{"id":51182,"date":"2011-05-02T16:11:00","date_gmt":"2011-05-02T16:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/05\/02\/discurso-do-presidente-da-cep-na-abertura-da-assembleia-plenaria-3\/"},"modified":"2011-05-02T16:11:00","modified_gmt":"2011-05-02T16:11:00","slug":"discurso-do-presidente-da-cep-na-abertura-da-assembleia-plenaria-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-presidente-da-cep-na-abertura-da-assembleia-plenaria-3\/","title":{"rendered":"Discurso do presidente da CEP na abertura da assembleia plen\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>Discurso do Presidente da CEP na abertura dos trabalhos<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>da 177.&ordf; Assembleia Plen&aacute;ria da CEP (2-5 de maio de 2011)<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>REPENSAR A PASTORAL DA IGREJA <\/strong><strong>NUMA SOCIEDADE EM MUDAN&Ccedil;A<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Ao terminar a minha presid&ecirc;ncia na CEP, sa&uacute;do o Sr. N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, D. Rino Passigato, em sinal de profunda comunh&atilde;o com Sua Santidade o Papa Bento XVI. Acolhemos, com alegria, D. Pio Alves e D. Virg&iacute;lio Antunes, como novos membros do Col&eacute;gio Episcopal. Recordamos, com gratid&atilde;o, a boa mem&oacute;ria de D. J&uacute;lio Tavares Rebimbas e de D. Jos&eacute; dos Santos Garcia.<\/p>\n<p>A Assembleia Plen&aacute;ria situa-nos perante a responsabilidade hist&oacute;rica de prosseguir o projeto de repensar a pastoral da Igreja em Portugal. A fidelidade &agrave; miss&atilde;o e a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o atual colocam-nos diante da urg&ecirc;ncia de discernir novos caminhos e op&ccedil;&otilde;es pastorais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1.&nbsp;<\/strong><strong>Um olhar sobre a Igreja<\/strong><\/p>\n<p>Hist&oacute;rica e culturalmente, encontramo-nos num tempo novo. J&aacute; n&atilde;o bastam reajustamentos eclesiais. Agir por simples rea&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o ajudar&aacute; ao processo evangelizador.<\/p>\n<p>Se Jo&atilde;o XXIII colocou a Igreja numa din&acirc;mica de &ldquo;<em>aggiornamento<\/em>&rdquo; e se Paulo VI provocou uma nova abertura atrav&eacute;s da exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, Jo&atilde;o Paulo II intuiu que a verdadeira mudan&ccedil;a deve conduzir&#8209;nos a uma evangeliza&ccedil;&atilde;o que deve ter em conta as novas sensibilidades e as diversas linguagens do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>Na Visita <em>Ad Limina<\/em>, em 2007, Bento XVI desafiou-nos a &ldquo;acolher a mudan&ccedil;a, perante uma altera&ccedil;&atilde;o cultural e sociol&oacute;gica de estruturas e, particularmente, de mentalidades&rdquo;. A sua visita a Portugal, h&aacute; praticamente um ano, foi uma particular gra&ccedil;a, pela riqueza de orienta&ccedil;&otilde;es e desafios que nos deixou, aos quais importa responder com esperan&ccedil;a e com atitudes concretas.<\/p>\n<p>A miss&atilde;o da Igreja passa por olhar para o mundo como um novo campo a cultivar, dialogando abertamente com os diversos protagonistas e propondo a verdade e a beleza da f&eacute; crist&atilde;. Agir como motor da hist&oacute;ria, onde cada crist&atilde;o se faz concidad&atilde;o do mundo e seguidor fiel de Cristo, far&aacute; do Evangelho uma proposta feliz para toda a humanidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. <\/strong><strong>Um olhar sobre a sociedade<\/strong><\/p>\n<p>A Igreja em Portugal n&atilde;o pode fugir &agrave; responsabilidade hist&oacute;rica de dar o seu contributo para que a atual crise possa gerar uma nova cidadania, assente na participa&ccedil;&atilde;o, na verdade e na fraternidade.<\/p>\n<p>S&atilde;o muitos os dom&iacute;nios da vida p&uacute;blica que precisam da firme interven&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os na den&uacute;ncia de tudo o que coloca em causa o equil&iacute;brio social. Movidos unicamente pelo bem comum de todos os portugueses, particularmente dos mais carenciados, n&atilde;o podemos deixar de fazer um apelo junto das nossas comunidades para que reforcem a sua ajuda e continuem a acompanhar aqueles que experimentam car&ecirc;ncias de v&aacute;ria ordem. A proximidade e o sentido de partilha dos crist&atilde;os no seio das comunidades locais s&atilde;o um sinal claro da esperan&ccedil;a que se realiza quotidianamente.<\/p>\n<p>Os tempos que se avizinham exigir&atilde;o homens e mulheres &agrave; altura dos desafios que se colocam &agrave; nossa sociedade. &Eacute; importante que nas campanhas eleitorais se debata o estado da sociedade portuguesa com ideias claras e propostas aut&ecirc;nticas que visem solucionar os problemas estruturais do pa&iacute;s (analfabetismo, desemprego, trabalho prec&aacute;rio, fraca produ&ccedil;&atilde;o industrial, corrup&ccedil;&atilde;o, burocracia, pobreza&hellip;). A este respeito, &eacute; fundamental que haja transpar&ecirc;ncia na apresenta&ccedil;&atilde;o das propostas e absoluta honestidade na sua execu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Seria insuport&aacute;vel para o pa&iacute;s se envered&aacute;ssemos pela l&oacute;gica imediatista e pela apresenta&ccedil;&atilde;o de promessas enganadoras e ludibriadoras da real situa&ccedil;&atilde;o em que nos encontramos.<\/p>\n<p>Diante de tantos problemas, n&atilde;o podemos ficar inertes. &Eacute; dever de todos contribuir para a solu&ccedil;&atilde;o do problema. Imp&otilde;e-se uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica social apurada e um novo paradigma cultural que coloque a pessoa humana no centro das decis&otilde;es. &Eacute; poss&iacute;vel um novo paradigma econ&oacute;mico, &agrave; luz da economia social crist&atilde;? Sim, &eacute; poss&iacute;vel uma nova &ldquo;l&oacute;gica econ&oacute;mica&rdquo;: a do dom, da gratuidade, da fraternidade, da reciprocidade e da partilha justa dos bens de uns para com os outros [1].<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>3. Propostas para o di&aacute;logo entre a f&eacute; e a cultura<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Servir o homem &eacute; servir a &eacute;tica da vida<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A miss&atilde;o da Igreja no mundo &eacute; estar ao servi&ccedil;o da dignifica&ccedil;&atilde;o da vida humana. &Eacute; preocupante o conjunto de medidas que pretendem regular aspetos da biologia e da medicina com evidentes reflexos nefastos na estrutura matrimonial e na parentalidade. Uma legisla&ccedil;&atilde;o avulsa, n&atilde;o precedida de debate e fruto de press&otilde;es de grupos minorit&aacute;rios, tem marcado a agenda pol&iacute;tica: &ldquo;mudan&ccedil;a&rdquo; de sexo, ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as por casais homossexuais, maternidade de substitui&ccedil;&atilde;o (&ldquo;barriga de aluguer&rdquo;), testamento vital, teoria do g&eacute;nero, liberaliza&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o destrutiva de embri&otilde;es e cria&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es para fins cient&iacute;ficos, s&atilde;o alguns dos casos que colocam em causa a &eacute;tica da vida e da dignidade humana.<\/p>\n<p><strong><em>Solidez e coes&atilde;o da fam&iacute;lia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A solidez e a coes&atilde;o da fam&iacute;lia s&atilde;o o term&oacute;metro &eacute;tico de toda e qualquer sociedade, dado que &eacute; a sua c&eacute;lula fundamental. As sociedades contempor&acirc;neas ocidentais, concretamente Portugal, defrontam-se com taxas de natalidade baix&iacute;ssimas que colocam em causa a estabilidade social, cultural e financeira desses pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>A este respeito, n&atilde;o podemos ignorar o contributo contraproducente das medidas legislativas tomadas nos anos mais recentes, entre as quais: a equipara&ccedil;&atilde;o do matrim&oacute;nio &agrave;s uni&otilde;es de pessoas do mesmo sexo, a facilita&ccedil;&atilde;o do div&oacute;rcio e a consagra&ccedil;&atilde;o legal da liberaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. Medidas estas que enfraquecem, sem d&uacute;vida, a estrutura da fam&iacute;lia nuclear.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos resignar-nos a esta situa&ccedil;&atilde;o. A sociedade civil precisa de colocar a fam&iacute;lia na agenda pol&iacute;tica, sob pena de hipotecarmos o nosso futuro. A fam&iacute;lia necessita de um novo enquadramento legislativo com vertentes especiais, nomeadamente nas pol&iacute;ticas sociais de apoio &agrave; natalidade e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o escolar de todas as crian&ccedil;as e jovens.<\/p>\n<p>Somente com base na coes&atilde;o familiar &eacute; que os jovens poder&atilde;o projetar a sua vida segundo os valores do amor, da fraternidade, da interajuda, da partilha, da responsabilidade e da gratuidade. Uma estrutura familiar s&oacute;lida e clara, auxiliada pelos diversos atores sociais, originar&aacute; uma sociedade renovada. Tamb&eacute;m aqui a Igreja poder&aacute; dar o seu valioso contributo, porque &eacute; ampla a sua experi&ecirc;ncia neste campo educativo, propondo a alegria do encontro com Cristo, eternamente jovem, como caminho pleno de sentido para todos os que o queiram seguir, com determina&ccedil;&atilde;o e paix&atilde;o.<\/p>\n<p><strong><em>Educa&ccedil;&atilde;o como futuro da sociedade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A miss&atilde;o educativa das novas gera&ccedil;&otilde;es &eacute; a tarefa essencial de toda a sociedade. N&atilde;o podemos deixar de reconhecer que a fam&iacute;lia &eacute; a primeira institui&ccedil;&atilde;o educativa. A postura do Estado em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos da educa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia &eacute; subsidi&aacute;ria. O Estado deve apoiar a fam&iacute;lia no desempenho dessa miss&atilde;o, suprindo as suas lacunas e dificuldades, mas&nbsp;sem nunca&nbsp;pretender substituir ou dificultar a tarefa educativa das fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Embora este princ&iacute;pio seja universalmente reconhecido e esteja inscrito na&nbsp;nossa Constitui&ccedil;&atilde;o, hoje, em Portugal, n&atilde;o vigora um regime de verdadeira liberdade de ensino. A celebra&ccedil;&atilde;o de contratos de associa&ccedil;&atilde;o entre o Estado e&nbsp;as Escolas&nbsp;particulares e cooperativas, no servi&ccedil;o p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o que prestam,&nbsp;n&atilde;o pode ser concebida a prazo e manter-se apenas enquanto o ensino p&uacute;blico n&atilde;o se estende a todo o territ&oacute;rio nacional.<\/p>\n<p>Um outro dom&iacute;nio particularmente relevante e delicado &eacute; o da educa&ccedil;&atilde;o sexual. Trata-se de um tema em que entram em jogo os valores &eacute;ticos e religiosos mais &iacute;ntimos e profundos da pessoa humana e da fam&iacute;lia. Neste &acirc;mbito &eacute; imprescind&iacute;vel a ausculta&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias e o respeito pelos seus valores.<\/p>\n<p><strong><em>A pol&iacute;tica como servi&ccedil;o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O momento particular que atravessamos torna oportuna a reflex&atilde;o sobre a dignidade da fun&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. O Papa Bento XVI &eacute; assertivo quando afirma que &ldquo;o desenvolvimento &eacute; imposs&iacute;vel sem homens retos, sem operadores econ&oacute;micos e homens pol&iacute;ticos que sintam intensamente em suas consci&ecirc;ncias o apelo ao bem comum. S&atilde;o necess&aacute;rias tanto a prepara&ccedil;&atilde;o profissional como a coer&ecirc;ncia moral&rdquo; [2].<\/p>\n<p>&nbsp;Confrontar a nobreza desta fun&ccedil;&atilde;o com a incoer&ecirc;ncia &eacute;tica, muitas vezes evidenciada pelos pol&iacute;ticos, cria em muitos cidad&atilde;os a desilus&atilde;o e o descr&eacute;dito perante a classe pol&iacute;tica que nos vem governando. N&atilde;o &eacute; correto, por&eacute;m, ceder &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de condenar, indiscriminada e genericamente, os pol&iacute;ticos e as institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. Mas &eacute; preciso dizer bem alto que a pol&iacute;tica tem de ser uma voca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o e nunca uma via carreirista de promo&ccedil;&atilde;o pessoal.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o atual exige uma consci&ecirc;ncia mais apurada do sentido do bem comum e da sua primazia em rela&ccedil;&atilde;o aos interesses particulares partid&aacute;rios, sectoriais ou corporativos. A gravidade da crise aconselha uma ampla congrega&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os no sentido da sua supera&ccedil;&atilde;o. Encontrar solu&ccedil;&otilde;es de consenso alargado (estruturas pol&iacute;ticas e for&ccedil;as da sociedade civil), mesmo para al&eacute;m das maiorias parlamentares, contribuir&aacute; para refor&ccedil;ar a confian&ccedil;a e a esperan&ccedil;a dos cidad&atilde;os. Esta congrega&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os e a disponibilidade sincera para obter consensos alargados refor&ccedil;ar&atilde;o certamente a credibilidade externa da sociedade portuguesa no seu todo.<\/p>\n<p>&Eacute; hora de cada cidad&atilde;o iniciar o processo de mudan&ccedil;a de paradigma, a n&iacute;vel pessoal ou institucional. &Eacute; hora de fazermos mem&oacute;ria do Povo que somos e de &ldquo;navegar por mares nunca dantes navegados&rdquo; (Lu&iacute;s de Cam&otilde;es, <em>Os Lus&iacute;adas<\/em>), passando al&eacute;m deste mal-estar social profundo. Como diz Fernando Pessoa: &ldquo;N&atilde;o tenho sentimento nenhum pol&iacute;tico ou social. Tenho, por&eacute;m, num sentido, um alto sentimento patri&oacute;tico. Minha p&aacute;tria &eacute; a l&iacute;ngua portuguesa&rdquo; (<em>Livro do Desassossego<\/em>). Uma l&iacute;ngua, um <em>ethos<\/em>, uma cultura, que precisa de ser evocada, &ldquo;ouvida e vista&rdquo;, para que Portugal se possa cumprir no presente e no futuro.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conclus&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>V&aacute;rios de n&oacute;s estivemos ontem em Roma para participar na celebra&ccedil;&atilde;o da beatifica&ccedil;&atilde;o do Papa Jo&atilde;o Paulo II, que por tr&ecirc;s vezes visitou Portugal e foi peregrino de F&aacute;tima. O seu exemplo de corajoso profeta e pastor e de irm&atilde;o de todos, especialmente dos mais fr&aacute;geis e carenciados, e a sua intercess&atilde;o junto de Deus, nos acompanhem sempre nos caminhos de renova&ccedil;&atilde;o da Igreja, em solidariedade sem fronteiras.<\/p>\n<p>&Eacute; exigente a tarefa que assumimos de repensar a pastoral. N&atilde;o podemos parar este projeto j&aacute; iniciado. O mundo n&atilde;o para e a necessidade de corresponder &agrave;s exig&ecirc;ncias da cultura atual deve fortalecer-nos para encontrar a melhor forma de anunciar e de viver com alegria a Boa-nova de Jesus Cristo. O interesse da Igreja no seu todo deve sobrepor-se a uma vis&atilde;o eclesial exclusivamente local ou sectorial. Da visibilidade da nossa unidade vem a legitimidade para apelarmos &agrave; comunh&atilde;o de todas as for&ccedil;as democr&aacute;ticas na consuma&ccedil;&atilde;o de um projeto melhor para Portugal.<\/p>\n<p>A globaliza&ccedil;&atilde;o gerou oportunidades novas que devem ser aproveitadas para trabalharmos em rede, segundo o v&iacute;nculo da unidade e da diferen&ccedil;a, entre a hierarquia e o laicado, a f&eacute; e a cultura, a religi&atilde;o e a sociedade. O mandato de Jesus Cristo, no livro dos Atos dos Ap&oacute;stolos, permanece vivo e atual: &ldquo;Ides receber uma for&ccedil;a, a do Esp&iacute;rito Santo, que descer&aacute; sobre v&oacute;s, e sereis minhas testemunhas em Jerusal&eacute;m, por toda a Judeia e Samaria e at&eacute; aos confins do mundo&rdquo; (<em>Act<\/em> 1,8). Com humildade e coragem, ser motor da hist&oacute;ria, atores e n&atilde;o espectadores, faz do cristianismo a narrativa plaus&iacute;vel do amor de Deus no seio da humanidade. Esta miss&atilde;o, da qual somos deposit&aacute;rios, &eacute; fundamental para a renova&ccedil;&atilde;o da Igreja e da sociedade portuguesa.<\/p>\n<p>Como felizmente sabemos, os cargos de responsabilidade na Igreja n&atilde;o s&atilde;o uma carreira de honras, mas miss&otilde;es de servi&ccedil;o. Ao fim destes seis anos como Presidente da CEP, quero agradecer a Deus por o ter sentido muito perto, como a minha for&ccedil;a essencial. Quero agradecer a generosa colabora&ccedil;&atilde;o dos meus irm&atilde;os Bispos, assim como de toda a Igreja em Portugal. Agrade&ccedil;o tamb&eacute;m aos que trabalhais na comunica&ccedil;&atilde;o social, por levardes as boas novas da Igreja aos quatro cantos da nossa <em>aldeia global<\/em>. A todos exprimo um sentido e profundo muito bem haja.&nbsp;<\/p>\n<p><em>F&aacute;tima, 2 de maio de 2011<\/em><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><strong>&dagger;<\/strong> Jorge Ortiga, <em>Arcebispo Primaz de Braga<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] &laquo;A l&oacute;gica do dom n&atilde;o exclui a justi&ccedil;a nem se justap&otilde;e a ela num segundo tempo e de fora; e, por outro lado, o desenvolvimento econ&oacute;mico, social e pol&iacute;tico precisa, se quiser ser autenticamente humano, de dar espa&ccedil;o ao princ&iacute;pio da gratuidade como express&atilde;o de fraternidade&raquo; (Bento XVI, <em>Caritas in Veritate<\/em>, n.&ordm; 34).<\/p>\n<p>[2] Bento XVI, <em>Caritas in Veritate<\/em>, n.&ordm; 71.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso do Presidente da CEP na abertura dos trabalhos da 177.&ordf; Assembleia Plen&aacute;ria da CEP (2-5 de maio de 2011) &nbsp; REPENSAR A PASTORAL DA IGREJA NUMA SOCIEDADE EM MUDAN&Ccedil;A &nbsp;&nbsp; Ao terminar a minha presid&ecirc;ncia na CEP, sa&uacute;do o Sr. N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, D. Rino Passigato, em sinal de profunda comunh&atilde;o com Sua Santidade o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,120,172,191,267,314,327],"class_list":["post-51182","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-braga","tag-economia","tag-natal","tag-solidariedade","tag-visita-ad-limina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51182"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51182\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}