{"id":51213,"date":"2011-05-03T16:10:03","date_gmt":"2011-05-03T16:10:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/03\/pouco-para-festejar-no-dia-da-europa\/"},"modified":"2011-05-03T16:10:03","modified_gmt":"2011-05-03T16:10:03","slug":"pouco-para-festejar-no-dia-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pouco-para-festejar-no-dia-da-europa\/","title":{"rendered":"Pouco para festejar no Dia da Europa"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral <!--more--> <\/p>\n<p>O 61&ordm; anivers&aacute;rio da hist&oacute;rica declara&ccedil;&atilde;o do ent&atilde;o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros de Fran&ccedil;a, Robert Schuman, sobre a integra&ccedil;&atilde;o europeia (na altura, no carv&atilde;o e no a&ccedil;o) n&atilde;o acontece numa fase animadora quanto ao futuro da Europa. &Eacute; certo que a CEE, e depois a Uni&atilde;o Europeia, j&aacute; passaram por muitas crises, entretanto superadas. Mas a crise actual parece mais funda e mais preocupante.<\/p>\n<p>O grande objectivo inicial da integra&ccedil;&atilde;o europeia era a paz, em particular a paz entre a Alemanha e a Fran&ccedil;a, pa&iacute;ses que em menos de um s&eacute;culo se haviam defrontado em guerras sangrentas, duas delas mundiais. Hoje tal objectivo est&aacute; garantido, pelo menos aparentemente.<\/p>\n<p>Por outro lado, a Alemanha que emergiu derrotada da II Guerra Mundial sentia uma enorme d&iacute;vida face aos seus vizinhos (fora ela a agressora nos anteriores conflitos) e face &agrave; pr&oacute;pria humanidade: lembremos os campos de exterm&iacute;nio. Ora a reconcilia&ccedil;&atilde;o com a Fran&ccedil;a e a integra&ccedil;&atilde;o europeia foram a via para os alem&atilde;es voltarem a ser aceites pela comunidade internacional. Acontece que hoje est&atilde;o no poder em Berlim pol&iacute;ticos que n&atilde;o viveram a guerra nem o nazismo e que, portanto, querem que a RFA se comporte como um pa&iacute;s normal, defendendo os seus interesses sem mais d&iacute;vidas a pagar aos parceiros europeus.<\/p>\n<p>Helmut Kohl, que for&ccedil;ou os seus concidad&atilde;os a trocarem o marco pelo euro, pretendia &ldquo;uma Alemanha europeia, n&atilde;o uma Europa alem&atilde;&rdquo;. Para ele, a integra&ccedil;&atilde;o da Alemanha no projecto europeu era a forma de o seu pa&iacute;s exorcizar velhos dem&oacute;nios. J&aacute; Angela Merkel n&atilde;o encara assim a UE. Recorde-se o longo tempo que levou a organizar uma ajuda (se &eacute; que de ajuda se pode falar) &agrave; Gr&eacute;cia. E o aut&ecirc;ntico &ldquo;Direct&oacute;rio&rdquo; de um s&oacute; pa&iacute;s que a Alemanha hoje representa na UE, em preju&iacute;zo da Comiss&atilde;o Europeia, tradicional aliada dos Estados membros pequenos e m&eacute;dios.<\/p>\n<p>Paralelamente, desapareceu um importante &ldquo;cimento&rdquo; da integra&ccedil;&atilde;o, que era a amea&ccedil;a sovi&eacute;tica (levando os Estados Unidos a apoiarem essa integra&ccedil;&atilde;o). Muitos pa&iacute;ses da antiga &oacute;rbita sovi&eacute;tica integram agora a Uni&atilde;o; mas h&aacute; d&uacute;vidas se, de ponto de vista econ&oacute;mico e tamb&eacute;m no plano pol&iacute;tico (veja-se a Hungria), algumas dessas na&ccedil;&otilde;es est&atilde;o a ser fi&eacute;is ao esp&iacute;rito europeu.<\/p>\n<p>Durante a guerra fria os pa&iacute;ses europeus viveram debaixo do guarda-chuva nuclear norte-americano. Washington mantinha tropas na Europa, sobretudo na Alemanha, para dissuadir uma invas&atilde;o sovi&eacute;tica. Ca&iacute;do o muro de Berlim e reunificada a RFA, nem por isso os europeus trataram a s&eacute;rio da sua defesa. O que leva &agrave; irrelev&acirc;ncia da UE nas grandes quest&otilde;es internacionais, a come&ccedil;ar pelo M&eacute;dio Oriente.<\/p>\n<p>Do ponto de vista econ&oacute;mico, o euro atravessa dificuldades, com os problemas da &ldquo;d&iacute;vida soberana&rdquo; da Gr&eacute;cia, da Irlanda e de Portugal e com a timidez em encontrar uma resposta europeia para essa crise. O pr&oacute;prio Mercado Interno &ndash; livre circula&ccedil;&atilde;o de pessoas, servi&ccedil;os, capitais e mercadorias &ndash; se encontra amea&ccedil;ado. Por exemplo, Berlusconi e Sarkozy querem reintroduzir temporariamente fronteiras no interior da Uni&atilde;o, por causa dos imigrantes, &aacute;rea onde n&atilde;o h&aacute; uma pol&iacute;tica europeia e algumas pol&iacute;ticas nacionais se rendem &agrave; extrema-direita xen&oacute;foba e racista. Acresce que o dinamismo econ&oacute;mico da UE, com a excep&ccedil;&atilde;o da Alemanha, &eacute; actualmente bem mais fraco do que o dos pa&iacute;ses emergentes ou o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Existe, assim, o risco de a Uni&atilde;o entrar num processo de desagrega&ccedil;&atilde;o. Ora a desintegra&ccedil;&atilde;o europeia seria uma trag&eacute;dia, at&eacute; porque representaria desperdi&ccedil;ar um modelo original, muito invejado noutros continentes, de partilhar soberania entre Estados nacionais. Numa altura em que estes perdem poder face &agrave;s for&ccedil;as econ&oacute;micas no quadro da globaliza&ccedil;&atilde;o, a UE oferece uma via &uacute;nica para que a democracia e a sobreposi&ccedil;&atilde;o do poder pol&iacute;tico ao poder econ&oacute;mico sejam efectivas.<\/p>\n<p>Para isso, por&eacute;m, s&atilde;o preciso l&iacute;deres com vis&atilde;o de futuro e capazes de mobilizar uma opini&atilde;o p&uacute;blica cada vez mais euroc&eacute;ptica em torno do projecto europeu. A integra&ccedil;&atilde;o europeia ou renasce ou morre.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista&nbsp;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(texto escrito com a anterior ortografia)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,203],"class_list":["post-51213","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51213\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}