora. Foi baptizada na igreja paroquial de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, a 2 de Setembro seguinte com o nome de Lib&acirc;nia do Carmo Galv&atilde;o Mexia de Moura Telles e Albuquerque.<\/p>\n<p>Como os apelidos indicam, Lib&acirc;nia veio ao mundo no seio da nobreza. Terceira de sete filhos, viveu uma inf&acirc;ncia feliz no ambiente crist&atilde;o do seu lar. Mas logo na adolesc&ecirc;ncia experimentou o sofrimento doloroso da orfandade. Sua m&atilde;e faleceu em 1856 e o pai um ano depois, ambos vitimados pela epidemia de c&oacute;lera que ent&atilde;o grassava em Lisboa.<\/p>\n<p>Depois de ter permanecido cinco anos no Asilo Real da Ajuda e outros tantos em casa dos Marqueses de Valada, seus parentes e amigos, Lib&acirc;nia transferiu-se em 1867 para o Pensionato de S. Patr&iacute;cio, instalado no antigo convento do mesmo nome, junto &agrave; muralha do Castelo de S. Jorge. Dois anos mais tarde tomou h&aacute;bito no Recolhimento de terceiras franciscanas seculares capuchinhas de Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m sedeado em S. Patr&iacute;cio, com o nome de Irm&atilde; Maria Clara do Menino Jesus, que haveria de usar at&eacute; &agrave; morte.<\/p>\n<p>A casa de S. Patr&iacute;cio era dirigida pelo Padre Raimundo dos Anjos Beir&atilde;o, antigo membro da Ordem Terceira Regular de S. Francisco, que fora obrigado a abandonar o convento pelo decreto de supress&atilde;o dos institutos religiosos de 1834. Depois de exclaustrado, dedicou-se &agrave; prega&ccedil;&atilde;o e ao socorro dos &oacute;rf&atilde;os e dos pobres. O seu encontro com Lib&acirc;nia, depois Irm&atilde; Maria Clara, foi providencial. Viu nela a mulher escolhida por Deus para, com ele, fundar uma Congrega&ccedil;&atilde;o que, imitando o bom samaritano do Evangelho, minorasse as graves car&ecirc;ncias da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa da &eacute;poca.<\/p>\n<p>O projecto viria a realizar-se a partir de S. Patr&iacute;cio. Para beneficiar da experi&ecirc;ncia de outra Congrega&ccedil;&atilde;o franciscana j&aacute; consolidada, em Fevereiro de 1870 o Padre Beir&atilde;o enviou a Irm&atilde; Maria Clara mais tr&ecirc;s companheiras do Recolhimento a fazer o noviciado nas Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras e Mestras de Calais, no norte da Fran&ccedil;a, onde professou a 14 de Abril de 1871. Regressada de imediato a Portugal, o Padre Beir&atilde;o, logo no dia 3 de Maio, empossou-a como superiora e mestra de novi&ccedil;as das recolhidas capuchinhas que aderiram &agrave; reforma da sua agremia&ccedil;&atilde;o. Foi o momento fundacional da nova Congrega&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O instituto rec&eacute;m-criado foi aprovado pelo Governador Civil de Lisboa, por alvar&aacute; de 22 de Maio de 1874, com a designa&ccedil;&atilde;o de <em>Irm&atilde;s Hospitaleiras dos Pobres por Amor de Deus<\/em>, mas somente como &laquo;associa&ccedil;&atilde;o de benefic&ecirc;ncia&raquo;. N&atilde;o era poss&iacute;vel outra forma de reconhecimento pela autoridade civil pois as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas estavam proibidas em Portugal desde 1834.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi a aprova&ccedil;&atilde;o pontif&iacute;cia da Congrega&ccedil;&atilde;o pelo Papa Pio IX a 27 de Mar&ccedil;o de 1876. O novo estatuto can&oacute;nico garantia seguran&ccedil;a institucional &agrave; jovem comunidade religiosa. Por iniciativa do Padre Beir&atilde;o, a Irm&atilde; Maria Clara assumiu a responsabilidade da mesma como Superiora Geral em cerim&oacute;nia familiar realizada a 3 de Maio de 1876, quinto anivers&aacute;rio da funda&ccedil;&atilde;o. Tinha 33 anos. As irm&atilde;s come&ccedil;aram a chamar-lhe <em>Fundadora<\/em> e a dar-lhe, na intimidade, o nome de <em>M&atilde;e Clara<\/em>.<\/p>\n<p>Dois anos depois, a 13 de Julho de 1878, o Padre Beir&atilde;o faleceu. A sua inspira&ccedil;&atilde;o esteve sempre presente no modo como a Irm&atilde; Maria Clara dirigiu a Congrega&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; morte, ocorrida a 1 de Dezembro de 1899.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Actividade caritativa da Congrega&ccedil;&atilde;o <\/strong><\/p>\n<p>3. A Congrega&ccedil;&atilde;o desenvolveu uma actividade marcante em Portugal no &uacute;ltimo ter&ccedil;o do s&eacute;culo XIX. Durante este per&iacute;odo, as irm&atilde;s trabalharam em 45 hospitais, 26 col&eacute;gios, 15 asilos de inv&aacute;lidos, 14 asilos de inf&acirc;ncia e 6 cozinhas econ&oacute;micas. Embora localizada maioritariamente na regi&atilde;o de Entre Douro e Minho, esta centena de casas estava disseminada por todo o pa&iacute;s incluindo pequenas cidades e vilas do interior. Parte significativa das institui&ccedil;&otilde;es servidas pelas irm&atilde;s pertencia a Miseric&oacute;rdias.<\/p>\n<p>A Congrega&ccedil;&atilde;o irradiou tamb&eacute;m para o Ultramar. Por vezes a pedido do pr&oacute;prio Governo, o qual, apesar do decreto de extin&ccedil;&atilde;o dos institutos religiosos de 1834, aceitava a presen&ccedil;a das congrega&ccedil;&otilde;es dedicadas &agrave; assist&ecirc;ncia, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave;s miss&otilde;es ultramarinas. Neste contexto as irm&atilde;s prestaram servi&ccedil;o nos hospitais de Bolama (Guin&eacute;-Bissau), Goa, Luanda (Angola) e Santiago da Praia (Cabo Verde).<\/p>\n<p>O aumento constante e extraordin&aacute;rio do n&uacute;mero de irm&atilde;s permitia &agrave; Irm&atilde; Maria Clara atender as solicita&ccedil;&otilde;es que lhe iam chegando das mais variadas proced&ecirc;ncias. A tabela estat&iacute;stica da Congrega&ccedil;&atilde;o nos primeiros trinta anos &eacute; reveladora. As religiosas professas passaram de 3 em 1871 para 150 em 1880, 355 em 1890 e 468 em 1900. Mesmo assim n&atilde;o foi poss&iacute;vel atender favoravelmente todos os pedidos.<\/p>\n<p>No governo da Congrega&ccedil;&atilde;o a Irm&atilde; Maria Clara n&atilde;o actuava como gestora de pessoas e servi&ccedil;os. O esp&iacute;rito que a animava era outro e ficou bem manifesto num epis&oacute;dio da sua vida. Um dia, ao ver grupos de adultos e crian&ccedil;as a mendigar, vestidos de andrajos e sob um frio rigoroso, disse &agrave;s meninas que a acompanhavam: &laquo;Olhem, aquela &eacute; que &eacute; a minha gente!&#8230; Que pena tenho de n&atilde;o os poder socorrer!&hellip;&raquo;<\/p>\n<p>Estimuladas pelo exemplo da Fundadora, as Irm&atilde;s Hospitaleiras souberam concretizar no quotidiano a divisa do seu bras&atilde;o: <em>Lucere et fovere<\/em>. Alumiar e aquecer. Iluminaram o esp&iacute;rito de crian&ccedil;as e jovens a abrir para as grandes op&ccedil;&otilde;es da vida. Aconchegaram a exist&ecirc;ncia de doentes e idosos, tantas vezes fragilizada por circunst&acirc;ncias adversas.<\/p>\n<p>A gesta caritativa da Congrega&ccedil;&atilde;o documenta a vitalidade interna da Igreja Cat&oacute;lica no per&iacute;odo final do s&eacute;culo XIX. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel escrever a hist&oacute;ria da assist&ecirc;ncia e da educa&ccedil;&atilde;o em Portugal nessa &eacute;poca sem referir o contributo abnegado das Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sob o olhar providencial de Deus<\/strong><\/p>\n<p>4. A interven&ccedil;&atilde;o da Irm&atilde; Maria Clara em diferentes dom&iacute;nios da &aacute;rea social procedia duma motiva&ccedil;&atilde;o religiosa. O seu cora&ccedil;&atilde;o de mulher franciscana enchia-se de compaix&atilde;o diante do sofrimento humano e procurava alivi&aacute;-lo com o vigor da sua f&eacute;. A sua actua&ccedil;&atilde;o aparecia como &laquo;rosto da ternura e da miseric&oacute;rdia de Deus&raquo;.<\/p>\n<p>Deus ocupava o primeiro lugar na sua vida numa atitude filial de reconhecimento. &laquo;Oh! Como Deus &eacute; bom! Bendito seja Deus!&raquo;, exclamava ela como resson&acirc;ncia da festa que as irm&atilde;s lhe fizeram no seu onom&aacute;stico a 12 de Agosto de 1899.<\/p>\n<p>A sua miss&atilde;o de Superiora Geral, sobretudo no &uacute;ltimo dec&eacute;nio, foi perturbada por vicissitudes, de origem externa e interna, que afectaram a tranquilidade da Congrega&ccedil;&atilde;o. Evocando esses acontecimentos dolorosos em carta circular dirigida &agrave;s irm&atilde;s a 29 de Outubro de 1899, um m&ecirc;s antes de falecer, a nova Beata manifesta sereno abandono e confian&ccedil;a: &laquo;Embora as mais cru&eacute;is amarguras, contradi&ccedil;&otilde;es e desgosto, vejo um olhar providencial de Deus que vela sobre n&oacute;s&raquo;.<\/p>\n<p>Na segunda metade do s&eacute;culo XIX, apesar das grandes dificuldades que o Catolicismo portugu&ecirc;s enfrentava, a Irm&atilde; Maria Clara soube manifest&aacute;-lo do modo mais criativo e fecundo, com ardente amor a Jesus e generoso servi&ccedil;o dos pobres. Na segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, face &agrave;s dificuldades acrescidas de tantos concidad&atilde;os nossos, quanto &agrave; sobreviv&ecirc;ncia condigna e ao sentido mais profundo da vida, o exemplo e a intercess&atilde;o da nova Beata ser-nos-&atilde;o de grande incentivo e apoio, na mesma senda da caridade verdadeira.<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 3 de Maio de 2011<\/p>\n<p>140.&ordm; anivers&aacute;rio da funda&ccedil;&atilde;o da CONFHIC<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa sobre a Beatifica&ccedil;&atilde;o da Irm&atilde; Maria Clara do Menino Jesus &nbsp; 1. No pr&oacute;ximo dia 21 de Maio vai ser beatificada em Lisboa a Irm&atilde; Maria Clara do Menino Jesus, fundadora da Congrega&ccedil;&atilde;o das Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o (CONFHIC). 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