{"id":51016,"date":"2011-04-23T23:00:00","date_gmt":"2011-04-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/23\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-vigilia-pascal\/"},"modified":"2011-04-23T23:00:00","modified_gmt":"2011-04-23T23:00:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<strong>&ldquo;A vida &eacute; uma Vig&iacute;lia&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. A Ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma festa de luzes e som. Come&ccedil;a por uma longa Vig&iacute;lia, express&atilde;o da esperan&ccedil;a de um povo a caminho. A Vig&iacute;lia &eacute; atitude normal do homem e da hist&oacute;ria. S&oacute; deixam de estar em vig&iacute;lia aqueles que se satisfazem com o seu presente, com o que j&aacute; s&atilde;o, deixaram de desejar etapas novas da vida, deixaram de perceber que o presente do homem, para ser digno dele, tem de ser uma abertura sobre um futuro novo. Fazer Vig&iacute;lia &eacute; desejar, mas &eacute; tamb&eacute;m estar vigilante para que o presente n&atilde;o feche as portas a esse futuro novo. Est&aacute; em vig&iacute;lia o agricultor que lan&ccedil;a a semente &agrave; terra e fica &agrave; espera, a desejar que ela germine e desabroche em colheita abundante; fazem vig&iacute;lia os que iniciam uma rela&ccedil;&atilde;o de amor e desejam que se aprofunde, que dure e traga a felicidade; ficam em vig&iacute;lia os pais que geram um filho e toda a sua esperan&ccedil;a se concentra no seu crescimento; est&atilde;o em vig&iacute;lia os doentes que esperam a sa&uacute;de, os pobres que anseiam por uma vida melhor; est&atilde;o em vig&iacute;lia os pa&iacute;ses e as na&ccedil;&otilde;es, que desejam progresso, justi&ccedil;a, paz, solu&ccedil;&atilde;o de todas as crises que amea&ccedil;am a harmonia da vida comunit&aacute;ria. Est&atilde;o em vig&iacute;lia os crentes que, na firmeza da sua f&eacute;, desejam encontrar Deus, numa comunh&atilde;o de amor; est&atilde;o em vig&iacute;lia todos os que esperam a plenitude da vida, numa eternidade feliz. A densidade de cada vig&iacute;lia depende daquilo que se espera, depende da densidade da esperan&ccedil;a. Parece que uma das origens desta Vig&iacute;lia Pascal est&aacute; na convic&ccedil;&atilde;o da Igreja, num certo momento da sua hist&oacute;ria, de que a anunciada e prometida &uacute;ltima vinda de Cristo, para inaugurar o tempo definitivo, aconteceria na P&aacute;scoa, intui&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre o triunfo do ressuscitado e a manifesta&ccedil;&atilde;o definitiva da sua gl&oacute;ria. A Igreja reunia-se em vig&iacute;lia, &agrave; espera, preparando-se para acolher o Senhor nessa sua &uacute;ltima vinda. Por isso, esta vig&iacute;lia come&ccedil;a, necessariamente, pelo an&uacute;ncio da ressurrei&ccedil;&atilde;o. Aqueles que n&atilde;o deixaram que a luz de Cristo ressuscitado iluminasse toda a sua vida, nem sequer s&atilde;o capazes de desejar a sua &uacute;ltima vinda. A densidade desta vig&iacute;lia est&aacute; a&iacute;: deixar que a luz de Cristo ressuscitado nos ilumine e nos leve a viver toda a realidade, conduzidos por essa luz: a cria&ccedil;&atilde;o que nos envolve, a nossa hist&oacute;ria de salva&ccedil;&atilde;o, a seriedade da nossa caminhada crist&atilde;.<\/p>\n<p>2. Come&ccedil;&aacute;mos por meditar na cria&ccedil;&atilde;o como dom de Deus; esse dom s&oacute; o podemos perceber a essa luz de Cristo ressuscitado. &ldquo;No princ&iacute;pio criou Deus o c&eacute;u e a terra&rdquo; (Gen. 1,1). &ldquo;Criou o homem &agrave; sua imagem (&hellip;) homem e mulher os criou&rdquo; (Gen. 1,27). Neste in&iacute;cio, estava o Verbo de Deus. &ldquo;Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada existiu&rdquo; (Jo. 1,3). Este Verbo &eacute; Nosso Senhor Jesus Cristo, &ldquo;a imagem de Deus invis&iacute;vel, primog&eacute;nito de toda a criatura, porque n&rsquo;Ele foram criadas todas as coisas, nos c&eacute;us e na terra, vis&iacute;veis e invis&iacute;veis&rdquo; (Col. 1,15-16).<\/p>\n<p>O homem nunca poder&aacute; perceber a beleza da cria&ccedil;&atilde;o e a import&acirc;ncia na nossa realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, se n&atilde;o aprender a v&ecirc;-la &agrave; luz de Cristo ressuscitado. S&oacute; assim ela ser&aacute;, para n&oacute;s, mensagem, Palavra de Deus, como canta o salmista: &ldquo;Os c&eacute;us proclamam a gl&oacute;ria de Deus, o firmamento anuncia a obra das suas m&atilde;os&rdquo; (Sl. 19,2). &ldquo;A pr&oacute;pria Sagrada Escritura nos convida a conhecer o Criador, observando a cria&ccedil;&atilde;o&rdquo;[1]. Olhar a cria&ccedil;&atilde;o &agrave; luz de Cristo convida-nos a respeitar a sua harmonia, sobretudo a respeitar a vida, que brota sempre de Cristo, plenitude da vida. Esta rela&ccedil;&atilde;o do homem com a cria&ccedil;&atilde;o e com a vida, convida-nos a uma longa vig&iacute;lia, pois a civiliza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea est&aacute; longe de lhe captar a sua verdade.<\/p>\n<p>3. Num segundo momento, esta vig&iacute;lia ilumina com a luz de Cristo ressuscitado toda a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o que foi uma longa vig&iacute;lia do Povo escolhido. Cristo revela-nos o sentido dessa longa vig&iacute;lia, desde Abra&atilde;o at&eacute; &agrave; P&aacute;scoa de Jesus. Cristo &eacute; a chave de compreens&atilde;o de toda a Escritura, n&rsquo;Ele percebemos a unidade progressiva dessa &uacute;nica hist&oacute;ria e a persist&ecirc;ncia da fidelidade de Deus em realizar o seu des&iacute;gnio de salva&ccedil;&atilde;o. A recente Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica sobre a Palavra de Deus afirma: &ldquo;O pr&oacute;prio Novo Testamento se diz em conformidade com o Antigo e proclama que, no mist&eacute;rio da vida, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo, encontram o seu perfeito cumprimento as Escrituras Sagradas do povo judeu&rdquo;[2]. E insiste: &ldquo;Os crist&atilde;os leem o Antigo Testamento &agrave; luz de Cristo morto e ressuscitado&rdquo;[3]. E o pr&oacute;prio Jesus afirma aos judeus: &ldquo;Se acredit&aacute;sseis em Mois&eacute;s, acreditar&iacute;eis em Mim, pois ele escreveu a meu respeito&rdquo; (Jo. 5,46). Esta compreens&atilde;o de toda a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o &agrave; luz de Cristo, que exprime a unidade e a plenitude de toda a a&ccedil;&atilde;o salv&iacute;fica de Deus, &eacute;, para a pr&oacute;pria Igreja, uma longa vig&iacute;lia. Nela, a luz de Cristo, convidar-nos-&aacute; a integrar a nossa pr&oacute;pria hist&oacute;ria e a hist&oacute;ria da humanidade, na hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; desafio que o Esp&iacute;rito do ressuscitado faz aos crist&atilde;os: aprenderem a ler a hist&oacute;ria concreta dos homens deste tempo, &agrave; luz da P&aacute;scoa de Cristo. Isso chama-se fidelidade e miss&atilde;o.<\/p>\n<p>4. Essa &eacute; a &uacute;ltima parte da vig&iacute;lia. Os que acreditam em Cristo e se uniram a Ele no batismo, s&atilde;o chamados a viver a sua vida na esperan&ccedil;a. &Eacute; a caminhada da f&eacute;, ao ritmo do desafio da fidelidade e da santidade. Come&ccedil;aram nessa caminhada os que hoje recebem o batismo; continua a sua peregrina&ccedil;&atilde;o todo o Povo do Senhor, na sua profiss&atilde;o de f&eacute; e renova&ccedil;&atilde;o dos compromissos batismais. Celebraremos a Eucaristia que &eacute; a convic&ccedil;&atilde;o de que a P&aacute;scoa de Jesus &eacute; sempre o nosso ponto de partida e ser&aacute; o nosso ponto de chegada. Ter f&eacute; &eacute; viver a vida como vig&iacute;lia. O solene an&uacute;ncio da ressurrei&ccedil;&atilde;o &eacute; a palavra de ordem para nos pormos a caminho, vigilantes e confiantes, &agrave; espera que a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo seja, em n&oacute;s, vida nova, j&aacute; nesta vida terrena. Mas a &uacute;ltima vinda gloriosa do Senhor &eacute;, ainda hoje, o horizonte definitivo da nossa espera.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 23 de abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Policarpo<\/em><em>, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica &ldquo;Verbum Domini&rdquo;, n.&ordm; 8<\/p>\n<p>2 Ibidem, n&ordm; 40<\/p>\n<p>3 Ibidem, n&ordm; 41&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;A vida &eacute; uma Vig&iacute;lia&rdquo; 1. A Ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma festa de luzes e som. Come&ccedil;a por uma longa Vig&iacute;lia, express&atilde;o da esperan&ccedil;a de um povo a caminho. A Vig&iacute;lia &eacute; atitude normal do homem e da hist&oacute;ria. 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