{"id":51023,"date":"2011-04-22T18:02:00","date_gmt":"2011-04-22T18:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/22\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-missa-da-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2011-04-22T18:02:00","modified_gmt":"2011-04-22T18:02:00","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-na-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Lamego na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">&nbsp;<\/p>\n<p>Esta celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, na tarde de Quinta-feira Santa, introduz-nos no ambiente de intimidade do Cen&aacute;culo e faz-nos reviver o impressionante gesto de Jesus a lavar os p&eacute;s aos ap&oacute;stolos, e a institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia e do Sacerd&oacute;cio. Igualmente a comunidade paroquial da S&eacute; celebra neste Solene Pontifical a sua Comunh&atilde;o Pascal. &Eacute; o encontro pessoal com o Senhor, que se nos d&aacute; no P&atilde;o sacramentado, &ldquo;onde est&aacute; presente e pr&oacute;ximo at&eacute; se fazer alimento para o nosso caminho&rdquo; e nos comunica, quando devidamente preparados, a plenitude da Gra&ccedil;a que a Sua Paix&atilde;o, Morte e Ressurrei&ccedil;&atilde;o nos mereceu, para que, como disc&iacute;pulos seus, testemunhemos na nossa vida as suas atitudes e os seus sentimentos. Jesus, ao instituir a Eucaristia, criava o memorial do Sacrif&iacute;cio, express&atilde;o m&aacute;xima do Seu amor, que iria ser consumado na morte da Cruz, e dava-nos a possibilidade de o vivermos permanentemente. &Eacute; a realidade que estamos a celebrar.<\/p>\n<p>A comunh&atilde;o Pascal n&atilde;o pode ser o cumprimento meramente formal duma tradi&ccedil;&atilde;o a que por certo sentimento de piedade ou nostalgia nos consideremos ligados. A Comunh&atilde;o Pascal deve ser a afirma&ccedil;&atilde;o consciente e comprometida da nossa f&eacute;. N&atilde;o podemos prestar uma aten&ccedil;&atilde;o menos empenhada &agrave; pertinente e urgente advert&ecirc;ncia do Santo Padre aos Bispos portugueses em F&aacute;tima na tarde do passado dia 13 de maio: &ldquo;Os tempos que vivemos exigem um novo vigor mission&aacute;rio dos crist&atilde;os, chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja, solid&aacute;rio com a complexa transforma&ccedil;&atilde;o do mundo. H&aacute; necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o sil&ecirc;ncio &eacute; mais amplo e profundo. [&hellip;] N&atilde;o faltam crentes envergonhados que d&atilde;o as m&atilde;os ao secularismo, construtores de barreiras &agrave; inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde;.&rdquo; E ainda hoje de manh&atilde;, na Missa Crismal na Bas&iacute;lica de S. Pedro, denunciava Sua Santidade que o Ocidente, os pa&iacute;ses centrais do cristianismo se mostram cansados da sua f&eacute;, enfastiados da sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria e cultura, j&aacute; n&atilde;o querem conhecer a f&eacute; em Jesus Cristo. Passa por estas fortes interpela&ccedil;&otilde;es de Bento XVI a seriedade da nossa Comunh&atilde;o Pascal ?<\/p>\n<p>Na Audi&ecirc;ncia Geral da semana passada chamava a aten&ccedil;&atilde;o, o mesmo Pont&iacute;fice, recordando o Conc&iacute;lio Vaticano II, para a chamada universal &agrave; santidade, afirmando as pr&oacute;prias palavras da Constitui&ccedil;&atilde;o <em>Lumen Gentium<\/em>: &ldquo;Os seguidores de Cristo, que Deus chamou e justificou no Senhor Jesus, n&atilde;o pelos m&eacute;ritos deles mas pelo Seu des&iacute;gnio e Sua gra&ccedil;a, foram feitos, no Batismo da f&eacute;, verdadeiros filhos de Deus e participantes da natureza divina, e por isso mesmo verdadeiros santos. Devem, portanto, com a ajuda de Deus, conservar e aperfei&ccedil;oar na sua vida a santidade que receberam.&rdquo;<\/p>\n<p>Vale a pena lembrar novamente as orienta&ccedil;&otilde;es sempre atuais do pr&oacute;ximo Beato, Jo&atilde;o Paulo II, na Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica para o novo mil&eacute;nio, partindo tamb&eacute;m da Constitui&ccedil;&atilde;o <em>Lumen Gentium<\/em>: &ldquo; &laquo;Os crist&atilde;os de qualquer estado ou ordem s&atilde;o chamados &agrave; plenitude da vida crist&atilde; e &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o da caridade&raquo;. [&hellip;] Se o Batismo &eacute; um verdadeiro ingresso na santidade de Deus atrav&eacute;s da inser&ccedil;&atilde;o em Cristo e da habita&ccedil;&atilde;o do Seu Esp&iacute;rito, seria um contrassenso contentar-se com uma &eacute;tica minimalista e uma religiosidade superficial. (&hellip;) Implica colocar na sua estrada (do batizado) o radicalismo do serm&atilde;o da Montanha: <em>Sede perfeitos, como &eacute; perfeito vosso Pai celeste.&rdquo;<\/em>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; com este esp&iacute;rito e prop&oacute;sito que vamos fazer a nossa comunh&atilde;o pascal?<\/p>\n<p>Mas o Santo Padre, na reflex&atilde;o da Audi&ecirc;ncia Geral a que fa&ccedil;o refer&ecirc;ncia, prop&otilde;e-nos uma s&eacute;rie de prop&oacute;sitos que me apraz reproduzir: &ldquo;Todo o fiel deve escutar de bom grado a Palavra de Deus e, com a ajuda da Sua Gra&ccedil;a, cumprir com obras a Sua vontade; participar frequentemente nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia e na santa liturgia; aplicar-se constantemente &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, &agrave; abnega&ccedil;&atilde;o de si pr&oacute;prio, ao servi&ccedil;o ativo dos irm&atilde;os e ao exerc&iacute;cio das virtudes.&rdquo;<\/p>\n<p>E Sua Santidade &eacute; ainda mais preciso. Faz a pergunta &ldquo;Que &eacute; essencial?&rdquo; E responde de imediato: &ldquo;Essencial &eacute; n&atilde;o deixar nunca um Domingo sem um encontro com Cristo Ressuscitado na Eucaristia; isto n&atilde;o &eacute; um peso acrescentado, mas uma luz para toda a semana. N&atilde;o iniciar nem acabar nunca o dia sem pelo menos um breve contacto com Deus. E, na estrada da nossa vida, seguir os &laquo;sinais de tr&acirc;nsito&raquo; que Deus nos comunicou no Dec&aacute;logo lido com Cristo que &eacute; simplesmente a explicita&ccedil;&atilde;o do que &eacute; a caridade em determinadas situa&ccedil;&otilde;es. Parece-me que seja esta a verdadeira simplicidade e grandeza da vida de santidade.&rdquo;<\/p>\n<p>&Eacute; que, utilizando novamente o pensamento do Conc&iacute;lio, a santidade a que somos chamados, outra coisa n&atilde;o &eacute; que a caridade plenamente vivida. E a caridade &eacute; doa&ccedil;&atilde;o, &eacute; partilha, &eacute; servi&ccedil;o humilde.<\/p>\n<p>Fixemo-nos agora por momentos no gesto de Jesus, t&atilde;o expressivamente e com tanta riqueza de pormenor, descrito por S. Jo&atilde;o, como ouvimos h&aacute; momentos, e que a seguir poderemos ver na encena&ccedil;&atilde;o que vai ter lugar de acordo com as rubricas lit&uacute;rgicas. Bento XVI, no bel&iacute;ssimo livro com que recentemente nos brindou, <em>Jesus de Nazar&eacute; &ndash; da Entrada em Jerusalem at&eacute; &agrave; <\/em>Ressurrei&ccedil;&atilde;o, comenta o que aconteceu. &ldquo;Jesus prestou aos seus disc&iacute;pulos o servi&ccedil;o de escravo, &laquo;esvaziou-se a Si mesmo&raquo;. Aquilo que diz a <em>Carta aos Filipenses<\/em>, no seu admir&aacute;vel hino cristol&oacute;gico &ndash; isto &eacute;, que, num gesto contr&aacute;rio ao de Ad&atilde;o, que tentara com as pr&oacute;prias for&ccedil;as apoderar-se do divino, Cristo desceu da Sua divindade, tornando-se homem, &laquo;tomando a condi&ccedil;&atilde;o de servo&raquo; e fez-se obediente at&eacute; &agrave; morte de cruz &ndash; tudo isto fica vis&iacute;vel aqui num &uacute;nico gesto. Com um ato simb&oacute;lico, Jesus ilustra o conjunto do Seu sacrif&iacute;cio salv&iacute;fico. Despoja-se do Seu esplendor divino, ajoelha-se por assim dizer diante de n&oacute;s, lava e enxuga os nossos p&eacute;s sujos, para nos tornar capazes de participar no banquete nupcial de Deus.&rdquo;<\/p>\n<p>O comportamento do Senhor &eacute; o exemplo e a regra da conviv&ecirc;ncia entre os disc&iacute;pulos: <em>Se eu que sou Mestre e Senhor, vos lavei os p&eacute;s, tamb&eacute;m v&oacute;s deveis lavar os p&eacute;s uns aos outros<\/em>. Como comenta por&eacute;m Sua Santidade, &ldquo;s&oacute; se nos deixarmos sempre de novo lavar, &laquo;tornar puros&raquo; pelo pr&oacute;prio Senhor, &eacute; que poderemos aprender a fazer, juntamente com Ele, aquilo que Ele fez&rdquo;. Sua Santidade explica: &ldquo;A culpa precisa de confiss&atilde;o. Atrav&eacute;s da confiss&atilde;o, trazemo-la &agrave; luz, expomo-la ao amor purificador de Cristo. Na confiss&atilde;o, o Senhor lava sempre os nossos p&eacute;s sujos e prepara-nos para a comunh&atilde;o convivial com Ele.&rdquo;<\/p>\n<p>Foi a prepara&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima que certamente fizemos ao celebrar com as devidas disposi&ccedil;&otilde;es o Sacramento da Penit&ecirc;ncia. Em tempo de crise extrema em que nos encontramos, voltados para solu&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas que oxal&aacute; tenham &ecirc;xito, inquietos com o futuro, diante do espectro do desemprego crescente, &eacute; necess&aacute;rio que todos reconhe&ccedil;amos a urg&ecirc;ncia duma mudan&ccedil;a pessoal e duma mudan&ccedil;a coletiva. Podemos chamar-lhe convers&atilde;o. Assistimos de h&aacute; tempos para c&aacute; &agrave; insultuosa e agressiva culpabiliza&ccedil;&atilde;o sempre dos outros, quando nesta situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e delicad&iacute;ssima, s&oacute; a converg&ecirc;ncia poder&aacute; ser portadora de esperan&ccedil;a. Queremos uma converg&ecirc;ncia que respeite a justi&ccedil;a distributiva e n&atilde;o carregue apenas os ombros dos que mais precisam, deixando inc&oacute;lumes escandalosas assimetrias econ&oacute;micas: os que esbanjam e aqueles a quem falta o m&iacute;nimo para sobreviver. Falta-nos a coragem de mutuamente nos lavarmos os p&eacute;s, descendo do nosso orgulho, para que com humildade construamos empenhadamente um futuro mais solid&aacute;rio. Deixemos de ver-nos como inimigos, e, apesar de diverg&ecirc;ncias que s&atilde;o reais, encontremo-nos como companheiros e irm&atilde;os que em consenso, tamb&eacute;m porque somos crist&atilde;os, h&atilde;o de erguer a comunidade a que com amor pertencemos, o nosso pa&iacute;s, Portugal.<\/p>\n<p>Que a Senhora da Assun&ccedil;&atilde;o, Padroeira desta S&eacute; e desta par&oacute;quia, atrav&eacute;s da Comunh&atilde;o Pascal do Seu Jesus, nos aproxime como irm&atilde;os.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Esta celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, na tarde de Quinta-feira Santa, introduz-nos no ambiente de intimidade do Cen&aacute;culo e faz-nos reviver o impressionante gesto de Jesus a lavar os p&eacute;s aos ap&oacute;stolos, e a institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia e do Sacerd&oacute;cio. 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