{"id":51076,"date":"2011-04-27T12:25:21","date_gmt":"2011-04-27T12:25:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/27\/a-ressurreicao-de-jesus-da-morte\/"},"modified":"2011-04-27T12:25:21","modified_gmt":"2011-04-27T12:25:21","slug":"a-ressurreicao-de-jesus-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-ressurreicao-de-jesus-da-morte\/","title":{"rendered":"A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus da morte"},"content":{"rendered":"<p>Padre Franclim Pacheco  <!--more--> <\/p>\n<p>Bento XVI, no cap. IX do II Parte do livro &laquo;Jesus de Nazar&eacute;&raquo;, trata do tema &laquo;A ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus da morte&raquo;. Este cap&iacute;tulo, tal como os anteriores, deve ser lido e entendido na perspectiva que o autor indicou no in&iacute;cio: encontrar o Jesus Real. O autor tem o objectivo de se aproximar da figura de Jesus de um modo que possa ser &uacute;til a todos os leitores que queiram encontrar Jesus e acreditar n&rsquo;Ele. Como pano de fundo, por vezes expressa na refer&ecirc;ncia a alguns autores do campo protestante, est&aacute; subjacente a cr&iacute;tica, embora de modo n&atilde;o pol&eacute;mico, a certa cristologia que separa da hist&oacute;ria o Cristo da f&eacute;. Por isto mesmo, Bento XVI, ao falar do Ressuscitado, insiste de modo particular no sentido da &laquo;corporeidade&raquo;.<\/p>\n<p>A ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus, n&atilde;o reanima&ccedil;&atilde;o, foi a evas&atilde;o para um g&eacute;nero de vida totalmente novo, para uma vida j&aacute; n&atilde;o sujeita &agrave; lei do morrer e do transformar-se&hellip; que inaugurou uma nova dimens&atilde;o de ser homem&hellip; uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo g&eacute;nero de futuro para os homens. Para os disc&iacute;pulos, a ressurrei&ccedil;&atilde;o foi t&atilde;o real como a cruz: &laquo;Ele vive e falou-nos, concedeu-nos toc&aacute;-l&rsquo;O, embora j&aacute; n&atilde;o perten&ccedil;a ao mundo das coisas que normalmente se podem tocar&raquo;. &Eacute; totalmente diverso, n&atilde;o pertencendo ao nosso mundo, e, ao mesmo tempo, est&aacute; presente de modo real, Ele mesmo, com a sua identidade.<\/p>\n<p>A f&eacute; na ressurrei&ccedil;&atilde;o diz-nos que h&aacute; uma dimens&atilde;o ulterior, para al&eacute;m das que conhecemos at&eacute; agora. Esta realidade nova, n&atilde;o constat&aacute;vel pela ci&ecirc;ncia, querida e criada por Deus &eacute; t&atilde;o real e verdadeira como qualquer outra realidade que sempre existiu. &Eacute; esta realidade que se imp&otilde;e &agrave;s poucas testemunhas como um acontecimento t&atilde;o revolucion&aacute;rio e real que desvaneceu toda a d&uacute;vida e, por isso, se apresentaram diante do mundo para testemunhas que Cristo verdadeiramente ressuscitou.<\/p>\n<p>O Credo de 1Co 15,3-8 diz: &laquo;Morreu&hellip; foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Se o sepulcro vazio, como tal, n&atilde;o pode certamente provar a f&eacute; na ressurrei&ccedil;&atilde;o, permanece por&eacute;m um pressuposto necess&aacute;rio para a f&eacute; na ressurrei&ccedil;&atilde;o, uma vez que esta se refere precisamente ao corpo e, por seu interm&eacute;dio, &agrave; pessoa na sua totalidade. A comunidade primitiva est&aacute; a pensar concretamente no Sl 16, 9-11 (Act 2,26-28), aplicando-o a Jesus. Em rela&ccedil;&atilde;o a David, o sepulcro com o cad&aacute;ver &eacute; a prova de que n&atilde;o se deu a ressurrei&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; o caso de Jesus.<\/p>\n<p>O terceiro dia n&atilde;o &eacute; uma data teol&oacute;gica mas o dia de um acontecimento que se tornou, para os disc&iacute;pulos, a viragem decisiva depois da cat&aacute;strofe da cruz, com uma for&ccedil;a excepcionalmente poderosa para suscitar uma mudan&ccedil;a t&atilde;o central na cultura religiosa da semana, renunciando ao s&aacute;bado e substituindo-o pelo primeiro dia da semana. Foi nesse dia que se deu a descoberta do sepulcro vazio e o encontro com o Senhor ressuscitado.<\/p>\n<p>Analisando as diversas apari&ccedil;&otilde;es, v&ecirc;-se que a apari&ccedil;&atilde;o do Ressuscitado a Paulo &eacute; diferente das narra&ccedil;&otilde;es dos encontros dos ap&oacute;stolos e das mulheres com o Senhor vivo. O Ressuscitado, cuja ess&ecirc;ncia &eacute; luz, fala como homem com Paulo na l&iacute;ngua dele. A sua palavra, por um lado, &eacute; uma auto-identifica&ccedil;&atilde;o com a Igreja perseguida e, por outro, &eacute; uma miss&atilde;o confiada a Saulo.<\/p>\n<p>Nas apari&ccedil;&otilde;es narradas nos evangelhos o Ressuscitado apresenta uma identidade e uma alteridade, uma verdadeira corporeidade e uma liberdade em rela&ccedil;&atilde;o aos v&iacute;nculos do corpo. Ele &eacute; o mesmo, ou seja, Homem em carne e osso, e Ele &eacute; tamb&eacute;m o Novo, Aquele que entrou num g&eacute;nero diverso de exist&ecirc;ncia. Os encontros com o Ressuscitado s&atilde;o encontros reais com o Vivente que, de um modo novo, possui um corpo e permanece corp&oacute;reo. Jesus n&atilde;o vem do mundo dos mortos, n&atilde;o &eacute; um &laquo;esp&iacute;rito&raquo;, um morto que vive, mas vem precisamente do mundo da pura vida, vem de Deus, como o realmente Vivente que &eacute;, Ele mesmo, fonte de vida.<\/p>\n<p>Nos Actos dos Ap&oacute;stolos, Lucas apresenta as tr&ecirc;s auto-manifesta&ccedil;&otilde;es do Ressuscitado como o Vivente: aparecer, falar, estar &agrave; mesa. A comunh&atilde;o convivial do Ressuscitado com os seus &eacute; expressa pelo termo <em>synaliz&oacute;menos<\/em> [&laquo;comendo sal juntamente com eles&raquo; (Act 4,1)]. O sal &eacute; considerado como garantia de durabilidade. O &laquo;comer sal&raquo; por parte de Jesus depois da ressurrei&ccedil;&atilde;o, como sinal da vida nova e permanente, remete para a nova refei&ccedil;&atilde;o no Ressuscitado com os seus e manifesta o mist&eacute;rio duma nova comunh&atilde;o: o Senhor atrai novamente os disc&iacute;pulos para a comunh&atilde;o da alian&ccedil;a consigo e com o Deus vivo. F&aacute;-los participar na vida verdadeira, torna-os, a eles pr&oacute;prios, vivos e condimenta a sua vida com a participa&ccedil;&atilde;o na sua Paix&atilde;o, na for&ccedil;a purificadora do seu sofrimento.<\/p>\n<p>A ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus &eacute; um acontecimento dentro da hist&oacute;ria que, todavia, rompe o &acirc;mbito da hist&oacute;ria e a ultrapassa. N&atilde;o &eacute; um acontecimento hist&oacute;rico do mesmo g&eacute;nero que o nascimento ou a crucifix&atilde;o de Jesus. &Eacute; algo novo, um g&eacute;nero novo de acontecimento que ultrapassa a hist&oacute;ria, mas deixou o seu rasto na hist&oacute;ria. Por isso pode ser atestada por testemunhas como um acontecimento de uma qualidade completamente nova.<\/p>\n<p>Jesus Ressuscitado manifestou-se apenas aos seus, a algumas testemunhas, e n&atilde;o ao mundo, porque este &eacute; o modo como Deus Se revela ao mundo: apenas a Abra&atilde;o, a Israel. Torna-se homem, mas de modo a poder ser ignorado pelos contempor&acirc;neos, pelas for&ccedil;as respeit&aacute;veis da hist&oacute;ria. Padece e morre e, como Ressuscitado, quer chegar &agrave; humanidade apenas atrav&eacute;s da f&eacute; dos seus, aos quais Se manifesta.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>J. Franclim Pacheco<\/em><\/p>\n<p><em>Artigo escrito de acordo com a anterior ortografia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Franclim Pacheco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120],"class_list":["post-51076","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51076"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51076\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}