{"id":51038,"date":"2011-04-25T23:40:46","date_gmt":"2011-04-25T23:40:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/25\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-vigilia-pascal-2\/"},"modified":"2011-04-25T23:40:46","modified_gmt":"2011-04-25T23:40:46","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-vigilia-pascal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-vigilia-pascal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de Braga na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<table style=\"width: 100%;\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"567\" valign=\"top\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p><strong>A Miss&atilde;o,   caminho da Palavra<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo da Semana Santa propus um itiner&aacute;rio de   vida que fizesse da Igreja uma aut&ecirc;ntica Casa da Palavra. Hoje, a Igreja,   iluminada pela luz pascal, faz mem&oacute;ria e torna presente os grandes   acontecimentos da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o que a Palavra de Deus n&oacute;s vem   revelando ao longo dos tempos.<\/p>\n<p>Deus havia prometido que enviaria   &ldquo;<em>dias de fome e de sede sobre a terra, n&atilde;o uma fome de p&atilde;o nem uma sede de   &aacute;gua, mas de escutar a Palavra do Senhor<\/em>&rdquo; (Am&oacute;s 8, 11). A aus&ecirc;ncia de   escuta torna imposs&iacute;vel a rela&ccedil;&atilde;o com Deus. Como podemos testemunhar a nossa   f&eacute; sen&atilde;o escutamos a Palavra? A verdadeira escuta traz consigo o crescimento   na f&eacute; e atitudes concretas de realiza&ccedil;&atilde;o do Bem. Toda a B&iacute;blia est&aacute; permeada   de apelos a &ldquo;n&atilde;o calar&rdquo;, a &ldquo;gritar com for&ccedil;a&rdquo;, &ldquo;a anunciar a Palavra oportuna   e inoportunamente&rdquo;, a &ldquo;ser sentinelas que rompem o sil&ecirc;ncio da indiferen&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p>A miss&atilde;o que Cristo deixou aos   ap&oacute;stolos foi o mandato de &ldquo;ir por todo o mundo&rdquo;, sair do templo, para   percorrer todas as ruas do mundo e a&iacute; gritar bem alto o amor de Deus por   todos e por cada ser humano. O testemunho alegre do crente &eacute; o mais belo   an&uacute;ncio da Boa Nova. Os Ap&oacute;stolos &ldquo;estiveram&rdquo; com Jesus para aprender do   Mestre a linguagem e as obras de Deus. Essa aprendizagem cont&iacute;nua ainda hoje.   Na alegria da P&aacute;scoa, quero sublinhar tr&ecirc;s caminhos a percorrer, no sentido   de realizarmos o mandamento do amor que Cristo ensinou e testemunhou aos seus   disc&iacute;pulos.<\/p>\n<p><strong>1<\/strong> &#8211; O   primeiro caminho &eacute; o <strong>&ldquo;caminho do cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/strong>. O cora&ccedil;&atilde;o &eacute; o centro da   sabedoria e da afetividade, da raz&atilde;o e da emo&ccedil;&atilde;o. O cora&ccedil;&atilde;o funciona atrav&eacute;s   de dois movimentos: contra&ccedil;&atilde;o e dilata&ccedil;&atilde;o, di&aacute;stole e s&iacute;stole. Nesta   dinamicidade e duplo movimento o caminho do cora&ccedil;&atilde;o sugere a urg&ecirc;ncia da   interioridade contemplativa do Homem. S&oacute; interiormente purificados poderemos   chegar &agrave;s extremidades da vida e percorrer as hist&oacute;rias humanas carregadas de   dramas e interroga&ccedil;&otilde;es, de gritos e impreca&ccedil;&otilde;es, de alegrias e tristezas.<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio do Reino toca a todos. A   Palavra de Deus &eacute; um facho luminoso de esperan&ccedil;a no seio da humanidade.   Compete a cada crist&atilde;o e a toda a Igreja transmitir a f&eacute; com o entusiasmo e a   alegria das comunidades primitivas. O an&uacute;ncio de Cristo Ressuscitado na vida   dos homens &eacute; a mais solene Boa Nova da P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>Sublinho tr&ecirc;s pontos onde o   fermento evang&eacute;lico deve ser colocado: a <strong>fam&iacute;lia<\/strong> para que os valores   da hospitalidade e da condivis&atilde;o sejam transmitidos; o <strong>trabalho<\/strong> onde a   dignidade e o direito marcam a tarefa de completar a obra iniciada pelo   Criador; a <strong>sociedade<\/strong> onde a eficiente participa&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os   permite que a conviv&ecirc;ncia humana n&atilde;o se deixe marcar por crit&eacute;rios de   solidariedade, justi&ccedil;a e fraternidade.<\/p>\n<p>O costume do compasso simboliza o   caminho das mulheres de Jerusal&eacute;m a anunciar alegremente o Ressuscitado. O   an&uacute;ncio que sai da Igreja a rebate dos sinos leva-nos hoje a percorrer os   caminhos das aldeias e das cidades. Deus vem e quer habitar na tenda dos   homens! Nesta tradi&ccedil;&atilde;o espelha-se a sintonia entre os sacerdotes que confiam   nos leigos e leigos que manifestam alegria em ser arautos da miss&atilde;o. Quantos   campos novos a descobrir? Quantos medos a perder? Quanta prepara&ccedil;&atilde;o a efetuar   para caminhar na fidelidade a uma mensagem de que a Igreja &eacute; meramente deposit&aacute;ria?<\/p>\n<p><strong>2<\/strong> &ndash; O   segundo caminho &eacute; a <strong>&ldquo;<em>Via amoris<\/em>&rdquo;<\/strong>. &Eacute; o amor que anuncia e o amor   que deve ser anunciado segunda uma caridade gratuita e verdadeira que v&aacute; mais   al&eacute;m da simples filantropia e do reconhecimento social. A caridade crist&atilde;   est&aacute; a exigir uma clarifica&ccedil;&atilde;o de motiva&ccedil;&otilde;es para marcar a diferen&ccedil;a no meio   de tantas institui&ccedil;&otilde;es similares. A motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; esta: &ldquo;fazei isto em mem&oacute;ria   de mim&rdquo;, amando a Deus e aos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;Viver e levar o amor de   Cristo para que seja conhecido e amado &eacute; o desafio di&aacute;rio colocado a todos os   crist&atilde;os. &ldquo;Quem se aventura pelos caminhos do mundo descobre tamb&eacute;m baixios   onde se aninham sofrimentos e pobrezas, humilha&ccedil;&otilde;es e opress&otilde;es,   marginaliza&ccedil;&otilde;es e mis&eacute;rias, doen&ccedil;as f&iacute;sicas e ps&iacute;quicas e solid&otilde;es. Com   frequ&ecirc;ncia, as pedras dos caminhos est&atilde;o ensanguentadas por guerras e   viol&ecirc;ncias, nos pal&aacute;cios do poder a corrup&ccedil;&atilde;o cruza-se com a injusti&ccedil;a&hellip; h&aacute; os   que s&atilde;o apanhados pela crise existencial ou sentem a alma privada de um   significado que d&ecirc; sentido e valor ao pr&oacute;prio viver&rdquo;<a href=\"http:\/\/diocese-braga.pt\/noticia3.php?recordID=3752&amp;seccao=31&amp;grupo=1#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Nunca podemos esquecer que Cristo, percorrendo os   caminhos da sua &eacute;poca, abre o seu minist&eacute;rio p&uacute;blico precisamente com um   an&uacute;ncio de esperan&ccedil;a para os &ldquo;&uacute;ltimos da terra&rdquo;. A miss&atilde;o da Igreja acontece   sempre que percorre o itiner&aacute;rio do amor, olhando, preferencialmente, para   quem est&aacute; &agrave; margem da sociedade, e anunciando o rosto sol&iacute;cito de Cristo   atrav&eacute;s da gratuidade e do amor sem fronteiras.<\/p>\n<p><strong>3 &#8211;<\/strong> A beleza   festiva que rodeia a nossa celebra&ccedil;&atilde;o Pascal sugere o caminho da <strong><em>Via   pulcritudinis<\/em><\/strong>. Deus &eacute; a express&atilde;o m&aacute;xima do belo e &ldquo;Cristo &eacute; a beleza   cruciforme que salva o mundo&rdquo; (C. Maria Martini). Nem sempre testemunhamos a   beleza de Deus que vem ao nosso encontro na liturgia e na vida quotidiana. O   ato criador Deus reflete-se na beleza da m&uacute;sica, no arranjo dos lugares, nos   paramentos. Os espa&ccedil;os devem privilegiar a harmonia e a eleg&acirc;ncia est&eacute;tica.   Como nos recordava Bento XVI em Portugal &ldquo;mais do que fazer coisas belas   tornai as vossas vidas lugares de Beleza&rdquo;, de presen&ccedil;a e encontro com o toque   sublime de Deus no cora&ccedil;&atilde;o da humanidade.<\/p>\n<p>A P&aacute;scoa exige a responsabilidade de anunciar o   Ressuscitado e a alegria de mostrar como Ele caminha connosco. O caminho est&aacute;   delineado desde que a pedra do sepulcro se removeu e as mulheres correram a   anunciar que Ele estava vivo. Os disc&iacute;pulos, desconfiados e perplexos perante   o seu futuro, reconhecem-no na explica&ccedil;&atilde;o das Escrituras. Ema&uacute;s torna-se   s&iacute;mbolo da Igreja peregrina a caminho de Deus e dos homens.<\/p>\n<p>S&atilde;o caminhos novos que a for&ccedil;a da   P&aacute;scoa nos leva a descobrir e a percorrer. Que o Tempo Pascal permita que as   nossas comunidades tomem conta da Palavra e a anunciem sem medo nos caminhos   da vida.<\/p>\n<p>Catedral,   23 de abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jorge   Ortiga, Arcebispo de Braga<\/em><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><a href=\"http:\/\/diocese-braga.pt\/noticia3.php?recordID=3752&amp;seccao=31&amp;grupo=1#_ftnref1\">[1]<\/a> Plano   Pastoral da Arquidiocese de Braga.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; A Miss&atilde;o, caminho da Palavra Ao longo da Semana Santa propus um itiner&aacute;rio de vida que fizesse da Igreja uma aut&ecirc;ntica Casa da Palavra. Hoje, a Igreja, iluminada pela luz pascal, faz mem&oacute;ria e torna presente os grandes acontecimentos da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o que a Palavra de Deus n&oacute;s vem revelando ao longo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,172,246,308,314],"class_list":["post-51038","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-braga","tag-liturgia","tag-semana-santa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51038\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}