{"id":51080,"date":"2011-04-27T12:36:51","date_gmt":"2011-04-27T12:36:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/27\/beber-na-fonte-de-taize\/"},"modified":"2011-04-27T12:36:51","modified_gmt":"2011-04-27T12:36:51","slug":"beber-na-fonte-de-taize","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beber-na-fonte-de-taize\/","title":{"rendered":"Beber na Fonte de Taiz\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Tony Neves <!--more--> <\/p>\n<p>Ora&ccedil;&atilde;o. Comunidade. Sinos. Partilha. Encontro. Natureza. Simplicidade. Voluntariado. Alegria. C&acirc;nticos. Sil&ecirc;ncio&hellip;S&atilde;o algumas das palavras que ecoam no cora&ccedil;&atilde;o de quem passa uma Semana Santa em Taiz&eacute;, esta &lsquo;colina da Paz&rsquo; situada na Borgonha, n&atilde;o muito longe de Lyon, na Fran&ccedil;a. Eram 5 mil jovens, 500 portugueses, em manh&atilde; de P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>Foi nesta aldeia que o Irm&atilde;o Roger fundou uma comunidade mon&aacute;stica que acolhe, ano ap&oacute;s ano, dezenas de milhar de jovens (e menos jovens) das origens mais diversificadas, mas todos &agrave; procura de um sentido para a sua vida. O &lsquo;fen&oacute;meno Taiz&eacute;&rsquo; assenta num estilo de ora&ccedil;&atilde;o meditativa enraizada no canto e no sil&ecirc;ncio. Foi l&aacute; que um grupo de Jovens Sem Fronteiras viveu a Semana Santa e a P&aacute;scoa.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Comunidade<\/strong><\/p>\n<p>S&atilde;o cerca de 100 Irm&atilde;os, vindos de 30 pa&iacute;ses. Pertencem a diversas Igrejas Crist&atilde;s e vivem em contexto ecum&eacute;nico. H&aacute; Fraternidades na Coreia do Sul, no Bangladesh, no Brasil, no Senegal e no Qu&eacute;nia. Vivem do seu trabalho, de forma simples, acolhendo jovens e menos jovens que pretendam fazer uma experi&ecirc;ncia de espiritualidade. Organizam as &lsquo;Peregrina&ccedil;&otilde;es de Confian&ccedil;a sobre a Terra&rsquo; e os Encontros Continentais de Taiz&eacute;. Alguns irm&atilde;os t&ecirc;m a miss&atilde;o de fazer visitas atrav&eacute;s do mundo para partilhar a experi&ecirc;ncia orante e ecum&eacute;nica de Taiz&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem vem a Taiz&eacute;?<\/strong><\/p>\n<p>O Irm&atilde;o John tenta responder: jovens e menos jovens de todo o lado, com caminhadas eclesiais muito diversas, mas todos &aacute; procura de aprofundar a sua f&eacute; ou o sentido da sua vida. Uns chegam por &lsquo;cont&aacute;gio&rsquo;, outros por &lsquo;curiosidade&rsquo;. Querem, como sugeriu Jo&atilde;o Paulo II, beber da &lsquo;fonte&rsquo;, para saciar a sede de Deus e de reconcilia&ccedil;&atilde;o e, desta forma, continuar o seu caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ao toque dos sinos&hellip; a Ora&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Em Taiz&eacute; s&atilde;o os sinos quem comanda o ritmo do dia a dia. Ou melhor, &eacute; a ora&ccedil;&atilde;o. &Agrave;s 8h15, &agrave;s 12h30 e &agrave;s 20h30, tudo para em Taiz&eacute; e todos os caminhos v&atilde;o dar &aacute; grande Igreja da Reconcilia&ccedil;&atilde;o. Sentados no ch&atilde;o, os jovens v&atilde;o, em sil&ecirc;ncio, esperando a chegada dos Irm&atilde;os. Tudo o que se faz em Taiz&eacute; encaixa-se neste ritmo e neste hor&aacute;rio. Quem vai a Taiz&eacute; sabe que, nestas horas, n&atilde;o h&aacute; mais nada, porque na Igreja se vive o essencial. A Ora&ccedil;&atilde;o &eacute; a alma, o cora&ccedil;&atilde;o da vida desta Comunidade e de quantos com eles partilham uns dias de vida.<\/p>\n<p>A ora&ccedil;&atilde;o segue a tradi&ccedil;&atilde;o mon&aacute;stica, com textos b&iacute;blicos, c&acirc;nticos simples, preces e sil&ecirc;ncio. O que mais impressiona e deixa marcas &eacute; sentir a serenidade e profundidade de alguns minutos em que estamos num Igreja cheia de jovens sentados, onde se escuta apenas a voz interior do sil&ecirc;ncio.<\/p>\n<p>Na Igreja tudo &eacute; simples: os jovens sentam-se no ch&atilde;o, a decora&ccedil;&atilde;o &eacute; feita de &iacute;cones espalhados pelas paredes e, no fundo, est&atilde;o aqueles panos laranja que lembram uma tenda, h&aacute; tijolos no ch&atilde;o e h&aacute; velas acesas. Tudo t&atilde;o simples, t&atilde;o denso e t&atilde;o belo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Simplicidade<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; uma imagem de marca de Taiz&eacute;. Os jovens chegam &aacute; colina vindos de sociedades e fam&iacute;lias onde a abund&acirc;ncia e o desperd&iacute;cio s&atilde;o habituais, mas ali h&aacute; uma aposta clara no essencial: o alojamento em camaratas ou tendas; a alimenta&ccedil;&atilde;o simples, servida ao ar livre e tendo como apoios um prato, uma malga e uma colher; uma Igreja onde n&atilde;o h&aacute; bancos; reflex&otilde;es e workshops ao ar livre ou em espa&ccedil;os cobertos. H&aacute; um esfor&ccedil;o de concentra&ccedil;&atilde;o no que &eacute; fundamental: a rela&ccedil;&atilde;o com Deus, a fraternidade e esp&iacute;rito de partilha entre todos.<\/p>\n<p>Ali todos se entendem. O &lsquo;babel&rsquo; da confus&atilde;o, cedo d&aacute; lugar ao &lsquo;Pentecostes&rsquo; de todas as l&iacute;nguas. O grito pascal &lsquo;Cristo ressuscitou verdadeiramente&rsquo;, dito pelo prior em todas as l&iacute;nguas dos participantes (quase 30 em 2011), mostra a riqueza da diversidade e como &eacute; simples partilhar a vida mesmo quando a nossa l&iacute;ngua e a nossa Igreja s&atilde;o diferentes das dos outros com quem partilhamos alguns dias de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voluntariado<\/strong><\/p>\n<p>Taiz&eacute; n&atilde;o tem funcion&aacute;rios. Tem a Comunidade dos irm&atilde;os, tem volunt&aacute;rios permanentes e conta com a colabora&ccedil;&atilde;o de quantos ali est&atilde;o. Assim se garante o acolhimento, a limpeza e manuten&ccedil;&atilde;o de todos os espa&ccedil;os, a confe&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o dos alimentos, a realiza&ccedil;&atilde;o dos encontros tem&aacute;ticos e workshops, a acomoda&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de um ambiente de sil&ecirc;ncio na Igreja, a disciplina em todos os espa&ccedil;os e apelo ao cumprimento dos hor&aacute;rios (levantar, deitar, participa&ccedil;&atilde;o nas ora&ccedil;&otilde;es, trabalhos de grupo de reflex&atilde;o&hellip;). Tamb&eacute;m s&atilde;o os volunt&aacute;rios que asseguram o funcionamento do &lsquo;Oyak&rsquo;, um espa&ccedil;o de confraterniza&ccedil;&atilde;o onde se pode comprar alguns bens alimentares e onde se pode cantar, dan&ccedil;ar, beber um caf&eacute; ou at&eacute; uma cerveja.<\/p>\n<p>S&atilde;o os volunt&aacute;rios, como extens&atilde;o da Comunidade, quem permite o funcionamento das atividades a pre&ccedil;os t&atilde;o baixos, fazendo uma experi&ecirc;ncia gratificante de servi&ccedil;o aos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Partilha com alegria<\/strong><\/p>\n<p>A partilha faz-se nos pequenos grupos de reflex&atilde;o, nas filas para as refei&ccedil;&otilde;es, nos momentos livres, no Oyak. Faz-se a partir dos textos escolhidos da B&iacute;blia e das Cartas do Prior da Comunidade (este ano o irm&atilde;o Alois escreveu a Carta do Chile). Sempre com um sorriso nos l&aacute;bios. Mesmo quando se mandar fazer sil&ecirc;ncio na Igreja, se vai mandar deitar os que fazem confus&atilde;o &agrave; noite ou levantar os que parecem n&atilde;o alinhar na Ora&ccedil;&atilde;o ou Reflex&atilde;o, sempre se adverte de forma simp&aacute;tica e sorridente. A &uacute;ltima Carta de Taiz&eacute; tem por t&iacute;tulo: &lsquo;Uma op&ccedil;&atilde;o pela Alegria&rsquo;, focada na alegria de viver que deve caracterizar os crist&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Semana Santa e P&aacute;scoa<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; especial na Colina de Taiz&eacute;. Eram 3 mil a que se juntaram mais 2 mil para a P&aacute;scoa. A ora&ccedil;&atilde;o marca o ritmo, mas s&atilde;o importantes os tempos de reflex&atilde;o com um Irm&atilde;o e, depois, em pequenos grupos.<\/p>\n<p>Na Quinta Feira Santa houve a Eucaristia do Lava-P&eacute;s. A Sexta-Feira foi marcada pelo respeito pela morte de Cristo. &Agrave;s 15h tocaram os sinos e tudo parou num sil&ecirc;ncio que invadiu a colina. Neste dia o Oyak fechou e a Adora&ccedil;&atilde;o da Cruz durou at&eacute; &agrave;s 6h30 da manh&atilde; de s&aacute;bado, sempre com fila de jovens &agrave; espera da oportunidade de tocar na cruz e rezar.<\/p>\n<p>A grande festa da Luz e da Ressurrei&ccedil;&atilde;o foi a Eucaristia do Domingo de P&aacute;scoa que terminou com o grito &lsquo;Cristo Ressuscitou Verdadeiramente&rsquo;, proclamado em todas as l&iacute;nguas dos participantes na Celebra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Irm&atilde;o Alois, Prior<\/strong><\/p>\n<p>Foi o sucessor do irm&atilde;o Roger como Prior desta Comunidade. Alem&atilde;o de origem cat&oacute;lica, d&aacute; continuidade &agrave;s grandes intui&ccedil;&otilde;es do Fundador. Na sua Mensagem de P&aacute;scoa, lida na Ter&ccedil;a-Feira Santa, na v&eacute;spera de partir para Moscovo, onde viveu a P&aacute;scoa em contexto Ortodoxo, O irm&atilde;o Alois falou da import&acirc;ncia simb&oacute;lica desta &lsquo;Peregrina&ccedil;&atilde;o a Moscovo&rsquo; com 240 jovens de 26 pa&iacute;ses. Partilhou o seu encontro com Bento XVI que lhe disse que era muito importante o que se faz em Taiz&eacute; e considerou o irm&atilde;o Roger um &lsquo;homem santo&rsquo;. Convidou todos os jovens a participar no Encontro de fim de ano que se vai realizar em Berna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E depois de Taiz&eacute;?<\/strong><\/p>\n<p>Depois, foi a alegria associada &agrave;s l&aacute;grimas do adeus, ou melhor, do &lsquo;at&eacute; breve&rsquo;, pois Taiz&eacute; continua, nas Igrejas locais, nas vidas de cada um. Na hora do regresso, os jovens s&atilde;o convidados a continuar a aprofundar esta dupla amizade a Deus e a todas as pessoas. Taiz&eacute; pretende promover a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de amizade que ajude a construir a unidade dos crist&atilde;os e seja um sinal de paz para um mundo t&atilde;o injusto e t&atilde;o dividido.<strong><\/strong><\/p>\n<p>Os irm&atilde;os de Taiz&eacute; estar&atilde;o nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid, de 15 a 20 de agosto, na Bas&iacute;lica Hispano-Americana de la Merced, pr&oacute;ximo do Paseo de la Castellana (Metro: Nuevos MInisterios).<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,122,199,240,241,308,315,329],"class_list":["post-51080","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-brasil","tag-espiritualidade","tag-jornadas-mundiais-da-juventude","tag-jsf","tag-semana-santa","tag-taize","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51080\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}