{"id":51015,"date":"2011-04-24T12:01:00","date_gmt":"2011-04-24T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/04\/24\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao-3\/"},"modified":"2011-04-24T12:01:00","modified_gmt":"2011-04-24T12:01:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao-3\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca no Pontifical da Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<strong>&ldquo;<\/strong><strong>&Eacute; preciso anunciar que Cristo est&aacute; vivo&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. A ressurrei&ccedil;&atilde;o &eacute;, humanamente, uma verdade exigente. A morte f&iacute;sica tem todo o aspeto de um fim. Acreditar na ressurrei&ccedil;&atilde;o significa dar um sentido novo &agrave; morte, consider&aacute;-la n&atilde;o como o termo da vida, mas uma passagem em ordem a outra etapa da vida. Um texto da Liturgia afirma: &ldquo;para os que creem em v&oacute;s, Senhor, a vida n&atilde;o acaba, apenas se transforma&rdquo;[Pref&aacute;cio dos Defuntos I]. Hoje h&aacute; muitas pessoas que j&aacute; n&atilde;o acreditam na vida depois da morte. Mas na perspetiva crist&atilde; n&atilde;o basta aceitar uma qualquer forma de continuidade da vida. Trata-se de acreditar que Cristo venceu a morte, ressuscitou dos mortos, e ressuscitar-nos-&aacute; com Ele. A nossa f&eacute; na vida, depois da morte, &eacute; a certeza da nossa ressurrei&ccedil;&atilde;o, como Cristo ressuscitou. &Eacute; por isso que &eacute; urgente, na nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, anunciar aos homens de hoje que Cristo est&aacute; vivo, venceu a morte, porque Deus O ressuscitou dos mortos.<\/p>\n<p>Acreditar na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo sempre foi exigente. &Eacute; o &acirc;mago da f&eacute; crist&atilde;, que muda tudo na compreens&atilde;o da vida. Apesar de Jesus, sempre que falou da sua morte, ter anunciado a sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, mesmo para os seus disc&iacute;pulos foi dif&iacute;cil acreditar que Ele estava vivo. N&atilde;o acreditaram no testemunho das mulheres a quem Jesus ressuscitado tinha aparecido (cf. Lc. 24,9-11); S&atilde;o Tom&eacute; n&atilde;o aceita o testemunho dos outros ap&oacute;stolos a quem O ressuscitado se manifestara (cf. Jo. 20,24ss). Mesmo no momento da &uacute;ltima apari&ccedil;&atilde;o, antes da sua Ascens&atilde;o aos C&eacute;us, em que Jesus explicita a sua miss&atilde;o universal, se o conjunto se prostra diante d&rsquo;Ele, S&atilde;o Mateus tem a sinceridade de reconhecer que alguns ainda duvidavam (cf. Mt. 28,17).<\/p>\n<p>No texto do Evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o que acab&aacute;mos de escutar, Pedro e Jo&atilde;o confrontam-se com o t&uacute;mulo vazio. S&atilde;o Jo&atilde;o confessa: &ldquo;entrou tamb&eacute;m o outro disc&iacute;pulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda n&atilde;o tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos&rdquo; (Jo. 20,9).<\/p>\n<p>2. O t&uacute;mulo vazio era apenas um sinal de que algo de extraordin&aacute;rio tinha acontecido. O verdadeiro fundamento da f&eacute; na ressurrei&ccedil;&atilde;o &eacute; o encontro com o ressuscitado. E Jesus aparece, convive, esfor&ccedil;a-Se por lhes mostrar que &eacute; Ele mesmo. E s&atilde;o esses que fizeram a experi&ecirc;ncia viva do encontro com Cristo ressuscitado que v&atilde;o testemunhar que Ele est&aacute; vivo. O texto dos Atos dos Ap&oacute;stolos, proclamado nesta celebra&ccedil;&atilde;o, diz mesmo que Jesus apareceu &agrave;queles que, previamente, tinha escolhido para darem testemunho. &ldquo;Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-se, n&atilde;o a todo o Povo, mas &agrave;s testemunhas de antem&atilde;o designadas por Deus, a n&oacute;s que comemos e bebemos com Ele depois de ter ressuscitado dos mortos&rdquo; (Act. 10,40-41). No caso da voca&ccedil;&atilde;o de Paulo, a quem Jesus aparece na Estrada de Damasco, &eacute; claro que Cristo ressuscitado lhe aparece, porque o escolheu como testemunha da sua ressurrei&ccedil;&atilde;o. Deus diz a Ananias: vai ter como ele, &ldquo;porque este homem &eacute; um instrumento de minha escolha para levar o meu nome aos pag&atilde;os&rdquo; (Act. 9,15).<\/p>\n<p>Este &eacute; o dinamismo constitutivo da Igreja. Aceitar a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo n&atilde;o &eacute; fruto de uma demonstra&ccedil;&atilde;o, mas do testemunho vivo de quem encontrou o ressuscitado. E tem sido assim ao longo de 2000 anos. Acreditar no testemunho de quem acredita porque experimentou, embora o n&atilde;o possa provar. E Jesus elogia aqueles que acreditaram s&oacute; pelo testemunho. A S&atilde;o Tom&eacute; observa: &ldquo;Porque me viste, acreditaste. Bem-aventurados aqueles que acreditar&atilde;o sem terem visto&rdquo; (Jo. 20,29).<\/p>\n<p>Este testemunho &eacute;, antes de mais, o da Igreja, a quem o Senhor fez sempre sentir a sua presen&ccedil;a, sobretudo atrav&eacute;s da sua Palavra e da Eucaristia. A f&eacute; na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo &eacute; a f&eacute; da Igreja. A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o precisa de testemunhos, que tenham experimentado, na f&eacute;, a presen&ccedil;a viva de Cristo vivo. Hoje glorioso no c&eacute;u, Cristo ressuscitado est&aacute; vivo na Igreja e continua a percorrer os caminhos do mundo &agrave; procura de cora&ccedil;&otilde;es que O recebam e se abram ao seu amor. Como no princ&iacute;pio, esses s&atilde;o certamente aqueles que, de antem&atilde;o, Ele escolheu para darem testemunho.<\/p>\n<p>3. A f&eacute; em Cristo ressuscitado muda completamente a nossa vida. &Eacute; que Ele n&atilde;o &eacute; apenas um morto que, por milagre, regressou &aacute; vida, como aconteceu a L&aacute;zaro, ao filho da vi&uacute;va de Naim ou &agrave; filha de Jairo. N&rsquo;Ele irrompeu a &ldquo;nova vida&rdquo;, que rasga horizontes novos para a vida humana. Esta diferen&ccedil;a, manifesta-a o Senhor quando nos comunica o Esp&iacute;rito Santo, amor que tudo transforma. No ressuscitado inaugurou-se, j&aacute; neste mundo, a &ldquo;vida eterna&rdquo;, para Ele e para n&oacute;s. Para S&atilde;o Paulo isso &eacute; claro: uma revolu&ccedil;&atilde;o na compreens&atilde;o da vida come&ccedil;ou. &ldquo;Se ressuscitastes com Cristo, aspirai &agrave;s coisas do alto, onde est&aacute; Cristo, sentado &agrave; direita de Deus. Afei&ccedil;oai-vos &agrave;s coisas do alto e n&atilde;o &agrave;s coisas da terra. Porque v&oacute;s morrestes, e a vossa vida est&aacute; escondida com Cristo em Deus&rdquo; (Col. 3,1-4). Afei&ccedil;oar-se &agrave;s coisas do alto n&atilde;o significa desprezar as realidades de todos os dias. Significa poder viv&ecirc;-las com coragem, com esperan&ccedil;a, dando-lhes o valor que t&ecirc;m, n&atilde;o as considerar definitivas. Na dureza ou na beleza da vida deste mundo, encontrar a for&ccedil;a que nos faz desejar as realidades definitivas.<\/p>\n<p>Celebramos esta P&aacute;scoa num momento duro para muitos portugueses. Se acreditarmos que Cristo est&aacute; vivo, teremos for&ccedil;a para tudo superar, as dificuldades n&atilde;o nos impedem de desejar, e o Esp&iacute;rito Santo dar-nos-&aacute; for&ccedil;a para lutar e a coragem de esperar. O amor dos irm&atilde;os, que &eacute; caridade, tem de ser o grande testemunho de que vivemos este momento com o Senhor vivo, na certeza de que Ele est&aacute; connosco.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 24 de abril de 2011<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Policarpo<\/em><em>, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;&Eacute; preciso anunciar que Cristo est&aacute; vivo&rdquo; 1. A ressurrei&ccedil;&atilde;o &eacute;, humanamente, uma verdade exigente. A morte f&iacute;sica tem todo o aspeto de um fim. 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