{"id":51043,"date":"2011-04-26T00:04:06","date_gmt":"2011-04-26T00:04:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/26\/homilia-do-bispo-do-porto-no-domingo-de-pascoa-3\/"},"modified":"2011-04-26T00:04:06","modified_gmt":"2011-04-26T00:04:06","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-no-domingo-de-pascoa-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-no-domingo-de-pascoa-3\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Porto no domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><strong>A ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo garante-nos que &eacute; poss&iacute;vel&hellip;<\/strong><\/p>\n<p>Ouvimos, amados irm&atilde;os, na 1&ordf; Leitura, como o ap&oacute;stolo Pedro falava naqueles dias primordiais, resumindo j&aacute; a vida de Jesus no seu significado salvador. O trecho &eacute; de S&atilde;o Lucas, nos <em>Atos dos Ap&oacute;stolos<\/em>, aut&ecirc;ntico comp&ecirc;ndio do que a evangeliza&ccedil;&atilde;o foi sempre e do que a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o h&aacute; de ser.<\/p>\n<p>Primeiro, o resumo do que essencialmente acontecera &ldquo;Deus ungiu com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo a Jesus de Nazar&eacute;, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Dem&oacute;nio, porque Deus estava com Ele&rdquo;. Depois, o testemunho apost&oacute;lico: &ldquo;N&oacute;s somos testemunhas de tudo o que Ele fez no pa&iacute;s dos judeus e em Jerusal&eacute;m&rdquo;. E o n&uacute;cleo pascal da prega&ccedil;&atilde;o: &ldquo;eles mataram-no, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia&rdquo;. E a inclus&atilde;o dos disc&iacute;pulos na ressurrei&ccedil;&atilde;o e no an&uacute;ncio: &ldquo;[Deus] permitiu-Lhe manifestar-Se, n&atilde;o a todo o povo, mas &agrave;s testemunhas de antem&atilde;o designadas por Deus, a n&oacute;s que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constitu&iacute;do por Deus juiz dos vivos e dos mortos&rdquo;. Para tal se orientavam as profecias antigas, agora magnificamente realizadas: &ldquo;&Eacute; d&rsquo;Ele que todos os profetas d&atilde;o o seguinte testemunho: quem acredita n&rsquo;Ele recebe pelo seu nome a remiss&atilde;o dos pecados&rdquo;.<\/p>\n<p>O trecho &eacute; de S&atilde;o Lucas, nos <em>Atos dos Ap&oacute;stolos<\/em>, aut&ecirc;ntico comp&ecirc;ndio do que a evangeliza&ccedil;&atilde;o foi sempre e do que a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o h&aacute; de ser. Sem esquecer nenhum dos pontos de t&atilde;o inspirado elenco:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1&ordm;) Relembrando imprescindivelmente o que com Jesus aconteceu, ou melhor, o acontecimento Jesus, reconhecido como o Cristo, isto &eacute;, ungido pelo Esp&iacute;rito e assim mesmo salvando e curando.<\/p>\n<p>Ecoava nesta refer&ecirc;ncia a grande admira&ccedil;&atilde;o que Jesus suscitara nos primeiros que o viram e escutaram, de cora&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel e pobre. Magn&iacute;fica a atesta&ccedil;&atilde;o, como ficara na mem&oacute;ria recente: Jesus &ldquo;passou fazendo o bem&rdquo;. Isso mesmo ficara e &eacute; o que sempre e s&oacute; resulta do Evangelho vivido e oferecido, tempo ap&oacute;s tempo, urg&ecirc;ncia ap&oacute;s urg&ecirc;ncia. Assim agora nos que seguem Cristo e se queiram definir a partir dele. Escutemo-lo, como a sua ressurrei&ccedil;&atilde;o ecoa: &ldquo;Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto &eacute; que todos conhecer&atilde;o que sois meus disc&iacute;pulos: se vos amardes uns aos outros&rdquo; (<em>Jo<\/em> 13, 34-35).<\/p>\n<p>Basta-nos isso e de ent&atilde;o para agora: que a narrativa de Jesus, nunca por demais lembrada, se alargue na narrativa concreta da sua Igreja, nunca por demais praticada. Sempre ao modo d&rsquo;Ele, sempre na qualidade evang&eacute;lica das coisas. &#8211; E do modo mais concreto e solid&aacute;rio, pois se trata de &ldquo;fazer&rdquo; o bem!&nbsp;<\/p>\n<p>2&ordm;) &Eacute; de P&aacute;scoa que falamos, quando testemunhamos Jesus. Foi morto e suspenso na cruz e assim mesmo ressuscitou, abrindo-nos o horizonte insuspeitado da vida, ganha precisamente quando se oferece.<\/p>\n<p>Verdade central, que aqui nos trouxe &agrave; Paix&atilde;o e daqui nos envia ressuscitados. Verdade t&atilde;o forte, que, nunca previs&iacute;vel nem por demais assimilada, ainda assim nos atrai, em crescente certeza, sempre nas palavras de Jesus: &ldquo;Assim como Mois&eacute;s ergueu a serpente no deserto, assim tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio que o Filho do Homem seja erguido ao alto [e precisamente na cruz], a fim de que todo o que cr&ecirc; nele tenha a vida eterna&rdquo; (<em>Jo<\/em> 3, 14-15).<\/p>\n<p>Irm&atilde;os car&iacute;ssimos: na comunidade crist&atilde; e ainda fora dela, na fam&iacute;lia, na escola ou no trabalho, seja onde for e quando for, a evangeliza&ccedil;&atilde;o s&oacute; pascalmente acontece. Haver&aacute; Evangelho onde houver vida oferecida, desapossamento de si para dar lugar ao outro, obedi&ecirc;ncia ao Pai para alargar um mundo de irm&atilde;os, como o que finalmente nasceu ao p&eacute; da cruz.<\/p>\n<p>3&ordm;) Terceiro e fundamental ponto &eacute; a iniciativa divina, que s&oacute; ela nos deslumbra e envia. Pedro, no seu discurso, diz expressamente que Deus manifestou Jesus &agrave;queles que unicamente quis, para testemunharem a ressurrei&ccedil;&atilde;o. Caso particular dos primeiros, que &ldquo;comeram e beberam com o Ressuscitado&rdquo;.<\/p>\n<p>Imensa gra&ccedil;a, certamente, mas enorm&iacute;ssimo encargo, que lhes preencheu a vida e at&eacute; a morte, transmudada em mart&iacute;rio. Mas gra&ccedil;a e encargo nosso tamb&eacute;m, que fortemente experimentamos a sua presen&ccedil;a e companhia, e nos fazemos pregoeiros do seu convite universal.<\/p>\n<p>De cada Eucaristia celebrada, partimos para cont&aacute;-la a toda a gente, qual experi&ecirc;ncia viva da comunh&atilde;o com o Ressuscitado. Como os disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s, que &ldquo;contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir do p&atilde;o&rdquo; (<em>Lc<\/em> 24, 35).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Poder&iacute;amos perguntar-nos a raz&atilde;o de tudo isto, de ser por alguns que o an&uacute;ncio chega a todos. Poder&iacute;amos at&eacute; dispensar-nos, esperando que outros o fa&ccedil;am e at&eacute; melhor do que n&oacute;s, ou, pelo menos, antes de n&oacute;s&hellip; Como Mois&eacute;s, alegando dificuldade em falar (cf <em>Ex<\/em> 4, 10); ou como os que tinham coisas mais urgentes para fazer (cf. <em>Lc<\/em> 9, 57-62).<\/p>\n<p>N&atilde;o, irm&atilde;os: aceitemos que a evangeliza&ccedil;&atilde;o acontece por iniciativa divina e vai do pouco &ndash; pouqu&iacute;ssimo &ndash; para o muito. A experi&ecirc;ncia do Ressuscitado, esta mesma que nos tem aqui em renovado j&uacute;bilo pascal, &eacute;-nos gratuitamente oferecida, para que gratuitamente a comuniquemos a todos. N&atilde;o &eacute; m&eacute;rito nosso, &eacute; gra&ccedil;a de Deus, desabrochando como as flores, do pequeno bot&atilde;o &agrave; imensa corola.<\/p>\n<p>4&ordm;) E o conte&uacute;do &eacute; como segue: &ldquo;Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constitu&iacute;do juiz dos vivos e dos mortos&rdquo;.<\/p>\n<p>Prometendo a vinda do Esp&iacute;rito, dissera Jesus que Ele manifestaria um julgamento, &ldquo;pois o pr&iacute;ncipe deste mundo ficou condenado&rdquo; (<em>Jo<\/em> 16, 11). E assim foi, de facto, porque a condena&ccedil;&atilde;o injust&iacute;ssima de Jesus &agrave; morte, redundou em demonstra&ccedil;&atilde;o plena da sua verdade e justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Assim estaremos n&oacute;s agora, atestando por palavras e obras que a justi&ccedil;a de Deus &eacute; a vit&oacute;ria da vida, como Jesus a conseguiu e a todos oferece. Tudo o mais ruir&aacute;, como ruiu na altura, em incont&aacute;veis escombros de injusti&ccedil;a e mentira.<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;Juiz dos vivos e dos mortos&rdquo;, pois na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo toda a realidade se abarca. Pelos mortos, rezamos; mas aos vivos atestamos que a justi&ccedil;a de Deus &eacute; a P&aacute;scoa de Jesus realizada na terra, como tudo o que ela implica de Evangelho compartilhado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Tanta evangeliza&ccedil;&atilde;o a fazer de novo, a partir de cada um de n&oacute;s e das nossas pr&oacute;prias comunidades, manifestando em redor a justi&ccedil;a de Deus, pela autenticidade dos crentes! Bastaria demonstrar nas vidas cada uma das bem-aventuran&ccedil;as, com o an&uacute;ncio e a justi&ccedil;a que transportam, t&atilde;o diversas dos c&aacute;lculos mundanos:<\/p>\n<p>Pobreza espiritual para pertencer ao Reino, choro para a consola&ccedil;&atilde;o, mansid&atilde;o para possuir a terra, fome e sede de justi&ccedil;a para ser saciado, miseric&oacute;rdia para alcan&ccedil;ar miseric&oacute;rdia, pureza de cora&ccedil;&atilde;o para ver a Deus, pacifica&ccedil;&atilde;o para ser filho de Deus, persegui&ccedil;&atilde;o at&eacute;, mas por causa da verdadeira justi&ccedil;a&hellip;<\/p>\n<p>S&oacute; assim ser&aacute; grande a recompensa no C&eacute;u; s&oacute; assim consolidada a justi&ccedil;a na terra. A ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo garante-nos que &eacute; poss&iacute;vel. &ndash; Isto mesmo irradiaremos para a P&aacute;scoa total!<\/p>\n<p>S&eacute; do Porto, 24 de abril de 2011&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Manuel Clemente, bispo do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo garante-nos que &eacute; poss&iacute;vel&hellip; Ouvimos, amados irm&atilde;os, na 1&ordf; Leitura, como o ap&oacute;stolo Pedro falava naqueles dias primordiais, resumindo j&aacute; a vida de Jesus no seu significado salvador. 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